sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O SUCESSO DO RENASCIMENTO


Nos tempos que correm cada vez mais me interrogo se esta saga civilizacional (ocidental) está a ter sucesso. Os valores humanisticos, democráticos, de solidariedade social, de liberdade harmoniosa e culturais estão a ser bem difundidos e assimilados? Julgo que não. Parece-me que há um rotundo fracasso. A violência sobre as crianças e sobre as mulheres demonstram isso. O incremento da pedofilia e sua impunidade demonstram isso. A ganância desmedida e o lucro injusto espelham isso. A hipocrisia com que os estados interagem, bem como a democracia que evangelizam, gritam isso mesmo.
Que valores são hoje tenazmente defendidos pela dita civilização ocidental? Cada um que se interrogue.
Mas quando a violência doméstica tem um crescimento desmedido, só pode significar fracasso. O urbanismo actual não conseguiu absorver as ansiedades das populações nem moldar os valores que o saneamento de conflitos sociais das aldeias continham. A moderação social aldeã, em qualquer parte do mundo, e em qualquer esquema civilizacional, manteve uma sanidade no seio das sociedades locais. Perdido esse equilíbrio a favor das grandes urbes, perdeu-se, também, algures, os desígnios da civilização. As crises, e não exclusivamente as financeiras, são fruto desse desnorte de moderação. Algures, por aí, as elites pensantes foram sufocadas. O supérfluo é que é dignificado e a ignorância valorizada. A factura está a ser passada. O recibo vem aí a caminho. Sempre, sempre a FÉNIX.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

A PACIÊNCIA

A PACIÊNCIA É UMA ÁRVORE DE RAÍZ AMARGA MAS DE FRUTOS MUITO DOCES.

(Provérbio)

QUE SENTIDO TEM CORRER QUANDO ESTAMOS NA ESTRADA ERRADA?

(Provérbio)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

DA LUZ

Transcrevo um pequeno trecho do post da Serpente Emplumada, sempre com a devida vénia:

É a matéria que imagina o céu. Depois, é o céu que imagina a vida. Depois, é a vida que imagina a natureza. Depois, a natureza cresce e mostra-se sob diferentes formas que concebe muito menos do que inventa revolvendo o espaço. Os nossos corpos são uma dessas imagens que a natureza tentou junto da luz.” Pascal Quignard, Terraço em Roma

domingo, 15 de fevereiro de 2009

VAI-SE DIZENDO POR AÍ

O que está de acordo com a extravagância geral da nossa vida colectiva. Ao mesmo tempo que o INE anunciava a desgraça da nossa economia, um "jornal de referência" veio explicar que, felizmente, 900.000 pessoas trabalham para o Estado e não podem por isso ser despedidas como qualquer vagabundo da "privada".
VPV, no Público, hoje.
Aqueles deputados têm os mesmos reflexos, os mesmos comportamentos e a mesma visão do mundo que um bando de hooligans em claques de futebol.
António barreto, hoje, no Público.
Que Deus possa escrever direito por linhas tortas é uma sabedoria portuguesa que Bernanos descobriu no Brasil. Não devemos, no entanto, exigir ao Espírito Santo esforços suplementares para aquilo que compete aos seres humanos. Repete-se que há falta de vocações. Não acredito. Se a vocação é dom de Deus, não se esgota facilmente. Deveríamos olhar mais para o tabu que impede caminhos de solução. Por que não reintegrar aqueles padres que tiveram de abandonar o ministério presbiteral e que estão em condições de prestar serviços relevantes para os quais foram preparados? Por que razão não chamar, ao presbiterado, homens casados que manifestam grande capacidade de serviço na Igreja? E as mulheres? Será que, por serem mulheres, Cristo não as quer ver a presidir à Eucaristia? Precisamente Ele que, segundo os Evangelhos, lhes deu com amizade o papel de comunicar, aos apóstolos, o Evangelho da Ressurreição? Se Deus criou o ser humano à Sua imagem, homem e mulher, seria ridículo atribuir a Deus uma mentalidade patriarcal. Criar um deus à imagem do masculino é criar um ídolo. O sujeito masculino não tem mais aptidão para ser chamado à presidência da Eucaristia do que o sujeito feminino.
Frei Bento Domingues, hoje, no Público.
Não parece um método tranquilizante da sociedade civil o anúncio da evolução estatística da criminalidade, sobretudo quando insiste em débeis percentagens de crescimento. As médias dizem pouco sobre a relação entre a espécie e gravidade das infracções e a insegurança efectiva dos cidadãos.
Adriano Moreira, no DN de 10.02.2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

ESTATISMO PANTANOSO


António Quadros, publicou na revista «57», em 11.06.52, um ensaio «Os Três Problemas Portugueses». Já aqui nos tínhamos referido a essa revista a propósito do «Manifesto Sobre a Pátria», também de António Quadros. O blog dedicado a António Quadros tem o link aí ao lado. E é muito interessante este ensaio do qual pomos aqui um pequeno trecho. Mas é delicioso podermos aprender com quem sabe. E António Quadros sabia, e o seu saber é actual e muito proveitoso. O triste é poucos aprenderem. Já decepcionante é muitos nem sequer saberem ensinar (Mas isto é outra cantiga não avaliada). Mas leiam o ensaio todo. E depois façam as vossas reflexões. Meditem sobre os tempos hodiernos. Eu continuarei a divagar por aqui até que a mistura de ignorância e poder nos faça explodir. Mas leiam o trecho e depois todo o ensaio:


Ora é este terreno comum que exactamente contestamos e pomos em causa. Há quatrocentos anos que, entre nós, mudam os regimes, as estruturas e as forças dominantes, mas na realidade pouco ou nada se modificou no tipo de estatismo em que pantanosamente mergulhamos.E isto porque o nosso pensamento político, há quatrocentos anos que não é criador, mas aderente. Queremos dizer que, incapazes de criar doutrina política, necessariamente derivada de uma filosofia e de uma visão do mundo, os nossos políticos se limitam a lutar pela adesão do pais a este ou aquela doutrina, forjada por outros a partir de circunstâncias históricas, ideológicas e sociais inteiramente diversas das nossas. Qual é o partido político que, nos últimos séculos, pôde ou soube postular uma teoria própria e original? Portugal é pensado como um pequeno e triste astro sem luz própria, reflectindo a sombra e o sol dos outros, e por isso todos os nossos movimentos de reacção e acção, sejam a Contra-Reforma e o Iluminismo, sejam o Absolutismo e o Liberalismo, sejam a Monarquia constitucional e a República, sejam as outras teses e antíteses que se lhes seguiram, tiveram de comum, a ideia concordante da menoridade da pátria, incapaz de teorizar pelas próprias vias, sistemas de filosofia, de educação e de política.
(...)
Ora estes problemas andam de tal forma obscurecidos por ambiguidades artificiais, o drama consequente é de tal modo menorizado por proposições sentimentais e volitivas, o essencial é tantas vezes ocultado pelo acessório, que a maioria das pessoas cada vez sabe menos o que há-de pensar, quando não se encontra filiada em qualquer organização que por eles pense.
A pequena política é a grande dissolutora das mais belas e verdadeiras ideias humanas, porque não quer reconhecer a hierarquia dos problemas e a lógica das relações entre o menor e o maior. Assim, a mediocridade é o plano em que se agita, o superior é arrastado ao nível do inferior, as mais fecundas concepções filosóficas são degradadas em nome dos interesses imediatos, circundantes, egoístas e pragmáticos. Crescem os actos puramente utilitários, as atitudes provincianas, as ilusões utópicas, os partidarismos irreflectidos, as subordinações confessas ou inconfessas, e é tudo isto, toda esta gama de detritos provindo de ideias e crenças moribundas, que está alimentando e envenenando um número majoritário de portugueses."

domingo, 8 de fevereiro de 2009

MODELO DE INUTILIDADE

Agravidade do que precede é tal que nem recordamos o facto essencial do ano: as eleições. Teoricamente, estas poderiam ser um instrumento de resolução. Debates sérios e veredicto popular poderiam seleccionar e ungir quem tem mais capacidades para deitar mãos à obra. Mas, com realismo, receia-se o pior: é bem possível que das eleições resulte um poder minoritário, partidos fragmentados e uma autoridade dispersa.As eleições europeias não interessam a ninguém. Não têm qualquer espécie de significado. Ou antes, têm-no cada vez menos, se tal é possível. Em tempos de ressurreição do proteccionismo, são um modelo de inutilidade. Já as outras, autárquicas e legislativas, são de real importância. Espera-se que sejam úteis.
(...)
Há cada vez menos pessoas a votar pela camisola ou por mera credulidade. Há cada vez mais quem faça contas à vida e decida livremente votar. Há quem não vote enquanto o sistema eleitoral for o que é: proporcional por lista, com grandes círculos anónimos e colectivos e sem compromisso pessoal. Outros, mesmo críticos do sistema, procuram sinais que os ajudem a decidir.
António Barreto, hoje, no Público.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A LER

Hoje, no Público, a carta aberta do Eng. Henrique Neto. Ontem, também no Público, o artigo de Luís Campos e Cunha. E tantos mais. Que aqui e ali se vai alertando, é um facto. Mas parece que há um autismo geral, quer dos cidadãos, quer dos dirigentes nacionais. Vamos a ver se acordam a tempo. Embora o tempo escasseie.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

CHAGAS DA MEDIOCRIDADE.


Perguntou-me um amigo porque não falo sobre o momento político actual. Disse-lhe que por desencanto. Este país resvalou para a mediocridade. Passou-se a dar mérito aos medíocres e eu não me revejo nisso. Em todo o lado são os medíocres que dominam, são promovidos e exaltados como exemplos a seguir. E eu não aplaudo isso. Não se cultiva o mérito, a excelência e a nobreza. Antes pelo contrário. Assim temos o incremento da preguiça, da irresponsabilidade e da desonestidade. E eu não bajulo isso.
Já por aqui tenho batido este tema muita vez. E é muito visível na educação. Veja-se um exemplo. Indivíduo sem o 12º ano faz uma equivalência ao mesmo por validação de competências, por análise curricular e por um trabalho de 10 páginas, que encomendou a outrem. E entretanto acede a uma universidade por entrevista, sem provas prestadas. Ingressa e já tem uma equivalência a sete disciplinas por análise curricular, sem ter ainda prestado prova nenhuma. Agora digam-me como é que se vai explicar a um filho que deve estudar no duro e fazer todas as provas e completar um curso normalmente? Por que não fazê-lo pela via fácil das equivalências? E o que dizer da injustiça que é esta política das equivalências para os que fizeram tudo prestando provas com aproveitamento? O que pensará um aluno que prestou provas, fez exames para aceder à universidade e ao seu lado tem outro que só precisou de utilizar esquemas? A injustiça é outra chaga neste país. Não se faz justiça. Nem no ensino nem nos tribunais. Estes, os tribunais, nem se sabe bem, hoje, para que servem. Sendo certo que não é para aplicar justiça. Qualquer sentença proferida passados mais de dois anos sobre os factos, mesmo que correcta na forma e no conteúdo, é injustiça. E isso mina a credibilidade dos tribunais e a confiança dos cidadãos no Estado. Já por aqui tenho dito que se mede a saúde de um país pela avaliação do ensino e da justiça. Se um deles está mau, o país não está bem, mas se se dá a conjunção dos dois estarem mal, então esse país está num descalabro.
Não sei se respondi exaustivamente ao meu amigo. Mas eu não aprecio mediocridades. Nem estupidez, que já alguém disse ser o maior flagelo da humanidade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

TEATRALIDADE

Este ponto exige que a arrogância não seja responsável por uma teatralidade que apenas concorre para que a dependência se vá tornando mais severa sem debate responsável, sobretudo porque a dependência energética tem companhia das dependências das matérias-primas, da mão-de- -obra, e da reserva estratégica alimentar. As fórmulas com que os analistas tentam caracterizar a conjuntura, designadamente a esquecida proposta de Kagan no sentido de comparar a Vénus a debilidade europeia, e de comparar a Marte a suposta força dos Estados Unidos da América, cuja doença da debilidade dos metais não pressentiu, tendem para ser desactualizadas, e isto pelo facto de que este aviso do fornecimento do gás também diz respeito àquilo que chamou o regresso da história.
Adriano Moreira, hoje no DN, no artigo «AVISO»