Hoje, aqui no DN, é noticiado o encerramenro da fábrica da Opel na Azambuja. Ainda há alguém que acredite que este país tem futuro? Ainda há alguém que acredite que vai haver algo de bom em Portugal? Já foi dito que o país era igovernável. Se não erro João Salgueiro também já o disse. E várias personalidades o vão dizendo, uns mais directamente outros nem tanto, mas sempre o dizem. Mas será que ainda há quem acredite que existe alguma esperança para Portugal arribar? Só se for mentalmente cego e burro.
terça-feira, 13 de junho de 2006
A INGRATIDÃO À "CULTURA"
Um comentário da bloguista mentecalma, feito num blog do Norte e a propósito do aniversário da morte do poeta Eugénio de Andrade, ou melhor, da não relevância dada à data pelas autoridades. Que eu não estranho nada. Ei-lo:
«Como querem vossas excelências que se fale de poetas mortos se o futebol nos engravida de orgulho?
Como querem vossas excelências que se fale de poesia se a bola é mais física e redonda que as redondilhas ou as métricas?
Como querem vossas excelências que os altos senhores da nação se debrucem sobre as letras se estas mais não são que esborratados símbolos nas mentes deles?
Como querem um País culto se o dinheiro não sabe ler?
Como querem um País a lembrar os Eugénios seus filhos se o mais importante é desfilar nas avenidas sejam elas da Liberdade com as marchas, sejam ela do Brasil com os tanques de guerra que até deitam fumo?
A poesia de Eugénio é imortal e não precisa ser lembrada pois está viva nos nossos corações.
Viva Eugénio de Andrade!Sempre. »
«Como querem vossas excelências que se fale de poetas mortos se o futebol nos engravida de orgulho?
Como querem vossas excelências que se fale de poesia se a bola é mais física e redonda que as redondilhas ou as métricas?
Como querem vossas excelências que os altos senhores da nação se debrucem sobre as letras se estas mais não são que esborratados símbolos nas mentes deles?
Como querem um País culto se o dinheiro não sabe ler?
Como querem um País a lembrar os Eugénios seus filhos se o mais importante é desfilar nas avenidas sejam elas da Liberdade com as marchas, sejam ela do Brasil com os tanques de guerra que até deitam fumo?
A poesia de Eugénio é imortal e não precisa ser lembrada pois está viva nos nossos corações.
Viva Eugénio de Andrade!Sempre. »
A REFORMA POSSÍVEL
« Ega porém, incorrigivel n'esse dia, soltou outra enormidade:
- Portugal não necessita refórmas, Cohen, Portugal o que precisa é a invasão hespanhola.»
Eça de Queiróz, in "Os Maias".
- Portugal não necessita refórmas, Cohen, Portugal o que precisa é a invasão hespanhola.»
Eça de Queiróz, in "Os Maias".
E SE PORTUGAL FOSSE EXTINTO?
Se calhar seria o melhor. Da maneira que os cidadãos estão a sofrer por viver neste país, mais valia ser extinto. Governados pelos espanhóis sempre seria melhor. Parece que eles escolhem pessoas competentes para gerir países. Por cá somos incapazes de escolher como deve ser. Defeito dos portugueses. Não ficaríamos tão bem como os espanhóis, mas se eles nos governassem sempre seria algo melhor do que estes patetas dos políticos portugueses têm feito. Temos uma democracia com 30 anos como eles. Mas eles têm um IVA de 16% e nós de 21%. Eles criaram um milhão e tal de novos empregos em dois anos. Nós continuamos a avolumar desemprego. Andam portugueses a passar fome. Eles aumentam as prestações sociais. Em Portugal diminuem. Eles estão a pensar em baixar a carga fiscal. Em Portugal já nem sonhamos com isso.
País mais desgraçado nas mãos de uma cambada de incompetentes e corruptos, ou seja, a matilha que pulula à volta dos partidos políticos e se aproveita do orçamento.
Queixam-se que o país tem uma grave crise orçamental? Não a tivessem criado. Esta crise foi fabricada por incúria, leviandade, ignorância e incompetência. E quem é que a tem de pagar? Os do costume, claro. Os culpados já se encheram o suficiente e já estão longe da tormenta.
País mais desgraçado nas mãos de uma cambada de incompetentes e corruptos, ou seja, a matilha que pulula à volta dos partidos políticos e se aproveita do orçamento.
Queixam-se que o país tem uma grave crise orçamental? Não a tivessem criado. Esta crise foi fabricada por incúria, leviandade, ignorância e incompetência. E quem é que a tem de pagar? Os do costume, claro. Os culpados já se encheram o suficiente e já estão longe da tormenta.
segunda-feira, 12 de junho de 2006
OPRESSÕES
Estava hoje decidido a zurzir no circo criado à volta da selecção de futebol. Mas acho que não vale a pena. Desisti. Gostam de se encantar com o futebol. Saciem-se. Desgraçado país que caminha, de forma estouvada e imbecil, para um desastre colectivo. Mas satisfeito de futebol. E prenhe de ilusões. E de opressões.
Por isso vou só destacar, de João César das Neves, hoje, aqui no DN, um trecho:
«Graças ao progresso conseguimos demonstrar que os nossos avós estavam errados. Eles sonhavam com um tempo sem fome, pobreza, abandono, infelicidade. Nós vivemos uma época ainda melhor que o seu sonho, com meios mais que suficientes para resolver todos os dramas. Mas continuamos a ter pobreza e fome e aumentámos o abandono e infelicidade, o crime e o suicídio. Hoje ainda é a opressão. Isso não quer dizer que o progresso e a liberdade não tenham sido excelentes. Ninguém nega as melhorias e quem quer voltar atrás ignora a terrível miséria antiga. O bem-estar é uma realidade, mas o desenvolvimento e a democracia estão longe de solucionar a opressão.»
domingo, 11 de junho de 2006
A ILUSÃO DO FUTEBOL
Se Portugal, a selecção, ganhar alguma coisa julgo que a ilusão continuará e a crise profunda que vive Portugal não será perceptível para a maioria dos cidadãos. O que é pena. Mas é a vida.
«O país parece caminhar às cegas para uma destas aventuras em que os instintos e as paixões podem mais do que a razão.» Foi o que disse há mais de um século Antero de Quental.Mas porque é que os portugueses não atentam na crise? Vasco Pulido Valente, hoje, no Público, com algum sarcasmo, é muito pertinente no porquê, de que destaco:
« "Deprimidos"? Nós? Porquê? Inconscientes, maluquinhos, mentecaptos, talvez. "Deprimidos", nunca. Ainda por cima, há os feriados de Junho. Apesar de este ano o dia 10 cair num sábado, já sopra por aí uma onda de alívio: com jeitinho, até Outubro o trabalho acabou. Toda a gente está fora, ou está quase a chegar, ou acabou de sair, mas ninguém, Deus seja louvado, ficou no sítio em que devia ou em que se esperava que ficasse.Com Junho e o campeonato, os portugueses correm o risco de morrer de alegria. Este, de resto, enquanto a coisa não começa, é o melhor tempo. (...) Os portugueses, principalmente, podem assistir à função descansadíssimos. Se for um triunfo, esquecem o défice e o IVA e o governo. Se não for, matam o brasileiro e voltam às férias como de costume. "Deprimidos"? Qual "deprimidos"! »
ELE HÁ COISAS QUE SÃO "DO PIOR"
«Passava ali a vida, sentada no meu cubículo, o meu local de engorda, um espaço com apenas 2 metros quadrados demarcado por duas mesas de fórmica dispostas em forma de L. Dei cabo da vista em virtude de passar os dias a esforçá-la, cega pela luz fantasmagórica do computador, e a claridade excessiva das lâmpadas halogéneas e a constante inclinação forçada sobre o teclado provocaram-me umas dores de costas espantosas. Duas dioptrias e escoliose, assim, de uma vez só. E tudo por um salário de merda porque, como esta vossa criada era estudante, tinham-lhe feito um contrato à experiência, o que, em língua de gente, quer dizer que vergava a mola como os restantes mas ganhava muito menos. E isso não era o pior. O pior era o gado com que tinha de lidar diariamente. O pior eram aquelas secretárias repintadas, empoleiradas nos seus Gucci de imitação, com o cabelo transformado em fibra de estopa graças aos modeladores e às madeixas douradas, que nunca na vida tinham lido outra coisa para além da Supertele e da Diez Minutos, que só sabiam falar do filme que tinham visto na televisão na noite anterior e do novo namorado da Chabeli e dizerem mal umas das outras. O pior era aquele chefe de pessoal que afirmava que tinha de se reintroduzir a pena de morte para acabar de vez com o terrorismo e que ficava a olhar-me para as mamas, com o maior descaramento, cada vez que subíamos juntos no elevador. O pior eram aqueles delegados comerciais que chegavam todas as manhãs ao escritório precedidos por uma baforada de colónia barata, com os seus fatos mal cortados modelo Emidio Tucci comprados no Corte Inglês, que lhes faziam saliências nas virilhas e rugas nos ombros, e que lhes ficavam sempre demasiado curtos ou demasiado compridos – escravaturas do pronto-a-vestir, quando uma pessoa não tem dinheiro para comprar um fato por medida mas gostaria de aparentar que sim.»
Lucia Etxebarria, in "Amor Curiosidade Prozac e Dúvidas".
sábado, 10 de junho de 2006
EMPOBRECIMENTO ESPIRITUAL
«O sofrimento do homem índio, ao assistir à morte do seu modo de vida, nunca foi inteiramente compreendido pelo homem branco, e talvez nunca o venha a ser. Quando Black Elk, um profeta dos Sioux Oglala, fala da «beleza e singularidade da terra», refere-se à veneração do meio ambiente quotidiano, um meio ambiente que se encontrava numa integral interdependência com a vida do Índio. A destruição dos rebanhos selvagens e a invasão das terras ancestrais conduziram à degenerescência e à morte duma certa forma de vontade e dum certo estado de espírito dos povos índios. O que os Índios eram não poderia, sem um empobrecimento espiritual grave, ser separado do seu habitat e do modo como nele viviam.
Os Índios, neste livro, falam por si mesmos da qualidade de vida que era a sua. As passagens apresentadas provêm de discursos e, mais recentemente, de artigos de índios que vivem em todas as regiões do continente norte-americano, entre os séculos XVI e XX. Referem-se sempre com uma atenção respeitosa à terra, aos animais, aos objectos que constituíam o território onde viviam; não viram mérito nenhum no facto de imporem a sua própria vontade àquilo que os rodeava; a quase totalidade dentre eles considerava a propriedade privada como o caminho conducente à pobreza, e não à riqueza. A sua razão de viver identificava-se com as suas relações recíprocas, e as suas relações com a terra natal; a memória dava profundidade e ressonância a este conjunto.»
Os Índios, neste livro, falam por si mesmos da qualidade de vida que era a sua. As passagens apresentadas provêm de discursos e, mais recentemente, de artigos de índios que vivem em todas as regiões do continente norte-americano, entre os séculos XVI e XX. Referem-se sempre com uma atenção respeitosa à terra, aos animais, aos objectos que constituíam o território onde viviam; não viram mérito nenhum no facto de imporem a sua própria vontade àquilo que os rodeava; a quase totalidade dentre eles considerava a propriedade privada como o caminho conducente à pobreza, e não à riqueza. A sua razão de viver identificava-se com as suas relações recíprocas, e as suas relações com a terra natal; a memória dava profundidade e ressonância a este conjunto.»
Teri C. McLuhan, in " A Fala do Índio".
sexta-feira, 9 de junho de 2006
À MARGEM DO SISTEMA
«A identificação da Igreja com a sociedade organizada constitui a característica fundamental que distingue a Idade Média, tanto dos períodos históricos que a antecedem, como dos que lhe sucedem. Numa medida mais ampla, caracteriza a história europeia, desde o século IV ao século XVIII, isto é, desde Constantino a Voltaire. Teoricamente, durante todo este período, só os crentes ortodoxos e obedientes usufruíam dos direitos da cidadania integral. Mas, no ocidente da Europa, tal doutrina só conseguiu plena vigência prática a partir do século VII. E, ao chegar ao século XVII, encontrava-se já tão marcada por excepções e contradições que se tornara inconcebível, mesmo idea1mente. Durante os primeiros séculos, contudo, as excepções mostravam-se raras, pelo que, razoavelmente, podia supor-se que tenderiam a desaparecer.
Na verdade, sempre existiram indivíduos à margem do sistema, mesmo dentro da área geográfica da cristandade ocidental, embora no melhor dos casos se tratasse de pessoas com direitos muito limitados. No pior dos casos, não possuíam sequer o direito de viver e, na melhor das hipóteses, eram judeus. As suas vidas e bens elementares encontravam-se protegidos pela lei eclesiástica e pelos interesses egoístas dos príncipes. Não podiam ser suprimidos pelo simples facto de serem judeus; não podiam ser convertidos à força; não podia retirar-se-lhes os filhos, para lhes dar educação cristã; permitia-se-lhes a prática da sua religião, desde que não fizessem obra de proselitismo. Mas os governantes nada mais concediam que a estrita autorização de sobreviverem como pudessem. «Por causa dos seus pecados» [da descrença], escreveu São Tomás de Aquino que,
sujeitos à servidão perpétua, os seus bens dependem do arbítrio doa governantes; estes não devem espoliá-los a um ponto tal que se vejam privados dos meios de subsistência,
Se tal era o caso da classe mais privilegiada dos seres marginais, dos consentidos inimigos de Deus, nem sequer se concedia o direito à vida aos que abandonavam a fé cristã e preferiam viver longe desta, por sua livre escolha. Viam-se varridos da existência pelo zelo popular, pela censura eclesiástica e acima de tudo pelo rigor de uma lógica imperturbável:
A heresia [de novo citamos Tomás de Aquino] é um pecado que, merece não só a excomunhão, mas também a morte, por ser pior corromper a Fé, que é a vida da alma, do que falsificar moeda, que governa a vida secular. E se os falsificadores são justamente eliminados pelos príncipes, como inimigos do bem comum, os hereges merecem sem dúvida o mesmo castigo.
Numa palavra, a Igreja formava uma sociedade repressiva, tal como o é hoje o Estado moderno. Assim como este exige aos que se tornaram seus membros, por acidente de nascimento, que cumpram as leis, que contribuam para a defesa e para os serviços públicos e que subordinem os interesses particulares ao bem geral, também a Igreja da Idade Média exigia a todos os que se haviam tornado seus membros pelo acidente (chamemos-lhe assim) do baptismo, a obrigatoriedade de lhe obedecerem em todas as suas normas.
O problema de determinar como se transforma uma dada pessoa num membro de certa comunidade política, preocupou bastantes teorizadores das origens e formação do Estado moderno. Mas, para os doutrinários do Estado-Igreja medieval, tal problema afigurava-se-Ihes fácil, pois a resposta consistia no baptismo, em que os padrinhos aceitavam, em nome da criança, determinados compromissos que a condicionaram legalmente durante toda a vida. De um ponto de vista social, estabelecia-se um contrato entre a criança e a Igreja, que não podia deixar de ser cumprido. O baptismo era assim, para a maior parte dos membros da Igreja, tão involuntário como o nascimento, e significava obrigações de um tipo permanente e coercivo, semelhantes às que aquele representa no Estado moderno, com a agravante de não poder renunciar a elas.»
Na verdade, sempre existiram indivíduos à margem do sistema, mesmo dentro da área geográfica da cristandade ocidental, embora no melhor dos casos se tratasse de pessoas com direitos muito limitados. No pior dos casos, não possuíam sequer o direito de viver e, na melhor das hipóteses, eram judeus. As suas vidas e bens elementares encontravam-se protegidos pela lei eclesiástica e pelos interesses egoístas dos príncipes. Não podiam ser suprimidos pelo simples facto de serem judeus; não podiam ser convertidos à força; não podia retirar-se-lhes os filhos, para lhes dar educação cristã; permitia-se-lhes a prática da sua religião, desde que não fizessem obra de proselitismo. Mas os governantes nada mais concediam que a estrita autorização de sobreviverem como pudessem. «Por causa dos seus pecados» [da descrença], escreveu São Tomás de Aquino que,
sujeitos à servidão perpétua, os seus bens dependem do arbítrio doa governantes; estes não devem espoliá-los a um ponto tal que se vejam privados dos meios de subsistência,
Se tal era o caso da classe mais privilegiada dos seres marginais, dos consentidos inimigos de Deus, nem sequer se concedia o direito à vida aos que abandonavam a fé cristã e preferiam viver longe desta, por sua livre escolha. Viam-se varridos da existência pelo zelo popular, pela censura eclesiástica e acima de tudo pelo rigor de uma lógica imperturbável:
A heresia [de novo citamos Tomás de Aquino] é um pecado que, merece não só a excomunhão, mas também a morte, por ser pior corromper a Fé, que é a vida da alma, do que falsificar moeda, que governa a vida secular. E se os falsificadores são justamente eliminados pelos príncipes, como inimigos do bem comum, os hereges merecem sem dúvida o mesmo castigo.
Numa palavra, a Igreja formava uma sociedade repressiva, tal como o é hoje o Estado moderno. Assim como este exige aos que se tornaram seus membros, por acidente de nascimento, que cumpram as leis, que contribuam para a defesa e para os serviços públicos e que subordinem os interesses particulares ao bem geral, também a Igreja da Idade Média exigia a todos os que se haviam tornado seus membros pelo acidente (chamemos-lhe assim) do baptismo, a obrigatoriedade de lhe obedecerem em todas as suas normas.
O problema de determinar como se transforma uma dada pessoa num membro de certa comunidade política, preocupou bastantes teorizadores das origens e formação do Estado moderno. Mas, para os doutrinários do Estado-Igreja medieval, tal problema afigurava-se-Ihes fácil, pois a resposta consistia no baptismo, em que os padrinhos aceitavam, em nome da criança, determinados compromissos que a condicionaram legalmente durante toda a vida. De um ponto de vista social, estabelecia-se um contrato entre a criança e a Igreja, que não podia deixar de ser cumprido. O baptismo era assim, para a maior parte dos membros da Igreja, tão involuntário como o nascimento, e significava obrigações de um tipo permanente e coercivo, semelhantes às que aquele representa no Estado moderno, com a agravante de não poder renunciar a elas.»
R. W. Southern, in "A IGREJA MEDIEVAL"
quinta-feira, 8 de junho de 2006
AFINIDADES
«O termo regionalismo, porém, não descreve adequadamente o que está a acontecer. As regiões são entidades geográficas, e não políticas ou culturais. Como acontece com os Balcãs ou o Médio Oriente, as regiões podem estar afectadas por conflitos inter e intracivilizacionais. As regiões são a base para a cooperação entre os Estados só quando a geografia coincide com a cultura. Na ausência de afinidade cultural, a pura vizinhança não suscita laços comunitários e pode mesmo produzir o oposto. As alianças militares e as associações económicas pressupõem cooperação entre os seus membros, a cooperação depende de confiança e esta nasce mais facilmente de valores e de cultura comuns. O tempo e a finalidade são decisivos nesta questão. No entanto, a eficácia global das organizações varia, geralmente, na razão inversa da diversidade civilizacional dos seus membros. As organizações baseadas em laços civilizacionais são muito mais activas e têm mais sucesso do que as organizações multicivilizacionais. Isto é tão verdade para as organizações políticas e de segurança como para as organizações económicas e de outra natureza.»
Samuel P. Huntington, in " O Choque das Civilizações e amudança na Ordem Mundial ".
quarta-feira, 7 de junho de 2006
EXALTAÇÃO NACIONAL
O sr. engenheiro Manuel Queiró referiu, hoje no Público, o que lhe vai na alma sobre a nossa Selecção e o Mundial. Ao longo do últimos dias já muitas têm sido as opiniões expressas sobre a ilusão do futebol e sobre o "circo" montado à volta da selecção. Mas fiquemos com as palavras do sr. Queiró:
«Para me proteger de desilusões resolvi criar uma distância psicológica entre a minha paixão pelo futebol e o destino da selecção no Mundial da Alemanha. Já basta o que vou sofrer quando chegarem os jogos, e esforço-me por manter uma frieza sobre o que se passa até lá. Talvez por isso me esteja a irritar com o circo que a Federação e as televisões montaram à volta dos jogadores. E ao mesmo tempo a minha visão sobre a equipa ficou muito diferente do que é costume.Cheguei à conclusão de que os jogadores não estão na Alemanha para ganhar coisa nenhuma. A sua função é mesmo a de serem os protagonistas de uma festa de exaltação nacional. Cada minuto que dedicam à recuperação física de uma época desgastante, ou ao recobro da concentração competitiva é um minuto roubado ao convívio com os emigrantes, às conferências de imprensa, aos autógrafos, às paradas motorizadas entre hotéis e campos de jogos e outras manifestações de "carinho" do bom povo português.»
terça-feira, 6 de junho de 2006
À FORÇA DE INVENTARMOS NECESSIDADES, REDUZIMOS O NOSSO CAMPO DE LIBERDADE
Com a devida vénia, transcrevo um post de um blog chileno, que muito prezo, de JORGE GAJARDO ROJAS, pela acuidade da exposição.
«Los estereotipos dicen que los chilenos somos muy amantes del orden y tambien muy conservadores. Pero somos amantes de la libertad? O más bien le tenemos temor. No hemos hecho en nuestra historia ninguna revolucion buena o mala. El otro dia un americano hablaba del dilema del hombre actual en conflicto entre su necesidad y su libertad. Y como a fuerza de inventarnos necesidades reducimos nuestro campo de libertad. No hacemos lo que debemos como sociedad porque creemos falsamente que no es debido o bien no nos sentimos capaces. Eso es peligroso para una sociedad porque nos inmoviliza y nos hace creer como natural cosas que no lo son y que vivimos en un orden inmutable. Esto a raiz de la movilizacion de los estudiantes. Han hecho algo nuevo. Han puesto sobre la mesa su vision de su mundo y del cual formamos parte,crudo,muy real pero lleno de utopia. Quieren ser mejores mujeres u hombres y lo han dicho muy asertivamente. Nos han desconcertado a todos con su sentido de organizacion , solidaridad rompiendo incluso barreras sociales y por la claridad que han tenido en decirnos lo que quieren. Han rechazado sin estridencias los paternalismos y con eso han descolocado a los politicos,expertos en el tema no solo educacional, sino a las autoridades e incluso a sus padres pero mostrando que ya son adultos y con sentido comun. Esto es bueno para una sociedad como la nuestra con tanto smog intelectual y emergencias de contaminaciones morales continuas, porque han hecho algo inedito, despertar a toda una sociedad e iniciar lo que puede ser el comienzo de un un salto adelante del cual todos solo hablamos,(revolucion tecnologica,economica,social),que permita a Chile dar el gran salto adelante que tanto necesitamos.»
INGOVERNÁVEL
Rui Rio « Acha que o regime democrático está cada vez mais enfraquecido e condicionado pelos grandes interesses, pelas corporações e pelos poderes fácticos, como a Comunicação Social. E que Portugal caminha para ser ingovernável. O problema é político, afirma. »
Isto foi dito muma entrevista ao Correio da Manhã em 4.6.2006.
Rui Rio é Presidente da Câmara Municipal do Porto e já foi Secretário Geral do PSD. Se ele o diz, e anda no meio da política, é porque tem conhecimento de causa para o afirmar. Não sou eu que sou pessimista. Leiam a entrevista.
segunda-feira, 5 de junho de 2006
DO LUCRO
«O primeiro tema tem a ver com o facto de o objectivo do lucro ter penetrado áreas às quais não pertence. Estou particularmente preocupado com a forma como os valores de mercado fizeram desaparecer os valores profissionais. Verifica-se que os valores éticos, que outrora se pensava serem intrínsecos, não estão a resistir muito bem às pressões do mercado. Criei programas para tratar deste problema nas áreas do Direito e da Medicina, que nos últimos anos têm vindo a assemelhar-se cada vez mais a negócios em vez de profissões. Pareceu-me fácil e gratificante apoiar o interesse da opinião pública e os serviços públicos que mantêm as melhores tradições e padrões nas áreas do Direito e da Medicina. Foi mais difícil, para uma fundação que abordava a questão de fora dessas profissões – embora contasse com o aconselhamento e a participação de muitos dos seus membros –, influenciar o núcleo, ou a corrente principal, dessas disciplinas. Neste ponto, a fundação continua a tentar descobrir o meio mais adequado para influenciar os acontecimentos, mas estamos já a fazer progressos. As pressões do mercado também estão a afectar o jornalismo, a actividade editorial e os comportamentos profissionais e éticos no mundo das finanças, mas ainda não descobrimos as portas de entrada adequadas.»
George Soros, in "A CRISE DO CAPITALISMO GLOBAL - A Sociedade Ameaçada".
Julgo que este trecho apoia o que expus no post anterior.
domingo, 4 de junho de 2006
OS MONSTROS QUE A DEMOCRACIA INCREMENTA
A democracia é um sistema cheio de vulnerabilidades. Ao querer assegurar todos os direitos e todas as garantias, permitiu que os agentes do mal usassem esses direitos e garantias para prossecução dos seus intentos. A democracia (e refiro-me sempre ao modelo ocidental) permitiu que os lugares de decisão política fossem ocupados por pessoas que não visam o bem-estar da sociedade, pois visam os seus interesses e os das organizações pouco nobres que servem e a que estão sujeitos.
A corrupção é fruto do que acabei de expor.
Mas é a democracia ocidental e as suas sociedades que incrementam o mal. Senão vejamos. O tráfico de mulheres, esse comércio ignóbil, só é possível porque existe um mercado no seio das democracias ocidentais para esse negócio. São as sociedades das democracias ocidentais, mais ricas, que alimentam esse tráfico. A droga é também um negócio canalizado para onde há dinheiro que possa alimentar um tráfego sempre incrementado. A pornografia é outra mercadoria que resulta num negócio altamente rentável. A indústria do entretenimento também explora todas facetas possíveis de renderam dinheiro fácil. E tudo isto com a permissividade das democracias, que por debilidade alimentam todas as formas de rentabilizar os investimentos do dinheiro. A democracia cedeu nos princípios, irá ceder nos objectivos. Vai sucumbir às mãos de quem defendeu. Não quero ser moralista nem catastrófico. Mas lembro-me sempre da decadência do Império Romano e das suas consequências. A regressão na evolução social e do conhecimento que se seguiu à queda do império, teve custos pesados para a Europa. O padrão de desenvolvimento de aquisição de conhecimento, de progresso das artes, de aplicação do direito, enfim, de elevar a dignidade humana levou muitos anos até ser de novo atingido. Os romanos entraram em decadência por excesso de bem-estar. Às sociedades ocidentais parece acontecer o mesmo. Vamos a ver como resulta.
Colombine, pedofilia, esta semana os miúdos que, na Grécia, mataram e queimaram outro, o desemprego, a xenofobia, os radicalismos, mais pedofilia (quase sempre homossexual masculina), redes de prostituição, mais mortes aqui e ali e os benditos dos telejornais a banalizarem tudo isto, servidos ao jantar como sobremesa. Que mundo a democracia ocidental criou ou subverteu. Eu sei que as pessoas se demitiram dos seus deveres de cidadãos e, com isso, permitiram que os agentes do mal se apossassem desses seus deveres. E agora estão os cidadãos presos e acobardados, acantonados nas suas casas, quase sempre com medo da rua, da noite, dos transportes e da própria sombra. Deixaram de ler, de apreciar arte, deixaram de se cultivar. Presos da sua própria inércia. E as consequências estão por aí à espreita da oportunidade de dominarem. Acaba de ser criado, na Holanda, um partido que defende a pedofilia e que pretende legalizar uma série de procedimentos tidos como ilegais e imorais. A seguir outros partidos de outras coisas não menos ortodoxas surgirão. Depois surgirão os radicalismos. E a democracia anda a incrementar todos estes monstros, porque lhes defende, na sua santa ingenuidade de pugnar por princípios, os direitos das suas aberrações. A democracia gerou em si os seus próprios cancros.
A corrupção é fruto do que acabei de expor.
Mas é a democracia ocidental e as suas sociedades que incrementam o mal. Senão vejamos. O tráfico de mulheres, esse comércio ignóbil, só é possível porque existe um mercado no seio das democracias ocidentais para esse negócio. São as sociedades das democracias ocidentais, mais ricas, que alimentam esse tráfico. A droga é também um negócio canalizado para onde há dinheiro que possa alimentar um tráfego sempre incrementado. A pornografia é outra mercadoria que resulta num negócio altamente rentável. A indústria do entretenimento também explora todas facetas possíveis de renderam dinheiro fácil. E tudo isto com a permissividade das democracias, que por debilidade alimentam todas as formas de rentabilizar os investimentos do dinheiro. A democracia cedeu nos princípios, irá ceder nos objectivos. Vai sucumbir às mãos de quem defendeu. Não quero ser moralista nem catastrófico. Mas lembro-me sempre da decadência do Império Romano e das suas consequências. A regressão na evolução social e do conhecimento que se seguiu à queda do império, teve custos pesados para a Europa. O padrão de desenvolvimento de aquisição de conhecimento, de progresso das artes, de aplicação do direito, enfim, de elevar a dignidade humana levou muitos anos até ser de novo atingido. Os romanos entraram em decadência por excesso de bem-estar. Às sociedades ocidentais parece acontecer o mesmo. Vamos a ver como resulta.
Colombine, pedofilia, esta semana os miúdos que, na Grécia, mataram e queimaram outro, o desemprego, a xenofobia, os radicalismos, mais pedofilia (quase sempre homossexual masculina), redes de prostituição, mais mortes aqui e ali e os benditos dos telejornais a banalizarem tudo isto, servidos ao jantar como sobremesa. Que mundo a democracia ocidental criou ou subverteu. Eu sei que as pessoas se demitiram dos seus deveres de cidadãos e, com isso, permitiram que os agentes do mal se apossassem desses seus deveres. E agora estão os cidadãos presos e acobardados, acantonados nas suas casas, quase sempre com medo da rua, da noite, dos transportes e da própria sombra. Deixaram de ler, de apreciar arte, deixaram de se cultivar. Presos da sua própria inércia. E as consequências estão por aí à espreita da oportunidade de dominarem. Acaba de ser criado, na Holanda, um partido que defende a pedofilia e que pretende legalizar uma série de procedimentos tidos como ilegais e imorais. A seguir outros partidos de outras coisas não menos ortodoxas surgirão. Depois surgirão os radicalismos. E a democracia anda a incrementar todos estes monstros, porque lhes defende, na sua santa ingenuidade de pugnar por princípios, os direitos das suas aberrações. A democracia gerou em si os seus próprios cancros.
sábado, 3 de junho de 2006
A CAUDA DA EUROPA
«- Portugal, nos últimos cem anos, experimentou todo o tipo de governos: monarquia e república; ditadura e democracia; esquerda e direita. Praticamente tudo.
E, no entanto, Portugal continua na cauda da Europa.
Melhor que há cem anos? Sem dúvida. Mas os outros também melhoraram. E por isso Portugal continua pior que eles. Na cauda da Europa.
Porquê? É que Portugal experimentou tudo, tudo, excepto mudar de mentalidade. Mudar o que é normal e não é. O que é aceitável e não é aceitável. Os direitos e deveres que cada um pensa que tem. O nível de exigência. Esta é a grande revolução que falta fazer em Portugal.
Uma revolução mais exigente que o 28 de Maio ou o 25 de Abril, porque tem a ver com aquilo que é mais difícil mudar em nós: a nossa cabeça.»
E, no entanto, Portugal continua na cauda da Europa.
Melhor que há cem anos? Sem dúvida. Mas os outros também melhoraram. E por isso Portugal continua pior que eles. Na cauda da Europa.
Porquê? É que Portugal experimentou tudo, tudo, excepto mudar de mentalidade. Mudar o que é normal e não é. O que é aceitável e não é aceitável. Os direitos e deveres que cada um pensa que tem. O nível de exigência. Esta é a grande revolução que falta fazer em Portugal.
Uma revolução mais exigente que o 28 de Maio ou o 25 de Abril, porque tem a ver com aquilo que é mais difícil mudar em nós: a nossa cabeça.»
Jorge A. Vasconcelos e Sá, e outros, in "Portugal Europeu?".
ÁLVARO MONJARDINO
Pelo que vi na promoção do programa Conversa Aberta, na RTP Açores, a exibir na 2ª Feira, dia 5, a conversa com o Dr. Álvaro Monjardino é de não perder. Ajudará muita gente a ver para lá da bruma. E, seguramente, não se corre o risco de se ouvir patetices.
Para quem não poder ter acesso ao canal, sempre o pode ver aqui, na net.
Para quem não poder ter acesso ao canal, sempre o pode ver aqui, na net.
ELUCIDATIVO
Projecto de resolução sugere o dia 6 de Junho como o "Dia Nacional do Cão". Vejam aqui a notícia.
Com tantos e cruciais problemas que o país tem neste momento, os deputados não são capazes de alcançar mais do que assinalar dias nacionais para o cão. Agora já percebem porque é que eu clamo tanto contra a incompetência dos políticos. E a sua consequente inutilidade, em Portugal. Não só são inúteis como prejudiciais.Hoje, na TSF, Belmiro de Azevedo disse que mais cedo ou mais tarde Portugal vai sair da zona Euro. Ou sai pelo seu próprio pé ou é, simplesmente, expulso. Se nada for feito para mudar a situação do país. Eu não vejo nada a ser feito.
sexta-feira, 2 de junho de 2006
CONTRASTE
Com a devida vénia, transcrevo do blog "LÓBI DO CHÁ" o seguinte post, que está conciso mas bastante elucidativo do mal português, por analogia com os nossos vizinhos:
«Semântica de contraste
Ouvir o Estado da Nação espanhol, com a presença do Presidente do Governo, pode ser alucinante. Zapatero levava bons argumentos para o Parlamento:
- um milhão e trezentos mil novos empregos, em dois anos;
- crescimento de 3,5%;- superavit orçamental de 1%;
- aumento do investimento público;
- aumento das prestações sociais.
Nota posterior: Depois de ver o primeiro-ministro português chegar a Évora, onde vai dar força aos jogadores de futebol, voltei para a TVE. Ainda a debater, Zapatero assegura que haverá diminuição da carga fiscal brevemente. »
«Semântica de contraste
Ouvir o Estado da Nação espanhol, com a presença do Presidente do Governo, pode ser alucinante. Zapatero levava bons argumentos para o Parlamento:
- um milhão e trezentos mil novos empregos, em dois anos;
- crescimento de 3,5%;- superavit orçamental de 1%;
- aumento do investimento público;
- aumento das prestações sociais.
Nota posterior: Depois de ver o primeiro-ministro português chegar a Évora, onde vai dar força aos jogadores de futebol, voltei para a TVE. Ainda a debater, Zapatero assegura que haverá diminuição da carga fiscal brevemente. »
quinta-feira, 1 de junho de 2006
A CÓLERA DOS FLEUMÁTICOS
Estas palavras de D. António Ferreira Gomes, do post de ontem, ainda me ecoam na mente. Será que caminhamos para uma situação de guerra civil quando os portugueses se virem na miséria e desesperados? No programa "Prós e Contras" de 29.05.2006 tal foi lá aflorado. Até onde nos levará o desespero? Entretanto ninguém me respondeu à minha pergunta de anteontem, pelo que julgo que ninguém sabe.
Adensam-se nuvens negras.
As palavras de Medina Carreira e de Silva Lopes não estão a ser levadas a sério. Mas um dia será inevitável o encontro dos portugueses com a realidade. E aí .......
Adensam-se nuvens negras.
As palavras de Medina Carreira e de Silva Lopes não estão a ser levadas a sério. Mas um dia será inevitável o encontro dos portugueses com a realidade. E aí .......
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