domingo, 30 de julho de 2006

A FRASE DO DIA

«Se for perdida é previsível que as suas consequências sejam cada vez mais gravosas em termos da estabilidade da paz mundial e também naturalmente do clash of civilizations.»

Rui Machete, aqui no DN

sábado, 29 de julho de 2006

O PORMENOR DO PODER DAS GRANDES EMPRESAS


Não sei se já repararam na intensificação das medidas da segurança higiénica nos produtos de consumo alimentar. A União Europeia chega a ser paranóica. Mas agora como é que todo o mundo deixa passar aquelas latas de refrigerantes com abertura fácil, em que a tampa da abertura desce para o interior e fica em contacto com o líquido? Estando em contacto com tudo o que não é higiénico como é que depois é permitido que vá contaminar a bebida no interior da lata? A leptospirose é um pesadelo nesta situação. Porque não se proíbe? Para não incomodar as grandes companhias americanas. É a única explicação possível.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

A MARIA JOÃO PIRES EMIGROU

A Maria João Pires também emigrou. E também decepcionada com o país. Ela é uma artista de nomeada. Mas o seu caso é como o dos milhares de portugueses anónimos que são impelidos a emigrar. Decepcionados.
Claro que os políticos e a matilha dos partidários não estão decepcionados. Orientam-se bem à custa dos tansos dos portugueses.

CRESCE O NÚMERO DE PORTUGUESES QUE EMIGRAM PARA ESPANHA

«O país vizinho é agora o segundo destino da emigração portuguesa, segundo os dados ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística espanhol (INE). É o que se noticia aqui
Nada que seja alheio ao que venho por aqui divagando. A falta de estratégia em Portugal leva a que os portugueses se aconcheguem na existente em Espanha. Procuram os portugueses meios de ganhar o pão, ter dignidade e conforto, que é coisa que lhes é negada no seu país. E como neste país nunca há culpados, ninguém se responsabiliza. Mas há sempre quem saque o dinheirinho. E todas as justificações servem, mesmo as mais absurdas.

RUMOS

Perguntaram-me onde estava a estratégia. Todos os meus post’s têm a ver com a estratégia, ou melhor, a falta dela. E o que me move é a frase que é o lema do blog.
Todos os dias vamos falando da educação, leia-se instrução pública, que se encontra num percurso catastrófico. O que irá conduzir a uma incrementação da ignorância generalizada. A mistura explosiva está a ser fabricada. E o problema não é só de Portugal. É muito generalizado. A I Guerra Mundial demonstrou que não tinha sido bem estruturada uma nova ordem mundial após a Revolução Francesa e a queda do “Ancien Regime”. A II Guerra Mundial foi a consequência da má “soldadura” da primeira. A Queda do Muro de Berlim demonstrou que as ordens mundiais são muito voláteis depois da Revolução Industrial. Os ritmos aceleraram-se com os desenvolvimentos tecnológicos com tendência de ser insuportável para os humanos as velocidades que se vão atingindo. Conforme se sair desta guerra israelo-libanesa, assim se verá qual o rumo da nova ordem mundial. Mas se os decisores e moderadores, com peso, forem os que menos sabem de história e menos entendem as mentalidades das sociedades, a tal mistura de ignorância e poder vai reflectir-se nesse rumo.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

quarta-feira, 26 de julho de 2006

A VACUIDADE

Hoje, aqui no Público, Rui Ramos com o artigo "O Número de Funcionários".

«Ninguém sabe, com certeza, onde começa e acaba, e se está a expandir-se ou a encolher. E basta este facto para revelar a vacuidade da política em Portugal.
(...)
O "número dos funcionários" não traduz apenas a expansão dos serviços públicos, mas a necessidade de criar, a partir de cima e rapidamente, as classes sociais pressupostas pelos projectos políticos de quem dominava o Estado. Não é surpreendente que, tendo crescido assim, o Estado tenha em si próprio o objectivo da sua actividade. É o que se pode deduzir da importância das despesas com os funcionários e do tipo de trabalho desses funcionários. Segundo Medina Carreira, o Estado português é, na Europa, aquele em que os vencimentos do funcionalismo absorvem maior percentagem dos impostos (45 por cento) e o único que gasta mais em vencimentos do que em transferências sociais. Os funcionários não só consomem uma grande parte dos recursos, mas trabalham sobretudo para si próprios. Em 2004, o Conselho Coordenador do Sistema de Controlo Interno da Administração Financeira do Estado revelou que apenas 40 por cento da actividade dos funcionários consiste em serviços e assistência directa aos cidadãos e às empresas. Sessenta por cento da actividade dos funcionários não tem esses fins de utilidade social: 51 por cento é consumida em burocracia interna e 9 por cento é simplesmente supérflua. É este o segredo do Estado português. Não existe para servir a sociedade, mas constitui, em si mesmo, uma sociedade que os restantes portugueses estão obrigados a servir através dos impostos. »

terça-feira, 25 de julho de 2006

PORTUGAL É TÃO ALEGRE

O poeta Manuel Alegre, que segundo se noticia, nem se lembrava de um emprego de meses na RDP, após o 25 de Abril, vai receber uma pensão de reforma desse trabalho. Para além de ser um bom exemplo como essa malta tem sempre uma grande facilidade em arranjar emprego, e bem remunerado, também isto realça a qualidade dos militantes partidários, dos políticos e porque é que contribuem para a felicidade dos portugueses.
Isto não é inveja da reforma dele. É só a questão do mérito que justifica a esta reforma, face a outros portugueses que trabalharam anos e anos, mas trabalharam mesmo e cumprindo horários e sendo produtivos. É também uma questão de justiça. Porque é que, para alguns, meses de trabalho justificam uma choruda reforma, enquanto que para muitos outros que não trabalham para o estado, ter uma reforma ao fim de muitos anos de trabalho e com os respectivos descontos, é uma batalha épica? Este país vale a pena? Assim não vale. Quem tem menos de 30 anos que fuja de Portugal.

JOVENS AMBICIOSOS DO SABER

Como eu sempre tenho dito não vale a pena evoluir-se nos estudos em Portugal. O país, em geral, não gosta de pessoas que evoluam. Prefere sempre nivelar por baixo. Também por isso não se desenvolve. Os bolseiros de investigação científica protestam. E ameaçam ir para o estrangeiro. Como venho repetidamente afirmando, quem tem menos de 30 anos, e se quiser afirmar pessoalmente, fuja de Portugal. Os portugueses, como têm demonstrando, não gostam de mudanças nem de pessoas que evoluam, porque isso desnuda o nada que valem fazendo saltar a mesquinhez que os corrói. Leiam aqui a notícia.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

SIMPLES

«Las circunstancias en las que se desarrolló el conflicto convirtieron a Badajoz en un marco espacial en el cual se dieron muy diferentes cuadros represivos. AI no lle­garse a producir el levantamiento militar, la provincia quedó durante unas semanas en manos de rudimentarias instancias de poder popular. La quiebra de las institucio­nes republicanas, sobre todo de sus instrumentos de control social, originó un pro­fundo vacío de poder. Esta situación favoreció todo tipo de excesos sobre las personas consideradas aliadas potenciales de los sublevados o simplemente vistas, de manera secular, como enemigas de clase por su elevada condición de patrimonial
“La Guerra Civil en la Província de Badajoz - Repression Republicano-Franquista” de José Luís Gutiérrez Casalá.

domingo, 23 de julho de 2006

É UM PROBLEMA DE DINHEIRO, JÁ NÃO HÁ ÉTICA

É o que diz um militar aqui, no "Correio da Manhã", sobre as consequências nos gastos, e não só, da lei da revisão das carreiras dos militares que militaram, ou talvez sim, no 25 de Abril. Só para se pagar os complementos de pensão, ou pagar-se mesmo uma pensão digna, aos ex-combatentes do serviço militar obrigatório é que não há dinheiro e tudo é problema. Os do quadro permanente orientam-se à custa dos impostos que os ex-combatentes pagam, e estes são ignorados pelo poder político, o que não me admira, e também pelas chefias militares que deviam, moralmente, ter o assunto em agenda, em nome da justiça social, histórica e cívica.

sábado, 22 de julho de 2006

FLEXIBILIZAR ???

Com a devida vénia transcrevo do Jorge Gajardo Rojas, cujo site está nos links, um pequeno trecho de um post seu. Mas vale a pena ler o blog dele, todos os posts. Diversificando aprende-se muito. E tenho por ele um grande respeito. Foi o único que me criticou. Bem haja Jorge.
«El Ministro Velasco expuso ayer las 15 medidas de Chile Compite, recibió apoyo de los empresarios,no de todos y criticas politicas y de economistas.La reiterativa queja de los empresarios es que hay que flexibilizar el mercado laboral para crecer más.Pagarle menos a la gente para disminuir la cesantia.Se supone que el cesante es una persona con poca calificacion,no es tan asi en Chile hay una cesantia de gente calificada.Ya hay muchos profesionales que trabajan por menos de lo que usualmente recibe un profesional si se saca el costo de su formacion versus el beneficio de estar empleado por digamos 500 dolares,pierde plata,porque fuera que necesita afrontar sus necesidades basicas debe amortizar su inversion,no solo la Universitaria sino toda su educacion.Resultado esa mano de obra migra fuera de Chile,trabaja en empresas que crean poco valor agregado lo que implica una baja motivacion y creatividad y consume muy poco otro tipo de bienes de mayor valor agregado,incluyendo en esto pagar por su salud y por su prevision.Se saca el ejemplo de China,pero la diferencia de China es que la mano de obra tiene una buena educacion que ha pagado el estado y eso le permite crear bienes de alto valor agregado,que algunos sectores ganen poco allá puede ser,pero tambien el costo de la vida es más barato en Pekin que en Santiago.En el caso de las personas que tienen muy baja calificacion la flexibilidad tampoco ayuda mucho al crecimiento,si el salario no alcanza para satifacer las necesidades basicas lle ga un punto que no tiene sentido trabajar.Por eso que eso de la flexibilidad laboral debe ser analizado con mucho respeto a la propia economia y basicamente a las personas.»

MEIAS-FINAIS

A selecção de hóquei chegou, também, às meias-finais. Não há recepção? O meio do hóquei não é tão subtil e perverso como o do futebol a mexer com dinheiro e interesses? Então não há festa. E assim vai Portugal.

DA CONSOLIDAÇÃO

«Num regime democrático, não há Governo capaz de resistir ao crescimento do "Monstro". A sociedade portuguesa assenta numa "classe média de Estado", que não se tenciona suicidar por puro amor à consolidação financeira. Essa classe média, que manda na administração e nos partidos, para não falar do poder local (mais 200 mil funcionários), pode fingir que se move, mas não move. O problema é insolúvel: o sector privado devia crescer para diminuir o "Monstro" e não cresce porque o "Monstro" não diminui. O eng. Sócrates parece que anda por aí muito contente com a meia dúzia de medidas cosméticas que tomou. Manifestamente, não percebeu a situação. Nem a dele, nem a do país. »

Vasco Pulido Valente, hoje, no Público.

E refere também algo que eu já por aqui venho dizendo, e por várias vezes. O país não quer, nem gosta, de licenciados nem de qualificados. Abomina-os.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

RONDÓNIA

Pra se continuar a entender este país leiam o artigo do Vasco Pulido Valente, hoje no Público, com o título em epígrafe.

Eis um "aroma" do artigo:
«Eleito em 1993, Rondão já deu o nome a um parque de estacionamento subterrâneo, a um lar de idosos na aldeia de Vila Fernando e ao bairro social em Santa Eulália. Agora o novo "pavilhão multiusos" também recebeu a glória (e a virtude) de ser pela eternidade fora o "Coliseu Rondão de Almeida". E isto, confessou Rondão, "não vai ficar por aqui". Esperemos que não. Com o tempo, e não muito, até a própria Elvas se chamará Rondónia e a família de Rondão passará em triunfo para a toponímia da terra.»

quinta-feira, 20 de julho de 2006

INDIVISA

"Todos fazemos parte da unidade indivisa do universo"
Disse, ainda há pouco, o Professor Rodrigues de Carvalho na RTP, Canal1.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

PACIFISMO

Gostei imenso desta frase do Rui Ramos. Hoje no Público. Leiam o artigo "Perante a guerra" na íntegra.

«E o "pacifismo" parcial agora na moda, pelo modo como elimina a compreensão da dimensão trágica do mundo, não nos poupa ao domínio da guerra, pelo contrário. Valerá talvez a pena examinar o verdadeiro efeito desse suposto "pacifismo".»

NÃO HÁ BANDEIRAS PARA O HÓQUEI?

Acabou-se a euforia? Só é válida para o futebol? Os outros desportos não são “gente”?
E digo isto por causa da nossa selecção de hóquei estar a disputar um campeonato em Monza. Reparei agora que, na página de desporto do Público on-line, de hoje, a notícia sobre o hóquei é a última depois de muito futebol. A primeira é sobre o Tour, seguem-se seis de futebol e mais uma do Dakar 2007. Só depois vem a nossa selecção de hóquei.
O Dr. Resendes, antigo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, bem disse que se anda a confundir futebol com identidade nacional, o que, quanto a ele, está errado.
Será que os portugueses não têm emenda? Será? Se calhar é.

terça-feira, 18 de julho de 2006

O QUE FAZER É UMA CONSTANTE AO LONGO DE DÉCADAS E DÉCADAS

O que fazer contra o destino, já manifesto, que amea­çava o país? Uma política de «convicção e tolerância», de «moralidade e justiça», uma política de «realizações», em que a «massa popular» acreditasse e activamente defendes­se. Infelizmente, não se via em parte alguma essa meia dúzia de justos necessária para combater «as Resistências» (com maiúscula), «interessadas na conservação dos abusos». Pelo contrário, por toda a parte se viam «pusilanimidades, dissol­vências, apagamentos». Pior, na própria sociedade, ou «cá pelo exterior», para usar as reveladoras palavras de Coucei­ro, as coisas não iam melhor. Não havia «nem crenças, nem fé>. Andava «tudo fora dos eixos»: «frivolidades correndo ao gozo, plutocracias tratando da vida» e uma «indolência cívica» quase universal. Nomeio desta «farândola de incons­cientes» e do «desvairamento geral», profetizava Couceiro, e não foi preciso esperar muito para verificar que não se enganara, «abria-se a estrada da escravidão».
In "Um Herói Português - Henrique Paiva Couceiro" de Vasco Pulido Valente

segunda-feira, 17 de julho de 2006

DE CIDADANIA

«Educar para la ciudadanía puede parecer pretencioso, pero habría aplausos generalizados si se encontrara la fórmula para que los escolares salieran de la escuela habiendo aprendido a comportarse como ciudadanos, es decir, como personas conscientes de sus derechos y deberes en la sociedad a la que pertenecen. En ello está el Ministerio de Educación, preparando el contenido de esta nueva asignatura curricular que los alumnos empezarán a estudiar en algunos cursos de primaria y de secundaria a partir del año escolar 2007-2008
Do Editorial do "El Pais" espanhol, de hoje.

domingo, 16 de julho de 2006

DE GUERRAS

Isto post foi um comentário que fiz num blog. Mas achei que era aqui um bom post.

Sobre guerras devo dizer que não há comportamentos angelicais em nenhuma das partes. E que o pior delas é o incremento e o alimento de ódios que levarão anos a diluir, se é que alguma vez ficarão para sempre diluídos. E também não alinho no mito de que a guerra é um produto da violência masculina sendo as mulheres angélicas, maternais e pacíficas. Porque só conhecendo-se as mulheres em plena acção de guerra é que se pode avaliar das suas canduras. E posso afirmar que as mulheres em acção são fogo. E basta ver-se em Portugal quem são as pessoas decididas nas manifestações. E nas famílias. E nos empregos. As mulheres são umas lutadoras. No bom sentido. Mas no mau sentido são senhoras de uma crueldade, que muitas histórias o justificam.Mas voltando para a Guerra Civil de Espanha. Onde todos foram anjos e demónios. Eu recomendo dois livros. Um, “Los Mitos de la Guerra Civil” de Pio Moa. O outro é “La Guerra Civil en la Província de Badajoz - Repression Republicano-Franquista” de José Luís Gutiérrez Casalá. É um livro que não julga. Descreve a guerra por cada pueblo. Tem os nomes dos mortos e de quem matou. Aqui se pode aquilatar a mesquinhez de todo aquele período e dos interesses, os mais variados possíveis, que se jogaram naquele tabuleiro com as vidas das pessoas, independente do lado a que pertenciam, se é que muitos pertenciam a algum lado ou disso tinham consciência. A mesquinhez que cada ser humano, em algum momento da sua vida, pode exibir é avassaladora. E o pior é que a guerra é uma actividade sanitária da humanidade. Infelizmente, as sociedades deixam-se conduzir a tais redutos, que a guerra apresenta-se como o único remédio para as maleitas sociais até então geradas

sábado, 15 de julho de 2006

A CIDADELA

A ler, aqui, obrigatoriamente e na totalidade, o artigo de Helana Matos "A lição de Roma".
Mas não prescindo de destacar algo do citado artigo.
«Hoje, estas palavras não contam nada e para nada. Hoje estamos na Era do Contribuinte, somos governados por cobradores de impostos, cuja eficiência é indexada ao volume das cobranças que efectuam e cujo sinal mais óbvio de poder é concederem ou não isenções fiscais. Aliás, sobre os nossos novos heróis nacionais, os jogadores de futebol, é precisamente isso que discutimos: devem ou não ser tributados em IRS os prémios que lhes vão ser pagos pelo seu desempenho no Mundial?
(...)
O Estado é, em Portugal, uma cidadela cujos dirigentes, tal como os antigos patrícios romanos, compram a paz através da manutenção da clientela. À clientela romana dava-se trigo. O nosso Estado dá subsídios, isenções, destacamentos. Regimes de excepção. Desafectações. Esquecemos a lição de Roma: não só nunca se dá o suficiente como a clientela nunca parará de crescer.Tal como Roma também a nossa cidadela cairá sem honra nem glória, num dia que ninguém saberá dizer exactamente qual foi

sexta-feira, 14 de julho de 2006

CITANDO

Do “Courrier Internacional” de hoje destaco uma citação.
Do Sr. Roberto Calderoli, vice-presidente do Senado de Itália, e eleito pela Liga do Norte, que afirmou o seguinte:
«A vitória de Berlim é uma vitória da nossa identidade, de uma equipa que alinhou lombardos, napolitanos, venezianos e calabrianos e que ganhou contra uma equipa que sacrificou a sua própria identidade, alinhando negros, islamitas e comunistas para obter resultados.» O Le Penn disse algo parecido com isto quando disse que a França não se revia na sua selecção.
Os poderes andam por aí. Eles já andam pelas esquinas. Quando andarem em plena praça abertamente, então será tarde. A cobardia da indiferença e a sua recusa em combater as várias vertentes fascistas, quer estalinistas quer hitlerianas, ou ainda de cariz religioso fundamentalista, vai ter um preço demasiado alto, que será inevitavelmente pago.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

5,9

É a média dos exames de matemática do 12º ano. Veja aqui as notícias.
Não comento. Só me admira que o país não se indigne, no mínimo. Claro que "todo o mundo" vai lavar as mãos, como bons discípulos que são de Pilatos. Ah! Ainda é pior do que o ano passado.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

FELICIDADE

E já agora veja o nível de desenvolvimento e bem-estar em Portugal. Aqui no THE HAPPY PLANET INDEX.

PALAVRAS OCAS


O Primeiro Ministro disse, ainda há pouco, no Debate do Estado da Nação, que o único caminho para o desenvolvimento é o da qualificação, do incremento do saber. Pois. Mas ainda ninguém lhe explicou que este país não gosta que as pessoas se qualifiquem? Se se qualificam são ostracisadas, e privilegiam a ignorância e a incompetência. Já o disse neste blog várias vezes. E no sector dependente do estado isso é bem evidente. No sector privado é tudo uma questão de pagar barato, por isso preferem não qualificados. E a formação contínua só é possível no sector do funcionalismo público. Que têm formação mesmo sem saberem para quê, ou que utilidade rentabilizarão. Isto é um país já sem nexo.
Qualificação? De quem? Estes debates na Assembleia da República não passam de programas cómicos, mas dos medíocres.

EFICÁCIA DAS LIDERANÇAS

«O desânimo das sociedades civis em relação à eficácia das lideranças e das políticas públicas nos espaços ocidentais parece não consentir muita atenção esperançada nos pedidos de consenso entre os responsáveis pelas decisões. Modelações semânticas são ensaiadas no sentido de provocar algum movimento das águas paradas, governos e oposições apelam ocasionalmente a responsabilidades transversais, mas o efeito na mudança dos paradigmas não é sensível na vida habitual.
(...)
A percepção de que os ocidentais são o objectivo primeiro da intervenção terrorista aponta para declaradamente aceitar e tentar refazer as convergências entre as iniciativas das sociedades civis, dos representantes do Euro--Mediterrâneo, das instituições da União Europeia que lançou as Políticas de Vizinhança e Segurança, e da ONU a pregar a inadiável necessidade de reprogramar as responsabilidades mundiais. Por muito que a política de consensos esteja afectada pelo facto de o seu nome ser invocado em vão, não se vislumbra outra frente de arranque possível para a ambicionada construção de um mundo sem medo. »
Adriano Moreira, in "Para um Consenso", no DN de ontem.

terça-feira, 11 de julho de 2006

A OPEL VAI PARA SARAGOÇA


A produção da Opel na Azambuja vai passar para Saragoça. Não vai para a Índia, nem para a Roménia e nem para o Azerbeijão. Vai aqui para o lado, para Espanha, pois Saragoça é mais competitiva que a Azambuja. Em Espanha tudo é mais competitivo que em Portugal. Com os Espanhóis qualquer coisa resulta e é produtiva. É, assim, fácil de perceber como é que Portugal está na situação em que está. A simples diferença de 5% no IVA entre Portugal e Espanha é suficiente para justificar o retrocesso português. E manter essa diferença só para manter o pagamento de salários a excedentes, é uma ilusão a prazo. Cada vez mais Portugal ficará atrás de qualquer país da União Europeia e, por isso, piorará a capacidade de obter receitas para pagar as suas despesas, a maioria delas absurdas.
Os 1150 trabalhadores da Opel irão fazer parte daqueles não sei quantos mil novos postos de trabalho que o Sócrates anunciou, julgo que sem saber porquê nem como. Sim, porque os que fecharam já eram postos de trabalho velhos.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

QUAL O PRÉSTIMO DAS FORÇAS ARMADAS?

Eu sei para que servem umas forças armadas. Num país normal. Mas num país como Portugal a dimensão delas é inútil e só sorve dinheiro aos cidadãos. Para mim, concentrar tudo na Armada, com já foi em tempos idos, é o mais viável. A Armada é também o único ramo que é eficazmente útil ao país. E já é notório que há milhares de militares excedentários, como aqui se noticia, que custam uma fortuna e um esforço imenso à tributação dos trabalhadores, desempregados e esfomeados. Se os trabalhadores podem ser despedidos, porque é que os militares também não o hão-de ser?

A Bélgica e a Holanda, países competentes, ao contrário de Portugal, partilham as suas marinhas nos patrulhamentos das suas águas territoriais, a fim de diminuírem custos. E não há drama. Há poupança.

Por isso a concentração na Armada é, quanto a mim, a melhor solução, para já.

Depois há também que ver que estas forças armadas não merecem o país que têm, pois sempre descuraram os ex-militares que serviram nas suas fileiras. Ao contrário de outros países que ainda hoje continuam a considerar os seus combatentes com o destaque que merecem, quer para as forças armadas, quer para o país. Por cá é o desrespeito e a humilhação. E a saga continua como se noticia aqui.

Discutir-se meia dúzia de Euros quando se pagam reformas milionárias a quem nunca saiu detrás da secretária e nada se esforçou pelo país. Isto é injustiça a mais.

SERVIR

«Os príncipes sempre têm quem sirva mais depressa aos seus apetites que à sua honra

Padre António Vieira, in "Sermões".

domingo, 9 de julho de 2006

PORTUGAL, PORTUGAL

PORTUGAL, PORTUGAL - de JORGE PALMA


Tiveste gente de muita coragem,
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória


Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impôr a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar


Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar


Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar


Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar


Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças


Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar


Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar


Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar.


Jorge Palma

sábado, 8 de julho de 2006

OUTRA FRASE QUE RELEMBRA AINDA OUTRA

"Um país que não respeita os corpos dos mortos que mandou combater por ordem do governo da pátria, ou do governo do raio do império, permitindo dar a dignidade do luto pelos seus, é um país sem vergonha perante os vivos porque despreza os seus mortos."
Esta frase está aqui num blog de "Camaradas da Guiné".
Tem muito a ver com a frase do Pulido Valente no post anterior. Mas ambas têm tudo a ver com uma frase do Salazar que já tinha posto num post aqui. Choremos, então, porque os vivos de hoje os não merecem. Um país que se deixa governar pelos espécimes actuais já não se respeita a si próprio.

A FRASE

«Sem a espada do Conquistador e a esperança de salvação numa manhã de nevoeiro, sobra o quê
Hoje, no Público, Vasco Pulido Valente, in artigo "Sem a espada nem a alma".

sexta-feira, 7 de julho de 2006

FRAGILIDADES

«Por outro lado, a insistência mórbida na "auto-estima" nacional é a prova da sua imensa fragilidade. A "auto-estima", tal como é definida pelos seus principais teóricos, é um produto pouco fiável, com tendência a desvanecer-se ao menor contacto com a realidade. Na maior parte dos casos, não é mais do que um "intervalo" no triste quotidiano em que vivemos ou um legítimo "escape" que nos permite fugir, durante algum tempo, à desagradável situação em que nos encontramos. Um mês de folclore desportivo transforma-se assim num bálsamo indispensável para quem vive durante o resto do ano a braços com a crise económica e com o cumprimento do défice. Já sabemos que há vida para além do défice. Infelizmente, parece não haver vida para além do futebol. É evidente que o futebol não tem culpa e que a selecção não pode ser responsabilizada pelas notórias deficiências do país que lhe caiu em sorte. Mas a euforia que se gera em torno da "equipa das quinas" devia dar cabo da "auto-estima" de qualquer português responsável. Não por causa da emoção do jogo ou do entretenimento que este proporciona. Mas porque a onda de patriotismo e o espectáculo que proporciona assentam na ilusão de que Portugal se redime e se vinga dos "grandes" com duas chuteiras nos pés e uma vitória no Mundial. Nos anos 90, ainda vivíamos a ficção de um país a caminho do desenvolvimento. Agora passámos a ser os "pobrezinhos" do campeonato que não sabem jogar "fora do campo". Não temos influência, poder, riqueza ou licenciados (como os franceses se lembraram de registar). Em contrapartida, segundo o prof. Rebelo de Sousa, fervemos de "auto-estima", depois dos resultados da selecção. Resta saber o que é que vamos fazer com ela, agora, que o Mundial acabou e que o país retoma, corajosamente, o contacto com a realidade. Discutir o fracasso do Simplex? A remodelação que, entretanto, se realizou? As previsões do Banco de Portugal? A ausência do dr. Marques Mendes? A reforma da Segurança Social? O melhor é ir de férias e deixar este tipo de problemas para Setembro, quando o calor deixar de apertar
Constança Cunha e Sá, hoje no Público.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

O LUGAR DO ESTADO

«Se em cada medida de política se escolher a que mais nos dá liberdade, política, social, económica, cultural, é esse o caminho. É mais facilmente distinguir e escolher assim do que numa discussão doutrinária abstracta. Não me interessa discutir a privatização dos rios, posso bem deixá-la para um longínquo futuro, mas já me importa combater pela saída do Estado dos partidos políticos, das centrais sindicais, das confederações patronais, das companhias de teatro subsidiadas, das "bolsas para escritores", do futebol, dos órgãos de comunicação social, ou seja do negócio da propaganda, do subsídio e da protecção. Feito isto, expulsado o Estado de onde ele não deve estar, nem muito nem pouco, podemos passar para onde ele deve estar minimamente. É que sem Estado mínimo, não há justiça social. O Estado máximo que temos é a melhor garantia de que os recursos escassos serão sempre mais para os que não precisam do que para os que precisam
Pacheco Pereira, hoje, no Público.

A ESSÊNCIA PELA SOBREVIVÊNCIA

O Rui Moreira explica muito bem, hoje no Público, como a realidade é muito diferente do sonho. Para quem acredita nas ilusões tem aqui um trecho elucidativo:
«O desaparecimento de O Comércio do Porto comprovou que a independência editorial é uma opção suicidária para a imprensa regional que, incapaz de sobreviver com poucos leitores e pouca publicidade privada dada a sua baixa circulação, depende dos apoios que consegue granjear junto do poder político local. No caso dos subsídios às instituições, sabe-se que, por norma, a sua atribuição por parte das autarquias obedece a esse critério. Esta forma de nepotismo é aceite por todos os partidos e adoptada por governos e autarquias, que usam os subsídios para domesticar os antagonismos. São públicos e notórios os casos de organizações sindicais e de associações patronais que recolheram avultados benefícios, trocando a sua essência pela sobrevivência. (...) O que é indesmentível é que, nesta traficância, a liberdade e a ética são as primeiras vítimas.Num tempo em que a independência dos media está ameaçada pela concentração empresarial, por contratos de assessoria de jornalistas, por pressões políticas e por embargos (quem não se recorda do boicote publicitário de um grande grupo económico a um grupo editorial por estar agastado com as notícias e opiniões de um seu semanário?), é decerto um privilégio "sem preço" poder escrever nas páginas livres deste jornal

quarta-feira, 5 de julho de 2006

O SONHO ACABOU?

Então pode ser que a partir de amanhã os portugueses possam começar a aperceber-se da realidade. Até hoje andaram anestesiados. De amanhã em diante é que se pode aquilatar da intensidade da anestesia que os midia injectaram.

MERECERMOS

«É evidente que, com tudo isto, corremos um risco enorme. Mesmo perdendo para a França e para o mítico Zidane, já deveríamos considerar a nossa auto-estima recuperada, ao termos atingido o pódio dos Magriços, há quarenta anos, em Inglaterra. Simplesmente, até isso já sabe a pouco e coloca outra questão. Se porventura acabarmos campeões do mundo de futebol, como havemos de conciliar a alma de vencedores desta guerra mitológica com o velho fado de derrotados na vida concreta da Nação? A selecção já fez o que tinha a fazer por nós - mesmo que não ganhe a Taça do Mundo. Resta saber o que podemos fazer para merecermos a selecção
Do artigo "Zidane e Scolari" de Vicente Jorge Silva, no DN de hoje.

MUDANÇAS

«Não, a política portuguesa não mudou. O que mudou foi o país - mudou e está a mudar. Mas precisamente porque não é uma mudança desejada por ninguém, ninguém quer mudar com o país e ninguém quer sequer tentar perceber o que está a mudar. É talvez o aspecto mais trágico de tudo isto. Ninguém sabe com certeza o que vai acontecer ao défice no fim do ano. Ninguém sabe o que pode acontecer aos funcionários públicos. Ninguém sabe o que está a acontecer às exportações do país - estão simplesmente a perder quotas de mercado, ou em transição para um modelo mais consentâneo com um país desenvolvido? Em vez disso, o chamado "debate político", quando não está ao nível das "maternidades", reduz-se a saber se a direcção ideologicamente suspeita de José Sócrates terá mudado o PS, ou como é que a direcção ideologicamente insuspeita de Marques Mendes pode mudar o PSD. O reino dos políticos portugueses já não é deste mundo
Hoje, no Público, do artigo de Rui Ramos "Histórias Velhas".

terça-feira, 4 de julho de 2006

NEM TUDO O QUE É, APARECE

Do artigo "Bem-vindos às Ilusões do Real" de Inocência Mata, publicado na revista Tempo em Maio de 2004, destaco o trecho seguinte:
«Zizek toma este título [Bem-vindo ao Deserto Real] a partir do filme [Matrix] pois ele pretende, nesse livro, mostrar como vivemos num mundo de ficção na medida em que não somos capazes de discernir o que há de ficção na realidade em que vivemos; ele toma como exemplo mais paradigmático, mais emblemático, a consternação mundial que se seguiu aos ataques do 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque. Como se lembram, houve mensagens de indignação de todo o mundo, inclusive daqueles dirigentes daquela parte do Mundo em que têm atrocidades muito maiores no seu país, como se aquela, a catástrofe nova-iorquina, fosse a maior do Mundo, em termos de injustiça (que foi terrível) e de números de mortos! Isto é: o Mundo assiste impassível às maiores atrocidades, inclusive do fazer quotidiano de muitos mundos nacionais, a que se vai habituando através de ensaios dos reality shows, enquanto vai perdendo, por isso, como diz Jorge Barcellos, num texto publicado há pouco tempo, "a capacidade de distinguir qual parte da realidade é transfuncionalizada pela fantasia, de forma que, apesar de ser parte da realidade, seía percebida de um modo ficcional". Isto é, exactamente por serem real, em directo, esses eventos dos reality shows, em razão do seu carácter excessivo dada a teatralização que deles é feita, nós - os espectadores comuns - tomamo-nos incapazes de integrar num outro nível essoutros eventos históricos, esses sim bem reais, integrá-los na nossa realidade (no que sentimos como tal) e, portanto, somos forçados a sentir esse real (histórico) apenas como um "pesadelo fantástico", distante. Disso resulta um privílegiamento de determinada desgraça em detrimento de outra: a dor dos ricos, poderosos e "intocáveis" torna-se mais dolorosa porque mais publicitada. Jorge Barcellos vai mais longe na sua interrogação:
Por que se deveria privilegiar a catástrofe do WTC em detrimento, digamos, do genocídio dos hutus em Ruanda, em 1994? Ou do envenenamento por gás dos curdos no Norte do Iraque no inicio da década de 90? Ou do ataque das forças indonésias à população do Timar Leste? Ou... É longa a lista de países onde o sofrimento era, e é, incomparavelmente maior do que o sofrimento em Novo Iorque, mas a população não teve a sorte de ser elevada pela mídia à categoria de vítima sublime do Mal Absoluto. (ibidem)
»
Slavoj Zizek, um autor ainda não editado em Portugal, deveria ser objecto da vossa curiosidade.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

ESTOU FARTO DE EXPLICAR

Mas explico outra vez.
Amanhã, na RTP1, vai passar uma reportagem sobre a diminuição de candidaturas à universidade.
Eu já expliquei por aqui várias vezes, mas repito, o problema das licenciaturas. Há um discurso oficial que clama por causa do número de licenciados ser reduzido. Já ouvi citado 15 por cento. Na prática é um número que comporta um excedente de licenciados. Ninguém quer empregar licenciados. Só a Função Pública absorve alguns. O sector privado absorve alguns engenheiros e economistas, mas em número muito reduzido proporcionalmente ao número de trabalhadores existentes. Os nossos licenciados já começam a aparecer nos circuitos da emigração para os “trabalhos manuais”. Com este cenário, e como já tenho dito, é natural que os jovens não se interessem pela universidade. Consideram pura perda de tempo. E têm razão. Até porque os outros trabalhadores não toleram os licenciados muito bem. E o país não tem condições para gerar emprego para os seus naturais. Lembro-me que, a seguir ao 25 de Abril, apareceram inscrições nas paredes a apelar ao regresso dos emigrantes, e “já”. Os asnos que escreviam isso não percebiam, e ainda não percebem, que os emigrantes não eram perseguidos políticos. Eram, simplesmente, expulsos pela fome. Fugiam de um país que não tinha condições para que tivessem uma vida condigna. E por isso fugiam. Como continuaram a fugir depois do 25 de Abril pela mesma razão. E ainda hoje se emigra bastante, porque o país, como sempre, é incapaz de gerar condições de sobrevivência para os seus cidadãos. Por isso, ala a buscar essas condições no estrangeiro. E hoje com muitos licenciados na emigração.
É certo que a nossa educação é má, e o nível dos licenciados tem vindo a cair ano após ano. Mas mesmo que fossem muito bons, não tinham espaço. O compadrio, de várias espécies, impede que a competência vingue. “O Princípio de Peter” tem o seu melhor laboratório científico em Portugal. Pode haver uma vaga (na área do estado) com 100 candidatos. 99 são licenciados. Se o que não é tiver a bênção certa, entra de certeza. Para alívio dos outros funcionários, que assim se sentem seguros ao verem tudo a nivelar por baixo. Claro que o resultado está à vista, pois o país afunda-se. Uma licenciatura não é a chave do sucesso. Todavia pressupõe uma melhor agilidade mental. Mas agilidade mental é, em Portugal, uma praga a ser combatida. Por isso é que as várias variantes de governos são a mediocridade que exibem alarvemente. Os resultados não são obra do acaso. São obra da realidade em que existimos e que reproduzimos. Se só há incompetentes a gerir, o resultado da gestão só pode ser uma catástrofe.
E o pessoal vai deixar de ir à universidade, sim senhor, porque precisa de se despachar cedo para ir à vida. Para emigrar. Continuaremos sempre, mas sempre a emigrar.
Vocês ainda se lembram que o Primeiro-ministro falou em criar não sei quantos mil empregos nesta legislatura? A realidade observada é de milhares de desempregos. Não só não se cria emprego, como se incrementou o desemprego. Há que fugir. Eu já por aqui disse, e repito hoje, que quem tiver menos de 30 anos, que fuja, emigre e tente ter uma vida. Em Portugal resta a decadência. Todos (quase todos, pois alguns não emigraram mas fizeram o seu dinheiro, ganho ilegalmente, emigrar) vamos ficar mais pobres e decadentes. Tenham um bom Verão. Quem sabe se não é o último com algum descanso, antes da catástrofe que paira no horizonte.

domingo, 2 de julho de 2006

DA DIFERENÇA COMPETITIVA

«Francis Fukuyama e Bernard Saint-Levy discutem a dois no último número da The American Interest a nova dimensão da leitura social possível de fazer numa América de contrastes e numa Europa que não consegue "agarrar" a velocidade da diferença competitiva. Como Alexis de Tocqueville fez na sua descoberta do novo mundo, importa saber fazer a avaliação a todo o tempo das dinâmicas em curso e relevar uma prática operacional efectiva de "cumplicidade estratégica" na colaboração em conjunto tendo em vista o objectivo dum desenvolvimento sustentado estruturante
Do artigo "Lições da democracia na América", de Francisco Jaime Quesado, hoje no Público.

Amnistia Internacional pressiona em Lisboa controlo do comércio ilícito de armas ligeiras

«Eram mais de 100 presidentes de secções nacionais e responsáveis da Amnistia Internacional. Estão reunidos em Lisboa até amanhã para debater questões internas da organização. Mas ontem de manhã decidiram aproveitar o intervalo dos trabalhos para uma outra iniciativa em que a organização internacional de defesa dos direitos humanos está envolvida: a campanha pelo controlo do comércio de armas a nível mundial.»

Ontem no Público