quinta-feira, 20 de maio de 2010
A REPÚBLICA PORTUGUESA É MONÁRQUICA
quarta-feira, 19 de maio de 2010
DESNORTE
quinta-feira, 13 de maio de 2010
O DRAMA NOS AÇORES NÃO É PENSAR-SE PEQUENO. É PENSAR-SE FECHADO.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
POUPANÇA É CONFIANÇA
quinta-feira, 29 de abril de 2010
E OS QUE FIZERAM AS ASNEIRAS QUE LEVARAM O PAÍS A ESTE ESTADO, SAEM IMPUNES?
segunda-feira, 26 de abril de 2010
EU JÁ VIVI O VOSSO FUTURO
A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes.
Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) aprovávamos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.
Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada?
A URSS foi criada sob coacção, muitas vezes pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.
Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE. Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo.
Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir.
O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE. Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto». Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade. Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE. Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos. O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (…)
Eu já vivi o vosso «futuro»…
quarta-feira, 21 de abril de 2010
E a Alemanha veio ao de cima desde a reunificação.
Eu detesto teorias da conspiração, mas esta preocupação, para não dizer perseguição, das agências de rating à economia portuguesa, que representa apenas 1% na economia europeia, faz pensar que o que está verdadeiramente em causa é o euro. Depois da Grécia, segue-se Portugal. A seguir virá provavelmente Espanha, depois a Irlanda, quem sabe a Itália... Como se tem visto, o euro está a acusar esta instabilidade e tem-se vindo a depreciar face ao dólar.
É claro que parte da responsabilidade cabe à própria União Europeia. A resistência da Alemanha, por razões de política interna, em apoiar a Grécia está na base da turbulência. Frases vindas de Berlim como "não vamos deixar a Grécia afogar-se, mas em vez de soltar já a bóia de salvação, vamos primeiro procurar que chegue a terra sozinha" são de uma enorme irresponsabilidade. Depois, a ideia de envolver o FMI no apoio aos gregos transmite uma imagem de impotência e incapacidade da União Europeia para ajudar os membros do euro a resolver os seus problemas, sendo necessário recorrer a ajuda externa. O que daí decorre, obviamente, é que o bloco europeu não é capaz de defender a sua moeda, pelo que o ataque ao euro vai certamente prosseguir, testando os limites da resistência da eurolândia.
NICOLAU SANTOS, no Expresso de 27 de Março
Ou me engano muito ou mandar a Grécia para os braços do FMI é um verdadeiro 'golpe de misericórdia'. Como os gregos não parecem ter o discernimento de concluírem eles próprios que não podem continuar no euro, e os alemães querem evitar o que não deixaria de ser considerada uma falta de cortesia, mandando-os embora, ou me engano muito, ou o FMI acabará por resolver o problema.
DANIEL BESSA Texto publicado na edição do Expresso de 27 de Março de 2010
O ministro das Finanças da Alemanha (e a seguir Angela Merkel) propôs que países da eurozona que não cumprissem as suas obrigações de rigor pudessem ser expulsos dela. A ministra das Finanças de França verberou a política macroeconómica da Alemanha: salários baixos e exportações altas prejudicam a França e os outros parceiros do euro. Porque o eixo franco-alemão não sobreviveria a confrontação constante os desequilíbrios existentes terão de ser corrigidos. Será difícil e a cigarra vai ganhar um pouco mais à formiga. Entretanto, o vice-primeiro-ministro grego, furioso com tiradas moralistas de Berlim, acusou os alemães de nunca terem devolvido o ouro roubado ao Banco da Grécia durante a ocupação nazi. A culpa ainda não está expiada.
José Cutileiro
Texto publicado na edição do Expresso de 20 de Março de 2010
O general inglês lorde Ismay, primeiro secretário-geral da NATO, a quem perguntaram para que servia a organização, respondeu: Para ter os americanos dentro, os russos fora e os alemães em baixo. (…) Os americanos já não estão tão dentro da Europa Ocidental quanto Ismay entendia ser prudente que estivessem. Os russos, por sua vez, já não estão tão fora dela quanto Ismay gostaria de os ver. (…) E a Alemanha veio ao de cima desde a reunificação. (…)… convém lembrar que o projecto europeu começou com a Alemanha de rastos e desenvolveu-se enquanto ela ganbava forças. A questão que se põe é - como vai a construção europeia adaptar-se a uma Alemanha forte? Ou, melhor, como vai uma Alemanha forte adaptar-se à construção europeia? Não sabemos ainda.
José Cutileiro
Texto publicado na edição do Expresso de 27 de Março de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
A MAIOR AMEAÇA À AUTONOMIA É A NÃO SUSTENTABILIDADE
sábado, 10 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
EMOCIONALMENTE INFANTILIZADOS
Frei Betto
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. ' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"
sábado, 3 de abril de 2010
EM PORTUGAL NENHUM DEPUTADO TEM ESTA CORAGEM
E depois vejam segunda vez. E façam comparações.
sexta-feira, 19 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
TEMPOS SIMILARES

Em Março de 2007 já publiquei a capa desta revista. Repito hoje porque se deve reflectir na data da revista e na legenda da foto. Vivemos tempos de crise, de que temos uma boa imagem no artigo citado no post anterior.
São tempos para reflexão. Reflictam mas não me citem o passado. O que fomos, fomos. Mas já não somos. Discursos sobre pseudo glórias não nos levam a lado nenhum. Fazem-se demasiados discursos sobre como fomos grandes, sem que nunca se diga qual a escala de grandeza por onde se pautam nessas afirmações.
Temos de reflectir no que somos, hoje. Porque estamos na situação em que estamos. Não serve só falarmos de medidas de austeridade. Deve-se exigir as razões da má gestão e pedir responsabilidades a quem tomou medidas erradas. Ou continuamos a pactuar com as impunidades e os enriquecimentos ilícitos? E para que é que eu estou para aqui preocupado com estas questões? Para nada. A maioria dos portugueses preocupa-se é com os resultados do futebol e com a cor do carro dos jogadores. Ah!, e também com o que comem ao almoço antes dos jogos. Que deve ser algo importante, por as televisões estarem sempre a falar nisso, mas eu não percebo a importância do tema.
Tenho receio pelo futuro. É um tema constante por aqui. Temo que os mais novos irão pagar um preço demasiado elevado pela estupidez das gerações anteriores. Não só económico. O preço mais caro será pago pelo mau uso, actual, da democracia.
E FOI DITO
segunda-feira, 8 de março de 2010
SUCESSO OU FELICIDADE?
Mas hoje qual é a existência das crianças e dos jovens? Tiraram-lhes a liberdade. Já não brincam. Há por aí uns gurus da educação, com padrões estereotipados, que deturparam os objectivos da educação. As crianças têm de ser sempre vigiadas. A segurança impõe isso. Deixou-se chegar a insegurança e a ineficiência da justiça ao actual estado. Não usam o espaço público, a não ser em manifestações de manada, e para serem cool, sempre na perspectiva do pai, ou da mãe, ou de ambos se ainda estiverem casados. Depois a criança tem de ter sucesso. Ou seja, tem de vir a ter um percurso para ganhar muito dinheiro, para ter um muito bom carro, para exibir, uma muito boa casa, que na prática pouco usa, por só lá dormir, uma casa no Algarve, onde se esfalfa para lá chegar no seu muito bom carro, para voltar ainda mais cansado do que foi. E tem de ter uma parafernália de objectos eléctricos e electrónicos para exibir às visitas, mesmo que pouco proveito tire deles, e é quando os sabe manejar em pleno. E para alcançar esse sucesso tem de competir. Mesmo que não queira nem lhe apeteça. Tem de competir. Que é o que os paizinhos fazem com as suas crianças, competem com os outros pais. E competem na escola, na música, no ballet, na ginástica, na natação, na esgrima, no coro da igreja e na má educação. Competem. Não brincam. Sempre fechados em casa, onde são feitos prisioneiros da segurança, do conforto, e da competição. Têm tudo ao seu dispor para se poderem valorizar, no seu sucesso, lá em casa. Têm uma vida vazia de existência. Vivem um mundo virtual. Começam mal e acabam pior. Podem ganhar dinheiro, mas não se realizam. Podem ter sucesso, mas não passam de uns patifezinhos. E depois serão incapazes de se relacionarem de forma estável e não virtual. Irão sempre reproduzir, nos filhos, que entretanto terão no acaso, ou para fazerem parte do sucesso exibicionista, já no limite biológico para o fazerem, os mesmos modelos idiotas com que foram criados. Em cidades frias de humanismo, egoístas, onde só se pode subsistir na rua integrando um bando. Aqueles cujos pais não tiveram sucesso, ou dinheiro, esses estão mesmo na rua. Não competem, lutam. Têm de sobreviver. Para isso, lutam. Os de sucesso, egoístas, pouco lhes importam os da rua. Eles, formatados, vão tentar ter tudo. A qualquer preço. Carro, casa, filhos, posição, marido/mulher com influência e um par. No fundo, infelizes. Prisioneiros dum sistema que alimentam. Estragando uma sociedade que só podia evoluir com homens livres.
sexta-feira, 5 de março de 2010
MEDINA CARREIRA DISSE TUDO, EM ENTREVISTA
quinta-feira, 4 de março de 2010
NADA DE NOVO
CARTA @ AMIG@
Olá, Amig@, resolvi escrever-te
só para dizer... que não há nada de novo.
Olha, saí, meti-me no carro
e chegando ao semáforo seguinte
vi o mesmo pedinte
com que há anos deparo.
Dei-lhe uma moeda de vinte.
Na fila de trânsito,
vi as mesmas caras agressivas
por dentro dos vidros embaciados.
Sorrisos não vi, nem expressões vivas:
só olhares cansados.
Também quis entrar no café,
mas era tal a fumaça lá dentro
que achei melhor adiar o momento
e fugi dali a sete pés.
Deu-me para comprar o jornal,
mas também não sei para quê:
já ontem, na TV, disseram tudo igual.
Parece que o principal
é que caiu um avião no Mar do Norte.
Mas olha, tiveram sorte:
dos noventa só morreram vinte e tal,
incluindo um doente de Sida, por sinal,
a quem já tinham lido a sentença de morte.
Os pais do rapaz até deram graças
por ele ir de repente
e não o verem mais pela casa
a morrer lentamente.
Das famílias dos outros vinte e tal
é que não sei o que disseram,
não vinha no jornal,
talvez não tenha sido tão sensacional.
Como vês, vai tudo normal.
Passei ali pelos arredores
e lá estavam os arrumadores
à porta do Centro Comercial
a arrumarem os senhores doutores.
Também estavam uns ciganos vendedores
discutindo com eles um espaço vital
para estenderem no chão uns cobertores
onde exporem o material.
Mas apareceu um carro da polícia
e debandaram todos por igual.
Enfim, virão tempos melhores.
De saúde, olha, vou assim-assim,
uns dias pior, outros menos mal.
Que se há-de fazer? É fatal.
E assim cheguei ao fim.
Como vês, não há nada de especial.
Fica bem, ou, pelo menos, tu também, menos mal.
Beijinhos da
L.
(Leonor 1999)
quarta-feira, 3 de março de 2010
QUERIDA PÁTRIA
QUERIDA PÁTRIA
Ó meu querido País
Que tanto te tenho amado
Eu tanto por ti sofri
Só por ti eu ter lutado …
Querida Pátria Portuguesa
Dos tempos que por ti lutei
Passando fome e sede
E por ti também chorei …
Portugal minha Pátria
Que linda Bandeira é
Por ela também lutei
Fui para a guerra prá Guiné …
SANGUE SUOR E LÁGRIMAS
Sacrifícios sem igual
Gritos de raiva e de dor
Pra defender Portugal …
Sangue colorindo o chão
Tanto sangue derramado
Foi essa nossa missão
Por ter Portugal honrado …
Foi sangue nos combates
Lá na guerra derramado
Mas eu cumpri o que jurei
Pela Pátria ser Soldado …
Suor tanto suor
Em caminhadas a pé
Suor e tanto suor
Pela Pátria na Guiné …
Suor pelo clima
Naquele perigo então
Foi o sangue e o suor
Pra defender a Nação …
Lágrimas de sofrimento
Para a Pátria defender
Eram lágrimas de tristeza
Por camaradas morrer …
Lágrimas na juventude
Por nossa Pátria amar
Naquela guerra maldita
Lá naquele Ultramar …
Por ti Pátria lutei
E jurei por ti morrer
Como tantos camaradas
Na Guiné a combater …
Até fome eu passei
Sacrifícios sem igual
Com camaradas cantei
O Hino de Portugal …
Em matas eu caminhei
Em picadas percorri
Por ti Portugal lutei
Cansado não desisti …
Angola Guiné Moçambique
O sofrimento constante
Lutando por ti ó Pátria
E tu Pátria distante …
Dias e noites caminhei
No cacimbo e ao calor
Só Deus sabe o que passei
Lutei por ti com amor …
Por ti eu não tinha medo
Naquela guerra metido
Quando à Pátria regressei
Senti meu dever cumprido …
Naquela guerra metido
Rapazes da mesma idade
Foram anos que perdemos
Sem gozar a mocidade …
Hoje velhos combatentes
Cansados mas a combater
A Pátria nos desprezou
E só nos quer ver morrer …
Cansadinhos vamos vendo
Os heróis que na verdade
É quem anda a roubar
A matar e é cobarde …
Ó nossa Pátria querida
Não fomos heróis e lutámos
Com traumas hoje vivemos
Tristes mas ainda te amamos …
Hoje velhos combatentes
Temos Lutas a travar
Porque a Pátria que amamos
Essa nada nos quer dar …
Sucessivos governantes
Prometem e nada dão
Querem tudo para eles
São abutres da Nação …
Nesta Pátria os heróis
São os que jogam à bola
Que lutam pelo País
De calção e camisola …
Os heróis deste País
Com fortunas lá na terra
São heróis que jogam bola
E nós não fomos na guerra …
Nós não fomos heróis
Mas com bravura lutámos
Pela Pátria demos tudo
E traumatizados ficámos …
Nós não fomos heróis
Da guerra que não se esquece
A Pátria nada nos dá
A Pátria nem nos conhece …
Governantes que prometem
Só porque não nos quer ver
Sabem pois ser mentirosos
Não sabem o que é combater …
Não sabem o que é a guerra
Atacam bem de palavras
Não conhecem os heróis
E mesmo as espingardas …
Não vivemos em paz
E com a idade a avançar
Exigimos o que é nosso
Estamos sempre a lutar …
Nós que estamos cansados
Devíamos de descansar
E a Pátria que defendemos
Ela nos está a matar …
A Nossa familia sofre
Por nos ver a nós sofrer
A familia é a mesma
Que nos viu ir combater …
Estes nossos governantes
Que nos tentam iludir
Mandam outro para a guerra
Mas eram eles a ir …
Muitos de nós na miséria
Com ompostos a pagar
Para abutres do governo
Que ganham sem trabalhar …
Somos nós ex-combatentes
Camaradas da Nação
E os que não nos conhece
Sabem que temos razão …
Somos Nós deste País
Que mal nos tem tratado
ORGULHOSOS COMBATENTES
POR TER PORTUGAL HONRADO …
Albino Silva
Soldado Maqueiro
N.º 011004/67
CCS/BCaç 2845
GUINÉ 68/70
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