domingo, 22 de fevereiro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
A PACIÊNCIA
A PACIÊNCIA É UMA ÁRVORE DE RAÍZ AMARGA MAS DE FRUTOS MUITO DOCES.
(Provérbio)
QUE SENTIDO TEM CORRER QUANDO ESTAMOS NA ESTRADA ERRADA?
(Provérbio)
(Provérbio)
QUE SENTIDO TEM CORRER QUANDO ESTAMOS NA ESTRADA ERRADA?
(Provérbio)
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
DA LUZ
Transcrevo um pequeno trecho do post da Serpente Emplumada, sempre com a devida vénia:
“É a matéria que imagina o céu. Depois, é o céu que imagina a vida. Depois, é a vida que imagina a natureza. Depois, a natureza cresce e mostra-se sob diferentes formas que concebe muito menos do que inventa revolvendo o espaço. Os nossos corpos são uma dessas imagens que a natureza tentou junto da luz.” Pascal Quignard, Terraço em Roma
“É a matéria que imagina o céu. Depois, é o céu que imagina a vida. Depois, é a vida que imagina a natureza. Depois, a natureza cresce e mostra-se sob diferentes formas que concebe muito menos do que inventa revolvendo o espaço. Os nossos corpos são uma dessas imagens que a natureza tentou junto da luz.” Pascal Quignard, Terraço em Roma
domingo, 15 de fevereiro de 2009
VAI-SE DIZENDO POR AÍ
O que está de acordo com a extravagância geral da nossa vida colectiva. Ao mesmo tempo que o INE anunciava a desgraça da nossa economia, um "jornal de referência" veio explicar que, felizmente, 900.000 pessoas trabalham para o Estado e não podem por isso ser despedidas como qualquer vagabundo da "privada".
VPV, no Público, hoje.
Aqueles deputados têm os mesmos reflexos, os mesmos comportamentos e a mesma visão do mundo que um bando de hooligans em claques de futebol.
António barreto, hoje, no Público.
Que Deus possa escrever direito por linhas tortas é uma sabedoria portuguesa que Bernanos descobriu no Brasil. Não devemos, no entanto, exigir ao Espírito Santo esforços suplementares para aquilo que compete aos seres humanos. Repete-se que há falta de vocações. Não acredito. Se a vocação é dom de Deus, não se esgota facilmente. Deveríamos olhar mais para o tabu que impede caminhos de solução. Por que não reintegrar aqueles padres que tiveram de abandonar o ministério presbiteral e que estão em condições de prestar serviços relevantes para os quais foram preparados? Por que razão não chamar, ao presbiterado, homens casados que manifestam grande capacidade de serviço na Igreja? E as mulheres? Será que, por serem mulheres, Cristo não as quer ver a presidir à Eucaristia? Precisamente Ele que, segundo os Evangelhos, lhes deu com amizade o papel de comunicar, aos apóstolos, o Evangelho da Ressurreição? Se Deus criou o ser humano à Sua imagem, homem e mulher, seria ridículo atribuir a Deus uma mentalidade patriarcal. Criar um deus à imagem do masculino é criar um ídolo. O sujeito masculino não tem mais aptidão para ser chamado à presidência da Eucaristia do que o sujeito feminino.
Frei Bento Domingues, hoje, no Público.
Não parece um método tranquilizante da sociedade civil o anúncio da evolução estatística da criminalidade, sobretudo quando insiste em débeis percentagens de crescimento. As médias dizem pouco sobre a relação entre a espécie e gravidade das infracções e a insegurança efectiva dos cidadãos.
Adriano Moreira, no DN de 10.02.2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
ESTATISMO PANTANOSO
António Quadros, publicou na revista «57», em 11.06.52, um ensaio «Os Três Problemas Portugueses». Já aqui nos tínhamos referido a essa revista a propósito do «Manifesto Sobre a Pátria», também de António Quadros. O blog dedicado a António Quadros tem o link aí ao lado. E é muito interessante este ensaio do qual pomos aqui um pequeno trecho. Mas é delicioso podermos aprender com quem sabe. E António Quadros sabia, e o seu saber é actual e muito proveitoso. O triste é poucos aprenderem. Já decepcionante é muitos nem sequer saberem ensinar (Mas isto é outra cantiga não avaliada). Mas leiam o ensaio todo. E depois façam as vossas reflexões. Meditem sobre os tempos hodiernos. Eu continuarei a divagar por aqui até que a mistura de ignorância e poder nos faça explodir. Mas leiam o trecho e depois todo o ensaio:
Ora é este terreno comum que exactamente contestamos e pomos em causa. Há quatrocentos anos que, entre nós, mudam os regimes, as estruturas e as forças dominantes, mas na realidade pouco ou nada se modificou no tipo de estatismo em que pantanosamente mergulhamos.E isto porque o nosso pensamento político, há quatrocentos anos que não é criador, mas aderente. Queremos dizer que, incapazes de criar doutrina política, necessariamente derivada de uma filosofia e de uma visão do mundo, os nossos políticos se limitam a lutar pela adesão do pais a este ou aquela doutrina, forjada por outros a partir de circunstâncias históricas, ideológicas e sociais inteiramente diversas das nossas. Qual é o partido político que, nos últimos séculos, pôde ou soube postular uma teoria própria e original? Portugal é pensado como um pequeno e triste astro sem luz própria, reflectindo a sombra e o sol dos outros, e por isso todos os nossos movimentos de reacção e acção, sejam a Contra-Reforma e o Iluminismo, sejam o Absolutismo e o Liberalismo, sejam a Monarquia constitucional e a República, sejam as outras teses e antíteses que se lhes seguiram, tiveram de comum, a ideia concordante da menoridade da pátria, incapaz de teorizar pelas próprias vias, sistemas de filosofia, de educação e de política.
(...)
Ora estes problemas andam de tal forma obscurecidos por ambiguidades artificiais, o drama consequente é de tal modo menorizado por proposições sentimentais e volitivas, o essencial é tantas vezes ocultado pelo acessório, que a maioria das pessoas cada vez sabe menos o que há-de pensar, quando não se encontra filiada em qualquer organização que por eles pense.
A pequena política é a grande dissolutora das mais belas e verdadeiras ideias humanas, porque não quer reconhecer a hierarquia dos problemas e a lógica das relações entre o menor e o maior. Assim, a mediocridade é o plano em que se agita, o superior é arrastado ao nível do inferior, as mais fecundas concepções filosóficas são degradadas em nome dos interesses imediatos, circundantes, egoístas e pragmáticos. Crescem os actos puramente utilitários, as atitudes provincianas, as ilusões utópicas, os partidarismos irreflectidos, as subordinações confessas ou inconfessas, e é tudo isto, toda esta gama de detritos provindo de ideias e crenças moribundas, que está alimentando e envenenando um número majoritário de portugueses."
domingo, 8 de fevereiro de 2009
MODELO DE INUTILIDADE
Agravidade do que precede é tal que nem recordamos o facto essencial do ano: as eleições. Teoricamente, estas poderiam ser um instrumento de resolução. Debates sérios e veredicto popular poderiam seleccionar e ungir quem tem mais capacidades para deitar mãos à obra. Mas, com realismo, receia-se o pior: é bem possível que das eleições resulte um poder minoritário, partidos fragmentados e uma autoridade dispersa.As eleições europeias não interessam a ninguém. Não têm qualquer espécie de significado. Ou antes, têm-no cada vez menos, se tal é possível. Em tempos de ressurreição do proteccionismo, são um modelo de inutilidade. Já as outras, autárquicas e legislativas, são de real importância. Espera-se que sejam úteis.
(...)
Há cada vez menos pessoas a votar pela camisola ou por mera credulidade. Há cada vez mais quem faça contas à vida e decida livremente votar. Há quem não vote enquanto o sistema eleitoral for o que é: proporcional por lista, com grandes círculos anónimos e colectivos e sem compromisso pessoal. Outros, mesmo críticos do sistema, procuram sinais que os ajudem a decidir.
António Barreto, hoje, no Público.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
A LER
Hoje, no Público, a carta aberta do Eng. Henrique Neto. Ontem, também no Público, o artigo de Luís Campos e Cunha. E tantos mais. Que aqui e ali se vai alertando, é um facto. Mas parece que há um autismo geral, quer dos cidadãos, quer dos dirigentes nacionais. Vamos a ver se acordam a tempo. Embora o tempo escasseie.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
CHAGAS DA MEDIOCRIDADE.
Perguntou-me um amigo porque não falo sobre o momento político actual. Disse-lhe que por desencanto. Este país resvalou para a mediocridade. Passou-se a dar mérito aos medíocres e eu não me revejo nisso. Em todo o lado são os medíocres que dominam, são promovidos e exaltados como exemplos a seguir. E eu não aplaudo isso. Não se cultiva o mérito, a excelência e a nobreza. Antes pelo contrário. Assim temos o incremento da preguiça, da irresponsabilidade e da desonestidade. E eu não bajulo isso.
Já por aqui tenho batido este tema muita vez. E é muito visível na educação. Veja-se um exemplo. Indivíduo sem o 12º ano faz uma equivalência ao mesmo por validação de competências, por análise curricular e por um trabalho de 10 páginas, que encomendou a outrem. E entretanto acede a uma universidade por entrevista, sem provas prestadas. Ingressa e já tem uma equivalência a sete disciplinas por análise curricular, sem ter ainda prestado prova nenhuma. Agora digam-me como é que se vai explicar a um filho que deve estudar no duro e fazer todas as provas e completar um curso normalmente? Por que não fazê-lo pela via fácil das equivalências? E o que dizer da injustiça que é esta política das equivalências para os que fizeram tudo prestando provas com aproveitamento? O que pensará um aluno que prestou provas, fez exames para aceder à universidade e ao seu lado tem outro que só precisou de utilizar esquemas? A injustiça é outra chaga neste país. Não se faz justiça. Nem no ensino nem nos tribunais. Estes, os tribunais, nem se sabe bem, hoje, para que servem. Sendo certo que não é para aplicar justiça. Qualquer sentença proferida passados mais de dois anos sobre os factos, mesmo que correcta na forma e no conteúdo, é injustiça. E isso mina a credibilidade dos tribunais e a confiança dos cidadãos no Estado. Já por aqui tenho dito que se mede a saúde de um país pela avaliação do ensino e da justiça. Se um deles está mau, o país não está bem, mas se se dá a conjunção dos dois estarem mal, então esse país está num descalabro.
Não sei se respondi exaustivamente ao meu amigo. Mas eu não aprecio mediocridades. Nem estupidez, que já alguém disse ser o maior flagelo da humanidade.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
TEATRALIDADE
Este ponto exige que a arrogância não seja responsável por uma teatralidade que apenas concorre para que a dependência se vá tornando mais severa sem debate responsável, sobretudo porque a dependência energética tem companhia das dependências das matérias-primas, da mão-de- -obra, e da reserva estratégica alimentar. As fórmulas com que os analistas tentam caracterizar a conjuntura, designadamente a esquecida proposta de Kagan no sentido de comparar a Vénus a debilidade europeia, e de comparar a Marte a suposta força dos Estados Unidos da América, cuja doença da debilidade dos metais não pressentiu, tendem para ser desactualizadas, e isto pelo facto de que este aviso do fornecimento do gás também diz respeito àquilo que chamou o regresso da história.
Adriano Moreira, hoje no DN, no artigo «AVISO»
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A MAFALDA CONHECIA A CRISE
Passei os últimos 4 dias, nos tempos livres, a ler aqueles pequenos livros da Mafalda, editados pela D. Quixote, ainda antes do 25 de Abril. Revisitei essas pranchas do Quino. E com muito humor está lá tudo. As soluções das crises já eram conhecidas da Mafalda. Como eu adorei estas horas que passei a reler a Mafalda. Mas queria aqui comungar convosco o pensamento da Mafalda no último quadradinho da última prancha do nº3 dessa colecção: "É SEMPRE O MESMO: O QUE É URGENTE NÃO DEIXA TEMPO PARA O IMPORTANTE".
Espero que este pensamento da Mafalda vos permita boas reflexões.
Sobre esta crise global também é muito interessante a antevisão precisa e clara que dela fez George Soros no seu livro "Era da Fialibilidade" de 2006. Vale a pena ler. Embora ele esperasse que a crise "estoirasse" em 2007, e esse estoiro se atenha adiado um ano, o que para o caso é irrelevante, vale bastante a pena ler a sua percepção do mundo económico.
domingo, 25 de janeiro de 2009
O PILAR DA HIPOCRISIA
Há quem diga que "é fita" para a televisão. É verdade que essa é parte do problema. Temos olhos cansados, habituámo-nos a tudo, à miséria e à fraude, à corrupção e ao despotismo. A televisão, predadora de sentimentos, mostra imagens até à fadiga, à insensibilidade. Não se acredita, nem se vê o sofrimento dos outros, para não incomodar as nossas certezas ou para não revelar a nossa insegurança.
António Barreto, hoje, no Público.
sábado, 24 de janeiro de 2009
UM PAÍS NÃO É UMA FÉ. É UMA REALIDADE VIVA, COM PRINCÍPIO E FIM
Portugal tem riscos sérios de viabilidade, se os portugueses não se aperceberem que os países, como as civilizações, são mortais. O problema é que - intoxicados por anos de relativo ou grande progresso, sossegados pela falta da memória de crises graves, habitados por uma cultura de direitos sem responsabilidades, incapazes de sentir o interesse colectivo, formados nos tempos das reivindicações que se seguiram ao 25 de Abril - os portugueses não querem perceber os riscos, nem mesmo acreditam nos perigos.
José Miguel Júdice, ontem, no Público, no artigo «O ATOLEIRO»
A DILUIÇÃO DO SUJEITO
Com a devida vénia, um trecho de um post do Combustões tirado daqui:
A Europa, outrora ufana e orgulhosa ao ponto de se proclamar rainha do pensamento, transformou-se neste deserto que sabemos. O embotamento tem o seu preço. Hoje, tão iguais uns aos outros, deixamos de ter razões que nos levem a estar uns com os outros, pois nada há a tratar com quem não quer, não deve nem pode falar sem medo de represálias. É preciso sair longe dessa atmosfera para recobrarmos o direito natural de falar, razonar e contrapor.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
E NEM SEQUER TÍNHAMOS REPARADO.
(...)
A crise económica de 2009 vai seguramente traduzir-se numa gravíssima crise alimentar. É absolutamente aberrante o que se está a passar. Temos gente que tem emprego, mas para quem é matematicamente impossível pagar as contas. Temos uma geração inteira, jovem, a ganhar 400 Euros mensais, por mais qualificações e competências que apresente.» O fosso entre ricos e pobres em Portugal é o maior da União Europeia. O rendimento dos dois milhões de portugueses mais ricos é sete vezes maior do que o dos dois milhões mais pobres. Um terço dos jovens entre os 16 e os 34 anos seriam pobres se dependessem apenas dos seus rendimentos. Não são sintomas da crise. São sinais de subdesenvolvimento.
A crise económica de 2009 vai seguramente traduzir-se numa gravíssima crise alimentar. É absolutamente aberrante o que se está a passar. Temos gente que tem emprego, mas para quem é matematicamente impossível pagar as contas. Temos uma geração inteira, jovem, a ganhar 400 Euros mensais, por mais qualificações e competências que apresente.» O fosso entre ricos e pobres em Portugal é o maior da União Europeia. O rendimento dos dois milhões de portugueses mais ricos é sete vezes maior do que o dos dois milhões mais pobres. Um terço dos jovens entre os 16 e os 34 anos seriam pobres se dependessem apenas dos seus rendimentos. Não são sintomas da crise. São sinais de subdesenvolvimento.
(...)
O tipo com quem jogávamos à bola em miúdos, um colega da escola, um vizinho do lado. Um ser familiar e mudo, que se tornou invisível, que chegou ao fim da linha. E esse é o momento da bofetada. Alguém que conhecemos passa fome. E nem sequer tínhamos reparado.
No DN de Domingo, 18 de Janeiro de 2009, do artigo «Pobres como nós» no Notícias Magazine
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
DEVE-SE ESPERAR SEMPRE O PIOR
Assim, cheguei [M. THATCHER] às seguintes conclusões:
. O ocidente precisa, no seu conjunto, de reparar urgentemente os danos causados pelos cortes excessivos nos orçamentos de defesa.
. A Europa, em especial, deve aumentar rapidamente tanto a quantidade como a qualidade das suas despesas com a defesa.
. Os Estados Unidos devem assegurar-se de que têm aliados de confiança em todas as regiões.
. Não assumir a presunção de que as crises surgem isoladamente ou, quando muito, aos pares.
. Não dissipar em operações de paz multilaterais os recursos que podem ser mais bem usados nas emergências nacionais.
. Seja o que for que os diplomatas digam, deve-se esperar sempre o pior.
Margaret Thatcher, in "A ARTE DE BEM GOVERNAR - Estratégias para um mundo em mudança"
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
GENERAIS
José Miguel Júdice, hoje, no Público, no artigo "O Cilindro de Comando" referiu-se a eles. Transcrevo um trecho:
Eis senão quando, semanas depois, surgiu outra notícia: Portugal tem hoje mais generais do que no tempo em que o país estava em guerra em três frentes militares em África! Também esta notícia não foi comentada por ninguém. Pelo menos para salvar a honra do convento, comento eu. Não sem dizer que se confirma aqui o princípio de que "os militares combatem sempre a guerra anterior", admito que citada fora do contexto.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Veteranos sem apoios afastam recrutas das FA
É o título de notícia, hoje, no DN. Que expões o assunto assim:
A forma como os veteranos de guerra e deficientes militares são tratados condiciona a imagem das Forças Armadas e afecta o recrutamento de jovens para as fileiras, indica um relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
Publicidade negativa sobre o deficiente tratamento dado aos veteranos pode afastar potenciais futuros recrutas" de se alistar nas Forças Armadas.
E não posso deixar de relembrar que é um assunto há muito batido por aqui. O último post foi este aqui .
A DESCONFIANÇA
Adriano Moreira, hoje, no DN:
Ao mesmo tempo, a erosão da confiança dos cidadãos nos responsáveis pelas instituições democráticas vigentes nos países em que a adesão ao modelo é antiga e sem alternativa credível cresce de evidência.
(...)
Que das eleições decorra a autoridade confiável dos escolhidos é uma evidência posta crescentemente em dúvida por várias latitudes, ou que fica dependente de demonstração.
(...)
A abstenção nas urnas perde o significado da indiferença quando os movimentos cívicos atípicos se multiplicam e conseguem audiência, com tendência para ultrapassar as fronteiras nacionais, mas para ali se encontrarem com a desgovernança internacional. Os novos meios de comunicação fornecem apoio às imaginações, desafiam o isolamento dos cidadãos que se afastam dos modelos tradicionais de intervenção, alertam para a necessidade de solidariedades, forçando uma linha entre o desencantamento e o renascimento da esperança.
E, também no DN, Mários Soares disse:
Mas foi também um ano de mudança, porque temos de procurar um novo paradigma, visto que, manifestamente, o que tínhamos não serve. Trouxe corrupção, numa escala nunca vista, falências, desconfiança, desemprego, desigualdades, mais pobreza, e quem sabe se trará ainda revoltas, fruto do descontentamento...
domingo, 4 de janeiro de 2009
QUANDO A ÉTICA, AS LEIS, A FÉ E A JUSTIÇA NÃO FUNCIONAM, AINDA RESTA O DESESPERO E A VIOLÊNCIA.
É o titulo do artigo de Frei Bento Domingues, hoje, no Público. Deveras interessante. E é um texto de geoestratégia.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
SEGUEM OS DIAS AUSTEROS
Eu já não sei se as pessoas acreditam na renovação da esperança com que fazem a passagem do ano. Aquela esperança de que o ano novo vai ser melhor, já não habita nos espíritos quando se faz votos de desejo de um bom ano. E isso não é bom. Avança-se para um plano de desconforto geral. No fundo, «mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara», como disse Carl Sagan(ver aqui), e que é o mote deste blog. Mas como é que as sociedades ocidentais permitiram que fosse possível que a ignorância açambarca-se o poder? A quem interessava que assim fosse? E o que vai resultar? São questões que só o devir poderá fornecer respostas. Mas ciclicamente os vulcões rebentam. Há sempre explosões. Segundo dizem o Universo começou com uma, e a partir dessa outras continuam a impulsionar a vida do Universo em todos os aspectos.
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