domingo, 29 de abril de 2007

VITÓRIA OU DERROTA.

Um artigo, publicado ontem no Público, de Margaret Beckett deve ser lido e ponderado. As estrastégias e a geoestratégia são a chave do sucesso dos povos. Como os nossos políticos e as nossas (pseudo) elites não percebem nada disso, não temos sucesso.
Deixo aqui um destaque do artigo:
«Perante a gravidade crescente da ameaça e a acumulação de provas científicas que têm reforçado os nossos piores receios, é cada vez mais óbvio que as alterações climáticas têm consequências para as nossas preocupações sobre segurança.Cheias, doenças e fome e as consequentes migrações em larga escala. Seca e colheitas destruídas e a rivalidade que daí resultará na procura de alimentos, água e energia em regiões onde os recursos já são escassos. Instabilidade económica a uma escala nunca vista desde a Segunda Guerra Mundial. Este cenário não se compadece com uma visão limitada à segurança nacional - trata-se da nossa segurança colectiva num mundo cada vez mais frágil e interdependente. Os mais vulneráveis e menos capazes de reagir serão os primeiros a sofrer. A questão não está numa escolha entre um clima estável e a luta contra a pobreza. Sem a primeira, a segunda falhará.
(...)
Ficou demonstrado que a comunidade internacional encara a instabilidade climática como uma ameaça sem precedentes que há que enfrentar com a maior urgência e ambição. Se formos bem sucedidos, poderemos todos aspirar a uma maior segurança. Mais: as alterações climáticas são uma ameaça que nos pode unir se formos sensatos e não agravarmos as nossas divergências. »

TERRA SANTA, INSURREIÇÃO.

«A "Terra Santa" da Igreja devem ser os bairros mais abandonados das grandes cidades e, sobretudo, o vasto mundo dos pobres, dos quase mil milhões que vegetam com menos de 73 cêntimos por dia. A Igreja só testemunha a ressurreição quando participa na insurreição contra tudo aquilo que estraga a vida das pessoas. »
Frei Bento Domingues, hoje, no Público.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

FRONTEIRA; MÉRTOLA; 25 DE ABRIL.


Estive de férias durante 2 semanas, na Páscoa. Durante a primeira, no dia em que me dirigia a Mértola, a encantadora, ouvi a notícia de que iam encerrar os tribunais de Mértola, Fronteira e de mais quatro ou cinco concelhos. No outro dia tinha programado passar em Fronteira. Alguém da família queria lá ir visitar o Centro de Ciência local, que irá ter, segundo percebi, o melhor telescópio em funcionamento em Portugal. Pensei ir almoçar, em Mértola, à Casa Amarela, do outro lado do rio. Estava fechada. Em definitivo. Almocei no local do costume, no Migas, junto à praça. E meditei sobre Mértola. Qual o futuro de Mértola? Ficar-se por ser Museu? Quem vai ficar em Mértola? Um Lugar sem hospital, sem grandes escolas, agora sem tribunal. As minas já se foram. A terra está lá, mas não me apercebi de grande vigor agrícola. Não vi industrialização nenhuma e o turismo pareceu-me, como desde há anos, tímido. Não sei se também vão ter de ir nascer a Espanha, mas sempre era mais seguro e confortável. O estado fecha quase tudo no interior. Curiosamente só não fecha as repartições de finanças. Onde cobra os mesmos imposto pelas taxas dos impostos que cobra aos de Lisboa, onde tem tudo para os cidadãos, embora nos seja licito duvidarmos da qualidade desse “tudo”. Mas lá em Mértola, como em todo o interior, pagam pela tabela, mas não têm tudo. Já quase não têm nada. Li no Expresso uma frase de um serigrafista a viver em Serpa, que agora não recordo o nome e nem tenho o Expresso à mão, que associei a isto. Ele dizia, mais ou menos, que tinha lutado tanto pelo poder local e que actualmente o poder local se tinha tornado um cancro. Isso é verdade para os grandes centros. Mas para Mértola, Fronteira, Arraiolos, Monforte, Barrancos e outras tantas já não é verdade. A edilidade é a última réstia de esperança de sobrevivência para aquelas povoações. Só eles as podem defender da extinção. O governo central, o que governa o país, não o fará, pois não tem estratégia nenhuma para Portugal, nem julgo que saibam o que é isso, e muito menos o que é geoestratégia. Só por isso se pode perceber que um ministro tenha optado pela medida de enviar as grávidas da raia a parir em Espanha. Para além de menosprezarem o orgulho nacional, não percebem as implicações geoestrtégicas que medidas destas vão ter a médio e a longo prazo, ou mesmo a curto prazo se o ritmo de desertificação humana se mantiver num nível insustentável, até para autarquias bem dinâmicas. Sem contar com a humilhação das nossas cidadãs que em Espanha, apesar de muito bem tratadas, se sentirão sempre estrangeiras, estranhas ao meio. O que é que pode levar os jovens a ficar? A casar-se, constituir família, contribuir para o desenvolvimento? Já lá não há nada. Só lhes resta um emprego na autarquia, e para ambos. Senão emigram. Não há alternativa. O país empurra-os para fora. Hoje achei piada ao Presidente da República quando no seu discurso, entre outras coisas interessantes, nomeadamente quando falou dos festejos do 25 de Abril, se referiu à questão da saída para o estrangeiro dos jovens qualificados. Já aqui me tenho referido a esta problemática. Só não percebi a parte que o Presidente não percebeu. Se em Portugal quem tem diplomas trouxas, ou exibe, tendo só a quarta classe, diplomas de frequência de pós-graduações que exibem nos gabinetes, onde a palavra frequência é minúscula face a todo o resto do texto, são os individuas que gerem a coisa pública ou as empresas propriedade da coisa pública, não entendo as dúvidas do Presidente face à fuga dos jovens devidamente credenciados e, pior ainda, competentes, que é palavra arredada da coisa pública. Mas hoje celebramos o quê? O encerramento das maternidade? O encerramento dos tribunais de Fronteira e de Mértola? O estado de desânimo que implantaram no país? Mais de uma vez disse que quem tiver mais de 30 anos que fuja de Portugal enquanto é tempo. E parece que já não há muito tempo.
Ah! Na segunda semana rumei até Espanha. Fui-me deprimir, comparando o percurso da Espanha com o de Portugal. Erros nossos, má fortuna.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

ERROS NOSSOS, MÁ FORTUNA.


Continuamos a sofrer políticos a quem lhes falta tudo, para exercerem os magistérios, com dignidade. Continuamos a sofrer. Mas a verdade, crua e dura, é que fomos nós todos, portugueses, que os fomos escolhendo e caucionámos as suas acções. Os erros são nossos. Ou por ignorância, ou por comodismo, ou por estratégia de querer um ambiente permissivo à manutenção de mordomias injustas e caras, ou por demissão cívica, ou ainda porque somos uma cambada de golpistas medíocres, sempre à espera de migalhas da mesa do poder que, de forma ignóbil e humilhante, vão deixando cair aqui e ali. Mas os erros são nossos. Nem nos merecemos. A esperança, já não no sucesso, mas pelo menos numa saída da crise, é agora quase nula. E as novas gerações não prometem grande coisa. Da maneira como foram instruídas, educadas e orientadas, não espero grandes homens e mulheres. Das gerações de ideais, protagonizadas pelos estudantes das décadas de 60 e 70 do século XX, que ainda nos governam, recebemos a desilusão. De grandes defensores de ideais de igualdade e fraternidade, transformaram-se em manipuladores de dinheiro, corruptos e vigaristas. Mandaram os ideais para trás das costas e passaram a esfolar vivos os que queriam defender. São hoje, quase todos, peritos de negociatas torpes, fuga aos impostos, e etc., etc.. Pior, é que são o exemplo de sucesso para os jovens de hoje, que ambicionam a ter dinheiro a qualquer preço e sem escrúpulos. Ámen.
Há um artigo do Rui Ramos, que já aqui coloquei e que merece ser relido, conforme sugestão de amigo meu. E na sequência do post anterior, onde citei VPV.

sábado, 21 de abril de 2007

NEM COMENTO

«A democracia portuguesa trouxe uma exagerada esperança de reforma e decência. Ao começo, mesmo a seguir ao PREC, nada parecia impedir que se fizesse um país, sem a miséria, a corrupção e a complacência do costume. Por isto e por aquilo, não se fez. Portugal conservou os seus velhos vícios, sem adquirir novas virtudes. Na minha última encarnação sou, prosaicamente, um filho da democracia falhada. Como escreveu o homem, a velhice é um naufrágio. Comigo, um naufrágio que às vezes não acho exclusivamente pessoal. Mas são com certeza momentos de megalomania. A verdade é que já não pertenço a esta história. O meu interesse é forçado, a minha presença é, pelo menos para mim, gratuita. Mas, por enquanto, não há remédio senão persistir. »

VPV, hoje no Público.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

MAIS UMA PONTE. A MESMA INCOMPETÊNCIA.

A falta manutenção numa ponte em Vimieiro, Santa Comba Dão, levou hoje ao encerramento temporário do IP3. Mais uma vez não se efectuou a manutenção devida em tempo devido. E são milhares os casos por todo o país. O dinheiro é sempre esbanjado e desbaratado em parvoíces protagonizadas pelos incompetentes que nos vão governando. Já aqui abordei, em exercício teórico, esta questão. Para fazer estádios inúteis esbanjaram rios de dinheiro, que deviam antes ter usado para conservarem as obras de arte de engenharia por esse país fora. O último Expresso, no caderno de economia, enuncia as 15 grandes asneiras que geraram esta grave crise orçamental. Os estádios são uma das asneiras. Feitas pelos políticos que agora nos pedem sacrifícios, que eles nunca fazem. E é mais uma ponte, amanhã outra, para semana outra. Sem vitimas a população portuguesa fica inerte. Infelizmente. Todos serão vitimas, em lume brando.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

A INUTILIDADE DO SACRIFÍCIO DOS CIDADÃOS PORTUGUESES


Sempre que vejo um monumento aos combatentes, onde estão inscritos os nomes dos que morreram na, vulgarmente chamada, guerra do ultramar, sinto que é um monumento à inutilidade do sacrifício dos cidadãos.
Os políticos continuam a fazer asneiras na condução da coisa pública, com custos pesadíssimos para os cidadãos, e continuam a pedir sacrifícios aos portugueses para colmatarem as asneiras, para não falar de outras coisas, que eles praticam. Mas que são sempre inúteis, pois eles desbaratam sempre o produto desses sacrifícios. É muito triste ser cidadão português e viver em Portugal. E depois de uma estadia curta em Espanha, percebe-se bem a inutilidade dos sacrifícios que não pedem, mas exigem.
E depois da sentença do Supremo Tribunal, que o António Barreto aborda no seu artigo, de Domingo passado, no Público, a esperança esfuma-se com mais facilidade. A verdade está em causa. A liberdade também. E a liberdade de expressão ainda mais. Enfim, a inutilidade de se viver em Portugal.

terça-feira, 17 de abril de 2007

ESTUDAR OU NÃO ESTUDAR

Já me tenho referido várias vezes à questão da valorização do estudo. Um post intitulei “NÃO VALE A PENA ESTUDAR EM PORTUGAL“, aqui. E mais aqui. Eu nem sequer me quero referir às aldrabices. Nem sequer ao injusto que é dar-se equivalências por tudo e por nada ao 12º ano, prejudicando bastante o mérito de quem o concluiu, pois viu o seu esforço gorado ao constatar que com umas mezinhas, simples e pré-fritas, o tinha feito.
Mas chamo a atenção para o programa “DIGA LÁ EXCELÊNCIA”, publicado ontem no Público, e para o que disse o médico Luís Portela, da Bial. Do que destaco: «Foi importante criar condições para os jovens se irem doutorar lá fora. Agora é preciso criar condições para que regressem.» E para quê, pergunto eu. O país não os quer. Prefere a quinquilharia, os partidários, os do canudo da Praça de Espanha, Martim Moniz ou qualquer outra venda ambulante. Mérito? Para quê? Têm privilegiado a sua falta, pelo que o país foi sendo afundado até hoje. Ainda ninguém reparou que foram as sucessivas asneiras dos políticos portugueses, incompetentes e ignorantes, que puseram o país no estado em que está? Em Espanha não fizeram as asneiras que os nossos fizeram, e, por isso, o resultado está à vista.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

OS EX-COMBATENTES SABEM E SENTEM O QUE É PORTUGAL

“Os Portugueses
Que fizeram a guerra da integridade
Lutaram por todos,
Os contemporâneos
E os antepassados
Que expandiram Portugal
E a Língua Portuguesa.”
Nogueira Baptista, in "Contagem Decrescente"

domingo, 15 de abril de 2007

O QUE HÁ DE ERRADO EM PORTUGAL PARA QUE ESTA GENTE ACEITE VIVER ASSIM?

Destaque de uma reportagem da VISÃO, de 29 de Março de 2007, sobre os portugueses a trabalharem em condições sub humanas em Espanha. Uma vizinha espanhola é que disse a frase do título. Até um simples cidadão espanhol, que pouco deve saber de Portugal, se apercebe que há aqui algo muito errado.

domingo, 25 de março de 2007

MISSAS EM LATIM

Volta-se para as missas em latim? Canto gregoriano? Proibição de comunhão a divorciados? Volta-se?
Bem, quando se volta, volta-se para trás. Os tempos que se avizinham não vão ser fáceis. É a vida, feita de ciclos. Estamos a voltar a tempos obscuros, para depois, já demasiado longe para nós, podermos fruir da claridade do conhecimento e das suas boas práticas.

O VASCO PULIDO VALENTE, HOJE, NO PÚBLICO

Corram já até um ponto de venda de jornais e comprem o Público. Leiam o artigo do VPV. E já agora leiam também o Barreto sobre a Ota, e não só.

sábado, 24 de março de 2007

SEMPRE QUE NÃO SE PUNE, PENALIZA-SE O JUSTO


Em Portugal há o drama, gravíssimo, da impunidade das pessoas que agem com desonestidade e com dolo para terceiros. Essa impunidade é um castigo para os cidadãos de bem que agem dentro dos parâmetros da cidadania consciente, com honestidade e integridade.
Como há muito venho dizendo, se as áreas da justiça e da instrução estão mal, o país está muito mal. Se não houver justiça quem acredita na viabilidade do país?

sexta-feira, 23 de março de 2007

O MÉRITO DA REFLEXÃO

No Público
Qualificações
18.03.2007, Vasco Pulido Valente

A um ano da eleição para a presidência do partido (Março, Abril de 2008), o PSD já anda num enorme frenesim. Fora Marques Mendes não há nenhum candidato declarado. Mas parece que Luís Filipe Menezes, Rui Rio, Aguiar Branco, António Borges (que, segundo consta, ainda continua vivo) e o próprio Marcelo pensam em se candidatar. Não se pode imaginar uma colecção mais triste. Mesmo um país pequeno e habituado à mediocridade merecia melhor. Para se aspirar a primeiro-ministro é talvez preciso um passado, uma obra, uma reputação nacional e, se não for pedir muito, uma ideia ou outra com alguma pertinência e algum sentido. Em vez disso, no PSD basta um pouco de popularidade local ou uma forma qualquer de fama, merecida ou imerecida, para um indivíduo se julgar apto a pastorear a Pátria.Esta desgraça não é privativa do PSD. Toda a gente se queixa da qualidade do pessoal político e toda gente percebe que, de ano em ano, as coisas pioram. Tivemos Cavaco, que não é, coitado, um grande espírito. Tivemos Guterres, que fugiu do "pântano". Tivemos Barroso, que tratou de si. Tivemos Santana, que nem dele sabia tomar conta. E hoje temos Sócrates, um aparatchik, autoritário e pardo. Donde vieram eles? Cavaco de onze meses no Ministério das Finanças. Guterres directamente da máquina do PS (nunca esteve antes no Governo). Barroso de secretário de Estado da Administração Interna e ministro dos Estrangeiros. Santana de secretário de Estado da Cultura. Sócrates de ministro do Ambiente. Por outras palavras, nenhum deles fez, como seria de esperar, uma carreira normal: do Parlamento para secretário de Estado, de secretário de Estado para ministro; e da periferia do poder (a Cultura, o Ambiente) para o centro do poder (Segurança Social, Saúde, Educação, para começar, e a seguir Administração Interna, Estrangeiros, Finanças). Chegaram os cinco a primeiro-ministro sem uma experiência séria e pessoal do "monstro" que iam dirigir e com um absoluto desconhecimento do país. Cada um via Portugal e os portugueses pela sua pequena fresta (das Finanças, dos Estrangeiros, da Cultura ou do Ambiente). Não passavam os cinco de amadores, sem maneira de avaliar ou de medir o que lhes diziam e, como é óbvio, só nos deixaram sarilhos.Surpreendentemente, esta sociedade obcecada com a segurança e a "excelência" não exige qualquer espécie de qualificação política ao primeiro-ministro. Não ocorreria a ninguém ser operado por um estagiário. Mas ninguém se importa de ser governado por um conspirador de sótão, um secretário de Estado da Cultura ou um ministro do Ambiente.

quinta-feira, 22 de março de 2007

quarta-feira, 21 de março de 2007

segunda-feira, 19 de março de 2007

domingo, 18 de março de 2007

quarta-feira, 14 de março de 2007

ESTAGNAÇÃO! OS PRÓXIMOS 25 ANOS.

O ex-ministro das Finanças Ernâni Lopes afirmou hoje que a economia portuguesa "está a definhar" e este será o cenário dos primeiros 25 anos do século XXI "se não se fizer nada" para corrigir esta evolução espontânea.
Noticia, aqui, o JN.

terça-feira, 13 de março de 2007

E NÃO HÁ RESPONSABILIDADE?

Como sempre, comparemo-nos com a Espanha. Portugal e Espanha são membros da União Europeia a partir do mesmo dia. A Espanha, capaz de escolher políticos competentes, prosseguiu na senda do desenvolvimento e progresso. Portugal, habitado por idiotas, que são os portugueses no seu conjunto e totalidade, que sempre foram incapazes de, desde essa data, escolher um único dirigente político competente, afundou-se. Só escolheu tipos que se limitaram a gerir os seus gangs pessoais e clubistas, desbaratando o país e engrossando as fortunas das claques.
Mas porque é que ninguém em Portugal pergunta quem foi ou foram os responsáveis pelos desastres sucessivos de governação que levaram o país a este estado? E conhecidos os responsáveis porque é que não são devidamente responsabilizados e punidos? A instauração da pena de morte só para políticos era algo exagerado?