sábado, 26 de abril de 2008

domingo, 20 de abril de 2008

O PASSADO CABE TODO NUM LIVRO DE 600 PÁGINAS, ENTALADO NUMA PRATELEIRA.


Um amigo meu não gostou da frase com que terminei o post anterior. Pode-se não gostar, mas é a realidade para onde nos encaminhamos. O nosso passado sobrevive nos discursos de circunstância, para fatalmente referirem que “nós já fomos” isto e aquilo. Fomos, mas nunca que somos ou seremos. Falta a crença. E falta muito o querer. Sobretudo a um povo que vive acossado entre manobras de vigaristas sem escrúpulos.
Por isso o passado já só vive nas páginas de livros e nas saudades nostálgicas de alguns. Que até chegam a ter saudades de si próprios, do que foram face ao que se transformaram, nuns acomodados. E a juventude desligou-se da memória do país. Não lê, não estuda e até já tem professores que são ignorantes. O que era previsível. A ignorância vai reproduzindo-se. E o tal livro cada vez mais entalado na prateleira. E se a juventude não tem memória colectiva, também não tem valores pátrios nem futuro colectivo. Irá ficar, bem como o país, à mercê das contingências externas, mas sem referências que a permitam posicionar-se face a essas contingências. Dramático? Não. A evolução dos povos determina que há sempre uma decadência algures no percurso. Já somos um país velho e sem garra. Se esvaímos a boa seiva, naturalmente que a árvore tenderá a definhar. É da natureza. A não ser que haja um bom tratamento “botânico” por “agrónomo” credível, a árvore definhará sem remissão. Ficará o livro com uma memória encerrada nas suas páginas.

sábado, 19 de abril de 2008

SE O PAÍS NÃO SE ORGULHA DE SI ... ...


É óbvio que não pode passar da cepa torta. Os portugueses estão cada vez mais mesquinhos e pouco solidários. E sempre muito burgessos. Não há forma de evoluir neste quadro. Ou mudam as atitudes perante a vida e perante os outros e a sociedade em geral, ou o futuro será uma triste história.
Há falta de solidariedade entre os portugueses. Existem grupos que têm mais capacidade de reivindicar, exercendo até chantagem, e pouco se importando com os outros, ou com o que os outros terão de pagar para eles poderem viver bem melhor do que os que, obrigatoriamente, têm de os sustentar. E o país também não é uniformemente solidário. Já por aqui o tenho afirmado. Vivemos tempos de egoísmo acérrimo e feroz. A maneira como o país trata o interior é reveladora do mau carácter de uma parte da população portuguesa. Retiram-lhes tudo o que é possível retirar, como escolas, hospitais e demais estruturas necessárias. Depois para irem buscar electricidade destroem-lhes a paisagem e os recursos, danificando o meio ambiente. É o caso da barragem no Tua. Não faz falta nenhuma aos que por lá vivem, mas sim aos de Lisboa. Mas não fazem nenhuma barragem que destrua Lisboa e arredores. Destroem o interior. Lisboa e arredores absorvem tudo o que podem do país. E nada dão em troca. A solidariedade nacional há muito que morreu. Assim como a verdade sobre o estado do país. Bem como a honra que antigamente se fazia questão de se exibir. Assim morreu a esperança no país. Não há nada para se exibir como orgulho. Alguns ainda falam do passado, mas isso fica tudo contido num livro de 400 a 600 páginas, algures numa prateleira, que os mais novos já não lêem.

terça-feira, 15 de abril de 2008

PATRIOTISMO EMOCIONAL

Continuando com António Quadros. Não deixem de ler os dois volumes dessa obra.

O patriotismo emocional é um fogo de palha, que ora se inflama à notícia de um efeito desportivo, ora se afunda por completo ao aceitar sem um assomo de resistência as leis, os actos de governação, as propostas politicas, culturais ou estéticas mais radicalmente avessas aos interesses nacionais, à vontade de regeneração segunda a identidade portuguesa ou às traves mestras da nossa estrutura cultural.”

António Quadros (in, Portugal Razão e Mistério)

Muito adequado aos últimos tempos que se estão vivendo.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

VENCIDA A AUTO-DIVINIZAÇÃO EGOLÁTRICA

Uma reportagem, hoje, da RTP1 sugeria que a Maçonaria iria dialogar com a Igreja Católica. O que me inspirou para transcrever aqui este texto do António Quadros, retirado do blog que lhe é dedicado e com link aí ao lado:
"Meu Eu, meu Deus: vencida a auto-divinização egolátrica, quebrada a casca do ensimesmamento pequenamente lírico e empecido, o eu pode tornar-se espelho de transcendência, caminho de diálogo com algo que o excede «ser mediador» para uma outra e a mesma realidade: a do Deus que nos fala e em nós fala no nosso próprio ideal, no nosso próprio movimento, ainda que o investamos de outros nomes, ou a do Deus que por vezes ao longo da jornada, mais cedo ou mais tarde, dificilmente, penosamente, agraciadamente, aprendemos a reconhecer sob mil máscaras que permitem a nossa liberdade..."

terça-feira, 8 de abril de 2008

FRASES CONEXAS

«Vivemos tempos de crise. São tempos de máscaras e aparências, em que se esquece o valor do serviço e o respeito pela realidade. São tempos que ignoram o passado da independência e anunciam um futuro sem liberdade»

Gen. Rocha Vieira, in Correio da Manhã de 6.4.2008, aqui


«Num mundo menos tolerante e mais pobre o adquirido do Maio de 1968 não sobrevive

Pacheco Pereira, in Público de 5.4.2008, aqui.



«No fim, como é sabido, a Igreja prevaleceu, produziu Salazar e gozou meio século de uma quase absoluta hegemonia.»

VPV, in Público de 6.4.2008, aqui.
Mas o curioso é que a propósito desta frase de VPV se compare com a capa de uma revista de 1918 que coloquei aqui.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

INFANTILIZAÇÃO DA SOCIEDADE

Hoje, no Público, aqui, o dr. Pedro Afonso, médico psiqiatra, publica um artigo com o título "Os alunos, os professores e a infantilização da sociedade", que eu considero excelente, e que põe as coisas na sua devida dimensão. Aqui deixo o trecho que acho muito significativo do artigo:


(...)
A desautorização dos professores e a demissão dos pais do exercício da sua autoridade educativa, para além de conduzir a atitudes e comportamentos anti-sociais, proporciona a estruturação de personalidades imaturas e com falhas na adaptação social.
Verificamos que na educação das crianças e dos jovens há cada vez mais uma ausência de limites. Existe, por vezes, a noção errada de que a tolerância é o maior dos bens e que os limites, impostos pelas regras, são actos de repressão. Porém, a permissividade excessiva e a ausência de limites na educação são também provas de desamor e de abandono. Neste contexto, a família tem um papel fundamental. Educar obriga muitas vezes a dizer "não" e isso leva muitas vezes a reacções, do lado dos filhos, que são difíceis de presenciar.
Evidentemente que muitas vezes torna-se mais fácil dizer "sim" do que ter que lidar com uma briga ou um amuo. Mas quem disse que educar não dá trabalho? Uma das consequências da ausência de limites na educação é a falta de capacidade para lidar com a frustração. Estes jovens tornam-se impulsivos, incapazes de esperar, procurando a todo o custo a gratificação imediata e a satisfação dos seus desejos. Não é pois de estranhar que, diante uma contrariedade imposta por um professor, a agressividade surja como uma reacção natural.
É curioso constatar que, ao contrário daquilo que seria de supor, o excesso de tolerância na educação das crianças e dos jovens transforma-os precisamente em indivíduos pouco tolerantes. Para se viver em sociedade é necessário aprender regras, é necessário perceber que a minha liberdade termina quando atinge a liberdade do outro. Por isso, a inexistência de normas e limites incita ao individualismo e a um narcisismo intolerável.A capacidade de ouvir o outro também se aprende. Com efeito, para assistir convenientemente a uma aula é necessário que haja quietude e silêncio. Ora, uma grande parte dos nossos jovens não suportam o silêncio. Num mudo repleto de estímulos e de excesso de comunicação, os jovens não conseguem largar o telemóvel, não sabem estar consigo próprios, receando o vazio da solidão.
Para alguns jovens, os professores – tal como os pais – são vistos como figuras autoritárias, repressoras e desprezíveis. Esta atitude pueril reflecte uma falta de interesse e um desdém pelo conhecimento que a educação proporciona. Na verdade, muitos são incapazes de compreender que é o seu próprio futuro que está em jogo. De resto, esta imaturidade transfere-se para a vida adulta, levando a que se tornem adultos inconstantes, inadaptados, revoltados, atribuindo frequentemente à sociedade as razões do seu infortúnio.Fala-se muito na necessidade de educação sexual nas escolas, mas fala-se pouco de educação cívica. Esta é uma matéria na qual a escola tem uma palavra a dizer. Penso que deveria obrigatoriamente fazer parte da formação dos jovens nas escolas uma experiência de voluntariado. De outro modo, como é que será possível criar uma consciência social nos jovens, se não se integra a solidariedade como um elemento da sua formação? Esta falha formativa pode criar uma "infantilização da sociedade", em que o Estado é visto como uma espécie de pai que tem que nos proteger, garantir todos os direitos, e o único responsável pelo nosso destino.
Os jovens estão cada vez mais afastados da religião e das ideologias políticas. Há uma pressão enorme, por parte da sociedade, para o consumismo e para o hedonismo. Todavia, sabemos que o Homem tem outras aspirações, além dos aspectos materiais e da procura da satisfação dos desejos imediatos. Existem outros valores que devem ser ensinados e transmitidos aos nossos jovens. Mas, infelizmente, vivemos cada vez mais numa sociedade light, na qual vinga a cultura da superficialidade, a procura do prazer imediato e o individualismo.
(...)

terça-feira, 1 de abril de 2008

SEM

A vida sem fé é um túnel sem fim, mas sem esperança é um corredor às escuras que não leva a parte nenhuma.
Fernanda de Castro, in " Ao Fim da Memória - Ivol."