No desaparecimento do cidadão António Feio, que não conheci, fica o seu legado como actor, e muito mais no teatro, que eu conheci. Do cidadão que falem os amigos. Do actor posso falar, pois era um excelente actor, e sobretudo um brilhante cómico. Fico-lhe devedor de alguns momentos que apreciei, bastante, na minha vida.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
quarta-feira, 28 de julho de 2010
OS ALERTAS, POR VEZES, ACELERAM.
Ontem, Adriano Moreira, sempre brilhante no raciocínio, disse isto no Especial Informação do TVI24. Os alertas estão sinalizando. Os acontecimentos podem precipitar-se.
terça-feira, 27 de julho de 2010
3200 ESCOLAS DO 1.º CICLO FECHADAS NOS ÚLTIMOS 5 ANOS
Este é o título da notícia do DN de 24.07.10, aqui. Há dias perguntaram-me se eu ainda falo neste blog sobre geoestratégia. Quase que não falo de outra coisa. E o encerramento de escolas, nesta dimensão, é geoestratégico. Quem não percebe isso, como é o caso dos políticos que por aí pululam, não percebe disto nem de relações internacionais. Os nossos primeiros reis preocupavam-se com o povoamento. Um até mereceu o cognome de “Povoador”. Eles sabiam e tinham grandes preocupações de geoestratégia. Entre escolas, maternidades, hospitais e demais infra-estruturas se aquilata a qualidade da resistência do povoamento. Para os pitchenos que julgam que andam a aprender relações internacionais direi que é uma espécie de teste de stress bancário, como os que foram feitos agora. E então quais são as cidades importantes na faixa de 50 kms da raia? E a mesma pergunta para Espanha. E comparem. E reflictam. Depois vejam lá se conseguem perceber. Ah! Em Espanha o 1º ministro afirmou que se for necessário avançará com mais medidas impopulares. Por cá também não e o endividamento ainda piorou x% em relação ao ano passado. E a comissão permanente da Assembleia da República vai reunir de emergência, mais a conferência de líderes das bancadas parlamentares. E porque será esta diferença entre Portugal e Espanha? Será que os pitchenos conseguem entender?
sexta-feira, 23 de julho de 2010
CONTEMPORÂNEO
Le contemporain est celui qui fixe le regard sur son temps pour en percevoir non les lumiéres, mais l’obscurité.Tous les temps sont obscurs pour ceux qui en éprouvent la contemporanéité.
Giorgio Agamben, «Qu’ est-ce le contemporain?», Rivages poche/Petite Bibliothèque, 2008.
Giorgio Agamben, «Qu’ est-ce le contemporain?», Rivages poche/Petite Bibliothèque, 2008.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
E NÃO DIZEMOS NADA
Talvez já não possamos dizer nada. Em 2007, neste post, citei Maiakovski, Brecht, Niemöller e Cláudio Humberto. Julgo que está na altura de o reler.
terça-feira, 20 de julho de 2010
JÁ ESTOU CANSADO DO PAÍS
Não vou escrever mais sobre a política do país. Poderei falar, aqui ou ali, de situações no país, mas de política não. Os meus compatriotas, que votam sistematicamente na desgraça, se encarregarão de votar em novas desgraças. Já me é indiferente. O país pode-se fundir, repartir, ou lá o que quiserem. Estoirem-se à vontade. Já me cansei de medíocres e mediocridades. E não perscruto nenhuma solução à vista. RIP.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
AS CRIANÇAS DAS GRANDES METRÓPOLES URBANAS.
Tenho constatado, nos últimos anos, que as crianças das grandes urbes, que vivem fechadas em apartamentos, estão alheadas da realidade. Têm um percurso estranho. Vivem entre o apartamento e a creche, e depois a escola, num circuito fechado. Quase blindado. Todo o seu mundo é virtual, entre a televisão e o computador. A sua realidade é plasmada num ecrã. Depois as suas relações sociais são, basicamente, as do ecrã. A ternura e a violência vêem-lhes através ecrã. A educação dessas crianças é descartada dos pais para a escola, e desta para os pais. A escola não instrui, bem como deseduca, pois só trabalha para estatísticas determinadas pelos respectivos ministérios. A sua realidade periférica do mundo é o hipermercado. O seu mundo, de consumo, está nas prateleiras do hipermercado. Não têm noção da realidade da produção. Não têm contacto com a terra, com os ribeiros, com os animais e os vegetais. Hoje já há quintas didácticas para que possam fazer visitas de estudo para verem uma vaca, uma ovelha, uma galinha, uma couve, etc., sem que sejam plastificadas numa embalagem do hipermercado. E os programas de tv para crianças? São feitos por adultos, já fruto desta realidade, para esta realidade de crianças. Quando fazem aquelas perguntas de se já viram uma vaca, é porque eles acham isso extraordinário, porque eles mesmo nunca viram a não ser no ecrã. E não faz sentido fazer esses programas com essas perguntas para as crianças de fora das metrópoles urbanas, porque essas conhecem a realidade para além da urbe.
E os pais dessas crianças. Cansados delas? Cansados da vida que têm? Sempre na busca, com afã, do inatingível? Conversam com os filhos e têm tempos lúdicos com eles? Ou compram-lhes coisas para os manterem calados e dão-lhes a comer plasticfood para os manterem sossegados e inertes. Assumem-se como pais virtuais e dão conselhos e exemplos virtuais para explicarem a vida. Está tudo no Google. Quando não podem resolver a vida como aparece no ecrã é que começa o desatino. A vida, no dia a dia do cidadão comum, nunca é virtual.
Um bom exemplo são os que são contra o serviço militar e se declaram pacifistas. E depois jogam no PC coisas violentíssimas com batalhas tremendas, matando que se fartam. Guerreiros indomáveis no ecrã, temeratos na vida real. Lutam com abnegação no ecrã e temem defender-se na rua. Por isso se fecham, nos apartamentos, com medo da rua, esperando (e rezando) que alguém os defenda do mundo real.
Talvez um dia volte a este tema por causa da demografia, da defesa, da integridade.
E os pais dessas crianças. Cansados delas? Cansados da vida que têm? Sempre na busca, com afã, do inatingível? Conversam com os filhos e têm tempos lúdicos com eles? Ou compram-lhes coisas para os manterem calados e dão-lhes a comer plasticfood para os manterem sossegados e inertes. Assumem-se como pais virtuais e dão conselhos e exemplos virtuais para explicarem a vida. Está tudo no Google. Quando não podem resolver a vida como aparece no ecrã é que começa o desatino. A vida, no dia a dia do cidadão comum, nunca é virtual.
Um bom exemplo são os que são contra o serviço militar e se declaram pacifistas. E depois jogam no PC coisas violentíssimas com batalhas tremendas, matando que se fartam. Guerreiros indomáveis no ecrã, temeratos na vida real. Lutam com abnegação no ecrã e temem defender-se na rua. Por isso se fecham, nos apartamentos, com medo da rua, esperando (e rezando) que alguém os defenda do mundo real.
Talvez um dia volte a este tema por causa da demografia, da defesa, da integridade.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
DESPARTIDARIZAR O ESTADO
Anteontem ouvi António Arnaut, na SIC Notícias, dizer que era urgente despartidarizar o Estado. Concordo. E aplaudo. Só que ele devia-o ter dito antes de começarem a partidarizar o aparelho do Estado. Devia-o ter dito ele e outros.
terça-feira, 13 de julho de 2010
ESTAMOS, DE FACTO, EM CRISE?
Portugal está em crise? Os portugueses estão em crise? Será que o Saramago tinha razão e estamos cansados de existir? Esgotámo-nos? Ou será que, simplesmente, cultivamos a medocridade? Ou só nos sentimos confortáveis quando chefiados, de baixo a cima, por mediocres? Mediocrecracia é o nosso regime constitucional? Que raio de gente restou neste país? Que resposta se espera? Ou em vez de resposta, acção?
segunda-feira, 12 de julho de 2010
A ESPANHA NÃO GANHOU SÓ O MUNDIAL. TAMBÉM GANHOU IMPULSO.
E agora em Portugal vai ganhar a VIVO, ganhar isto e aquilo. Não há que saber. Em Espanha até os dirigentes medíocres são melhores que os nossos. E como em Portugal só se tem apostado em gentinha medíocre e incompetente, não há que esperar grande futuro.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
MOVIMENTOS DA SOCIEDADE CIVIL
Seja lá o que isso for. Onde pairam? Manifesto dos 40, mantêm-se? Ou debandaram? Compromisso Portugal? Descomprometeram-se? Um dos grandes dramas deste país é ter memória curta. Estive a reler um artigo interessante de 2006, de Pedro Santos Guerreiro, sobre estas coisas. E este de Cristina Fernandes.Vale a pena revisitar as memórias. E a NET hoje permite que não nos esqueçamos. Os meus leitores têm muito por onde pesquisar nas memórias da NET. É só vasculharem os seus interesses.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
SERÁ IRRESPONSABILIDADE?
Escreveu Pedro Santos Guerreiro, Director do Jornal de Negócios, na revista Sábado nº321 o seguinte:
A manchete de segunda-feira do Negócios é de estarrecer: no final de Novembro, uma empresa do sector têxtil recebeu dois milhões de euros de apoios públicos. Duas semanas depois, a empresa parou, entrou em lay off e, meia dúzia de meses depois, a insolvência estava consumada. Chapa ganha, chapa gasta.
O problema é que a chapa era nossa, do Estado, o que nos permite, enquanto "accionistas" involuntários, fazer perguntas. O dinheiro entrou na Facontrofa, dona da rede de 25 lojas Cheyenne, sob a forma de capital. O IAPMEI injectou dois milhões de euros, o que lhe garantiu ser dono de 40% da empresa. Antes não tivesse sido.
Se não é gestão dolosa, é de digestão dolorosa. Quem aprovou aquele "investimento" e sob que justificações? Quem lhe foi pedir explicações por ter sido enganado? Sim, porque não há outra possibilidade para esta rocambolesca história: só pode ter sido por incompetência. A alternativa é muito pior.
A azáfama eleitoralista de 2009 misturada com o pânico ante a crise e o impulso de preservar empregos (o que é diferente de salvar trabalho), centenas de empresas foram acudidas. Numas valeu a pena, noutras não. E noutras ainda, já não valia a pena antes de injectar dinheiro.
Onde estão aqueles dois milhões de euros hoje? E quantos outros milhões com eles desapareceram?
O problema é que a chapa era nossa, do Estado, o que nos permite, enquanto "accionistas" involuntários, fazer perguntas. O dinheiro entrou na Facontrofa, dona da rede de 25 lojas Cheyenne, sob a forma de capital. O IAPMEI injectou dois milhões de euros, o que lhe garantiu ser dono de 40% da empresa. Antes não tivesse sido.
Se não é gestão dolosa, é de digestão dolorosa. Quem aprovou aquele "investimento" e sob que justificações? Quem lhe foi pedir explicações por ter sido enganado? Sim, porque não há outra possibilidade para esta rocambolesca história: só pode ter sido por incompetência. A alternativa é muito pior.
A azáfama eleitoralista de 2009 misturada com o pânico ante a crise e o impulso de preservar empregos (o que é diferente de salvar trabalho), centenas de empresas foram acudidas. Numas valeu a pena, noutras não. E noutras ainda, já não valia a pena antes de injectar dinheiro.
Onde estão aqueles dois milhões de euros hoje? E quantos outros milhões com eles desapareceram?
E por irresponsável nunca será nada punido? E será mesmo irresponsabilidade? Há pessoas que têm dúvidas sobre isto, mas eu não.
domingo, 4 de julho de 2010
E FOI DITO
a) Que cada Ministério se compromete a limitar e a organizar os seus serviços
dentro da verba global que lhes seja atribuída pelo Ministério das Finanças;
b) Que as medidas tomadas pelos vários Ministérios, com repercussão directa nas
receitas ou despesas do Estado, serão previamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças;
c) Que o Ministério das Finanças pode opor o seu veto a todos os aumentos de despesa corrente ou ordinária, e às despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis;
d) Que o Ministério das Finanças se compromete a colaborar com os diferentes ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para que se possam organizar, tanto quanto possível, segundo critérios uniformes.
(...)
«Aguardamos apenas a realização de condições convenientes para que o remédio não seja pior de sofrer do que o mal que se destina a curar».
dentro da verba global que lhes seja atribuída pelo Ministério das Finanças;
b) Que as medidas tomadas pelos vários Ministérios, com repercussão directa nas
receitas ou despesas do Estado, serão previamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças;
c) Que o Ministério das Finanças pode opor o seu veto a todos os aumentos de despesa corrente ou ordinária, e às despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis;
d) Que o Ministério das Finanças se compromete a colaborar com os diferentes ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para que se possam organizar, tanto quanto possível, segundo critérios uniformes.
(...)
«Aguardamos apenas a realização de condições convenientes para que o remédio não seja pior de sofrer do que o mal que se destina a curar».
E quem o disse?
quinta-feira, 1 de julho de 2010
AFUNILADOS
Estamos afunilados. O nosso corredor para sair da crise está a ficar cada vez mais estreito. Que o país tem de fazer sacrifícios é o tema mais decorrente das grandes e profundas meditações dos opinadores do regime. E dos outros, que também não almejam grandes soluções. Ainda não vi ninguém clamar pela punição dos bandidos sucessivos, que sucessivamente, com as suas medidas desastrosas e loucuras faraónicas, pregaram com o país neste estado de calamidade. Por incompetência e completa ignorância sobre o que fazer. Iam fazendo, determinando, sem se preocuparem com a questão que tudo o que se faz, e determina, tem custos. O país encheu-se de patos bravos, mas sobretudo ignorantes. Que agora reproduzem a sua ignorância. Atingimos o ponto de não retorno. Já não temos competência, e não ignorante, em número suficiente para poder passar testemunho com sucesso. A incompetência, ignorante, tomou de assalto tudo: ministérios, câmaras municipais, universidades, comunicação social e instituições, outrora meritórias. RIP.
Já agora vejam este post aqui.
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
SOU UM ADMIRADOR, INCONDICIONAL, DE ANTÓNIO QUADROS
Um grande pensador português, infelizmente tão desconhecido pelos meus concidadãos. Nada lido nas escolas, e quase nada nas universidades. E Portugal perde muito com esse desconhecimento. Mas parece que a estratégia aplicada, actualmente, é, mesmo, a de incentivar a ignorância. E não sei a favor de quem, ou do quê, ela está a ser aplicada. Não sou a favor de grandes teorias de conspiração, mas que há bruxas …. .
Mas o futuro, se queremos que ele não nos fuja, exige o acerto e o reencontro que nos tem sido tão difícil. Acerto entre o pensamento político adequado à situação psico-social portuguesa, e à praxis que o viabilize tendo em conta a multiplicidade dos nossos problemas, que não são os problemas de Sirius, mas sim os de um concreto aqui e agora, incognoscível sem a aproximação dos seus fundamentos, raízes e movimento histórico; e reencontro dos portugueses consigo próprios, e com a sociedade e a civilização que virtualmente, profundamente, querem ser, mas de que em parte se alienaram.
Mas o futuro, se queremos que ele não nos fuja, exige o acerto e o reencontro que nos tem sido tão difícil. Acerto entre o pensamento político adequado à situação psico-social portuguesa, e à praxis que o viabilize tendo em conta a multiplicidade dos nossos problemas, que não são os problemas de Sirius, mas sim os de um concreto aqui e agora, incognoscível sem a aproximação dos seus fundamentos, raízes e movimento histórico; e reencontro dos portugueses consigo próprios, e com a sociedade e a civilização que virtualmente, profundamente, querem ser, mas de que em parte se alienaram.
Do prólogo de PORTUGAL, Entre o ontem e o amanhã de António Quadros.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
NÃO DOMINAMOS O FUTURO.
Nem o passado. Sobrevivemos no presente. Mas julgo que cada um de nós tem o dever, por existir, de agir de forma correcta para que as nossas acções não comprometam a sobrevivência dos descendentes. Para isso devemos observar a história. Colher dela ensinamentos para as boas práticas. A história está escrita no tempo e registada em diversos materiais, e nalguns até com o auxílio de alfabetos. Alguns historiadores, assim auto intitulados, querem adaptar a história às suas ideologias. Mas só o fazem com o alfabeto e sobre a história contemporânea, aquela que os emotiva e, na realidade, a única que conhecem. Mas estes historiadores não escrevem no tempo e o destino das suas conclusões é óbvio.
Temos de agir de acordo com a história registada no tempo. Porque as consequências das nossas acções acompanhar-nos-ão no tempo. Quer no finito, quer no infinito.
Temos de agir de acordo com a história registada no tempo. Porque as consequências das nossas acções acompanhar-nos-ão no tempo. Quer no finito, quer no infinito.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
DADOS ESTATÍSTICOS IDENTIFICAM, PARA ESTES EXAMES, A PRINCIPAL CAUSA DO INSUCESSO - A FALTA DE PREPARAÇÃO DOS ALUNOS NA LÍNGUA PORTUGUESA
É a opinião de de Paula Canha, Professora de Biologia e Geologia na Escola Secundária de Odemira. Pala ler, com cuidada atenção, no Público, aqui.
MACHO ALFA
Vejam aqui uma visão feminina da questão. É muito interessante.
Já agora permitam que recomende o blog «LADRÕES DE BICICLETAS», com link aí ao lado.
Já agora permitam que recomende o blog «LADRÕES DE BICICLETAS», com link aí ao lado.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
PORQUE É QUE O SOCIALISMO, QUANDO SE INSTALA, EMPOBRECE AS PESSOAS E TIRANIZA?
Sim, porquê? Já não falo do desastre que foram as repúblicas socialistas, e democráticas, da «Cortina de Ferro». Falo das novas implantações socialistas, como é o caso da Venezuela. Diria que é um contra-senso o socialismo ser veículo de tirania e de empobrecimento das populações. Em teoria devia ser libertador e emancipador. Na prática, infelizmente, não o tem sido. O afã de dar e proporcionar, sem que se gere a proporcional riqueza para o fazer, é um desastre. E, depois, para calar a boca ao desastre tomam-se atitudes ditatoriais que começam sempre por se controlar, hodiernamente, as televisões e as rádios, e a censurar tudo o que for possível domesticar. E encher os lugares da administração pública de idiotas fiéis, embora estúpidos e incompetentes, para, assim, exercerem o domínio, censurarem e domarem as populações, não deveria ser uma prática socialista, mas, ao que parece, os líderes socialistas têm vocação para tiranetes. Mas porquê? A que força obedecem? A que impulso não resistem? Porque é que normalmente não têm estatura nem intelectual, nem de carácter, de probidade, nem visão geoestratégica? Porquê? Porque será que, perigosamente, o mundo já não acredita em socialistas?
Acabo de ver esta frase, que é mote do blog «DIREITO DE OPINIÃO»:
La démocratie donne toute sa valeur possible à chaque homme, le socialisme fait de chaque homme un agent, un instrument, un chiffre. - Alexis de Tocqueville
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terça-feira, 15 de junho de 2010
TARDE, TARDE, TARDE É O QUE NUNCA CHEGA
Mas já é tarde, efectivamente, para muitos ex-combatentes das guerras do ultramar, por entretanto já terem morrido. Já é tarde para muitos que necessitaram de apoios em devido tempo, e não o tiveram, para que as suas vidas não se tivessem degradado, quer no plano da saúde, da auto-estima, quer no subsequente plano económico. Abandonados. Não só pelo Estado no seu todo, mas pela instituição militar no seu particular. E lembro o acesso aos hospitais militares que os ex-combatentes não têm. E lembro, também, o respeito que outros países, Inglaterra, França, EUA, têm pelos seus ex-combatentes.
Embora tarde, felicito o Dr. António Barreto por ter tido, não só a lembrança, mas também o arrojo de focar a questão dos ex-combatentes, questão que, não sendo politicamente correcta para os partidos políticos, é odiosa para muitos mandantes.
Com a devida vénia transcrevo daqui, do blog JACARANDÁ do Dr. António Barreto, a alocução que fez no dia de Portugal, das Comunidades e de Camões:
O DIA DOS PORTUGUESES ou, oficialmente, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, comemorado em 2010, tem um significado especial. Na verdade, assistimos esta manhã a um desfile das nossas Forças Armadas precedido de uma extensa delegação de Veteranos, de Antigos Combatentes, mais singelamente de combatentes dos exércitos em todas as guerras e conflitos em que Portugal esteve envolvido desde meados do século XX.
Ao ver desfilar umas dezenas de antigos combatentes, de todos os teatros de acção militar em que Portugal participou, não sentimos vontade nem necessidade de lhes perguntar pela guerra, pela crença ou pela época. Sentimos apenas obrigação de, pelo reconhecimento, pagar uma dívida. Sentimos orgulho por saber que é a primeira vez na história que tal acontece e que está aberta a via para a eliminação de uma divisão absurda entre Portugueses. Com efeito, é a primeira vez que, sem distinções políticas, se realiza esta homenagem de Portugal aos seus veteranos.
Centenas de milhares de soldados portugueses combateram em nome do seu país, do nosso país, desde os inícios do século XX até à actualidade. Já não há sobreviventes do Corpo Expedicionário Português enviado para Flandres, na 1ª Grande Guerra Mundial, nem das forças que, no mesmo conflito, lutaram em África. O último veterano dessa guerra, José Maria Baptista, morreu a 14 de Dezembro de 2002. Depois daquele conflito, as guerras foram, durante décadas, poupadas aos Portugueses. Só a partir de finais dos anos 1950 os soldados e outras forças militarizadas voltaram a encontrar-se em situações de combate aberto, primeiro no então Ultramar português, depois em múltiplos teatros de guerra, em associação com forças armadas dos nossos aliados da NATO e da União Europeia e em missões organizadas sob a égide das Nações Unidas. Independentemente das opiniões de cada um, para o Estado português todos estes soldados foram Combatentes, são hoje Antigos Combatentes ou Veteranos, mas, sobretudo, são iguais. Não há, entre eles, diferenças de género, de missão ou de função. São Veteranos e foram soldados de Portugal. É assim que deve ser.
Em Portugal ou no estrangeiro, no Continente ou no Ultramar, na Metrópole ou nas Colónias, as Forças Armadas portuguesas marcaram presença em vários teatros de guerra e em diversas circunstâncias. Militares portugueses lutaram em terra, no mar ou no ar, cumpriram os seus deveres e executaram as suas missões. Em Goa, em Angola, em Moçambique, na Guiné, no Kosovo, em Timor ou no Iraque. Todos fizeram o seu esforço e ofereceram o seu sacrifício, seguindo determinações políticas superiores. As decisões foram, como deve ser, as do Estado português e do poder político do dia. Mas há sempre algo que ultrapassa esse poder. O sacrifício da vida implica algo mais que essa circunstância: é, para além das vicissitudes históricas e dos ciclos de vida política, a permanência do Estado.
Os soldados cumprem as suas missões por diversos motivos. Por dever. Por convicção. Por obrigação inescapável. Por desempenho profissional. Por sentido patriótico, político ou moral. Só cada um, em sua consciência, conhece as razões verdadeiras. Mas há sempre um vínculo, invisível seja ele, que o liga aos outros, à comunidade local ou nacional, ao Estado. É sempre em nome dessa comunidade que o soldado combate.
Na verdade, em todos os episódios de guerra referidos e noutros mais, há fenómenos de natureza diversa. Houve decisões políticas de carácter exclusivamente nacional, mas também houve actos de colaboração em missões multinacionais, como houve decisões estratégicas colectivas das alianças de que Portugal é membro. Também conhecemos decisões políticas tomadas em vários quadros: com e sem legitimidade democráticas, com e sem referenda parlamentar. E até, finalmente, situações em que o Parlamento fica aquém daquela que deveria ser a sua função. Com efeito, a Constituição e as leis não obrigam, infelizmente, a que as missões no estrangeiro sejam aprovadas pelo Parlamento. Apenas admitem o “acompanhamento do envolvimento” militar no estrangeiro, o que nem sempre é rigorosamente cumprido.
A análise destas diferenças pode ser importante do ponto de vista político, histórico e intelectual. Mas, no plano do reconhecimento de um povo, do respeito devido e do esforço do soldado, essas distinções são secundárias ou inúteis. Foram, simplesmente, militares portugueses que tudo deram ou tudo arriscaram. É esse o reconhecimento devido.
Um antigo combatente não pode nem deve ser tratado de colonialista, fascista, democrata ou revolucionário de acordo com conveniências ou interesses menores. A sua origem, a sua classe social, a sua etnia, as suas crenças ou a sua forma de vínculo às Forças Armadas são, a este propósito, indiferentes: foram, simplesmente, soldados portugueses.
Pelo sacrifício, pela duração e pelas implicações políticas, as guerras do Ultramar foram evidentemente as que mais marcaram as gerações das últimas décadas. Mas, ao longo dos trinta anos de democracia e de compromissos internacionais, muitas centenas ou milhares de cidadãos portugueses estiveram presentes em teatros de guerra e em missões de protecção da paz ou de mediação. Novos sacrifícios foram feitos, vidas foram interrompidas, carreiras e famílias suspensas.
Todos esses militares, os de Luanda ou do Líbano, os da Guiné ou da Bósnia, merecem o nosso respeito. São antigos combatentes. São Veteranos. São soldados que cumpriram os seus deveres e que, com excepção dos que tenham moralmente abusado das suas funções, merecem a nossa homenagem. Não há lugar, não deve haver lugar para diferenças entre esses Veteranos. Não há Veteranos melhores ou piores do que outros. Não há Veteranos que mereçam aplauso e Veteranos a quem se reserve o esquecimento. Não há Veteranos ou Antigos Combatentes fascistas ou democráticos, socialistas ou comunistas, reaccionários ou revolucionários. Não há Veteranos de antes ou de depois do 25 de Abril. Não há Antigos Combatentes milicianos ou de carreira ou contratados. Há Veteranos e Antigos Combatentes, ponto final! É o que nós lhes devemos. Nós, todos, os que fizeram ou não, os que concordaram ou não com as guerras, sem distinção de época, de governo ou de cor política.
Portugal não trata bem os seus antigos combatentes, sobreviventes, feridos ou mortos. É certo que há, aqui e ali, expressão de gratidão ou respeito, numa unidade, numa autarquia, numa instituição, numa lei ou numa localidade. Mas, em termos gerais e permanentes, o esquecimento ou a indiferença são superiores. Sobretudo por omissão do Estado. Dos aspectos materiais aos familiares, passando pelos espirituais e políticos, o Estado cumpre mal o seu dever de respeito perante aqueles a quem tudo se exigiu.
Em cada momento, em cada conflito, houve quem tivesse ideias diferentes e se opusesse à intervenção militar. Uns, mesmo nessas condições, cumpriram as ordens oficiais, outros recusaram-se. Por oportunidade, por convicção política, por uma interpretação diferente do interesse nacional, houve refracção e objecção. Em certos casos, pensava-se que as operações militares não tinham sido referendadas pelo povo soberano ou eram contrárias à ética e ao interesse nacional. Noutros casos, faltava o assentimento parlamentar. Aliás, o acompanhamento parlamentar do envolvimento militar é deficiente, apesar de estatuído pela Constituição.
Houve soldados que combateram sob um regime autoritário, outros em regime democrático. Houve soldados que combateram integrados em forças nacionais, outros em forças aliadas ou internacionais. Como houve soldados que, de outras origens étnicas então e tendo hoje nacionalidade diferente, serviram nas Forças Armadas portuguesas.
Em 1974, jovens militares decidiram derrubar o regime autoritário e dar uma oportunidade à democracia. Outros tentaram estabelecer um novo regime político que eventualmente limitaria as liberdades. Outros ainda ficaram independentes e equidistantes. Enquanto outros, finalmente, teriam preferido continuar sob o regime anterior. Prefiro os primeiros, os que ajudaram a fundar o Estado democrático. Mas, pelo sacrifício das suas vidas e pelo cumprimento dos seus deveres, respeito-os todos.
Qualquer guerra ou envolvimento militar é controverso e suscita opiniões diversas e contraditórias. É assim no Afeganistão ou no Iraque. Foi assim no Ultramar. Como também na Flandres, nas Linhas de Torres ou em Aljubarrota. Essas divergências podem ser legítimas e compreensíveis. Traduzem ideias, interesses, convicções e doutrinas diferentes. Assim como versões diversas do interesse nacional. Mas isso não justifica a ausência de respeito por aqueles que combateram, que correram riscos, que ficaram feridos ou deram a sua vida.
As diferenças de opinião e de crença não devem impedir de respeitar todos os que fizeram a guerra, com convicção ou por obediência ao poder político, desde que, evidentemente, o tenham feito sem abuso. Merecem as pensões que lhes são devidas. Merecem atenção e cuidado. Merecem um Dia do Combatente oficialmente estabelecido. Merecem que as suas associações sejam consideradas de utilidade pública. Merecem estar presentes nas cerimónias públicas e oficiais. Mas sobretudo merecem respeito.
Os Portugueses são parcos em respeito pelos seus mortos e até o Estado não é muito explícito no cumprimento desse dever. Pois bem: está chegada a altura de eliminar as diferenças entre bons e maus soldados, entre Veteranos de nome e Veteranos anónimos, entre recordados e esquecidos. Pela Pátria ou pelo seu País, pelo Estado ou pela sua profissão, foi pela sua comunidade nacional que todos eles combateram e se sacrificaram.
É possível que o comportamento do Estado, a atitude de políticos e os sentimentos de cidadãos para com os militares sejam determinados, em parte, pela avaliação que se faz do modo como deram ou retiraram apoio a certos dirigentes e a certas formas de regime. Não se nega o facto. Mas, perante o antigo combatente, recusa-se o juízo de valor.
Aos Veteranos e antigos Combatentes que hoje estiveram connosco pela primeira vez, nada se lhes pede. Nada devem aos seus contemporâneos. Nós é que estamos em dívida para com eles. São o Estado e a sociedade que lhes devem algo. O que lhes pedimos hoje foi muito simples: aceitem a homenagem que o Estado e os Portugueses vos prestaram! Não estamos aqui a festejar a guerra, mas sim os soldados! E não há melhor dia, do que o Dia de Portugal, para o fazer.
Embora tarde, felicito o Dr. António Barreto por ter tido, não só a lembrança, mas também o arrojo de focar a questão dos ex-combatentes, questão que, não sendo politicamente correcta para os partidos políticos, é odiosa para muitos mandantes.
Com a devida vénia transcrevo daqui, do blog JACARANDÁ do Dr. António Barreto, a alocução que fez no dia de Portugal, das Comunidades e de Camões:
O DIA DOS PORTUGUESES ou, oficialmente, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, comemorado em 2010, tem um significado especial. Na verdade, assistimos esta manhã a um desfile das nossas Forças Armadas precedido de uma extensa delegação de Veteranos, de Antigos Combatentes, mais singelamente de combatentes dos exércitos em todas as guerras e conflitos em que Portugal esteve envolvido desde meados do século XX.
Ao ver desfilar umas dezenas de antigos combatentes, de todos os teatros de acção militar em que Portugal participou, não sentimos vontade nem necessidade de lhes perguntar pela guerra, pela crença ou pela época. Sentimos apenas obrigação de, pelo reconhecimento, pagar uma dívida. Sentimos orgulho por saber que é a primeira vez na história que tal acontece e que está aberta a via para a eliminação de uma divisão absurda entre Portugueses. Com efeito, é a primeira vez que, sem distinções políticas, se realiza esta homenagem de Portugal aos seus veteranos.
Centenas de milhares de soldados portugueses combateram em nome do seu país, do nosso país, desde os inícios do século XX até à actualidade. Já não há sobreviventes do Corpo Expedicionário Português enviado para Flandres, na 1ª Grande Guerra Mundial, nem das forças que, no mesmo conflito, lutaram em África. O último veterano dessa guerra, José Maria Baptista, morreu a 14 de Dezembro de 2002. Depois daquele conflito, as guerras foram, durante décadas, poupadas aos Portugueses. Só a partir de finais dos anos 1950 os soldados e outras forças militarizadas voltaram a encontrar-se em situações de combate aberto, primeiro no então Ultramar português, depois em múltiplos teatros de guerra, em associação com forças armadas dos nossos aliados da NATO e da União Europeia e em missões organizadas sob a égide das Nações Unidas. Independentemente das opiniões de cada um, para o Estado português todos estes soldados foram Combatentes, são hoje Antigos Combatentes ou Veteranos, mas, sobretudo, são iguais. Não há, entre eles, diferenças de género, de missão ou de função. São Veteranos e foram soldados de Portugal. É assim que deve ser.
Em Portugal ou no estrangeiro, no Continente ou no Ultramar, na Metrópole ou nas Colónias, as Forças Armadas portuguesas marcaram presença em vários teatros de guerra e em diversas circunstâncias. Militares portugueses lutaram em terra, no mar ou no ar, cumpriram os seus deveres e executaram as suas missões. Em Goa, em Angola, em Moçambique, na Guiné, no Kosovo, em Timor ou no Iraque. Todos fizeram o seu esforço e ofereceram o seu sacrifício, seguindo determinações políticas superiores. As decisões foram, como deve ser, as do Estado português e do poder político do dia. Mas há sempre algo que ultrapassa esse poder. O sacrifício da vida implica algo mais que essa circunstância: é, para além das vicissitudes históricas e dos ciclos de vida política, a permanência do Estado.
Os soldados cumprem as suas missões por diversos motivos. Por dever. Por convicção. Por obrigação inescapável. Por desempenho profissional. Por sentido patriótico, político ou moral. Só cada um, em sua consciência, conhece as razões verdadeiras. Mas há sempre um vínculo, invisível seja ele, que o liga aos outros, à comunidade local ou nacional, ao Estado. É sempre em nome dessa comunidade que o soldado combate.
Na verdade, em todos os episódios de guerra referidos e noutros mais, há fenómenos de natureza diversa. Houve decisões políticas de carácter exclusivamente nacional, mas também houve actos de colaboração em missões multinacionais, como houve decisões estratégicas colectivas das alianças de que Portugal é membro. Também conhecemos decisões políticas tomadas em vários quadros: com e sem legitimidade democráticas, com e sem referenda parlamentar. E até, finalmente, situações em que o Parlamento fica aquém daquela que deveria ser a sua função. Com efeito, a Constituição e as leis não obrigam, infelizmente, a que as missões no estrangeiro sejam aprovadas pelo Parlamento. Apenas admitem o “acompanhamento do envolvimento” militar no estrangeiro, o que nem sempre é rigorosamente cumprido.
A análise destas diferenças pode ser importante do ponto de vista político, histórico e intelectual. Mas, no plano do reconhecimento de um povo, do respeito devido e do esforço do soldado, essas distinções são secundárias ou inúteis. Foram, simplesmente, militares portugueses que tudo deram ou tudo arriscaram. É esse o reconhecimento devido.
Um antigo combatente não pode nem deve ser tratado de colonialista, fascista, democrata ou revolucionário de acordo com conveniências ou interesses menores. A sua origem, a sua classe social, a sua etnia, as suas crenças ou a sua forma de vínculo às Forças Armadas são, a este propósito, indiferentes: foram, simplesmente, soldados portugueses.
Pelo sacrifício, pela duração e pelas implicações políticas, as guerras do Ultramar foram evidentemente as que mais marcaram as gerações das últimas décadas. Mas, ao longo dos trinta anos de democracia e de compromissos internacionais, muitas centenas ou milhares de cidadãos portugueses estiveram presentes em teatros de guerra e em missões de protecção da paz ou de mediação. Novos sacrifícios foram feitos, vidas foram interrompidas, carreiras e famílias suspensas.
Todos esses militares, os de Luanda ou do Líbano, os da Guiné ou da Bósnia, merecem o nosso respeito. São antigos combatentes. São Veteranos. São soldados que cumpriram os seus deveres e que, com excepção dos que tenham moralmente abusado das suas funções, merecem a nossa homenagem. Não há lugar, não deve haver lugar para diferenças entre esses Veteranos. Não há Veteranos melhores ou piores do que outros. Não há Veteranos que mereçam aplauso e Veteranos a quem se reserve o esquecimento. Não há Veteranos ou Antigos Combatentes fascistas ou democráticos, socialistas ou comunistas, reaccionários ou revolucionários. Não há Veteranos de antes ou de depois do 25 de Abril. Não há Antigos Combatentes milicianos ou de carreira ou contratados. Há Veteranos e Antigos Combatentes, ponto final! É o que nós lhes devemos. Nós, todos, os que fizeram ou não, os que concordaram ou não com as guerras, sem distinção de época, de governo ou de cor política.
Portugal não trata bem os seus antigos combatentes, sobreviventes, feridos ou mortos. É certo que há, aqui e ali, expressão de gratidão ou respeito, numa unidade, numa autarquia, numa instituição, numa lei ou numa localidade. Mas, em termos gerais e permanentes, o esquecimento ou a indiferença são superiores. Sobretudo por omissão do Estado. Dos aspectos materiais aos familiares, passando pelos espirituais e políticos, o Estado cumpre mal o seu dever de respeito perante aqueles a quem tudo se exigiu.
Em cada momento, em cada conflito, houve quem tivesse ideias diferentes e se opusesse à intervenção militar. Uns, mesmo nessas condições, cumpriram as ordens oficiais, outros recusaram-se. Por oportunidade, por convicção política, por uma interpretação diferente do interesse nacional, houve refracção e objecção. Em certos casos, pensava-se que as operações militares não tinham sido referendadas pelo povo soberano ou eram contrárias à ética e ao interesse nacional. Noutros casos, faltava o assentimento parlamentar. Aliás, o acompanhamento parlamentar do envolvimento militar é deficiente, apesar de estatuído pela Constituição.
Houve soldados que combateram sob um regime autoritário, outros em regime democrático. Houve soldados que combateram integrados em forças nacionais, outros em forças aliadas ou internacionais. Como houve soldados que, de outras origens étnicas então e tendo hoje nacionalidade diferente, serviram nas Forças Armadas portuguesas.
Em 1974, jovens militares decidiram derrubar o regime autoritário e dar uma oportunidade à democracia. Outros tentaram estabelecer um novo regime político que eventualmente limitaria as liberdades. Outros ainda ficaram independentes e equidistantes. Enquanto outros, finalmente, teriam preferido continuar sob o regime anterior. Prefiro os primeiros, os que ajudaram a fundar o Estado democrático. Mas, pelo sacrifício das suas vidas e pelo cumprimento dos seus deveres, respeito-os todos.
Qualquer guerra ou envolvimento militar é controverso e suscita opiniões diversas e contraditórias. É assim no Afeganistão ou no Iraque. Foi assim no Ultramar. Como também na Flandres, nas Linhas de Torres ou em Aljubarrota. Essas divergências podem ser legítimas e compreensíveis. Traduzem ideias, interesses, convicções e doutrinas diferentes. Assim como versões diversas do interesse nacional. Mas isso não justifica a ausência de respeito por aqueles que combateram, que correram riscos, que ficaram feridos ou deram a sua vida.
As diferenças de opinião e de crença não devem impedir de respeitar todos os que fizeram a guerra, com convicção ou por obediência ao poder político, desde que, evidentemente, o tenham feito sem abuso. Merecem as pensões que lhes são devidas. Merecem atenção e cuidado. Merecem um Dia do Combatente oficialmente estabelecido. Merecem que as suas associações sejam consideradas de utilidade pública. Merecem estar presentes nas cerimónias públicas e oficiais. Mas sobretudo merecem respeito.
Os Portugueses são parcos em respeito pelos seus mortos e até o Estado não é muito explícito no cumprimento desse dever. Pois bem: está chegada a altura de eliminar as diferenças entre bons e maus soldados, entre Veteranos de nome e Veteranos anónimos, entre recordados e esquecidos. Pela Pátria ou pelo seu País, pelo Estado ou pela sua profissão, foi pela sua comunidade nacional que todos eles combateram e se sacrificaram.
É possível que o comportamento do Estado, a atitude de políticos e os sentimentos de cidadãos para com os militares sejam determinados, em parte, pela avaliação que se faz do modo como deram ou retiraram apoio a certos dirigentes e a certas formas de regime. Não se nega o facto. Mas, perante o antigo combatente, recusa-se o juízo de valor.
Aos Veteranos e antigos Combatentes que hoje estiveram connosco pela primeira vez, nada se lhes pede. Nada devem aos seus contemporâneos. Nós é que estamos em dívida para com eles. São o Estado e a sociedade que lhes devem algo. O que lhes pedimos hoje foi muito simples: aceitem a homenagem que o Estado e os Portugueses vos prestaram! Não estamos aqui a festejar a guerra, mas sim os soldados! E não há melhor dia, do que o Dia de Portugal, para o fazer.
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