segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

AQUI CHEGADOS

Há que continuar. A viver e a reflectir. A amar e a adorar. A rir e a chorar. A derramar sequências e a colher as consequências.

Desejo a todos os que por aqui passam votos para um Ano Novo BOM. Sobretudo porque ireis contribuir para que ele seja bom, pois ireis agir melhor, quer para convosco quer para com os outros. Bem Hajam.


Porque chamamos vivos aos que esperam
a vez, marcando passo?
E mortos aos que se libertam
e são livres no espaço?

Fernanda de Castro «Nascer, Morrer», in Asa no Espaço, 1955.
(através do link do blog António Quadros chega-se ao blog dedicado a esta grande poetisa. E eu recomendo todos estes blogues associados)

OS AVISOS SÃO, DE HÁ MUITO, CLAMOROSOS

Já há muito que por aqui venho chamando a atenção para o facto de que quem não se quer defender, morre. Quem não marca, sofre. Também tenho citado muita gente que, de forma atenta, vai tentando acordar as indolências. Hoje volto aqui a citar uma dessas pessoas, José Cutileiro, que no dia 29/12/2007, no Expresso, publicoi o artigo «Déjà vu», de que destaco o parágrafo final:

Apesar de tudo isto muitos europeus não perceberam ainda duas coisas evidentes. Uma, que só pode querer ser modelo moral do mundo quem tiver força para impor comportamentos alheios quando for preciso se estes não vierem de livre vontade. Outra, que a salvação da pele tem exigências muito diferentes das da prática do bem. No fundo insistem em viver acima das suas posses morais. Se não se emendarem a tempo vão acabar mal.

domingo, 30 de dezembro de 2007

FUTURO

Se calhar nem todos terão oportunidade de ler este artigo, «O Desesejo de Futuro», do ensaista Manuel Gusmão, e publicado hoje no Público. Mas recomendo também os artigos do António Barreto, do Frei Bento Domingues e do VPV.
De há uns tempos para cá, vozes muito dissemelhantes parecem insinuar, se não explicitamente afirmar, que não há futuro para ninguém ou que vivemos tempos em que ninguém se arrisca a qualquer gesto de protensão ou actividade de prognose. Conheceríamos uma era em que teríamos já desistido ou teríamos de desistir de tentar imaginar ou desejar um rosto para o futuro. Esta situação dever-se-ia a um medo que inibe a própria imaginação e de que padeceríamos para além de todo e qualquer pessimismo individual ou grupal. E contudo se não houver futuro, se não tivermos futuro, seremos como dizia o outro, "cadáveres adiados que procriam". Porque aquele medo se torna uma patologia do desejo, uma tão brutal antecipação simbólica da morte que inibiria todo o imaginário, amputaria a capacidade de simbolização e tornaria toda a esperança uma ilusão ou um produto do sono da razão. Ora nós precisamos do futuro como do ar que respiramos. A perda do desejo de futuro seria, segundo alguns, uma lição aprendida com a experiência social e histórica disponível. Pois não é verdade que todas as revoluções acabaram traídas pelos revolucionários? Pois não é verdade que a história do séc. XX é uma história de catástrofes e de massacres, é a história do fim das ideologias emancipatórias? Eis a "experiência histórica disponível" reduzida a essa pobre e desgraçada fórmula da resignação fatalista - "sempre houve pobres e ricos e portanto sempre os há-de haver". Respondamos perguntando o que significa "disponível". Não seria melhor dizer "disponibilizada" pelos senhores da comunicação planetária? E contudo não há experiência histórica, não há história sem a categoria do futuro, mesmo que essa categoria seja a de uma falta ou ausência, que se desloca e move no passado a reconstruir, e no presente que reencena o passado. Porque a história viva, ao reencenar o passado, só o pode articular através da disputa de determinados possíveis, uns que se concretizaram, outros que foram derrotados. Essa disputa interessa ao conflito entre os possíveis do presente em que o historiador ou o sujeito da experiência histórica se inclina sobre o passado, ao mesmo tempo que escrutina o seu presente. O que aconteceu podia não ter acontecido; mas de facto aconteceu. Mas apagar a luta dos possíveis significa fixar, imobilizar ou paralisar o que aconteceu; a história desaparece na repetição do mesmo. Tal paralisia, desencadeando a repetição, tornando fatal todo o acontecido, torna a história uma narrativa profética, uma profecia dos vencedores: será sempre assim, porque sempre assim foi. Aliás, a tese sobre o "fim da história" começa por ser uma história mal contada e, mais do que um diagnóstico, representa uma tentativa de eternização de um presente reduzido e um bloqueamento do futuro por esgotamento dos possíveis. Nós, na "tradição dos oprimidos" (Walter Benjamin), aprendemos a não ceder aos desastres, aprendemos a trabalhar para estoirar o tempo contínuo das derrotas e a perscrutar os momentos em que algo de diferente foi possível, mesmo que por umas semanas ou meses ou décadas. O trabalho da esperança que magoa ensina-nos que o que foi possível, e logo derrotado, será possível (de outra forma) outra vez.Para outros, a ausência de abertura ao futuro seria resultado de uma limitação própria da acção humana orientada por fins gerais e últimos. O sujeito pós-moderno teria finalmente reconhecido que as acções humanas seriam no limite inconsequentes ou, no mínimo, de fraca consequência, quando não perversamente contraproducentes, uma vez que a evolução das sociedades seria um processo de tal forma multivectorial e complexo que seria de facto incomensurável para a inteligência, a consciência e acção humanas. As tentativas de orientar os processos sociais, para além de alguns ajustes e correcções com objectivos à vista, seriam uma tentação voluntarista, própria de um sujeito moderno, que implicaria de raiz uma violência destruidora, desencadeada sobre "o curso natural (= fatal) das coisas" e traria no seu cerne a ameaça do totalitarismo.E contudo tudo se transforma. Transforma-se o mundo em nós e fora de nós. E da mudança dos tempos e das vontades, nós participamos. Não como animais caminhando para o abate, nem como demiurgos incondicionados. Mas como agentes procurando o máximo de consciência possível, estendendo as mãos e tacteando os possíveis; fazendo de acordo com os tempos a vinda de um outro tempo. Não somos adivinhos, nem sabemos rigorosamente prever qual será o rosto do futuro, mas isso não nos impede de o desejar. O carácter profundamente transformador do trabalho humano, o facto de uma criança de dois anos ser capaz de produzir uma frase que nunca ouviu, o facto de a poesia reinventar a língua em que se escreve, o facto de as artes serem construções antropológicas e de os humanos se configurarem e reconfigurarem, segundo uma auto-poiesis histórica, são fundamentos suficientes para que nos possamos, sem mais garantias, prometer um futuro, "uma terra sem amos". Porque nós habitamos o mundo, e o mundo é a nossa tarefa.

FORMALISTAS? NÓS?

Julgo que há em Portugal a ideia de que somos uma gente formalista, preocupada com cerimónias e etiquetas, contrariamente ao que acontece "lá fora". A realidade é talvez outra. No que respeita à expressão das relações entre pessoas, ela mesma ou de diferentes c­amadas sociais, estamos pouco formalizados, e preocupamo-nos com tratamentos e etiquetas porque as não temos suficientemente gerais, estandardizadas e automatizadas. Por exemplo, a nossa gama de tratamentos é extraordinariamente complicada e mati­zada em comparação com a de qualquer outro país do Ocidente europeu, e até com a da nossa vizinha Espanha.
Podemos tratar o interlocutor por tu, por você, por o senhor, por o senhor doutor (e fór­mulas correspondentes: senhor engenheiro, senhor capitão, etc.), por vossência, vocelên­cia ou vossa excelência, por vossemecê, pelo nome próprio usado como sujeito do verbo, pelo nome de parentesco (o primo, o padrinho), sem falar já de tratamentos como a menina, o meu amigo e outros ainda, porque a série não tem limite. Uma das maiores difi­culdades de um mestre de Português no estrangeiro é explicar o significado e sobretu­do o porquê desta enorme variedade de formas.
Cada uma delas corresponde não só a determinadas relações sociais entre os interlo­cutores, mas também a situações independentes da hierarquia social, e a relações de afectividade. Por outro lado, uma mesma forma pode ser usada para diferentes tipos de relações, e uma mesma relação admite mais de uma forma, o que dá uma certa margem ao arbítrio e intervenção do locutor.
António José Saraiva, in "CRÓNICAS", da crónica «Tratamentos e Vocativos».

sábado, 29 de dezembro de 2007

UM REFERENDO É MEU, OUTRO É TEU, OUTRO DE QUEM O APANHAR

No artigo «A Dúvida», publicado no DN de 27 de Novembro de 2007, o Prof. Adriano Moreira rematou assim o seu artigo:
Neste debate, que de certo se vai animar à medida que se aproxima o fim do tempo das hesitações, perde-se talvez a lembrança daquilo que parece ser a principal questão do importantíssimo processo: que os interessados, que são os eleitores, tenham informação suficiente para compreender o que está em causa, no que respeita ao seu país, à sua Europa, à sua vida, ao seu trabalho, ao resto dos seus dias, ao futuro dos seus filhos.Não são porém dificuldades de entender o texto organizado por técnicos versados nas complexidades e minúcias dos acordos e compromissos que justificam a opção entre parlamento e referendo.A tradicional política furtiva, desenvolvida à margem da intervenção dos eleitorados nacionais e dos respectivos parlamentos, não resulta da complexidade dos textos normativos, para o entendimento e desenvolvimento dos quais os próprios governos vão continuar a recorrer a assessorias várias e a lidar com desencontradas interpretações judiciais, para além de as instituições europeias terem de reinventar os usos e costumes que harmonizam as competências, as tradições e as pretensões. Do que se trata, como acontece em todos os processos internos de eleição e mudança, é de seriar os problemas, de avaliar os interesses, de oferecer respostas, uma pregação pública de que todo o corpo de responsáveis políticos, que dependeram de eleições, têm possivelmente mais experiência do que necessitariam. Não parece haver memória de embaraços eleitorais que tenham sido causados pela meditação sobre a complexidade jurídica dos textos em que virão a ser compendiadas as respostas.Aquilo que está em causa não é, em qualquer dos métodos, uma aula de interpretação jurídica ao cuidado dos doutos, é uma pública demonstração dos interesses em causa, dos riscos comparados do conservadorismo e da reforma, dos pontos fortes e fracos averiguados para um auditório que algumas vezes também terá mais experiência do que necessita de exercícios semelhantes. A legitimidade parlamentar não é inferior à legitimidade do referendo, estando a escolha dependente de muitas circunstâncias, entre elas os compromissos assumidos pelas formações políticas. Mas nenhuma destas pode dispensar-se, em tempo suficiente, e neste tema finalmente, de explicar ao eleitorado que interesses nacionais e europeus, que tabela de desafios, que prospectiva do mundo, e de vida vivida de cada um, levam a pedir a adesão a uma mudança proposta. O eleitorado tem experiência e sabedoria demonstradas para compreender isto. Não tem experiência e sabedoria que lhe permitam compreender a política furtiva que tem caracterizado o trajecto europeu.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

AQUI AO LADO TAMBÉM SE QUEIXAM DO MESMO

No "El Mundo" de Domingo passado, do artigo «El Belén de los Tartufos», destaco:

Por muy acostumbra­dos que estemos aI desparpajo, la caradura y la falta de es­crúpulos intelectua­les de nuestros polí­ticos, todo debería tener un límite. Ya que el regla­mento no habilita aI presidente deI Congreso para hacerlo, la Asocia­ción de Periodistas Parlamenta­rios tendría que crear algún tipo de sanción moral para casos verdaderamente extremos, reabriendo una cárcel de papel como la de La Codorniz o, mejor aún, impo­niendo mordazas virtuales duran­te un tiempo determinado, en ho­menaje a la que aI final de cada episodio silencia aI insoportable bardo de Asterix.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

AD UNUM

Mantenho a tradição do poema neste dia. Mas hoje, quando der início ao Jantar de Natal, erguerei o meu copo a todos os que caíram em combate pela pátria, em qualquer época. E lembrarei os ex-combatentes da guerra do ultramar, do Serviço Militar Obrigatório, que sobrevivem neste Portugal maltratado e desbaratado por políticos medíocres, que não lhes reconhecem o denodo. Ex-combatentes também desprezados pelos militares do quadro permanente, duma instituição militar que hoje já nada diz ao país, mas que temos de sustentar para manter as mordomias, que incluem terem hospitais privados para as famílias que os portugueses todos pagam.
A vós irmãos, para que este nosso e vosso sacrifício seja aceite pela memória do esquecimento, pois o Portugal por que lutaram já se perdeu. Hoje já é memória. Hoje já não há homens, nem mulheres, duma estatura tal que nunca pusessem em causa o país. Vós fostes os últimos. Hurra.
Bom Natal a todos
LADAINHA DOS PÓSTUMOS NATAIS

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito

In “OBRA POÉTICA” de David Mourão-Ferreira

domingo, 23 de dezembro de 2007

EMPOBRECIMENTO

E só cito o Pacheco Pereira, do seu blog Abrupto, daqui, onde podem ler o post completo.

.Após o esbanjamento de responsabilidade Guterres – Pina Moura, a última oportunidade que tinhamos de andar para a frente, sem grandes custos sociais, oportunidade perdida com tão grande irresponsabilidade que deveria ser inscrita a negro nos anais do nosso pobre país, tem sido sempre a descer.Sócrates consolidou esse empobrecimento, aumentando brutalmente os impostos, mantendo o estado gastador, pagando um preço altíssimo pelo mito ideológico do Estado – Providência que apoia mal quem deve apoiar para manter uma universalidade de gratuitidades para quem delas não necessita. O caminho para o empobrecimento não vai parar, vai continuar. Está escrito no “modelo social português”, variante já débil do “modelo social europeu”, um mecanismo frágil de garantismo para o presente, para as actuais gerações, mas uma certeza de falência no futuro. E como o futuro é sempre maior do que o presente, e, mal eu escrevo uma palavra começa já na próxima, estamos mal.

sábado, 22 de dezembro de 2007

UMA PERGUNTA MUITO REPETIDA

Por que não surgem dirigentes políticos do calibre dos líderes do pós-guerra?

Esta é a pergunta que Luís Campos e Cunha pôs no início do seu artigo «Líder ou representante», publicado ontem no Público. E dele destaco:

As instituições democráticas estão a atravessar uma crise fundamental. Cada vez mais temos representantes e menos líderes a governarem os destinos dos países democráticos.A crise do funcionamento das instituições democráticas e dos seus dirigentes está presente, de forma crescente, pondo em questão a própria liberdade. Não há em toda a Europa dirigentes com visão, com estratégia, com humanismo e cultura. Líderes políticos como C. de Gaulle, Adenauer, W. Brandt, Mitterrand, J. Delors ou H. Kohl (exemplos de várias áreas políticas) desapareceram. Não que eles tivessem tido vidas imaculadas e isentas de crítica, longe disso, mas a sua estatura política é de um nível incomparável à de qualquer dirigente actual.
(...)
Líder é um dirigente político que pode antecipar o seu tempo e é capaz de pôr em risco a sua liderança por objectivos que não são necessariamente populares, como a guerra contra os nazis ou a moeda única e uma Europa mais forte. Representantes, pelo contrário, conduzem os países por sondagens, não antecipam o seu tempo, governam cada dia como se as eleições fossem para a semana.
(...)
Lenta e seguramente, pequenos, mas poderosos, grupos de interesses tomam conta da sociedade. As desigualdades agravam-se, os partidos passam a correias de transmissão de interesses e o povo alheia-se. Somos dirigidos por representantes e não por líderes. A situação tem de ser atalhada enquanto é possível fazê-lo dentro do regime.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

GEOESTRATÉGIA. UMA LIÇÃO.

Não dada por mim, mas pelo Professor Adriano Moreira, uma das mentes mais lúcidas do mundo na análise de geoestratégia. Esta lição é o ínicio de um artigo que ele publicou no DN de 18.12.2007, intitulado "A FALÊNCIA DA PROSPECTIVA" :

Alguns dos mais sérios conflitos que estão em curso, e não parecem dar sinais de regresso à paz, obrigam à modéstia de reconsiderar o rigor das prospectivas que conduziram a decidir e legitimar envolvimentos ocidentais, em nome dos direitos do homem, em nome dos deveres humanitários, em nome de enganos, e naturalmente de interesses económicos e estratégicos.
Uma doutrina tranquilizante dos desvios de uma relação publicável entre o uso da força e a ética de governo é a que apela às avaliações dos efeitos produzidos, e considerados como retribuição justa da acção empreendida, ainda que por vezes violando os normativos em vigor. A destruição do eixo do mal, incluindo a prevenção da ameaçadora posse de armas de destruição maciça, inscreve-se nessa perspectiva consequencial animadora da imposição dos sacrifícios inerentes à subida aos extremos da guerra.
O que não parece comprovado pelos factos é que essa metodologia esteja suficientemente afinada para não ser surpreendida pelos efeitos não previstos, mais cobertos pela lei da incerteza a que todos os fenómenos sociais andam subordinados do que pela suficiência tecnocrática dos decisores.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

AGRADÁVEL JANTAR

Hoje (já ontem), que tive com outros blogers do universo de cá. Malta do Contnente (sic) pensem em vir até cá blogar em convívio. Inibam o medo de voar e ousem mergulhar em pleno Atlântico.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

ANTÓNIO QUADROS

Só hoje reparei que não tinha colocado o link do blog sobre este grande português ali ao lado, na lista. Correcção feita.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O PAÍS VULNERÁVEL

Excelente artigo de Francisco Sarsfield Cabral , hoje no Público, intitulado «Nevoeiro nos mercados». Nele conclui que "o país da zona euro mais vulnerável à crise do crédito é Portugal".

domingo, 16 de dezembro de 2007

JÁ HÁ MUITA UNANIMIDADE. FALTA A REVOLTA

Hoje, no Público, António Barreto complementa muito bem o que eu disse no post de ontem. No excelente artigo «Armas de Arremesso», com subtitulo "O jogo de espelhos continua. A ilusão vigora. Muitos acreditam nela" descreve, melhor do que eu fiz, o novo leninismo. Não percam a sua leitura.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O NOVO LENINISMO


Sem ideologia, o que é óbvio. Também sem personagem de liderança, o que é constatável através da percepção circundante do mundo político.
Mas este novo leninismo (que é global) é o da NOMENKLATURA. A dos militantes dos partidos políticos, gente, actualmente, muito medíocre, sem carácter e de honestidade duvidosa, cujo objectivo pessoal e fim colectivo é apoderarem-se de toda a estrutura do Estado. Para dominarem e dele usufruírem. Os caminhos que trilham são os das suaves ditaduras rumo a formas de estalinismo mais rude. As concentrações de actividades económicas, da posse de bens e matérias, da comunicação social e até do desporto só podem conduzir a ditaduras, sempre auto intituladas de democráticas, e sob a batuta de um conjunto de tiranetes que, sendo medíocres, obedecem seguramente a alguém. Agora perguntem a quem. E o lema deste blog, «mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara», fará jus ao que venho por aqui divagando.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

CAMBADA DE MEDÍOCRES


A mediocridade cada vez ganha mais pujança. Os medíocres usufruem dos seus tempos de glória. São hoje, em Portugal, uma casta reprodutiva. Dominam em todas áreas. Só não dominam o conhecimento sobre as áreas porque, como medíocres, são incapazes de o fazer.
Mas os portugueses é que têm culpa que eles dominem. Não podem atribuir a culpa a mais ninguém. O que mais me preocupa é se os portugueses começam a ser, na sua maioria, uma cambada de medíocres. Isto, então, já será trágico.
P.S. Ninguém comentou o post anterior sobre a fome que já grassa no seio da classe média. Com sinceridade digo que esta falta de sensibilidade se está a demonstrar, também, trágica. QUO VADIS PORTUGAL

domingo, 9 de dezembro de 2007

CLASSE MÉDIA A PASSAR FOME

Leia aqui

O PRECIPÍCIO DA PAIXÃO

No filme VINICIUS, Tonia Carrero diz que Vinicius de Moraes, para viver a vida em plenitude, precisava “desse precipício da paixão”. Só uma mulher inteligente poderia dizer isto, sobre a percepção do homem com a paixão. De facto a paixão, o seu precipício, é que permite a descida aos infernos para uma ascensão aos céus de plenitude da existência. Ou tudo ou nada. A escalada pela encosta da paixão é sempre titubeante, parca, cheia de escolhos e de sofrimento. Enquanto a vertigem para o precipício nos enreda na voragem do fruir da vida. É intensa. Onde a morte nunca é perspectivada. Não há temores. Vive-se.
Quanta contenção à beira desse precipício não provoca vidas infelizes, temerosas, falidas, enfim, perspectivam a morte porque nunca vivem em pleno.
E depois leiam a poesia de Vinicius, pois está lá tudo.

Assim como viver
Sem ter amor não é viver

Não há você sem mim
E eu não existo sem você
(final do poema EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

CONCORDAR OU NÃO CONCORDAR

Mas vale a pena passar pelo blog Quintus, com link aí ao lado. Pelo menos reflecte-se. Pode-se não estar de acordo, mas não se pode deixar de reflectir.

HARMONIA DOS PESSIMISTAS

O VPV, escreveu hoje, no Público, um bom artigo que intitulou «Pessimismo ou realismo».
Destaco, porque ele o diz melhor do que eu, o seguinte trecho:

Para começar, só uma pequena minoria (26 por cento) acredita que vai viver melhor em 2008 e, provavelmente, está muito enganada. Para a maioria (74 por cento), o futuro "imediato" - o dinheiro e o emprego - é a grande preocupação, para não dizer a grande angústia. A propaganda e as promessa de Sócrates não pegaram. Ninguém, ou quase ninguém, acredita no futuro.Segundo o inquérito, os portugueses preferem a honestidade ao poder. Por outras palavras, não querem mudar o mundo, porque desconfiam da mudança. Já lhes basta que não os roubem, iludam ou enganem. É o ponto de vista da vítima. Da vítima da pobreza e da vigarice. Ao próximo (e, sobretudo, ao Estado) só pedem "tolerância social". No fundo, que não se metam com eles, que os deixem pacificamente no seu canto. Gostam da tradição (embora não se perceba qual; suspeito que a do mito salazarista). Não gostam da "modernidade" nem da mania de os "modernizar". E, logicamente, em matéria de marcas, votam pela Mercedes (32 por cento), que simboliza a duração e a solidez; não votam em "novidades" (como a Apple), sem valor seguro ou garantia da experiência.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

ENCONTRAR POSTS COMO ESTE, DÁ ÂNIMO

Aqui, no blog «A BEM DA NAÇAO»
BASTA PUSILÂNIMES !!!
Assusta-me pensar que o povo português esteja indiferente ao que lhe possa acontecer: Tornar-se mais uma das (insatisfeitas) comunidades autónomas espanholas. Será que não se importa em pagar com a independência ao conforto de uma suposta estabilidade económica? Que tipo de português pusilânime é esse, o de agora, que se acovarda e submete às mesquinharias políticas e às dificuldades financeiras? Que se esquece das lutas e bravuras das Odisséias vivenciadas pelos seus antepassados? Que nega para seus filhos o direito herdado de decidir por si, de falar a sua própria língua, de honrar a sua pátria? Será que os homens deste país se esqueceram de mostrar à mocidade que ela tem uma cara e que ela custou caro?


Mesmo que o meu dinheiro esteja no SANTANDER e o DNA dos meus cromossomas tenha o código genético igual do espanhol, aprendi com meus pais que a minha terra, a minha história e a minha alma são portuguesas!

Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 1/12/07

PORTUGAL PRECISA DE SER REINSTAURADO

Disse-o o PROFESSOR AGOSTINHO DA SILVA. E frisou bem que não era restaurado, mas sim reinstaurado. Malta nova ponde mãos à obra. Os velhos já estão deamsiado viciados na madorna, sendo muitos viciosos. Vamos lá a ver se conseguem.

VELEIDADES DA DEMOCRATIZAÇÃO

Se o regime democrático tem a vocação de permitir a todos, pelo menos teoricamente, a igualdade de oportunidades no acesso ao saber, à cultura, à riqueza e ao poder, não tem o condão de tornar iguais pessoas diferentes na educação, no carácter, na iniciativa e até na sorte. Não transforma a vulgaridade em educação, não equipara o preguiçoso e o trabalhador, o ignorante e o ávido de saber, o passivo e o lutador. Em Portugal, o carácter recente da democracia, o grande atraso anterior, a mudança vertiginosa das últimas décadas tornaram as coisas ainda mais complexas: entrou no mercado e em todos os sectores da sociedade uma geração frequentemente deslumbrada com o seu próprio acesso ao poder e ao dinheiro, sem bases culturais e educativas sólidas e sobretudo sem consciência da sua responsabilidade social. Repito: a democratização é uma extraordinária força de desenvolvimento, libertando energias, talentos e criatividade, mas não torna igual o que é diferente, e ainda bem. E não é o grau ou a função de doutor, gestor, catedrático ou ministro que confere, por si só, a qualidade profissional e sobretudo humana. Basta olhar à nossa volta e ficamos esclarecidos...
Esther Mucznik, “Em defesa das elites”, hoje no Público.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

SEM TEMPO

Ando sem tempo. Por isso reflictamos com Frei Bento Domingues, através da sua crónica publicada no Domingo, no Público.
É o tempo que nos devora e não é o tempo que nos consola. Se parece escandaloso ter nascido sem ser consultado, não é com alegria que alguém pode escolher o tempo e o modo de morrer. Nietzsche, no entanto, desafia-nos a dançar nas prisões. Ao aproximar estas imagens contraditórias, evoca as estranhas relações do ser humano com o tempo. Se tivéssemos apenas cadeias, cairíamos no desespero; se não houvesse senão a dança, viveríamos na ilusão. A nossa relação com o tempo vive destas duas evocações: prisão e liberdade, mas a lógica do tempo escapa-nos. Podemos fechar os olhos e criar a ilusão de que o tempo não existe. Logo que os abrimos, o presente está sempre a ir para o passado sem nos poder dizer o futuro. É a nossa condição: viver nesta passagem fugaz e fugidia, onde tudo se inscreve e tudo se apaga.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

DESDE QUE OS NEGÓCIOS O JUSTIFIQUEM

Sou um leitor atento da Inês Pedrosa, dos seus artigos na Única do Expresso. Gosto dos seus artigos. Não a endeuso. Discordo de muito dos seus artigos. Mas a sua escrita merece-me respeito. Mas o seu artigo do passado Sábado «Duzentas Chicotadas» é tão relevante que não resisto a citar aqui o trecho final:

Reformem-se todos os políticos - sempre se poupam uns largos biliões em salários. Para meros moços de recados dos interesses económicos, os políticos são demasiado caros. Entregue-se directamente a chave do mundo ao poder económico, e eles que contratem os estafetas dos negócios. Os preços serão certamente mais competitivos e realistas. Acabem-se com as Cimeiras de Nada (o que aconteceu de facto na badalada Cimeira Ibero-Americana, para além da patética rábula do revisteiro Chàvez?) e os Encontros de Coisa Nenhuma. O Mundo não ficará mais simples, mas ficará mais transparente. E poupado. A arraia-miúda não pode nada contra a iniquidade global. Mas pode lutar, caso a caso, contra as violências que conhece. Não é só na Arábia Saudita. Hirsi Ali tornou-se "persona non grata" na mansa Holanda porque levantou o manto dos "crimes de honra" ali mesmo cometidos à sombra da "sharia". Neste momento, os líderes da comunidade islâmica do Canadá preparam a criação de um tribunal (Instituto Islâmico de Justiça Civil) que aplicará a "sharia" naquele território. Numa conferência recente, o embaixador Francisco Seixas da Costa lembrava que "a Europa só pode prestigiar-se perante terceiros quando se revelar, aberta e radicalmente, intolerante contra a intolerância". Mas a Europa abraça qualquer ditador ou torcionário, desde que os negócios o justifiquem. Abraça-os sabendo que, enquanto dura esse abraço, um qualquer criado desse torcionário está a torturar alguém, lá longe, ou mesmo aqui ao lado.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

TANTO CUSTA ENSINAR BEM COMO ENSINAR MAL. SÓ QUE ENSINAR MAL SAI MAIS CARO.


Estou farto de citar o título deste post, que ouvi do Prof. Hermano José Saraiva. Mas entendo que é tanto mais, mas tanto mais caro que irá atingir um preço que não terá solvência. ADEUS PORTUGAL.

P.S. Nos semanários já aparecem ofertas de emprego para indivíduos licenciados por universidades credíveis.

sábado, 24 de novembro de 2007

PARA VIVER UM GRANDE AMOR

Para viver um grande amor de Vinicius de Moraes, um eterno optimista. Brindo a ele por tudo o que nos legou.

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro- seja lá como for. Há que fazer de corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado para chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut, além de ser fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões , sopinhas, molhos, estrogonofes - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - para não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque ( com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva obscura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

JÁ NÃO TENHO PACIÊNCIA PARA OS PASSEIOS DOS MILITARES E RESPECTIVAS REIVINDICAÇÕES


E continuo a entender que os cidadãos não deviam ser espoliados por impostos que se destinam a sustentá-los. Porque, hoje em dia, estas forças armadas não fazem sentido para o país.
E porque se esqueceram dos direitos dos ex-combatentes, não nutro consideração por eles. E porque nenhum general se fez ouvir, alto e bom som, sobre a temática dos ex-combatentes. Ao contrário de todos os outros países, como a Espanha, França e Reino Unido, por exemplo, que consideram, e muito, os ex-combatentes, porque percebem que o país é um todo, e que eles contribuíram para esse todo. E que há sempre uma dívida do país para com os que combateram pelo país, quer fosse ou não errada a política do país. Mas cumpriram. Eles cumpriram. E quem hoje cumpre?

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

SIM, OUÇO MÚSICA BRASILEIRA

Em português já só quase ouço música brasileira. De Portugal ouço fado, que, graças a Deus, continua bom, com bons poemas e boas vozes. O resto é oco de poesia, de uma maneira geral, e musicalmente é muito pobre. A música portuguesa continua hoje a ser chata, tal qual o cinema português. E ainda não perguntaram, os intelectuais do cinema, porque é que ainda hoje se adora aqueles filmes do tempo do Vasco Santana e do António Silva. Valha-me o Rui Veloso e o Fernando Tordo que ainda vão cantando e compondo. De resto, tirando mais alguma honrosa excepção que eu não valorize por condicionantes várias, é um deserto cheio de muito ruído.
E é a minha opinião.

domingo, 18 de novembro de 2007

ESTA MISTURA DE IGNORÂNCIA E PODER É A NOSSA DESGRAÇA

Desde o inicio que o mote deste blog é a frase do Sagan . Cada vez mais faz sentido em Portugal. Os medíocres pululam por todo o lado. Dominam todos os sectores. Atropelam tudo e todos. É evidente que só podem produzir mediocridades. Nos últimos tempos, a todos níveis, tem-se incrementado os dislate, bem como a proliferação dos medíocres por várias áreas. É extraordinário como o país resiste e não se revolta. É extraordinário como não fazem a comparação com a boa conduta em Espanha e não se revoltam. A resposta só pode estar na ignorância geral, sobretudo nas licenciaturas tiradas em promoções, ou em saldos, que agora as universidades usam fazer em Portugal.
Mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara. (SAGAN)
Parece que mais cedo do que tarde. Entretanto o país é desses medíocrezinhos que mais parecem uns ratitos escanzelados tentando rapar, do já muito rapado, algo que lhes dê uns trocos imorais e uma ilusão de serem gente. Triste é os processos que usam, gerando injustiças e atingindo pessoas de bem para atingirem as suas torpes aspirações. E sobretudo nos escalões rasteiros é onde mais se vê actuações destas em larga escala. Gente de dimensão humana muito pequena e medíocre. Mas são os portugueses oportunistas que o 25 de Abril moldou, escroques, pulhas e toda a espécie de desqualificados. Podem-se encontrar em qualquer lugar, e em qualquer esquina, mas sempre traiçoeiros e torpes.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O PROBLEMA NÃO ESTÁ NAQUILO QUE DIZEM OS POLÍTICOS. O PROBLEMA ESTÁ NA GENTE COM FALTA DE FILTROS E QUE ACREDITA EM TUDO O QUE OUVE.

Do excelente post " E se a gente acredita?" que o Nuno Barata colocou lá no seu blog Fôguetabraze. E, com a devida vénia, não resisto a transcrevê-lo.

Mentiria se dissesse que não fico contente com noticias como a da passada semana sobre a classificação que a National Geographic Traveler fez das nossas Ilhas. Dizem-me que está tudo comprado. Eu não sei se foi ou se não foi tudo comprado. Contudo, se foi um artigo comprado pelo Governo Regional, então foi muito bem comprado e dinheiro muito bem empregue. Se foi a própria agência que se auto regulou para ver se consegue vender um novo destino. Então também fico contente na mesma.Acontece porém que estamos perante clara e inequívoca publicidade enganosa. Todos sabemos dos resultados catastróficos que podem ter campanhas publicitárias que assentem num produto que não corresponde minimamente.Mas, mais grave ainda, é a propaganda que o Governo Regional e os seus mais diversos apoiantes e assalariados andaram a fazer sobre o tal artigo numa tentativa de capitalizar votos e simpatias. Essa embalagem levou mesmo a Secretária Regional do Ambiente à Lua e a afirmar ir fazer dos Açores o melhor destino de turismo ambiental do Mundo. Imagine-se.Nunca é demais repetir, porque nunca é demais insistir na verdade. Os Açores não são um paraíso ambiental e estão longe de o ser.Atente-se ao perigo destes discursos. Imaginemos que o nosso Povo que até acha que faz tudo bem feito, acredita no que dizem os políticos e as revistas. Vão ficar convencidos que têm andado a fazer tudo bem feito nos últimos anos, quando, na verdade, têm andado a fazer tudo mal feito.O problema não está naquilo que dizem os políticos. O problema está na gente com falta de filtros e que acredita em tudo o que ouve.
Um post escrito a voo para a Horta em busca de um Povo sofisticado e de um paraiso ambiental. Mas, já sem esperança de os encontrar.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

A IGUALDADE PERANTE A LEI EXISTE NA BEIRA ALTA?

Ou em qualquer outra parte deste país.
Fernando Ruas foi apanhado numa operação stop da PSP por conduzir em excesso de velocidade. Mas, ao contrário do que aconteceu a outros prevaricadores, Ruas conversou no local com o governador civil e seguiu viagem. Ruas diz que não sabe de infracção nenhuma; o governador nega tratamento de favor. A igualdade perante a lei existe na Beira Alta? (Pág. 12).
Hoje no Público, última página.

HÁ QUEM VÁ DIZENDO, AQUI E ALI.

A riqueza produzida em Portugal é , na quase totalidade, canalizada para Espanha.
Lucros dos bancos, do turismo , da Galp, dos cimentos, da electicidade.
E os subsídios vindos da União Europeia.

José Maria Martins, no seu blog.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

POR MAIS FORTE QUE SEJA O CULTO E A IDOLATRIA DO CORPO, A VELHICE CHEGA.

Não resisto a colocar aqui o último trecho do artigo de Vasco Pulido Valente, publicado no Público de 9.11.2007, já que vem na senda do meu post dos FUNDAMENTALISMOS.
A metamorfose das democracias do Ocidente em totalitarismos de uma nova espécie não incomoda ninguém. Não uso a palavra descuidadamente (não uso, de resto, nenhuma palavra descuidadamente): para Hitler (que não fumava, nem bebia), o alemão perfeito não andava muito longe do perfeito espécime do Ocidente contemporâneo.Imagino muitas vezes quem, de facto, quererá este mundo sufocante e asséptico, obcecado com a "saúde"? Gente, como é óbvio, com pouca imaginação. Por mais forte que seja o culto e a idolatria do corpo, a velhice chega. E, com ela, a irrelevância, a obsolescência, a solidão. Esta sociedade de velhos trata muito mal os velhos. A ideia (e a propaganda) de uma adaptação contínua é uma grande e cruel mentira. Os velhos são um embaraço. Um peso que se atura, que se arruma num canto, que se mete num "lar". Setenta anos de esforço para durar acabam num limbo à margem da verdadeira vida, quando não acabam no sofrimento e na miséria. O Ocidente está a criar um inferno. Por bondade, claro.

PORTUGAL JÁ NÃO TEM POVO.

Portugal já nem tem Povo .Tem escravos dos políticos incompetentes, tem pessoas a lutar por sobreviver, por conseguirem uma côdea para matar a fome!

Foi o que disse aqui, no seu blog, o advogado José Maria Martins.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

OS FUNDAMENTALISMOS NUTREM-SE DE IGNORÂNCIA

Isto digo eu. É uma evidência. Alguns governos que se nutrem da ignorância dos cidadãos, ignorância essa que acariciam e encorajam, tendem a ser fundamentalistas.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

UMA BOA OCASIÃO PARA O REFERENDO?


Mas o que é que isto significa? Que os referendos se fazem após as sondagens indicarem resultados favoráveis aos promotores da iniciativa? Que no momento os eleitores estão adormecidos ou anestesiados? Que não representa um obstáculo aos interesses que sobreviverão ao resultado do referendo?
Ninguém questionou isto. Na última semana dezenas de artigos de opinião sobre o estado caótico e medíocre da instrução pública em Portugal foram escritos na imprensa. Não vi nada de especial sobre o "boa ocasião". Eu compreendo que a mediocridade da instrução pública é mais importante que as chicanas políticas, e seu rol de mentiras, sobre o referendo, para além de que essa mediocridade é a responsável pela mediocridade das chicanas. Enfim, é Portugal. Sem Solução.
Ontem pareceu-me que O Marcelo Rebelo de Sousa se referiu ao facto de espanhóis andarem a comprar herdades, terrenos, etc, no Alentejo com financiamentos institucionais, em que a taxa é 1% abaixo da Euribor. Vou confirmar melhor. Agora revejam tudo o que já escrevi aqui sobre o cotejo entre Portugal e Espanha. E leiam o «Juízo Final» do Franco Nogueira. E leiam também o Comandante Virgílio Carvalho e o Prof. Adriano Moreira. Porque depois é fácil perceber. Só estou curioso para saber quem é que vai ao arriar da bandeira.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

DE JOELHOS

No post anterior não houve nenhum comentário. Todos os que por aqui passaram não reagiram ao limpar os sapatos do senhor, de joelhos. Em Portugal acha-se isso natural. Os portugueses são um povo que, hoje, ainda continua de joelhos. Qualquer medíocre os põe de joelhos. Por isso eu falei em texto, e não contexto geoestratégico. Assim se qualquer medíocre põe os portugueses de joelhos, logo Portugal é um país ajoelhado. Aliás, sempre o foi nos últimos quatro séculos.
D. António Ferreira Gomes, que foi bispo do Porto, é que disse de joelhos perante Deus e de pé perante os homens. Falou sózinho. O resto é conhecido.
Quem se ajoelha nunca se revolta. E é sempre cobarde para colaborar com os canalhas na subjugação dos outros. E reparem nos ajoelhados no Salazarismo, que após o 25 de Abril, berraram em comunhão com os canalhas para subjugarem outros, na ilusão de terem migalhas dos despojos. Hoje calados, submissos, e já de joelhos e de rastos. Os portugueses, já sem dignidade. Todos medíocres, subjugados e subjugadores. Mas continuam todos mesquinhos, tentando desgraçar o parceiro na mira de poderem obter algo dos destroços do colapso geral. Ajoelhados e de cabeça baixa, mas sempre prontos a tramar, a trair.

sábado, 27 de outubro de 2007

PARA ENTENDER PORTUGAL E O SEU COMPORTAMENTO GEOESTRATÉGICO

Para se entender Portugal hoje, é preciso entender a vida dos portugueses desde sempre, bem como, não o contexto, mas o texto geoestratégico de Portugal. Quem tem menos de quarenta anos já não faz, hoje, ideia nenhuma do que era viver-se em Portugal antes de ser um país suburbano rural. Quando ainda era rural, até mesmo as cidades. E como se deixou de ler até os mais velhos esqueceram. Os mais novos deixaram, entretanto, de compreender os textos escritos. Mas é preciso ir relembrando O Portugal de sempre para se entender onde se está. Não sei se perceberão, alguma vez, para onde vão.
Deixo aqui um pequeno trecho de Miguel Torga, retirado do romance "As Vindimas":

Embora o negassem à própria consciência, os patrões faziam parte da canícula que os causticava por fora e das sardinhas de espinha amarela que os salgavam por dentro.
- Quem há-de ser o do lenço?
Fizeram-se desentendidos, porque, em boa verdade, nenhuma humilhação agrada a ninguém, mesmo se é imposta pela duta necessidade de viver. E o Seara começou a olhá-los espantado. Era praxe obrigatória, na recepção, um do rancho limpar à chegada as botas do patrão. Adiantava-se dos companheiros de lenço branco na mão e, ajoelhado, procedia ao ritual. O proprie­tário sorria benevolamente àquele gesto de submissão e respeito, e abria a carteira.
- Então?
Depois de alguns segundos de hesitação, o Anastácio, sempre baixo como a terra, de orelha murcha disse que faria ele o serviço. E todos sentiram um alívio na alma. Se por um lado a natural dignidade os mandara resistir, o instinto de conservação temia um desfecho que os prejudicasse. Ora assim, embora o acto degradante se mantivesse e os comprometesse a todos na degradação, individualmente ficavam salvos pela abnegação do Anastácio.
O Seara alisou as guias do bigode, enquanto a testa se lhe
desfranzia.
- Ainda bem que nem sempre a estupidez leva a melhor.
Estamos portanto entendidos!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

REFERENDAR ?

Um ponto de vista muito interessante, hoje, no Público, de Luís Campos e Cunha.

Aliás, não gosto de referendos nos moldes em que estão previstos no caso português. Os referendos devem ser claros quanto à alternativa. Ou seja, se quiséssemos referendar este tratado e ele fosse recusado, qual era a alternativa: saíamos da UE? Ficaria apenas o tratado chumbado? E porquê? Nada disto seria claro e nada pior que fazer uma pergunta em referendo cujas consequências não são claras no caso de vencer o "não". Os referendos são para escolher entre alternativas e entre caminhos claros, não para dizer sim ou não a uma lei ou a um tratado.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

UMA OPINIÃO. E DE FORA.

A despedida do jornalista espanhol Miguel Angel Belloso, hoje, aqui, no Diário Económico.

Gosto muito de Portugal, e os meus filhos têm uma camisola do Sporting, no entanto, não tenho grande confiança no futuro destas duas instituições. Em relação ao mais importante, isto é, o país, assusta-me a mediocridade da classe política, a sua falta de ambição, o seu tom especulativo. É verdade que as coisas têm melhorado ligeiramente nos últimos tempos, porém, o reformismo posto em prática é tíbio, com horizontes reduzidos e sem grandes objectivos. E assim não é possível chegar a bom porto. Enquanto o mundo roda a uma velocidade vertiginosa, Portugal continua ancorado nas discussões bizantinas, agarrado a uma pequenez estratégica. E é pena, porque em Portugal, à semelhança do que acontece em muitos locais do mundo, existe talento mais do que necessário para recolocar o país no local que merece, historicamente falando. Prova disto é este jornal, um exemplo fascinante de ambição, que exibe uma mistura de inconformismo, de perfeccionismo e de uma ansiedade saudável que é apanágio de todos os que aqui trabalham e que lutam para que o produto de cada dia seja o melhor possível. Como seria Portugal se o país funcionasse com o mesmo grau de exigência, de responsabilidade e de ilusão que caracteriza os meus colegas do Diário Económico? Sem dúvida que teria um horizonte mas amplo e prometedor. Para que vejam como sou imparcial dir-lhes-ei que tudo o que digo acerca de Portugal se aplica, em boa parte, a Espanha. Neste momento, o meu país atravessa uma situação crítica. E a minha opinião já é mais do que conhecida: os quatros anos de Zapatero foram, pura e simplesmente, nefastos. Apesar de alguns dados económicos concretos que poderiam contradizer esta avaliação tão austera, o principal motivo desta minha antipatia é a filosofia encetada pela legislatura, ou seja, um socialismo do mais genuíno que se possa imaginar. E o socialismo genuíno não quer cidadãos mas sim súbditos, não quer pessoas responsáveis mas sim dependentes, prefere os passivos aos activos ... em suma, mina e acaba por destruir o potencial de criação de riqueza que existe em todas as pessoas. E aqui me detenho.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

E DAS PROMESSAS FEITAS?

- “A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D’ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?

CANTO IV, 97, "OS LUSÍADAS", Luís de Camões.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

ESTUDAR ? E SERVE PARA QUÊ ?

aqui num post intitulado “Estudar ou não estudar”, que remete ainda para outros como o “Não vale a pena estudar em Portugal”, eu abordei a temática da não viabilidade de se estudar, pois em Portugal não gostam lá muito das pessoas que estudam. Dá-se mais importância a méritos mais manhosos para se singrar.
Mas hoje, no Público, Maria Filomena Mónica aborda exactamente este tema no seu artigo “VALE A PENA MANDAR OS FILHOS À ESCOLA?”. E do artigo destaco as seguintes passagens:

A revolução contribuiu para que muitos acreditassem ser a educação o caminho para uma vida melhor. Ao longo das últimas três décadas, os pais fizeram enormes sacrifícios para levar os filhos até à universidade. (...) Vendo-os desempregados, sentem-se, como é óbvio, ludibriados.
[...]
Um momento houve, em 1974, em que tudo pareceu possível. Mas a esperança de que Portugal se pudesse tornar numa sociedade meritocrática está em vias de desaparecer. A maioria dos pais considera, mais uma vez, que não é através da escola que se sobe na vida, mas através de "cunhas". Por outro lado, olha o espectáculo dos licenciados no desemprego com espanto. Muitos, pais e filhos, pensarão duas vezes antes de continuar na escola.
[...]
Quanto ao prolongamento da escolaridade, em nada contribuirá para diminuir a desigualdade social. A massificação do ensino encarregar-se-á de fazer diminuir o valor desse diploma. Do ponto de vista da mobilidade, o 12.º ano valerá menos do que a antiga 4.ª classe: não porque os alunos saibam menos, mas porque, ao distribuir um bem a todos, fica ipso facto desvalorizado. Os factos mais importantes são a evolução do mercado de trabalho e a melhoria dos curricula. Sem isto, o prolongamento da escolaridade apenas serve para esconder o desemprego juvenil.
[...]
A existência de expectativas profissionais quanto ao futuro só nasce em sociedades dinâmicas. Infelizmente, não é isso que acontece em Portugal.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

EXCELENTE DEFINIÇÃO

Entre outras definições possíveis, esta é muito interessante:
Democracia é um sistema em que as autoridades não se importam com que o você diz, desde que tenham os meios de impedir que você o faça.
Millôr Fernandes, in "Pif-Paf".

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

AQUELE PORTUGUÊS, DANTES, JÁ NÃO EXISTE

Desde há mais de uma semana que ando a matutar no homem, e mulher, português. No post de 7 de Outubro, onde coloquei um trecho de um texto de António Quadros, havia algo que me estava a escapar. E ontem lembrei-me de Joaquim de Carvalho, de uma passagem sua muito interessante:
A grande maioria dos portugueses vive o amor pátrio intuitivo e imediato, identificando-se normalmente com o amor à terra em que nasceram e onde lhes decorreu a primeira educação. (…) Se não erro, é o amor pátrio assim entendido, ou melhor assim sentido, que explica em grande parte a constituição da nossa vida civil com base no agregado familiar, o desinteresse pela vida pública como actividade de primeira plana, e a instabilidade de todas as organizações de significação estritamente política.
Ora este português já não existe. Ou tende a não existir. Era o português rural. Mas hoje as aldeias já estão desertas, o interior esvaído, a dinâmica esfarrapada e a confiança desfeita. Os portugueses de hoje não são os urbanos, mas sim os aldeões suburbanos. O país não passa de um subúrbio, tosco e mal alinhavado. São esses os portugueses que Quadros classifica como as pessoas que se auto-satisfazem e auto-iludem com os lugares-comuns ideológicos, com os discursos demagógicos e com as ideias convencionais de gerações que, para repudiarem um certo tipo histórico de nacionalismo, perderam a própria identidade e já não sabem quem são ou para que são, como portugueses. Empobreceram em tudo. Preocupam-se hoje com a pobreza material, preocupação que é elementar para a sobrevivência, mas sem terem em conta que foi por se terem empobrecido noutros domínios que hoje são pobres na algibeira.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

2 MILHÕES DE POBRES EM PORTUGAL. (1/5). MAIS 2/5 A ESCORREGAR PARA A POBREZA.

Em Portugal há a pobreza que, hoje, e porque é um dia referenciado, e só por isso, os jornais anunciam. E, pelo andar da carruagem, até 2010 mais 4 milhões irão engrossar esse número (mesmo os empregados a ganharem abaixo de 600 € são pobres). É a insustentabilidade de Portugal. Há um vórtice que nos está a sugar para a pobreza. Claro que há responsáveis directos deste estado de coisas. Que nunca são responsabilizados. Mas todos nós somos responsáveis, mais que não seja por omissão. E porque continuamos a votar nestes políticos que há 30 anos andam a tramar o país.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A DEMOCRACIA DE OPINIÃO

A democracia de opinião alimenta imensas ilusões. Além da tentação natural de fazer crer que ela representa a quinta­-essência da democracia pois joga no velho ressalto do apelo directo ao povo, alia-se à ideia de que torna a sociedade trans­parente, legível, fácil de compreender. Dado que, graças às sondagens e a um corpo-a-corpo com os cidadãos, ela pretende ter penetrado o segredo dos ,nossos humores colectivos e dos nossos impulsos, a sociedade parece-lhe límpida. Erro fatal: quanto mais os ritos e os códigos desta democracia bizarra parecetn omnipresentes, tanto mais a sociedade se torna pelo contrário opaca. Nada é mais natural: o descrédito dos modos de representação tradicional pesa sobre os dois quadros. Ele é consubstancial, sabemo-lo, à irrupção da nova santíssima trindade, a opinião, os média, o juiz; mas vai a par com uma sociedade cada vez mais repartida, percorrida por ramais e estruturas escondidas no mais profundo dela própria, a ponto de, ao lado do nosso mundo visível, se desenvolver um outro universo invisível, ilegal e que vê convergir todas as formas de marginalidade, de clandestinidade, de tráficos, mesmo de mafias. Por um estranho paradoxo, quanto mais o sistema parece demo­crático e transparente, tanto mais a sociedade simultaneamente se desmascara.
Alain Minc, in "A Embriaguez Democrática"

domingo, 7 de outubro de 2007

O HOMEM PORTUGUÊS

O homem português, ou melhor, o arquétipo do homem português é o que emerge e se revela em determinados períodos históricos favoráveis, mas é também o que se oculta ou é ocultado, o que se reduz a uma vida estagnada e recalcada, nos períodos em que se desfaz a sua «paideia». Uma «paideia», ao modo grego, é a solidariedade e a univocidade entre a estrutura cultural e o sistema educativo de um povo, ambos se ordenando a um «telos» ou a um fim superior, que todos então sentem como seu, pelo qual vivem, lutam e sacrificam se necessário for. Sem a restauração de uma «paideia» essencialmente portuguesa, não deixando de ser universal, será difícil, se não impossível, que o homem português se reencontre, numa reinvenção que ou começa pelas elites, pelas classes letradas, ou nunca mais será possível. Sem uma «paideia» portuguesa renovada jamais poderemos ter uma pátria portuguesa dinâmica, criadora de valores, voltada para o futuro a partir das suas raízes e das suas linhas genéticas fundamentais, sem as quais a nossa identidade se perderia num progressismo vazio e superficial.Recorrendo à metáfora camoniana, assistimos nos últimos anos à vitória do Velho do Restelo sobre o Gama, o mesmo é dizer, da terra sobre a água e sobre os elementos aéreo e ígneo. (…) O que parece dominar hoje em Portugal é a face negativa, nocturna, decaída do arquétipo, do modelo ou da imagem sublimatória que o português já teve de si próprio e o levou a ousar rasgar os seus trilhos na superfície do mundo ou da vida. (…) Vivemos hoje um período de menoridade e de adolescência regressiva em que, predominando o intelecto passivo, as pessoas se auto-satisfazem e auto-iludem com os lugares-comuns ideológicos, com os discursos demagógicos e com as ideias convencionais de gerações que, para repudiarem um certo tipo histórico de nacionalismo, perderam a própria identidade e já não sabem quem são ou para que são, como portugueses.
António Quadros In, «Portugal, Razão e Mistério»
Retirado do excelente blog que é dedicado à obra e ao pensamento de António Quadros.

sábado, 6 de outubro de 2007

APARENTE DEMOCRACIA

Os governos e os grandes partidos europeus substituíram a democracia por decisões iluminadas, tomadas in cameraNuma altura em que se perde de vez a possibilidade de os portugueses se pronunciarem sobre o novo tratado europeu, com o abandono do compromisso pela actual liderança do PSD de fazer um referendo, dá-se mais um passo num triste caminho de criar uma entidade internacional que é cada vez menos democrática e a quem entregamos cada vez mais a nossa soberania nacional. É uma decisão, por parte do PSD e do PS, inqualificável de falta de respeito pelos compromissos assumidos, tornada ainda mais grave quando é claramente manchada pelo facto de ter como principal razão o medo dos resultados do referendo. Ou seja, não se faz o referendo porque os eleitores europeus e portugueses não podem, por diktat, dizer "não". Os Governos e os grandes partidos europeus substituíram a democracia na legitimação do processo europeu por decisões iluminadas, tomadas in camera pelos Governos, sobre matérias decisivas para o futuro de todos nós.
José Pacheco Pereira dixit, hoje no Público, no seu artigo "Uma UE semidemocrática, semieuropeia, semiunião"

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A CRISE ESTÁ SEMPRE EM EVIDÊNCIA

É hoje óbvio que Sócrates falhou. O equilíbrio financeiro foi feito à custa do aumento da receita, que começa a pesar insuportavelmente sobre os portugueses de qualquer idade e rendimento, e não pela prometida, anunciada e glorificada reforma do Estado, que ninguém viu ou verá. A economia não cresce. O desemprego aumenta. E não se vê saída para este buraco a que nos levaram.
(...)
Se o regime se mostrar impotente, como se tem mostrado, para resolver a crise geral do país, não resiste ao primeiro "chefe" populista que lhe aparecer pela frente.

VPV, hoje no Público.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O NOSSO SISTEMA POLÍTICO É UMA GRANADA PRESTES A EXPLODIR?

Entrevistado pela revista Visão em Londres, onde agora trabalha, João Cravinho diz ainda que Cavaco Silva e José Sócrates funcionam como uma “cavilha de segurança” da “granada” em que está a tornar-se o sistema político português. (aqui)
Segundo João Cravinho, um dos grandes problemas é a “corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte de lóbis”.
No entender do ex-deputado, a corrupção, “antes de ser um fenómeno do domínio policial, é um problema de risco, de sistema a ser gerido e não reprimido como se fosse um conjunto de factos isolados”. (aqui)
João Cravinho dixit. Entrevista a ler com muita acuidade na VISÃO.
Presumo que ele é uma pessoa muito habilitada para o afirmar, e que está na posse de informação que o habilitem a ajuizar tal. Aguardemos as reacções à sua entrevista. Assunto a acompanhar munido de filtro.

INTERESSES DIVERGENTES DE PORTUGAL E ESPANHA

O que parece ser a nova política externa da Espanha não é compatível com o que mais conviria a um Portugal que, para afirmar a sua individualidade e a sua liberdade de acção na Península, tem de continuar a assumir-se muito mais como país euro-atlântico que ibérico. Por isso é mais do seu interesse, não só a integração estratégica da defesa dos EUA e da Europa, como a preservação das relações históricas de segurança com a «Potência Marítima». É que tal política atlantista (não confundir com americanista) facilita a coesão vital dum Portugal quase arquipelágico, fragmentário, com parcelas situadas em áreas tidas de interesse estratégico, dos EUA e da Espanha, conforme a divisão «operacional» que estes aliados têm feito do espaço geoestratégico português. A coesão interterritorial de Portugal é a essência da sua individualidade e da sua personalidade, com a qual tem obrigação de concorrer para a construção duma Europa que tem de ser das pátrias para poder ser ela mesma, e não um rebanho de satélites dos que pretendem fazê-la mais à sua própria imagem. Daí que nacionalismo não seja necessariamente anti-Europa, como o regiona­lismo não é antipaís.
Virgílio de Carvalho, in "O MUNDO, A EUROPA E PORTUGAL".

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

OU HÁ UMA OBRA MEGALÓMANA DO REGIME, MESMO QUE INÚTIL OU INEFICAZ, OU A CRISE VAI ACELERAR.

Gostaria de estar redondamente enganado. Mas julgo que o país ainda vai adensar mais a crise. Para 2008 o desemprego vai aumentar exponencialmente. Os não sei quantos mil novos empregos, se apareceram, e eu não os vi, não chegam de forma alguma para travar o aumento da taxa de desemprego. Que está muito light. É uma taxa que não tem em conta os portugueses que emigram. E de reparar que até os imigrantes já estão a fugir de Portugal. As empresas, médias e pequenas estão em grande dificuldade, mas não têm peso nem influência junto do poder. Só as grandes empresas, ou os grande empresários, têm poder de ditar ordens ou decretos de acordo com os seus interesses e com investimento dos desgraçados dos contribuintes. Falta a obra megalómana. Não vai resolver nada. Irá somente atenuar a crise e adiar o desastre para dois anos mais tarde.
E já agora a nossa taxa de desemprego ultrapassou agora a da Espanha em 20 anos. A coisa promete. A Espanha com a pujança com que está, e Portugal mais miserável do que é habitual, é prenúncio do que por aí vem.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

AS FRASES DO DIA

Em geral, as elites portuguesas não se distinguem por nada que tenham feito. Não têm o hábito de se elevar e, em consequência, resta-lhes empurrar o povo para baixo quando ele se chega muito perto. (...) .Em geral, as elites portuguesas não se distinguem por nada que tenham feito. Não têm o hábito de se elevar e, em consequência, resta-lhes empurrar o povo para baixo quando ele se chega muito perto.
Rui Tavares, hoje, no Público.

A ESTUPIDEZ É O MAIOR FLAGELO DA HUMANIDADE

A frase não é minha, mas está em consonância com o que penso dos males deste mundo. O Einstein disse algo parecido com isto, e que já tinha colocado aqui.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A TER EM ATENÇÃO

A globalização não é uma simples questão de liberdade de movimentos de mercadorias e de capitais. É necessário geri-la e isso implica novas abordagens nas políticas nacionais e novas responsabilidades para os organismos internacionais. A grande interrogação de momento incide sobre a capacidade das grandes potências económicas para aceitarem essa evidência. Em especial no caso dos EUA, ainda o indiscutível ‘leader’ do processo, parece mais provável, na actual conjuntura política, assistirmos a uma nova tentativa do Fed para salvar os mercados. Os pequenos devedores incautos pagarão a factura da sua imprudência, mas é improvável que vejamos pôr termo às grandes “alavancagens” e a “corrida às armas de destruição financeira maciça”.
Teodora Cardoso, in Diário Económico, do artigo "Os mercados e a economia".
Agora que a crise chegou, centrada nos Estados Unidos e não podendo, por isso, ser atribuída à irresponsabilidade latino-americana nem ao ‘cronyism’ asiático, há dois riscos que já se tornaram claros no que respeita ao debate sobre a arquitetura e regulação do sistema financeiro.
(...)
Nesses casos, porém, não são as reformas internacionais que podem por si sós resolver o problema, se a qualidade das instituições e o valor atribuído por esses países à autoridade moral – e não à simples força bruta – que lhes cabe exercer não estiverem à altura das suas responsabilidades globais.
Teodora Cardoso, in Diário Económico, do artigo " Conhecimento imperfeito"
... diploma na "ciência" que, por esse mundo fora, tem liquidado as escolas.
Maria Filomena Mónica, ontem, no Público. Artigo a ler com muita atenção.

domingo, 30 de setembro de 2007

SIMON DU FLEUVE

É banda desenhada. Dos fins da década de 70. O autor é AUCLAIR. Por cá foi editado pela Livraria Bertrand. 4 volumes, senão erro. Uma visão, ficcionada, de um futuro após conflito bélico generalizado, com destruição de "modernidade". O regresso aos campos e a memória de um tempo tecnológico, testemunhado nas ruínas e ainda na posse de senhores da guerra. Muito interessante de ler. Embora seja só ficção. Embora.

sábado, 29 de setembro de 2007

A PERCEPÇÃO DA REALIDADE É SEMPRE MULTIDISCIPLINAR.

Há uma necessidade constante de se estar atento às interligações dos acontecimentos a nível mundial. Estando-se atentos, conhecendo-se história e entendendo geopolítica fica-se mais capaz de entender as movimentações da mudança de que todo o mundo é composto. Como comecei a fazer há cinco posts anteriores, vou deixar mais umas passagens para meditação.


O crédito tem um papel importante no crescimento económico. A capacidade de obter empréstimos aumenta grandemente a rendibi­lidade dos investimentos. A taxa de rendibilidade esperada é normal­mente superior à taxa de juro sem risco - se assim não fosse, o investimento não se faria - e, por isso, há uma margem de lucro positiva no endividamento. Quanto maior for o financiamento de um investimento, mais atraente este se torna, desde que o custo do dinheiro se mantenha inalterável. O custo e a disponibilidade do cré­dito tornam-se, assim, elementos com uma forte influência sobre o nível de actividade económica; aliás, são provavelmente os factores mais importantes na determinação da as simetria do ciclo expansão/ / declínio. Pode haver outros factores em jogo, mas é a contracção do crédito que torna o declínio tão mais abrupto do que a expansão que o antecedeu. Quando se chega à fase da liquidação forçada de dívidas, a venda dos bens dados como garantia faz diminuir o seu valor, desencadeando um processo que se vai reforçando a si próprio e que é muito mais concentrado no tempo do que a fase expansionista. Isto é verdadeiro, quer o crédito seja concedido por bancos, quer pelos mercados financeiros e garantido por bens móveis ou imóveis.
O crédito internacional é particularmente instável porque não está tão regulamentado como o crédito interno nos países economica­mente desenvolvidos. Desde o nascimento do capitalismo que tem havido crises financeiras periódicas, por vezes com consequências devastadoras. Para impedir a sua repetição, tanto os bancos como os mercados financeiros foram alvo de regulamentação. O problema é que as regras basearam-se sempre na crise anterior, e não na seguinte, pelo que cada nova crise levou a um novo avanço na regulamentação.


George Soros, in A crise do Capitalismo Global.



DIEU : « Le conservatisme a ses racines dans la religion, contrairement au libéralisme. Il est vrai que certains libéraux sont religieux, mais ils sont plus souvent laïques, athées ou agnostiques. Il se peut que quelques conservateurs (...) partagent ces vues. Pour­tant, s' il est vrai que les conservateurs peuvent étre pratiquants ou non, appartenir ou non à une Eglise, il est difficile d'étre conservateur sans étre religieux. Dans l'ensemble, les conservateurs croient en Dieu, et étant donné que les Américains sont dans leur écrasante majorité un peuple chrétien comportant une minorité juive de taille modeste mais importante, le Dieu du conservatisme américain est le Dieu des Ancien et Nouveau Testaments. Dans l'Amérique actuelle, l'engagement religieux et le conservatisme marchent de concert dans la bataille contre la laïcité, le relativisme et le libéralisme.

Philip S. Golub, in Maniére de Voir, nº 95, citando Samuel Huntington.



Es posible que Mountbat­ten y el gobierno Attlee con­sideraran que podían aban­donar la India con aquel apresuramiento, sin que los habitantes corriesen más riesgos de violencia de los que se hubiesen derivado dei mantenimiento de una presencia británica que los indios repudiaban y que los británicos no podían cos­tear; es posible que Mount­batten y el gobierno Attlee pensasen que la partición se­paraba algo tan intrincada­mente unido que los dos nuevos Dominios se verían obligados a actuar casi como una federación; pero si pen­saron esto, erraron estrepi­tosamente sus cálculos.
Cualquier esperanza de cooperación entre India y Pa­kistán pereció en medio de , la violencia que se desató en­tre comunidades durante el otono de 1947, sobre todo en las provincias partidas de Bengala y Punjab, donde al­canzaron dimensiones ate­rradoras.


Rosario DeLa Torre Del Rio, in La Aventura de La HISTORIA, nº106-ano 9.



Face à Rússia, os Estados Unidos da América podem tirar partido do realismo clássico. A UE não. O confli­to entre Moscovo e Washington po­de facilmente ser reduzido a uma pro­va de força típica do século XIX, um confronto motivado pelo controlo dos recursos naturais e o orgulho na­cional.
Mas o mesmo não se passa com a ­UE. No conceito de democracia sobe­rana, o que mais desconcerta os euro­peus é a ideia de a UE ser encarada como fenómeno temporário, expe­riência interessante, mas sem futuro. A estratégia europeia da Rússia parte do princípio de que são os Esta­dos-nação que vão determinar o futu­ro do continente.

Ivan Kastrev, in Courrier Internacional nº 128.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A POLÍTICA EM PORTUGAL ESTÁ ASSIM

O sistema político-partidário está podre. O mal é geral, concretizando-se em cada caso da forma mais adequada às idiossincrasias de cada um dos agrupamentos em questão. A qualidade média do pessoal político vem baixando, pela regra conhecida de que a má moeda faz tudo para afastar a boa moeda. A luta política vai-se tornando, por isso, cada vez mais rasteira e a competição é crescentemente concretizada pela demonização dos adversários e pelos golpes baixos, em vez de ser feita pela defesa de posições, projectos e valores.A sociedade portuguesa, por tudo isso, reage cada vez pior ao sistema partidário.
José Miguel Júdice, hoje no Público.
E relembro o mote deste blog, que está sempre abaixo do Nome do blog, mas para o qual nem sempre reparam:
«mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara.» SAGAN

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

UM APLAUSO A SANTANA LOPES

Pelo que se passou aqui. Eu já venho denunciando o nojo que é o futebol em Portugal. Há uma inversão de prioridades. Por isso eu não estranho o estado do país. Nem o rumo que leva desde há uns anos. Até parece que é o único país a divergir na União Europeia. Porque os cidadãos, em geral, não atinam, nem obrigam a atinar com as prioridades.

OS PARTIDOS PORTUGUESES SÃO...

Os partidos portugueses são uma espécie de indústrias falidas, protegidas pelos subsídios do Estado e por um sistema eleitoral que lhes tem garantido o mercado dos votos. A militância partidária é quase sempre, em países democráticos, animada pela recolha de fundos. Financiados e confundidos com o Estado, os partidos portugueses dispensam militantes.
Rui Ramos, hoje no Público. A ler com muita acuidade.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

POVO QUE LAVAS NO RIO

É o título de um excelente post, aqui, no blog do José Maria Martins. A ler com atenção.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

E SE UNIRMOS VÁRIOS PONTOS DE DIVAGAÇÃO, SERÁ QUE ESTE MUNDO COMEÇA A SER PERCEPTÍVEL?

E se formos meditando na interligação que estas passagens suscitam?


Este episódio [caso Scollari], que se segue a inúmeras cenas vergonhosas que têm envolvido as nossas selecções de futebol, é um case study para quem se preocupa com o irresponsável clima de impunidade que grassa na nossa sociedade. O futebol tem sido acusado de ser uma das raízes do problema, e retratado como um submundo dominado por tratantes, onde se cruzam a corrupção, a falta de desportivismo e as negociatas. Naturalmente, pelo poder que gera e pela atracção que suscita, não poderia deixar de espelhar todos os nossos vícios.
Rui Moreira, no Público de 24.09.2007

A guerra de civilizações, que a "inteligência" ocidental persiste em pretender que não existe, entrou numa nova fase.
VPV, no Público de 22.09.2007

As respostas certas a estas oportunidades e riscos requerem uma Europa unida e forte. Na realidade, uma Europa unida e forte irá também dar um contributo importante para a modernização sustentável da Rússia.Uma Europa fraca e dividida irá tentar a Rússia a prosseguir caminhos perigosos para o futuro.
Joschka Fischer, líder do Partido dos Verdes durante quase 20 anos, foi ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-chanceler do Governo alemão de 1998 a 2005, no Público de 20.09.2007. (Todo o artigo, intitulado O futuro da Rússia e o Ocidente, é muito interessante)

Os sinais que avisam dos desastres, sobretudo na ordem precária do Governo dos Estados e na ordem frágil da comunidade internacional, não são todos da mesma natureza, não foram objecto de uma racionalização global, mas são mais numerosos e credíveis do que os anúncios dos governantes iluminados que acontecem mais vezes do que seria útil.
Adriano Moreira, no DN de 25.09.2007. O artigo deve, no entanto, ser lido na íntegra.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

SE EU POR AQUI DISSESSE UMAS BOJARDAS SOBRE O NOJO DO FUTEBOL

Não faltariam comentários, insultos e piruetas. Sobre assuntos candentes onde divago, não há muita reflexão.

domingo, 23 de setembro de 2007

SERENAR


Foi o que andei por aqui a fazer, desde o raiar do dia até a outro raiar seguinte.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O QUE PERTURBA OS NOSSOS IRMÃOS MUÇULMANOS?

Em continuação dos anteriores posts.
O que mais perturba o mundo muçulmano, e que o encrespa fortemente, é a crescente ausência de valores no mundo ocidental, que coincide com a zona de matriz cristã. Mas não está em causa uma confrontação civilizacional por religiões. O que está em causa é a degeneração dos valores do mundo ocidental. É isso que perturba o mundo muçulmano e que é, simultaneamente, sentido como uma ameaça à sua matriz civilizacional, uma ameaça ao desenvolvimento das suas juventudes. A decadência do império romano perturba-os e aflige-os. E é disso que vão tentar defender-se. Ou andam a tentar. Os resultados têm sido desastrosos para ambos os lados. E, de forma alguma, têm travado a decadência de cada um dos lados. As soluções ainda estão para vir. E se calhar virão de um outro lado. As perspectivas de Napoleão.
E há uma questão que as duas guerras mundiais nunca resolveram, e não se fez escola com o fluir das guerras: Nunca se humilha os derrotados. A pior vitória é a que é feita com a humilhação dos vencidos, pois resultará numa derrota do futuro.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

E AINDA MAIS ...

Complementando o que venho expondo nos dois ultimos posts, não posso deixar de citar aqui um trecho do artigo do Embaixador Cutileiro, e publicado no Expresso do passado Sábado:
«As coisas mudaram. A Europa pequena, velha e contente consigo de há meio século, aninhada no conchego do confronto nuclear russo-americano, dedicada a engordar, a desculpar-se e a imaginar mundos melhores desde que não tivesse de matar ou morrer por eles, acabou. A Europa hoje é grande, está a deixar de ser tão velha - em França melhora a taxa de natalidade; quando a Turquia aderir entrará muito mais gente nova - e começa relutantemente a perceber que terá de se armar porque não só já não manda no resto do mundo, o que se sabia pelo menos desde 1945, mas também, e isso é novidade, não pode contar com a ordem da Guerra Fria para viver em segurança sem ter de a pagar. Graças à Aliança Atlântica, os europeus andaram em primeira classe com bilhete de turística durante mais de 40 anos.
Uma relação firme Europa-Estados Unidos continua a ser condição "sine qua non" de estabilidade mundial (e de bem-estar e segurança de americanos e europeus) e essa relação mantém-se. Ao contrário do que alguns receavam - e outros apeteciam - as divergências quanto ao Iraque desvaneceram-se e, entretanto, a solidariedade transatlântica recebeu dois alentos novos. Um, é o pró-americanismo dos membros da Europa de leste da União, gatos escaldados da história europeia, com medo de água fria de Moscovo e de água fria de Berlim, desconfiados de que, nessas matérias, Bruxelas não os entenda. O outro é o americanismo do Presidente Sarkozy que, entre "jogging", férias nos Estados Unidos e gosto pela riqueza mesmo quando esta seja dos outros, está a sacudir o molde católico-comunista que entorpeceu a França durante o século XX.
Mas as exigências da relação transatlântica mudaram. Para ela continuar a ser eficaz, os europeus precisarão de gastar muito mais dinheiro do que gastam em defesa e a entenderem-se muito melhor uns com os outros do que se entendem na definição dos seus interesses. Julgo que lá chegarão, à medida que forem forçados a combater com unhas e dentes a concorrência desenfreada da China e da Índia - talvez com avanços repentinos de solidariedade se a paranóia agressiva russa a isso os obrigar. Entretanto, na União, as coisas nunca mais serão como eram dantes. O contentamento mole que Kenneth Tynan ridicularizava sumiu-se. Os curadores do bem comunitário subsistem mas os estados-nação voltaram a galope e regateiam a par e passo as posições da União. É demorado e é arriscado mas se não for assim não é de maneira nenhuma e os europeus não contarão no mundo. Os gémeos Kaczynski poderão ser penosamente caricatos mas sabem de que lado o vento da História sopra.»
E também tem a ver com os dois anteriores posts esta noticia, via Novopress. Inf :
«A apresentadora da televisão alemã Eva Herman foi despedida por palavras politicamente incorrectas. Eva Herman, 48 anos, lamentou que a Alemanha moderna não atribua o mesmo valor à família que esta teve na época nacional-socialista: “valores como a família, as crianças e o papel da mãe, que foram apoiados nomeadamente pelo Terceiro Reich, foram derrotas pelo Maio de 68. Muitos do que foi desenvolvido nessa época, foi abolidos seguidamente“, declarou a senhora Herman numa entrevista à Bild Am. Sonntag, sem nenhuma relação com as suas funções de apresentadora. Esta jornalista referia-se nesse entrevista ao livro que acaba de publicar: O princípio Arca Noé - porque devemos salvar a família.»
E sobretudo, tudo a ver também a resposta do Eng. Henrique Neto, no último Expresso, à questão «Há uma bolha global de "crédito fácil" para rebentar?». Que foi a seguinte:
Não é apenas a bolha global de “crédito fácil” que ensombra o sistema financeiro mundial. É também a generalização do controlo de empresas e de grupos industriais, por fundos sem motivação e sem competência industrial. O que, estou certo, não vai acabar bem.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Continuando ...

Continuando a questão da demografia na sociedade ocidental.
A pressão demográfica começa-se a fazer sentir sobre a frágil sociedade europeia. E os fundamentalismos, xenofobias e exacerbamentos nacionalistas são uma demonstração, reactiva, a essa pressão. Muita gente está com medo de ataques terroristas que debilitem a estabilidade das sociedades ocidentais. Mas essa debilidade há muito tempo que anda a ser incrementada por forças que não são totalmente alheias aos fundamentalismos inimigos da civilização ocidental. E que têm tido sucesso. O incremento da produção de drogas é um factor importante que tem tido sucesso na destruição das juventudes de matriz ocidental. A civilização ocidental, por excesso de fartura, não cuidou devidamente da educação das gerações mais novas, optando por uma pedagogia de facilidades que destruiu o empenho das camadas jovens. A droga é só um aspecto. A abdicação na exigência da instrução é um outro, quiçá mais grave que a droga. A destruição da apetência pelo saber e a instilação do desânimo pelo carinho para com a cultura são outras facetas graves da educação das jovens gerações.
A decadência é emergente. Mais uma vez relembro a Decadência do Império Romano.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A DEMOGRAFIA! O JOGO!

Parafraseando também poderia dizer que é a demografia, estúpido.
Mas uma pequeníssima lição de geoestratégia. E vou usar a linguagem do futebol, porque parece que é a que é susceptível de ser percepcionada por mais cidadãos. Um estádio de futebol com capacidade para 60 mil espectadores. No campo duas equipas de onze jogadores e uma equipa de arbitragem de tipo neutro. Nas bancadas 50 mil são adeptos de uma equipa e 10 mil da outra. Se não houver tensões entre os adeptos, tudo decorrerá bem independentemente do resultado do jogo. Mas se houver, como se forem duas comunidades diferentes, então os 50 mil dominarão os outros 10 mil. E com facilidade.
Se a Europa for esse estádio, os europeus genuínos e de cultura tenderão, em menos de um século, a serem os 10 mil. Os necessários emigrantes, de outras culturas e mentalidades, serão os 50 mil. Os europeus não se reproduzem o suficiente, bastante, porque não querem, porque não podem, porque financeiramente incomportável, porque os novos estilos de vida, social e laboral, são deveras impeditivos, ou simplesmente porque estamos a regurgitar a decadência do Império Romano, pelo que as consequências se podem palpitar. Não há espaços vazios nem almoços grátis. Quem não se quer defender, será atacado e dominado. É uma regra dos tempos. E enquanto houverem tempos a regra existirá.
Já agora leiam, hoje no Público, o excelente artigo de Luís Campos e Cunha, Falemos do Nada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

TEM QUE HAVER DINHEIRO PARA SE CONSUMIR EM FELICIDADE.

Hoje fiz este comentário num outro blog amigo:
A vivência hodierna tem condicionalismos diferentes de há 50 anos atrás. Era tudo mais pobre, com menos disponibilidades de dispersar, mas as pessoas eram mais alegres e felizes. As crianças viviam desde logo livres, o que lhes dava alegria. Hoje as crianças vivem condicionadas pelos horários dos pais, em espaços que os pais possam pagar, pois se o não podem andam pelas ruas inseguras. E confinadas em espaços, em guetos ou em bandos onde estão presas e limitadas aos ditames desses confinamentos. E depois fazem depender a sua alegria ou felicidade de coisas que só o dinheiro compra. Geralmente electrónicas. E vejam o caso dos telemóveis em crianças. E depois de crianças quando chegam a adolescentes já só há que continuar a ser infeliz, se não tiver dinheiro que o pai dá ou... alguém dá. Tem que haver dinheiro para se consumir em felicidade.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

A HONORABILIDADE

E a propósito de mediocres este belo trecho do artigo de hoje, no Público, de Rui Tavares:
A honorabilidade é antes uma espécie de verniz que reclama para si um tratamento respeitoso ou "honorável". A honra é uma obrigação para o próprio; a honorabilidade é um penacho a ser respeitado pelos outros. Quando alguém clama pela sua "honorabilidade", não quer dizer que seja obrigatoriamente honrado; quer dizer que está convencido de que nós temos a obrigação de o tratar como se fosse.

OS MEDIOCRES VENCERAM

Deixei de propósito uma semana o post anterior no topo do blog. Tive esperança que houvesse alguma reacção ao post. O tema era muito ácido. Mas não. Das dezenas de pessoas que por aqui passaram nesta semana não comentaram. E o único comentário colocado nem é sobre o conteúdo do post. As pessoas andam indiferentes à vida pública. Por isso o país está no lugar em que está e da maneira desolada como deambula. Vou continuar por aqui dizendo o que acho que devo dizer. Mais blogues há por aí que também vão alertando para coisas, outros vão ensinando, outros elucidando. Vão fazendo o que devem. Também há muitos artigos nos jornais e revistas a chamar a atenção para o descalabro do país. Eu não tenho ilusão nenhuma de que Portugal está no seu estertor. Já é um país velho que nunca cuidou bem de manter uma população esclarecida, vigorosa, produtiva, orgulhosa e sã. Os países criam-se e finam-se no seio das circunstâncias do fluir deste planeta. E Portugal está-se a finar. Os portugueses deixaram que alguns, dentre o que havia de pior na sociedade, tomassem conta das rédeas do país. Paciência. Continuaremos por aqui focando uma e outra vez os problemas. Juntamente com outros bons blogues deste país, e não só.
Mas já não tenho esperança alguma em Portugal. Estamos em último lugar em tudo na União Europeia. E cada vez mais atrás. Cada dia que passa, estamos pior. Os medíocres venceram.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

OS IMPOSTOS DEVERIAM TER DISCRIMINAÇÃO POSITIVA. OS CIDADÃOS DEVERIAM PAGAR IMPOSTOS NA RELAÇÃO DIRECTA DOS BENEFÍCIOS QUE COLHEM. ABERTO O DEBATE.

O cidadão que não tem, no concelho onde vive, hospital, ou escola para os filhos, acessos condignos, maternidade, e etc. não deve pagar a mesma taxa de imposto que o cidadão que vive em Lisboa, onde o governo proporciona todas as mordomias a esses cidadãos. Em Lisboa há de tudo, pago com os impostos de todos os cidadãos, mas só os que lá vivem beneficiam desse tudo proporcionado pelos impostos de todos. Por isso, a quem o estado não proporciona determinados serviços, que são da sua obrigação prestar, deveria descontar, nos impostos, essa não prestação de serviços. E os que o Estado manda nascer a Espanha deviam ficar isentos de pagar imposto, para compensar o desprezo com que o estado os trata.
Fica aqui aberto o debate. Estou a aguardar para ver se os portugueses, e não só, que por aqui passam, têm opinião para expressar sobre o assunto.

sábado, 18 de agosto de 2007

Vocês não ligam muito ao que ando por aqui a dizer, mas ...

A professora Teodora Cardoso, hoje no Expresso, vem ao encontro do que eu venho por aqui dizendo. Ela hoje adverte para "O QUE", antes que seja uma crise económica. Aqui fiz um comentário, ontem, que reproduzo: Esta ainda não é a grande crise bolsista. Se as conjecturas político/económicas não souberem fazer ajustamentos correctos, e em devido tempo, essa grande crise virá mais adiante. De qualquer forma os custos humanos desta crise vão-se fazer sentir nos próximos meses. E vão ser custos bem grandes.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

UMA EDIÇÃO DE FELICIDADE

Hoje, no Courrier International. Dá para ler no fim de semana, bem antes de se deprimirem. Aproveitem. E a propósito, vi hoje uma frase interessante na série "Os Sopranos": É preciso entrarmos com alegria nas penas deste mundo.
Divirtam-se e tenham um bom fim de semana.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

SE O MUNDO TIVER DE SE FAZER EXPLODIR, A ÚLTIMA VOZ A SER OUVIDA SERÁ A DE UM ESPECIALISTA A GARANTIR QUE TAL NÃO PODERÁ ACONTECER.

Disse-o Peter Ustinov. E faz-me sempre lembrar os acordos de Munique, Chamberlain. Entre outros. Estamos em pleno período de instabilidades, várias, pelo globo. Há algo que se sente no ar. Há algo.

O MUNDO ANDA CARENCIADO DE NOVIDADES


As pessoas podem sempre ser levadas a seguir os líderes. É fácil. Só é preciso dizer-lhes que estão prestes a ser atacadas e acusar os pacifistas de falta de patriotismo e de estarem a pôr o país em perigo. Funciona sempre da mesma forma, qualquer que seja o país.

HERMANN GOERING

sábado, 11 de agosto de 2007

TUDO ISTO, HOJE.





Isto não é propaganda. São momentos de prazer de viver. Para os que são do Continente, antevejam o que podem ver e usufruir.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

UM PROBLEMA

Na linha do mote deste blog. Um trecho da entrevista dada ao Diário Económico de hoje por Mário Soares. Dito por ele tem mais força do que dito por mim e por outros como eu. Mas já muitos há, que andam por aqui, na blogosfera, a fazer alertas sérios como este:

O fundamentalismo islâmico tem vindo a fortalecer-se. Mas há também fundamentalismo judaico e cristão. Não o esqueçamos. É urgente, indispensável um grande diálogo mediterrânico. O Mediterrâneo oriental foi a sede das grandes religiões monoteístas. É preciso que as grandes religiões voltem a dialogar. O novo encontro ecuménico de Santo Egídio será este ano em Nápoles, onde espero estar, em Outubro próximo. Não podemos permitir que o Ocidente entre em decadência. Seria uma tragédia para o Mundo. Mas, para tanto, é preciso que a União Europeia saia do seu torpor e tome decisões, com autonomia estratégia em relação aos EUA. Porque aqueles que dizem que pode haver uma guerra de civilizações têm alguma razão. O descrédito do Ocidente é efectivo. E a força dos países emergentes - o Brasil, a China, a Índia e a Rússia - é efectiva. A relação de forças no Mundo está a mudar. Qual a estratégia europeia? A situação não está clarificada na União. Esse é o nosso maior problema.