sexta-feira, 9 de abril de 2010

EMOCIONALMENTE INFANTILIZADOS

Recebi por mail. E aqui publico, tal e qual.
PASSEIO SOCRÁTICO
Frei Betto

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, ­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. ' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:

"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"

sábado, 3 de abril de 2010

EM PORTUGAL NENHUM DEPUTADO TEM ESTA CORAGEM

Mas no Brasil, pelo menos uma mulher, e que mulher, que é deputada, tem. Vejam e ouçam aqui.
E depois vejam segunda vez. E façam comparações.

sexta-feira, 19 de março de 2010

JÁ NÃO CHEGA

«Riqueza em Portugal já não chega para pagar dívidas ao estrangeiro.»
É o titulo da notícia, aqui, do Diário Económico.

segunda-feira, 15 de março de 2010

TEMPOS SIMILARES







Em Março de 2007 já publiquei a capa desta revista. Repito hoje porque se deve reflectir na data da revista e na legenda da foto. Vivemos tempos de crise, de que temos uma boa imagem no artigo citado no post anterior.
São tempos para reflexão. Reflictam mas não me citem o passado. O que fomos, fomos. Mas já não somos. Discursos sobre pseudo glórias não nos levam a lado nenhum. Fazem-se demasiados discursos sobre como fomos grandes, sem que nunca se diga qual a escala de grandeza por onde se pautam nessas afirmações.
Temos de reflectir no que somos, hoje. Porque estamos na situação em que estamos. Não serve só falarmos de medidas de austeridade. Deve-se exigir as razões da má gestão e pedir responsabilidades a quem tomou medidas erradas. Ou continuamos a pactuar com as impunidades e os enriquecimentos ilícitos? E para que é que eu estou para aqui preocupado com estas questões? Para nada. A maioria dos portugueses preocupa-se é com os resultados do futebol e com a cor do carro dos jogadores. Ah!, e também com o que comem ao almoço antes dos jogos. Que deve ser algo importante, por as televisões estarem sempre a falar nisso, mas eu não percebo a importância do tema.
Tenho receio pelo futuro. É um tema constante por aqui. Temo que os mais novos irão pagar um preço demasiado elevado pela estupidez das gerações anteriores. Não só económico. O preço mais caro será pago pelo mau uso, actual, da democracia.

E FOI DITO

Por Rui Moreira, no JN de 13.03.2010, no excelente artigo «DAR O DITO POR NÃO DITO». A ler aqui. Um retrato real deste governo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

SUCESSO OU FELICIDADE?

Pode ser um problema que se ponha. Hoje em dia a educação e a instrução das crianças, dos jovens, tem muito a componente do sucesso. Nenhuma componente para a felicidade. E aqui estou sempre a referir-me à civilização ocidental, tal como é aceite este conceito. Circula muito na net um mail, com várias variantes, com o tema «Como é que nós sobrevivemos?». E esta sobrevivência tem a ver com os cuidados e cautelas que hoje existem, e que há uns 30 e mais anos não existiam. As pessoas eram mais pobres, com menos utensílios para consumir, mais solidárias e mais livres. Isto pode parecer estranho. Mas as crianças, há 30 e muitos anos atrás, eram mais soltas na sua criação. O espaço público não lhes estava vedado e, no meio das suas obrigações, que incluíam estudar e trabalhar, tinham tempo para brincar. Eu disse trabalhar? Disse. Trabalhar ainda não era um estigma para a juventude. Corria-se, pulava-se, esfolava-se e ria-se. Depois também não se tinha competição na escola. Se alguém tinha um 14, ainda bem. Se alguém tinha um 10, ainda bem, também. Ter negativa é que era triste, e não fazia a alegria dos outros a infelicidade de alguém. Os professores também ainda não eram ignorantes. Não se buscava um tal de sucesso com avidez, nem cupidez. Vivia-se a vida. E era-se feliz, sem que se buscasse essa felicidade na extremidade de qualquer arco-íris. Talvez para as raparigas esses tempos ainda não fossem tão bons, porque não lhes era dada a liberdade que os rapazes tinham. Hoje esse problema não se põe para elas.
Mas hoje qual é a existência das crianças e dos jovens? Tiraram-lhes a liberdade. Já não brincam. Há por aí uns gurus da educação, com padrões estereotipados, que deturparam os objectivos da educação. As crianças têm de ser sempre vigiadas. A segurança impõe isso. Deixou-se chegar a insegurança e a ineficiência da justiça ao actual estado. Não usam o espaço público, a não ser em manifestações de manada, e para serem cool, sempre na perspectiva do pai, ou da mãe, ou de ambos se ainda estiverem casados. Depois a criança tem de ter sucesso. Ou seja, tem de vir a ter um percurso para ganhar muito dinheiro, para ter um muito bom carro, para exibir, uma muito boa casa, que na prática pouco usa, por só lá dormir, uma casa no Algarve, onde se esfalfa para lá chegar no seu muito bom carro, para voltar ainda mais cansado do que foi. E tem de ter uma parafernália de objectos eléctricos e electrónicos para exibir às visitas, mesmo que pouco proveito tire deles, e é quando os sabe manejar em pleno. E para alcançar esse sucesso tem de competir. Mesmo que não queira nem lhe apeteça. Tem de competir. Que é o que os paizinhos fazem com as suas crianças, competem com os outros pais. E competem na escola, na música, no ballet, na ginástica, na natação, na esgrima, no coro da igreja e na má educação. Competem. Não brincam. Sempre fechados em casa, onde são feitos prisioneiros da segurança, do conforto, e da competição. Têm tudo ao seu dispor para se poderem valorizar, no seu sucesso, lá em casa. Têm uma vida vazia de existência. Vivem um mundo virtual. Começam mal e acabam pior. Podem ganhar dinheiro, mas não se realizam. Podem ter sucesso, mas não passam de uns patifezinhos. E depois serão incapazes de se relacionarem de forma estável e não virtual. Irão sempre reproduzir, nos filhos, que entretanto terão no acaso, ou para fazerem parte do sucesso exibicionista, já no limite biológico para o fazerem, os mesmos modelos idiotas com que foram criados. Em cidades frias de humanismo, egoístas, onde só se pode subsistir na rua integrando um bando. Aqueles cujos pais não tiveram sucesso, ou dinheiro, esses estão mesmo na rua. Não competem, lutam. Têm de sobreviver. Para isso, lutam. Os de sucesso, egoístas, pouco lhes importam os da rua. Eles, formatados, vão tentar ter tudo. A qualquer preço. Carro, casa, filhos, posição, marido/mulher com influência e um par. No fundo, infelizes. Prisioneiros dum sistema que alimentam. Estragando uma sociedade que só podia evoluir com homens livres.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O PERIGO DA HISTÓRIA ÚNICA

AQUI

MEDINA CARREIRA DISSE TUDO, EM ENTREVISTA

O DR. Medina Carreira disse tudo o que havia para dizer sobre Portugal em meia hora. Está dito. Ponto final. Pode ver aqui, com calma, no site da RTP. Ouvir e analisar. Meditar sobre o assunto. Ninguém pode é ignorar o estado do país. Poder, até podem, mas depois não se queixem.

quinta-feira, 4 de março de 2010

NADA DE NOVO

Um excelente poema de uma boa amiga, datado de 1999. Já publicado no seu blog, O JARDIM DA ASPÁSIA.


CARTA @ AMIG@

Olá, Amig@, resolvi escrever-te
só para dizer... que não há nada de novo.

Olha, saí, meti-me no carro
e chegando ao semáforo seguinte
vi o mesmo pedinte
com que há anos deparo.
Dei-lhe uma moeda de vinte.

Na fila de trânsito,
vi as mesmas caras agressivas
por dentro dos vidros embaciados.
Sorrisos não vi, nem expressões vivas:
só olhares cansados.

Também quis entrar no café,
mas era tal a fumaça lá dentro
que achei melhor adiar o momento
e fugi dali a sete pés.

Deu-me para comprar o jornal,
mas também não sei para quê:
já ontem, na TV, disseram tudo igual.

Parece que o principal
é que caiu um avião no Mar do Norte.
Mas olha, tiveram sorte:
dos noventa só morreram vinte e tal,
incluindo um doente de Sida, por sinal,
a quem já tinham lido a sentença de morte.

Os pais do rapaz até deram graças
por ele ir de repente
e não o verem mais pela casa
a morrer lentamente.
Das famílias dos outros vinte e tal
é que não sei o que disseram,
não vinha no jornal,
talvez não tenha sido tão sensacional.

Como vês, vai tudo normal.

Passei ali pelos arredores
e lá estavam os arrumadores
à porta do Centro Comercial
a arrumarem os senhores doutores.
Também estavam uns ciganos vendedores
discutindo com eles um espaço vital
para estenderem no chão uns cobertores
onde exporem o material.
Mas apareceu um carro da polícia
e debandaram todos por igual.

Enfim, virão tempos melhores.

De saúde, olha, vou assim-assim,
uns dias pior, outros menos mal.
Que se há-de fazer? É fatal.

E assim cheguei ao fim.
Como vês, não há nada de especial.
Fica bem, ou, pelo menos, tu também, menos mal.

Beijinhos da

L.

(Leonor 1999)

quarta-feira, 3 de março de 2010

QUERIDA PÁTRIA

Um ex-combatente o escreveu. Está publicado aqui, no blog dos ex-combatentes da Guiné, e não só. Todos os ex-combatentes, estou certo, se revêem neste poema. E com mais certeza subscrevem o que ele expressa. A opinião sobre os políticos actuais é, de certeza absoluta, a mesma.


QUERIDA PÁTRIA

Ó meu querido País
Que tanto te tenho amado
Eu tanto por ti sofri
Só por ti eu ter lutado …

Querida Pátria Portuguesa
Dos tempos que por ti lutei
Passando fome e sede
E por ti também chorei …

Portugal minha Pátria
Que linda Bandeira é
Por ela também lutei
Fui para a guerra prá Guiné …

SANGUE SUOR E LÁGRIMAS
Sacrifícios sem igual
Gritos de raiva e de dor
Pra defender Portugal …

Sangue colorindo o chão
Tanto sangue derramado
Foi essa nossa missão
Por ter Portugal honrado …

Foi sangue nos combates
Lá na guerra derramado
Mas eu cumpri o que jurei
Pela Pátria ser Soldado …

Suor tanto suor
Em caminhadas a pé
Suor e tanto suor
Pela Pátria na Guiné …

Suor pelo clima
Naquele perigo então
Foi o sangue e o suor
Pra defender a Nação …

Lágrimas de sofrimento
Para a Pátria defender
Eram lágrimas de tristeza
Por camaradas morrer …

Lágrimas na juventude
Por nossa Pátria amar
Naquela guerra maldita
Lá naquele Ultramar …

Por ti Pátria lutei
E jurei por ti morrer
Como tantos camaradas
Na Guiné a combater …

Até fome eu passei
Sacrifícios sem igual
Com camaradas cantei
O Hino de Portugal …

Em matas eu caminhei
Em picadas percorri
Por ti Portugal lutei
Cansado não desisti …

Angola Guiné Moçambique
O sofrimento constante
Lutando por ti ó Pátria
E tu Pátria distante …

Dias e noites caminhei
No cacimbo e ao calor
Só Deus sabe o que passei
Lutei por ti com amor …

Por ti eu não tinha medo
Naquela guerra metido
Quando à Pátria regressei
Senti meu dever cumprido …

Naquela guerra metido
Rapazes da mesma idade
Foram anos que perdemos
Sem gozar a mocidade …

Hoje velhos combatentes
Cansados mas a combater
A Pátria nos desprezou
E só nos quer ver morrer …

Cansadinhos vamos vendo
Os heróis que na verdade
É quem anda a roubar
A matar e é cobarde …

Ó nossa Pátria querida
Não fomos heróis e lutámos
Com traumas hoje vivemos
Tristes mas ainda te amamos …

Hoje velhos combatentes
Temos Lutas a travar
Porque a Pátria que amamos
Essa nada nos quer dar …

Sucessivos governantes
Prometem e nada dão
Querem tudo para eles
São abutres da Nação …

Nesta Pátria os heróis
São os que jogam à bola
Que lutam pelo País
De calção e camisola …

Os heróis deste País
Com fortunas lá na terra
São heróis que jogam bola
E nós não fomos na guerra …

Nós não fomos heróis
Mas com bravura lutámos
Pela Pátria demos tudo
E traumatizados ficámos …

Nós não fomos heróis
Da guerra que não se esquece
A Pátria nada nos dá
A Pátria nem nos conhece …

Governantes que prometem
Só porque não nos quer ver
Sabem pois ser mentirosos
Não sabem o que é combater …

Não sabem o que é a guerra
Atacam bem de palavras
Não conhecem os heróis
E mesmo as espingardas …

Não vivemos em paz
E com a idade a avançar
Exigimos o que é nosso
Estamos sempre a lutar …

Nós que estamos cansados
Devíamos de descansar
E a Pátria que defendemos
Ela nos está a matar …

A Nossa familia sofre
Por nos ver a nós sofrer
A familia é a mesma
Que nos viu ir combater …

Estes nossos governantes
Que nos tentam iludir
Mandam outro para a guerra
Mas eram eles a ir …

Muitos de nós na miséria
Com ompostos a pagar
Para abutres do governo
Que ganham sem trabalhar …

Somos nós ex-combatentes
Camaradas da Nação
E os que não nos conhece
Sabem que temos razão …

Somos Nós deste País
Que mal nos tem tratado
ORGULHOSOS COMBATENTES
POR TER PORTUGAL HONRADO …

Albino Silva
Soldado Maqueiro
N.º 011004/67
CCS/BCaç 2845
GUINÉ 68/70
__________

domingo, 28 de fevereiro de 2010

TAL E QUAL, COMO SEMPRE, ONTEM E HOJE.

Não sei é se chega a amanhã. Transcrevo hoje um pequeno texto de Fernando Pessoa, O Fracasso, contido nas «Páginas de pensamento político, vol. I». Reflictam bem nele.


O FRACASSO
O observador imparcial chega a uma conclusão inevitável: o país estaria preparado para a anarquia; para a república é que não estava. Grandes são as virtudes [de] coesão nacional e de candura particular do povo português para que essa anarquia que está nas almas não tenha nunca verdadeiramente transbordado para as coisas!
Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos - porque estas contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos - tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regime a que, por contraste com a monarquia que o precedera, se decidiu chamar República.
A monarquia havia abusado das ditaduras; os republicanos passaram a legislar em ditadura, fazendo em ditadura as suas leis mais importantes, e nunca as submetendo a cortes constituintes, ou a qualquer espécie de cortes. A lei do divórcio, as leis de família, a lei de separação da Igreja do Estado - todas foram decretos ditatoriais, todas permanecem hoje, e ainda, decretos ditatoriais.
A monarquia havia desperdiçado, estúpida e imoralmente, os dinheiros públicos. O país, disse Dias Ferreira, era governado por quadrilhas de ladrões. E a república que veio multiplicou por qualquer coisa - concedamos generosamente que foi só por dois (e basta) - os escândalos financeiros da monarquia.
A monarquia, desagradando à Nação, e não saindo espontaneamente, criara um estado revolucionário. A república veio e criou dois ou três estados revolucionários. No tempo da monarquia, estava ela, a monarquia, de um lado; do outro estavam, juntos, de simples republicanos a anarquistas, os revolucionários todos. Sobrevinda a república, passaram a ser os republicanos revolucionários entre si, e os monárquicos depostos passaram a ser revolucionários também. A monarquia não conseguira resolver o problema da ordem; a república instituiu a desordem múltipla.
É alguém capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da República? Não melhorámos em administração financeira, não melhorámos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na monarquia era possível insultar por escrito impresso o Rei; na república não era possível, porque era perigoso, insultar até verbalmente o Sr. Afonso Costa.
(…)
Este regime é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos de seu o ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada, nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto que a república veia [a] ser.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A TRIPLA INCAPACIDADE

Não posso deixar de chamar a atenção para o "Documento de Grupo de Reflexão da SEDES: Estabilidade e crescimento 10-13" que pode ser aqui consultado na íntegra.
Dele este destaque meu:
A evolução, nos últimos anos, não deixa dúvidas. Efectivamente, o produto registou um crescimento anual médio de apenas de 0,3% (2001 a 2009); a dívida pública bruta aproxima-se dos 80% e a total, directa e indirecta, terá subido de 88% para 100% do PIB (de 2005 a 2009) e o endividamento externo líquido de 38% para 104% do PIB (entre 2000 e Junho de 2009); o nível de fiscalidade ronda já os 38% do PIB (2008), correspondendo-lhe um dos mais elevados esforços fiscais da União Europeia, para o nosso nível de desenvolvimento; a taxa de desemprego, da ordem dos 4% em 2000, situava-se nos 7% em 2005 e excede os 10% actualmente.

Estes indicadores reflectem a tripla incapacidade do nosso sistema político e social para: (1) compreender todas as consequências de viver sem moeda própria e em mercado único, com a perda dos instrumentos alfandegário, monetário e cambial de intervenção do Estado; (2) promover a criação de condições estruturais que permitam a adaptação da economia portuguesa às novas realidades de um mercado global, livre e altamente competitivo; (3) rever as políticas orçamentais que têm contribuído para a desaceleração do nosso crescimento económico na última década e a crescente dependência financeira.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

LIBERDADE, POR ONDE ANDAS?

Já por aqui temos focado o tema da liberdade de voto de deputados. Hoje encontrei, aqui, um blog novo, que abre com esse tema. Aguardemos pela evolução do blog.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O EURO RESISTIRÁ?

Tenho dúvidas. Assim como tenho muitas dúvidas, diria imensas dúvidas, sobre a viabilidade da Uníão Europeia. Sobretudo por causa da qualidade medíocre dos agentes políticos actuais. Não têm craveira intelectual, nem moral, para ousarem ter uma visão estruturada para conduzir a Europa, a União, numa senda correcta. Trancrevo aqui um trecho duma notícia do Diário Económico de hoje. Onde também citam Soros, que diz que o Euro vai ser posto à prova muito mais que a Grécia. Aqui o pequeno trecho:
A União Europeia foi criada colocando a carroça à frente dos bois: definindo objectivos e calendários limitados mas politicamente atingíveis, sabendo de antemão que não seriam suficientes e que, mais tarde ou mais cedo, exigiriam novos passos. Mas, por motivos vários, este processo acabaria por ser travado. A UE tal como se apresenta está agora inerte.

O mesmo se aplica ao euro. A crise de 2008 serviu para relembrar as falhas na sua construção, uma vez que os seus membros tiveram que salvar os seus respectivos sistemas bancários de forma independente. A crise da dívida grega veio a acentuar ainda mais o problema. Se os países membros não conseguirem dar os próximos passos em frente, então o euro pode desmoronar.

CEM ANOS DEPOIS. UM OLHAR LÚCIDO.

Do Jornal regional de Mafra, O CARRILHÃO, transcrevo o editorial de 15 .02.2010 da autoria de Isabel Vaz Antunes, de que gostei muito. Talvez o melhor texto, até à data, que li a propósito das comemorações do centenário. Tenho lido muito lixo com muita baboseiro. Sei do que falo.


CEM ANOS DEPOIS

No ano em que se contam cem anos sobre a implantação da república, muita tinta irá correr sobre essa fase da nossa história. O melhor cenário será o de alguma tranquilidade no registo dos factos. O pior cenário será o de discussões aguerridas por quem defende um regime contra o outro, como se estivéssemos a reviver esses acontecimentos.
Provavelmente teremos de concluir que o nosso rei não merecia ser assassinado. Primeiro, porque ninguém merece ser assassinado. E depois, porque não faltam informações sobre o alto nível da sua cultura, a sua delicadeza de artista e, o que é mais importante, a sua preocupação com o reino e as suas qualidades diplomáticas.
Provavelmente, teremos de concluir que as pessoas de que o rei se fez rodear para governar não o fizeram da melhor maneira – dirão um dia os historiadores se por se tratar de más escolhas ou se por as guerrinhas partidárias não permitirem coisa nenhuma.
Provavelmente, teremos de concluir também que o maior problema terá sido o facto de as diversas facções que lutaram pelo poder considerarem, muitas vezes, mais importante o partido do que o País. Só assim se explica que, em cerca de dezasseis anos (entre 1910 e 1926), tenha havido quarenta e cinco governos!
Provavelmente, os de alma republicana dirão que a coroa era uma despesa que o reino não tinha de suportar. E os de alma monárquica responderão que, em comparação com a coroa vizinha, a de Espanha, os gastos de pelo menos uma das presidências que tivemos, em deslocações, comitivas, recepções, foram muito, muito superiores.
Provavelmente, os de alma monárquica acrescentarão que o facto de haver uma monarquia permite que os herdeiros do trono sejam preparados desde o berço para o desempenho das suas funções. Que um rei está fora das guerras partidárias e, portanto, numa situação, naturalmente, mais propícia para que todos se revejam nele, o que não acontece com um presidente proposto por um partido. E os de alma republicana responderão que não, o povo é soberano, o povo tem de escolher e o lugar mais importante da nação não pode ser ocupado por uma pessoa que simplesmente foi bafejada pela sorte de nascer num determinado berço.
Enfim, provavelmente, os monárquicos que lerem este texto dirão que é notória aqui a defesa da república e os republicanos olharão desconfiados, pensando que um dia destes O Carrilhão sai a terreiro a defender um referendo para o povo se pronunciar sobre o regime de governação.
Mas bom, bom será se, independentemente das nossas convicções (que, a este respeito, muitos de nós teremos dificuldade em construir) tivermos a lucidez para aproveitar o que de melhor encontramos em cada regime para traçar o perfil dos governantes que queremos. Que os partidos recusem fabricar a promoção da mediocridade e apostem mais em ser escolas de políticas pela promoção de Portugal e menos, muito menos, dos partidos. Menos promoção pessoal e mais promoção de valores, em que a honestidade seja a rainha. Políticos menos dependentes dos partidos para fazerem carreira, que surjam nas listas pelas capacidades e qualidades demonstradas no desempenho das suas funções profissionais. E que sejam suficientemente desprendidos do poder para baterem com a porta quando a máquina partidária criar uma pressão que afecte a verticalidade das suas convicções.
O mundo, com todos os defeitos, está em processo de aperfeiçoamento. Aos poucos terá de ser. E cada um de nós tem uma fatia de responsabilidade nesse processo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ZONA EURO ESTÁ A PRAZO?

Ver aqui, no Público de hoje, uma interessante notícia a propósito do que George Soros, já várias vezes referenciado neste blog, disse no Finantial Times.
Destaco a parte final da notícia:

O questionamento da solidez da actual forma da zona euro não é no entanto um exclusivo de George Soros. Há dez dias, o banco de investimento suíço Société Générale lançou um alerta no mesmo sentido.

Num relatório do banco elaborado por um dos seus analistas de topo, afirmava-se que os países do Sul da Europa estão encurralados numa moeda sobreavaliada e sufocados pela sua baixa competitividade, uma situação que acabará por levar à cisão da zona do euro.

O analista em questão, Albert Edwards, dizia que o problema de países como a Portugal, a Espanha e Grécia “é que anos de taxas de juro desadequadamente baixas resultaram num sobreaquecimento e inflação rápida”, e que mesmo que os Governos “consigam cortar os seus défices orçamentais, a falta de competitividade no interior da zona euro necessita de anos de deflação relativa (e provavelmente absoluta). Qualquer ajuda dada à Grécia apenas atrasa a inevitável ruptura da zona euro”.

Na altura, a agência Bloomberg lembrava que em 1996 Edwards enfureceu os governos asiáticos, ao prever a derrocada das divisas de muitos países da região, e que de facto aconteceu um ano depois – no que ficou conhecido como a crise asiática.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

DEMOGRAFIA É A CHAVE DOS PROBLEMAS DA EUROPA

Já venho, há algum tempo, a referir-me à problemática da demografia. Convém recordar, aqui, o que por aqui se foi aludindo. E hoje acrescento este artigo do jornal regional de Castelo Branco, RECONQUISTA, de 28.01.2010, da autoria de Agostinho Gonçalves Dias. O futuro é sempre uma incógnita. Mas está estranho percepcionar a incógnita da equação.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

FERNANDO NOBRE À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Do blog “CAUSA MONÁRQUICA”, com a devida vénia, retirei duas passagens do post em que relatam a comunicação de Fernando Nobre, no Funchal, no III Congresso Nacional dos Economistas.


“Os números dizem 18% de pobres… Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforça e todos outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha…” disse ainda

“Quando oiço o patronato a dizer que o salário minimo não pode subir…. algum de nós viveria com 450 euros por mês? Há que redistribuir, diminuir as diferenças. Há 100 jovens licenciados a sair do país por mês, enfrentamos uma nova onda emigratória que é tabu falar. Muitos jovens perderam a esperança e estão à procura de novos horizontes… e com razão”, salientou Fernando Nobre.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

EL POPULISMO

Do excelente artigo “MADUROS PARA EL POPULISMO”, que devem ler aqui, de Maruja Torres, e publicado no EL PAÍS semanal de 14 de Fevereiro de 2010, apresento aquí duas passagens:

Pero me estoy liando porque hoy quería hablarles de las posibilidades que tiene nuestro país de elegir en fecha no demasiado lejana a un político populista, o lo que conocemos como populista, uno capaz de gobernar hala¬gando los bajos instintos de los votantes, cumpliendo promesas desastrosas pero llamativas, y actuando por lo general con la inte¬ligencia de un koala.
(…)
Nos hemos ido acostumbrando a la desaparición de la inteligencia y de la delicadeza en el discurso público. Las mentiras más burdas han endurecido nuestras entendederas Y se nos ha agriado el paladar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

HÁ TEXTOS CALADOS

Há um livro interessante de ler. Que não implica concordância com o autor. Mas que se deve ler com espírito crítico. E refiro-me aqui, e hoje, “ÀS MINHAS MEMÓRIAS DE SALAZAR” de Marcello Caetano. É muito interessante, e nada inédita, as suas impressões sobre Humberto Delgado. Nas páginas 254 e 255 da Edição da VERBO, 1977. A história do século XX ainda não está feita. Anda, por enquanto, a ser manipulada ao sabor dos interesses das correntes em voga. É preciso muita paciência de investigação para tirar a espuma da demagogia da superfície da verdade. Será preciso que não haja ninguém vivo dos nascidos antes de 1980 para que se possa fazer luz sobre essa parte da história de Portugal. Não sei se valerá a pena, nessa altura, pois Portugal deve estar, então, um estado muito exíguo e sem peso da historiografia portuguesa. Nada de anormal, pois tudo tende a ter um fim. No meu tempo de vida vi nascerem estados, desaparecerem outros, fundirem-se outros e desintegrarem-se ainda outros. É a dinâmica humana.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

VIVEMOS NUM MUNDO DE FICÇÃO

Recomendo a leitura deste post. Vale a pena reler.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

CIVISMO. A NOSSA DEBILIDADE

Não vou comentar o que se passa em Portugal. Anda por aí sobejamente documentado. E explicado. Há numerosos e bons conhecedores das questões em causa a opinar e a comentar. A crise é grave. E a falta de vergonha também. Poderia dizer que a actual situação de Portugal não faz sentido. Mas há o problema do deficit de civismo, de rigor público e de patriotismo dos portugueses. E é esse deficit que faz todo o sentido para o torpor do momento. No enquadramento actual a situação só pode piorar. Para melhorar era preciso dar uma volta radical à política, e nos políticos portugueses. Mas o tal deficit não tem capacidade para tal e, assim, inibe que os portugueses possam demonstrar que têm “tomates”. Já tiveram. Já. Mas hoje os portugueses já conjugam tudo no passado. Não têm futuro. Vivem do passado sem serem capazes de viabilizar um futuro. A ignorância e a iliteracia, conscientemente provocada e alimentada por todos os governos desde a década de 80, tem agora, e daqui para a frente, os seus resultados. Passar sem saber, equivalências de esmola, e professores já fruto destes resultados, só podia conduzir ao deficit. Não há luz ao fundo túnel. Nós nem temos túnel, pois o que temos é um poço.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

OPINAR, SÓ OPINAR.

Os novos tempos, que exigem uma nova definição de um conceito estratégico nacional, mas resistem a deixar ver os contornos dos desafies do futuro que nos visita, ou até já vive entre nós, todavia fizeram saber que os combatentes não são dispensáveis, e que as forças armadas continuam a ser exigidas para participar na implantação e manutenção da paz pelo direito.
Ninguém, no exercício das responsabilidades efectivas do poder político, no espaço europeu e fora dele, sabe com segurança dizer a respeito da nova ordem mundial nada de mais rigoroso do que opinar que acabou a antiga.
Da alocução do Prof. Adriano Moreira proferida aquando a inauguração do monumento aos combatentes. Este trecho, que aqui destaquei, considero-o uma das boas definições do conceito de geoestratégia.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O POVO PORTUGUÊS VAI MORRENDO

E já há muito tempo. De um blog muito interessante, dos ex-combatentes na Guiné, que os mais novos deveriam consultar para aprenderem, aqui, tirei a seguinte transcrição:
Não trouxeram o corpo do Viegas para Mansoa, meteram-no na urna e seguiu de barco para Bissau. Tenho sido eu a tratar das coisas dele, fui-lhe mexer na mala e fazer o espólio de todos os seus pertences para enviar à família. Possuía tão pouco, algumas quinquilharias e uma roupita tão pobre! O povo português vai morrendo, o nosso David foi apenas mais um.
Os ex-combatentes não foram bem ouvidos pelo país. E o país está hoje a pagar por isso. Claro que os políticos, jovens e ambiciosos, sem escrúpulos e sem convicções, não gostam dos ex-combatentes nem do que eles dizem. Nem querem saber do que eles sentem. Não percebem que os ex-combatentes sentem Portugal. Os soldados sempre lutaram para dar tempo e espaço à política, a fim de resolver os problemas. Infelizmente os políticos, ou por incompetência ou por má-fé, ou ainda por estupidez, não resolvem. Sobretudo sempre tem faltado aos políticos, em Portugal e não só, a visão estratégica e geoestratégica para as boas decisões pacíficas e de desenvolvimento. Que tem de ser global. Até lá, até se atingir esse patamar, continuará a haver guerras, má distribuição da riqueza e muito sofrimento para muitas populações. Melhores políticos necessitam-se para este planeta. E novos modelos. Este modelo de democracia que se quer impor e dinamizar por todo o lado já provou que, facilmente, fica nas mãos de corruptos e vigaristas. Que depois manipulam as regras da democracia a seu belo prazer e impunidade. É um bug deste modelo de democracia, que permite a falha da segurança das regras e, como consequência, a minagem a partir do seu âmago.
Do excelente blog dedicado a António Quadros, com link aí ao lado, remato com esta citação, de lá extraída, do post de 26/1/2010 :
Só o futuro tem realidade atêntica (sic), porque lhe fazemos face constantemente.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SERÁ QUE A ESPANHA ESTÁ PREPARADA PARA TOMAR CONTA DE PORTUGAL?

Pelo andar da carruagem vai-se tornar inevitável. Portugal vem demonstrando, ou seja, os portugueses, que é um país a tender para ser um estado falhado. É um país velho, já sem alma. É incapaz de se governar.
A pergunta é se a Espanha está preparada para tomar conta de Portugal. E se estiver, se o quererá. Acrescentar problemas aos que já tem não deve ser a ambição do momento. Embora seja uma saudosa ambição.
Quando o desastre se consumar não vai haver culpados. No fundo os portugueses são todos culpados. Por puro oportunismo e egoísmo, todos colaboraram para o desastre. E ainda continuam a forçar mais o escavar do buraco. Enquanto não acabarem com o que resta não descansam. E há grupos profissionais que contribuem bastante para o afundamento. Porque os outros deixam. Portugal já vive no estertor. É uma agonia lenta, que a todos vai atrofiando.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

ADOPÇÃO

Queria chamar a vossa atenção para um artigo, sobre este tema, de Rui Moreira, aqui, no JN de 16.01.2010. Discutível, mas muito interessante, e sobretudo sensato.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O PAÍS VAI FALIR

Na senda em que desliza é o resultado que se espera. Não é pessimismo. É realismo. E não vai haver culpados. É o óbvio.
Poderíamos perguntar pelo país. Mas esse é já muito velho. A alma portuguesa também já se extinguiu. Existem, aqui e ali, alguns cidadãos que ainda contêm na sua alma muitas partículas dessa alma portuguesa. Mas o seu número é reduzido e disperso para que chegue a fazer massa crítica em prol de obstar à extinção da alma portuguesa. Pelo que afirmo que já se extinguiu.
E quem são hoje os portugueses? São, não um povo, mas uma população imbecilizada. Que a ruralidade da década de 60 do século passado, que conheci bem, não era. Mas que a ruralidade urbana actual é. Esfumou-se a elite nacional. Diluiu-se a competência. Deu-se mérito à mediocridade. Eu vi ao longo de anos as pessoas transformarem-se em seres matreiros, manhosos, nada solidários e profundamente egoístas. São os portugueses de hoje. Em que cada um, ou cada grupo profissional da função pública, tenta sacar o máximo em tempo possível antes do estertor. Preferiram afundar o país. Sem nenhum pejo de consciência. Apoiaram corruptos e guindaram-nos ao poder na mira de também poderem esfolar algum. Apoiaram a corrupção como oportunistas que são, que foi no que a maioria dos portugueses se tornou. É essa maioria oportunista que condiciona o destino do país. Porque promove o poder. Todos seremos penalizados. Alguns já se terão defendido da penalização que aí vem. Mas nem todos puderam sacar dinheiro depositá-lo na Suiça, ou algo similar. Vai-se passar fome em Portugal. Ninguém tratou da defesa nacional. Agora já é tarde. Já estamos em agonia. Só se aguarda, e ao que parece alegremente, pelo último suspiro. E há quem vá comemorar uma república, para elogiar esta. Nem percebo o que é que vão festejar. Só se for a incompetência dos esbanjadores e a destruição do país.


Queria aqui deixar 2 citações:
1- A atenção fixada nos defeitos das eventuais virtudes não será a mais habilitada a avaliar os méritos dos programas, e seguramente não é a mais inspiradora da confiança sem a qual nenhum regime político funciona com equilíbrio e mobilização das vontades da sociedade civil.
(Adriano Moreira, no DN de 6 de Outubro de 2009, no artigo «A CONFIANÇA»)

2- O Governo é cada vez mais incapaz de compreender, quanto mais resolver, a situação nacional. A oposição revela-se inábil para apresentar alternativa credível. Os grupos de pressão fecham-se em egoísmo paralisante e envenenam a vida nacional. A classe política, degradada pela incapacidade da administração e da justiça, embrulha-se em mediocridade, dedicando-se a temas mesquinhos e abstrusos. Até a Europa anda sem rumo e o mundo, mergulhado na crise financeira, não consegue consensos cruciais.
Não admira o desânimo, desinteresse, cinismo dos cidadãos. As novas gerações queixam-se do sistema sem futuro que os pais criaram na revolução e que os condena ao emprego precário. Multiplicam-se as queixas, escândalos, intrigas, fúrias, desconfianças. Apela-se a um Salazar que venha pôr isto na ordem. Portugal está desanimado.
(João César das Neves, ontem no DN, no artigo «Portugal Desanimado»)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

CINTO APERTADO.

O José Eduardo Moniz estreia-se hoje, com um artigo de opinião, no "Diário Económico". Da estreia transcrevo aqui um trecho:
Nada que me faça pensar que o destino do País está em vias de mudar. Economia estagnada, desemprego confirmado acima dos 10%, défice a ultrapassar os 9% (de acordo com espíritos tolerantes na análise dos números), endividamento firme em valores comprometedores para o presente e o futuro. Em suma, dados que apontam para um retrato do qual a esperança se afasta, como um bem que nem tão cedo deixará de ser bastante escasso e que, portanto, permanece muito longe dos olhos e, mais ainda, dos corações.

Quantas gerações vão continuar a ter de viver com o cinto afivelado uns furos a menos do que aquilo que efectivamente seria suposto perante o real empobrecimento que mina Portugal e que tudo corrói? Os medíocres desempenhos de vários sectores industriais, os queixumes de largas faixas de comerciantes, as reclamações de muitas pequenas e médias empresas sobem de tom, de dia para dia, tornando mais evidente a falta de solidez e competitividade da nossa economia. Paira no ar a noção de que há um intransponível mar de problemas sem solução à vista e que ficará como herança para os nossos filhos e netos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

OUVIR A ANÁLISE SERENA

Este video vem do site, aqui, dedicado ao testemunho de Jiddu Krishnamurti. Quem não souber, peça para lhe traduzirem. Sobretudo reflictam sobre o que ele diz das sociedades. Especialmente quando ele diz que a crise não é política, nem económica, nem de guerra, mas é do mais profundo das nossas almas. Eu, corroborando-o, diria que a crise é de valores.

O QUE É QUE DAR LIBERDADE DE VOTO, OU NÃO, AOS DEPUTADOS TEM DE REPUBLICANO?

Expliquem. E se possível, bem. A tertúlia das comemorações da implantação da República devia dizer algo sobre este tema.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

VIVEM-SE TEMPOS DE OBSCURANTISMO

Os portugueses estão muito mais atentos a programas sobre futebol do que a programas sobre economia, finanças, ou mesmo sobre debates acerca do estado do país. O ensino projecta cada vez mais ignorância, e valida competências muito dúbias. Que cidadania temos, afinal? Com que eleitores conscientes contamos? E os políticos assim instruídos e eleitos servem para quê?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A INCAPACIDADE DO AUTO RECONHECIMENTO

Muita gente anseia ocupar cargos e desempenhar funções sem se aperceberem que não têm competências para tal, e nem qualidades formais e morais. E não se apercebem por incapacidade de auto avaliação, por formação deficiente, por educação transviada do correcto, por ambição imoral, por absorção de maus exemplos e associação de interesses duvidosos. O problema maior é que depois ocupam, mesmo, os cargos. Isso é o desastre do país.
O mundo gira sempre numa luta constante entre o caos e a ordem. Em Portugal ganha sempre o caos. Quando a ordem se instala é sempre muito dura.

domingo, 3 de janeiro de 2010

LEMBRAM-SE DO QUE ACONTECEU À BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA?

Já foi há uns séculos atrás. Mas parece que se vai assistir novamente a episódios semelhantes. O culto da ignorância está instalado.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

HOJE, AINDA, NENHUM POLÍTICO DISSE NENHUMA ASNEIRA

São aqui 14 horas. E os rapazes da política ainda não disseram parvoíces. É bom quando estão calados. Temo que quebrem o silêncio rapidamente e estraguem esta serenidade. Este ano Portugal vai celebrar a implantação da República. É de comemorar. Agora os rapazes da República é que não sei se têm algo para comemorar, devido ao comportamento que têm tido e ao esbanjamento que têm proporcionado. Compare-se bem a 1ª e a actual República. Desperdiçam, desperdiçam até ao insustentável. Prometem com o que não têm e frustram o futuro dos cidadãos. Navegamos de crise em crise até à exaustão do país. Um dia, nem estado exíguo será.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PROVINCIANISMO

Hoje gostaria que analisassem, já que estamos em final de ano, este texto do Fernando Pessoa, de 1932, e intitulado "O CASO MENTAL PORTUGUÊS". Encontra-se publicado em TEXTOS DE INTERVENÇÃO SOCIAL E CULTURAL, pela Europa-América. E depois de analisarem reflictam sobre o ano que vem e sobre o que nos espera. Gostaria de vos desejar, apesar de tudo, um BOM Ano Novo.



Se fosse preciso usar de uma só palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade, portuguesa, a palavra seria «provincianismo». Como todas as definições simples esta, que, é muito simples, precisa, depois de feita, de uma explicação complexa.
Darei essa explicação em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto é, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer país, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer país entende-se, sem dúvida, a mentalidade das três camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vi da mental - a camada baixa, a que é uso chamar povo; a camada média, a que não é uso chamar nada, excepto, neste caso, por engano, burguesia, e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor' compreensão, por élite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui ia em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás, que sejam sempre erradas. Por natureza, forma Q povo um bloco, onde não há mentalmente indivíduos; ia o pensamento é individual.
O que caracteriza a segunda camada que não é a burguesia, é a capacidade de reflectir, porém sem ideias próprias; de criticar, porém com ideias de outrem. Na classe média mental, o indivíduo, que mentalmente já existe, sabe já escolher - por ideias e não por instinto - entre duas ideias ou doutrinas que lhe apresentem; não sabe, porém, contrapor a ambas uma terceira, que seja própria. Quando, aqui e ali, neste ou naquele, fica uma opinião média entre duas doutrinas, isso não representa um cuidado crítico, mas uma hesitação mental.
O que caracteriza a terceira camada, o escol, é, como é de ver por contraste com as outras duas, a capacidade de criticar com ideias próprias. Importa, porém, notar que essas ideias próprias podem não ser fundamentais. O indivíduo do escol pode, por exemplo, aceitar inteiramente uma doutrina alheia; aceita-a, porém, criticamente, e, quando a defende, defende-a com argumentos seus - os que o levaram a aceitá-la - e não, como fará o mental da classe média, com os argumentos originais dos criadores ou expositores dessas doutrinas.
Esta divisão em camadas mentais, embora coincida em parte com a divisão em camadas sociais - económicas ou outras - não se ajusta exactamente a essa. Muita gente das aristocracias de história e de dinheiro pertence mentalmente ao povo. Bastantes operários, sobretudo das cidades, pertencem à classe média mental. Um homem de génio ou de talento, ainda que nascido de camponeses, pertence de nascença ao escol.
Quando, portanto, digo que a palavra: «provincianismo» define, sem outra que a condicione, o estado mental presente no povo português, digo que essa palavra «provincianismo», que mais adiante definirei, define a mentalidade do povo português em todas as três camadas que a compõem. Como, porém, a primeira e a segunda camadas mentais não podem por natureza ser superiores ao escol, basta que eu prove o provincianismo do nosso escol presente, para que fique provado o provincianismo mental da generalidade danação.
Os homens, desde que entre eles se levantou a ilusão ou realidade chamada civilização, passaram a viver, em relação a ela, de uma de três maneiras, que definirei por símbolos, dizendo que vivem ou como os campónios, ou como provincianos, ou como citadinos. Não se esqueça que trato de estados mentais e não geográficos, e que portanto o campónio ou o provinciano pode ter vivido sempre em cidade, e o citadino sempre no que lhe é natural desterro.
Ora a civilização consiste simplesmente na substituição do artificial ao natural no uso e correnteza da vida. Tudo quanto constitui a civilização, por mais natural que nos hoje pareça, são escrito, renegam a naturalidade original dos pés e da prosa falada.
A artificialidade, porém, é de dois tipos. Há aquela acumulada através das eras, e que, tendo-a já encontrado quando nascemos, achamos natural; e há aquela que todos os dias se vai acrescentando à primeira. A esta segunda é uso chamar "progresso» e dizer que é "moderno» o que vem dela. Ora o campónio, o provinciano e o citadino diferençam-se entre si pelas suas diferentes reacções a esta segunda artificia1idade.
O que chamei campónio sente violentamente a artificialidade do progresso; por isso se sente mal nele e com ele, e intimamente o detesta. Até das conveniências e das comodidades do progres¬so se serve constrangido, a ponto de, por vezes, e em desproveito próprio, se esquivar a servir-se delas. E o homem dos «bons tempos», entendendo-se por isso os da sua mocidade, se é já idoso, ou os da mocidade dos bisavós, se é simplesmente párvuo.
No pólo oposto, ó citadino não sente a artificialidade do progresso. Para ele é como se fosse natural. Serve-se do que é dele, portanto, sem constrangimento nem apreço. Por isso o não ama nem desama: é-lhe indiferente. Viveu sempre (física ou mentalmente) em grandes cidades; viu nascer, mudar e passar (real ou idealmente) as modas e a novidade das invenções; são pois para ele aspectos correntes, e por isso incolores, de uma coisa continuamente já sabida, como as pessoas com quem convivemos, ainda que de dia para dia sejam realmente diversas, são todavia para nós idealmente sempre as mesmas.
Situado mentalmente entre os dois, o provinciano sente, sim, a artificialidade do progresso, mas por isso mesmo o ama. Para o seu espírito deserto, mas incompletamente desperto, o artificial novo, que é o progresso, é atraente como novidade, mas ainda contido como artificial. E, porque é sentido simultaneamente como artificial é sentido como atraente, e é por artificial que é amado. O amor às grandes cidades, às novas modas, às «últimas novidades», é o característico distintivo do provinciano.
Se de aqui se concluir que a grande maioria da humanidade civilizada é composta de provincianos, ter-se-á concluído bem, porque assim é. Nas nações deveras civilizadas, o escol escapa, porém, em grande parte, e por sua mesma natureza, ao provincianismo. A tragédia mental de Portugal presente é que, como veremos, o nosso escol é estruturalmente provinciano.
Não se estabeleça, pois seria erro, analogia, por justaposição, entre as duas classificações, que se fizeram, de camadas e tipos mentais. A primeira, de sociologia estática, define estados mentais em si mesmos; a segunda, de sociologia dinâmica, define estados de adaptação mental ao ambiente. Há gente do povo mental que é citadina em suas relações com a civilização. Há gente do escol, e do melhor escol - homens de génio e de talento - , que é campónio nessas relações.
Pelas características indicadas como as do provinciano, imediatamente se verifica que a mentalidade dele tem uma semelhança perfeita com a da criança. A reacção do provinciano, às suas artificialidades, que são as novidades sociais, é igual à da criança às suas artificialidades, que são os brinquedos. Ambos as amam espontaneamente, e porque são artificiais.
Ora o que distingue a mentalidade da criança é, na inteligência, o espírito de imitação; na emoção, a vivacidade pobre; na vontade, a impulsividade incoordenada. São estes, portanto, os característicos que iremos achar no provinciano; fruto, na criança, da falta de desenvolvimento civilizacional, e assim ambos efeitos da mesma causa - a falta de desenvolvimento. A criança é, como o provinciano, um espírito desperto, mas incompletamente desperto.
São estes característicos que distinguirão o provinciano do campónio e do citadino. No campónio, semelhante ao animal, a imitação existe, mas à superfície, e não, como na criança e no provinciano, vinda do fundo da alma; a emoção é pobre, porém não é vivaz, pois é concentrada e não dispersa; a vontade, se de facto é impulsiva, tem contudo a coordenação fechada do instinto, que substitui na prática, salvo em matéria complexa, a coordenação aberta da razão. No citadino, semelhante ao homem adulto, não há imitação, mas aproveitamento dos exemplos alheios, e a isso se chama, quando prático, experiência, quando teórico, cultura; a emoção, ainda quando não seja vivaz, é contudo rica, porque complexa, e é complexa por ser complexo quem a terá; a vontade, filha da inteligência e não do impulso, é coordenada, tanto que, ainda quando faleça, falece coordenadamente, em propósitos frustes mas idealmente sistematizados.
Percorramos, olhando sem óculos de qualquer grau ou cor, a paisagem que nos apresentam as produções e improduções do nosso escol. Nelas verificaremos, pormenor a pormenor, aqueles característicos que vimos serem distintivos do provinciano.
Comecemos por não deixar de ver que o escol se compõe de duas camadas - os homens de inteligência, que formam a sua maioria, e os homens de génio e de talento, que formam a sua minoria, o escol do escol, por assim dizer. Aos primeiros exigimos espírito crítico; aos segundos exigimos originalidade, que é, em certo modo, um espírito crítico involuntário. Façamos pois incidir a análise que nos propusemos fazer, primeiro sobre o pequeno escol, que são os homens de génio e de talento, depois sobre grande escol.
Temos, é certo, alguns escritores e artistas que são homens de talento; se algum deles o é de génio, não sabemos, nem para o caso importa. Nesses, evidentemente, não se pode revelar em luto o espírito de imitação, pois isso importaria a ausência de originalidade, e esta a ausência de talento. Esses nossos escritores e artistas são, porém, originais uma só vez, que é a inevitável. Depois disso, não evoluem, não crescem; fixado esse primeiro momento, vivem parasitas de si mesmo, plagiando-se indefinidamente. A tal ponto isto é assim, que não há, por exemplo, poeta nosso presente - dos célebres, pelo menos - que não fique completamente lido quando incompletamente lido, em que a parte não seja igual ao todo. E se em um ou outro se nota, em certa altura, o que parece ser uma modificação da sua «maneira», a análise revelará que a modificação foi regressiva: o poeta ou perdeu a originalidade e assim ficou diferente pelo processo simples de ficar inferior, ou decidiu começar a imitar outros por impotência de progredir de dentro, ou resolveu, por cansaço, atrelar a carroça do seu estro ao burro de uma doutrina externa, como o catolicismo ou o internacionalismo. Descrevo abstractamente, mas os casos que descrevo são concretos; não preciso de explicar, porque não junto a cada exemplo o nome do indivíduo que mo fornece.
O mesmo provincianismo se nota na esfera da emoção. A pobreza, a monotonia da emoção nos nossos homens de talento literário e artístico, salta ao coração e confrange a inteligência. Emoção viva, sim, como aliás era de esperar, mas sempre a mesma, sempre simples, sempre simples emoção, sem auxílio crítico da inteligência ou da cultura, A ironia emotiva, a subtileza passional, a contradição no sentimento - não as encontrareis em nenhum dos nossos poetas emotivos, e são quase todos emotivos. Escrevem, em matéria do que sentem, como escreveria o pai Adão, se tivesse dado à humanidade, além do mau exemplo já sabido, o, ainda pior, de escrever.
A demonstração fica completa quando conduzimos a análise à região da vontade. Os nossos escritores e artistas são incapazes do meditar uma obra antes de a fazer, desconhecem o que seja a coordenação, pela vontade intelectual, dos elementos fornecidos emoção, não sabem o que é a disposição das matérias, ignoram que um poema, por exemplo, não é mais que uma carne de emoção cobrindo um esqueleto de raciocínio. Nenhuma capaci¬dade de atenção e concentração, nenhuma potência de esforço meditado, nenhuma faculdade de inibição, Escrevem ou artistam ao sabor da chamada «inspiração», que não é mais que um impulso complexo do subconsciente que cumpre sempre submeter, por uma aplicação centrípeta da vontade, à transmutação alquímica da consciência. Produzem como Deus é servido, e Deus fica mal servido. Não sei de poeta português de hoje que, construtivamente, seja de confiança para além do soneto.
Ora feitos estes reparos analíticos quanto ao estado mental nossos homens de talento, é inútil alongar este breve estudo, tratando com igual pormenor a maioria do escol. Se o escol do escol é assim, como não será o não escol do escol? Há, porém, um característico comum a ambos esses elementos da nossa camada mental superior, que aos dois irmana, e, irmanados, define: é a ausência de ideias gerais e, portanto, do espírito crítico e filosófico que provém de as ter. O nosso escol político não tem ideias excepto sobre política, e as que tem sobre politica são servilmente plagiadas do estrangeiro - aceites, não porque sejam boas, mas porque são francesas ou italianas, ou russas, ou o quer que seja. O nosso escol literário é ainda pior: nem sobre literatura tem ideias. Seria trágico, à força de deixar de ser cómico, o resultado de uma investigação sobre, por exemplo, as ideias dos nossos poetas célebres. Já não quero que se submetesse qualquer deles ao enxovalho de lhe perguntar o que é a filosofia de Kant ou a teoria da evolução. Bastaria submetê-lo ao enxovalho maior de lhe perguntar o que é o ritmo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

PÓSTUMOS NATAIS

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito


In “OBRA POÉTICA” de David Mourão-Ferreira

Todo o poema aqui

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O QUE É SIMPLES É INFINITAMENTE SUBTIL

Para mim existe uma realidade, uma imensa verdade viva; e para a compreender, tem que haver total simplicidade de pensamento. O que é simples é infinitamente subtil, o que é simples é muito delicado. Existe uma grande delicadeza, uma infinita subtileza e delicadeza, e se usarem as palavras apenas como um meio de chegar a essa delicadeza, a essa simplicidade de pensamento, então receio que não irão compreender o que quero transmitir. Mas se usarem o significado das palavras como uma ponte para atravessar, então as palavras não se tornarão uma ilusão na qual a mente se perde.


Jiddu Krishnamurti, Ojai, California, 10ª Palestra - 29 de Junho de 1934

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

QUAL A DISTÂNCIA QUE NOS SEPARA DA GRÉCIA?

Um facto interessante que observámos nos últimos dias foi o impacte que a percepção das dificuldades financeiras da Grécia teve no ambiente económico em Portugal e não só.
Para ler na íntegra, aqui o artigo CRIME E CASTIGO de João Ferreira do Amaral no Diário Económico.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

INSATISFAÇÃO

(…) A maior parte das pessoas no mundo está aprisionada numa espécie de insatisfação, e está constantemente à procura de satisfação. Isto é, a sua procura de satisfação é uma procura de um oposto. Ora a insatisfação, o descontentamento, surge do sentimento de vazio, do sentimento de solidão, de tédio, e quando têm esta insatisfação procuram preencher o vácuo, o vazio na vossa vida. Quando estão insatisfeitos estão constantemente à procura de algo que substitua isso que lhes causa insatisfação, algo que sirva de substituto, algo que lhes dê satisfação. Voltam-se para uma série de consecuções, uma série de sucessos, para preencher o vazio doloroso na vossa mente e no vosso coração. É isto o que a maior parte de vocês está a tentar fazer. Se houver medo, procuram coragem que esperam que lhes dê contentamento, felicidade.
Nesta procura do oposto, estão a ser destruídos sentimentos profundos. Estão a tornar-se cada vez mais superficiais, cada vez mais vazios, porque todo o vosso conceito de satisfação, de felicidade, é um conceito de substituição. O anseio, o desejo ardente da maior parte das pessoas é pelo oposto. No vosso desejo ardente de consecução perseguem ideais espirituais, ou procuram ter títulos mundanos conferidos, e ambos significam exactamente a mesma coisa. (…)

Jiddu Krishnamurti, A Arte de escutar, palestra a 1 de Janeiro de 1934 em Adyar

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

POR AQUI E POR ALI

O pessimismo que deriva da falta de perspectiva está a alastrar, perigosamente, na sociedade portuguesa. As pessoas estão confusas, sentem que vão de mal a pior, muitas estão desempregadas, as empresas em que trabalhavam fecharam, vivem de reduzidos subsídios e desistem de arregaçar as mangas e, com alguma imaginação, procurar novos trabalhos.
(…)
O pessimismo nacional, a renúncia de viver e de lutar, é assim uma doença que alastra na sociedade portuguesa, e que se vai tornando endémica, tanto nos grandes centros como nos campos e nas aldeias. Num passado recente, com uma abastança maior, embora artificial, porque veio de fora e dos fundos europeus, deu-se um amplo alargamento das classes médias - hoje a caminho, em muitos casos, da pauperização - que explica, em boa parte, este fenómeno
.

Mário Soares, in DN 15.12.2009

Os regimes políticos, com variações específicas, estão sempre num processo de tensão entre as promessas e os problemas suscitados pelo incumprimento, sendo que o valor da confiança, entre a população e as instâncias do poder, responde com variações que vão da sustentação do esforço ao total abandono do apoio. Os regimes democráticos vivem esse processo de uma maneira mais visível talvez porque a liberdade de expressão não consente a limitação das manifestações de discordância.
(...)
O FMI, descuidado de ter maneiras, desembaraçou-se a dar conselhos políticos, sem indicar o método. É tempo de o Conselho de Estado ser chamado a acompanhar o Presidente da República na avaliação da inquietante circunstância que envolve o Estado e a sociedade civil, e na definição da acção presidencial mais eficaz no sentido de evitar o progresso da erosão da harmonia e bom funcionamento dos órgãos de soberania, do bom desempenho dos aparelhos de intervenção, e da visível quebra da confiança pública.

Adriano Moreira, in DN 15.12.2009

As notícias sobre o crescente entendimento de que o único remédio para eliminar a ameaça das armas de destruição maciça é eliminar essas armas, admitindo com lucidez que nenhum poder é confiável no sentido de que as manterá apenas com intenção preventiva, são notícias animadoras. Designadamente porque a alegada função preventiva significa que serão eventualmente usadas logo que a prevenção se demonstre ineficaz, uma inquietação sempre presente nesta época de incerteza na qual nenhuma perspectiva é tranquilizante.
A dúvida mais presente em relação ao processo é a traduzida no comentário de Frederico da Prússia sobre os projectos de paz perpétua, ao lembrar que faltava apenas o acordo das potências. A dúvida prussiana continua nesta data agravada, não apenas pela falta de certeza da adesão dos Estados, mas também pela eventual intervenção dos cisnes negros, desafiadores de todas as racionalidades, agora na figura de poderes atípicos no exercício do terrorismo global, com a companhia de soberanias enlouquecidas pela indiferença entre conseguir impor os seus objectivos ou promover o desastre geral. A permanência da reserva prussiana, é tanto mais inquietante quanto é visível que, não obstante a já habitual insistência sobre as interdependências, a versão da capacidade de exercer o unilateralismo, com a inerente proeminência, anda recordada por todas as latitudes.


Adriano Moreira, in DN 01.12.2009


O PALHAÇO
Para ler na íntegra.

Mário Crespo, no JN de 14.12.2009


Nunca tirei uma foto com o Pai Natal

Aquiles, hoje.

Também não acredito que estes políticos que por aí pululam levem o país por bom caminho.

Aquiles, hoje
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sábado, 12 de dezembro de 2009

VAMPIROS. É PARA LÁ QUE ME REMETE A ACTUAL SITUAÇÃO

Cada vez mais este tema do Zeca Afonso, OS VAMPIROS, se adequa à corrupção generalizada que há em Portugal. Vejam aqui, e ao vivo, o Zeca a cantá-lo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

QUE O SALÁRIO MÍNIMO SEJA INFERIOR À PRESTAÇÃO DO RENDIMENTO DE INSERÇÃO SOCIAL É UM DESASTRE

É uma catástrofe esta inversão de valores. Quem trabalha recebe menos do que quem está em casa sem fazer nenhum. E além de não fazerem nada, pois não são obrigados a um serviço cívico, ainda desmoralizam quem trabalha. Um desempregado recebe muitas vezes um valor inferior a essa prestação do Rendimento de Inserção Social (RIS), antigo Rendimento Mínimo Garantido, mas tem a obrigação de procurar emprego. Há pensões de reforma, e muitas, que são muito inferiores à pensão do RIS. Isto é um escândalo. Uma pessoa trabalha uma vida, descontando para a segurança social por toda essa vida de trabalho, e recebe uma miséria face ao que recebe um pensionista do RIS, que se calhar nunca descontou nada. Os do RIS limitam-se a viver à conta dos que trabalham e a segurança social paga mais a estes do que aos trabalhadores que descontaram uma vida inteira. Há pessoas a despedirem-se dos empregos alegando que o RIS é mais compensador, pois não têm de pagar transportes e comem em casa. Nem vou aqui contar casos que conheço. Mas a injustiça do RIS está a provocar uma fractura na sociedade portuguesa. Há uma revolta grande em pagar impostos para serem esbanjados no RIS. Devo aqui reconhecer que o propósito que criou o RMG era salutar e prenhe de solidariedade, mas não passou de uma quimera pois a realidade não tem nada de solidariedade. Onde está a solidariedade para com os reformados? Para com os deficientes? E para com aqueles que trabalham? Que ainda têm de ouvir na ida para o trabalho o imbecil ocioso dizer: «É preciso que alguém trabalhe pra mim receber o rendimento mínimo». Que encorajamento e valor se dá ao trabalho? E que dizer daquela mãe (ou avó), que face a um atraso do vale do RIS não mandou os filhos para a escola, ameaçando que só o faria quando lhe pagassem?
Pergunto eu: temos de pagar impostos para os políticos esbanjarem, entre outras coisas, no RIS, fazendo-se passar por bonzinhos à custa do suor de quem, efectivamente, trabalha?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A IMPRENSA TAMBÉM CONTRIBUI PARA O MAL

Traduzo aqui um artigo de Elvira Lindo, publicado no EL PAÍS de 2 de Dezembro. O artigo decorre de uma detenção errada de um homem por assassínio e violação de uma enteada. E a origem do erro foi uma avaliação e análise errada de médicos.
Peço desculpa aos que aqui me lêem, e à autora, pela minha tradução do castelhano para português, embora julgue que está uma tradução fiel, apesar de livre.

A FURIA


Às vezes penso que temos entendido que a liberdade é esse direito que nos permite vociferar, assinalar um culpado e linchá-lo. Foi isso que ocorreu com o pobre homem que, por levar a sua enteada à escola, passou a entrar algemado numa esquadra.

Graças a uma falta de discrição em cadeia, dos médicos, da polícia, da justiça e dos média, reconhecemos nessa imagem o rosto do assassino, e a turba mais primitiva correu às portas do carro celular a desfrutar da execução moral. Como já não nos alimentamos para além das legendas de fotos e dos títulos, como já estamos a deixar de ler essa letra pequena em que se apreciam os matizes e as verdades, olhamos para o indivíduo e sentenciamo-lo: assassino, apodrece na prisão.


Falo no plural, sim, quero falar-lhes no plural, porque hoje mais do que nunca os periódicos constroem também os leitores, que podem participar activamente no fundo de uma notícia, e se até há dois dias os média digitais se inundavam de explosões implacáveis contra esse rapaz, ontem a culpabilidade era arremessada com a mesma intensa raiva contra a classe médica, a justiça, os média e o feminismo, ou «el hembrismo», como se lia ontem em várias dessas mensagens; uma expressão que me inquieta pelo que tem de fúria submersa. Não sei qual é o filtro que têm as opiniões dos leitores, sendo que às vezes me dá a impressão que nenhum. Sei, isso sim, que o filtro que tenho quando escrevo se chama educação.


Desejaria que o imperdoável erro cometido contra um inocente venha a servir para conter a ira, porque escrever uma mensagem num média digital deveria ser algo importante. Em alguns países a publicação de uma carta pode incluir um currículo profissional, e é prestigioso para um periódico que as cartas tenham elevação. Ontem, as únicas cartas memoráveis foram as que se limitaram a pedir perdão.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

PORTUGAL VAI FALIR?

Há essa possibilidade no horizonte. Iniciei este blog com um texto onde está inserida a frase que dá mote a este mesmo blog: «Esta mistura explosiva de ignorância e poder ainda nos vai rebentar na cara». É esta sentença que elucida o Portugal actual. Se os portugueses não sabem escolher nem fomentar elites, produzirão o colapso do país. E já têm pouco tempo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O MAIOR POLUIDOR É A GANÂNCIA.

Li esta frase num filme. Faz bastante sentido. Este país só se justifica à luz da ganância que tomou conta de gerações. Que se traíram. Que corromperam os seus ideais. Quem são os portugueses? Que querem hoje? Há aquele já célebre artigo de Prado Coelho, dos últimos que escreveu, em que caracteriza bem os portugueses. Mas o que fizemos, todos, para aqui nos acantonar? Ou melhor, o que não fizemos? Sobretudo não temos feito. Sujeitos ao caciquismo e à imbecilização dos partidos, de forma voluntária, protagonizada pelas várias vertentes das instituições do estado, os portugueses encontram-se imersos na sua própria inércia. Fim à vista? Não. Vai-se incrementar o desastre. A nossa capacidade de mergulhar no desastre não tem fundo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

POLÍTICAS FURTIVAS

Mas a intervenção efectiva no exercício da responsabilidade de governar já exige que a sociedade civil chamada ao exercício tenha existência, para que o alívio de responsabilidades exclusivas dos governantes não se traduza numa versão agravada do abandono delas. Ignorar que uma parcela importante da população europeia não corresponde ao conceito de sociedade civil, mas antes mais corresponde ao conceito de multidão, não é seguramente o melhor dos pontos de partida para organizar uma governança complexa, tão complexa quanto aos problemas assumidos, quanto complexa em relação aos futuros apenas pressentidos.
(...)
Parece mais realista assumir que, nesta entrada do milénio, em catástrofe de governança mundial, a responsabilidade das estruturas políticas europeias, praticantes tradicionais da política furtiva, ainda não se defronta com uma sociedade civil europeia assumida, e que sem o abandono das políticas furtivas essa consciência tardará a ser consolidada.
Prof. Adriano Moreira, no DN de 13.10.2009

COMO EU BEM DIZIA

O que as pessoas querem é emprego na função pública. E as câmaras municipais devem servir para empregar as pessoas. A fazer o quê é que é irrelevante. Oiçam bem aqui, depois dos 15 minutos, o que diz a primeira entrevistada. E cito: “ Estacou. Não houve nada. Não houve empregos novos, não houve gente nova para a Câmara, não houve nada.” As pessoas por cá vêm as câmaras como empregadoras, as grandes empregadoras. Ninguém fala em empresas e em criar riqueza. Quem paga também não interessa. A verdade é que os concelhos definham economicamente. O que em alguns casos coincide com o definhar global da ilha.

sábado, 10 de outubro de 2009

SÓ SE PEDE EMPREGO?

Tenho-me apercebido que os portugueses, quando inquiridos por jornais, rádios ou televisões, a propósito do estado do país e de medidas necessárias para combater o impasse do país, só se referem à necessidade de empregos. Nem uma palavra sobre a necessidade de empresas, de produzir e criar riqueza. Isso passa-lhes completamente ao lado. E não se referem a trabalho. Essa palavra não usam. A questão é mais emprego. Ora isso de emprego é função pública. O que os portugueses querem é estarem empregados na função pública, arrumadinhos e descansadinhos. Como é que isso se paga é, para eles, irrelevante. A preocupação de criar riqueza para redistribuir é irrelevante. Os portugueses julgam que vão viver de maná. Vão ter uma surpresa arrepiante. E ainda vão ser enxotados da União Europeia. Ainda se vai chorar muita lágrima amarga.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A SOMBRA DO PRAZER

Compreender o prazer não significa negá-lo. Não o estamos condenando ou dizendo que é bom ou mau, mas, se o cultivamos, façamo-lo de olhos abertos, sabendo que a mente que está sempre a buscar o prazer encontrará inevitavelmente a sua sombra - a dor. As duas coisas não podem ser separadas, embora busquemos o prazer e procuremos evitar a dor.
Jiddu Krishnamurti, in "Liberte-se do Passado".

domingo, 4 de outubro de 2009

O RESPEITO PELO OUTRO É A PAZ

Ontem revi o filme «SUA EXCELÊNCIA», do Mário Moreno, vulgo Cantiflas, que passou na RTP Memória. Tinha-o visto com 14 anos. Achei na época que era um bom filme. Continuo a achá-lo um bom filme. Se puderem vejam esse filme. E atentem bem no discurso final na Assembleia feito pelo Cantiflas. Sempre actual até hoje.

sábado, 26 de setembro de 2009

ANTES DE VOTAREM VEJAM BEM ISTO

Entrevista ao DR. Medina Carreira, aqui. Depois de votarem podem continuar a ver, meditar e ruminar, se for caso disso, por ter votado mal.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ESPERANÇA NO FUTURO. A LUTA TENAZ DOS JOVENS.

Os jovens de todo o mundo têm de lutar pela existência de esperança para o futuro. Eles têm de lutar. Não podem ser os de mais de 45 anos a falar-lhes de esperança. E não o podem porque retiraram a esperança a todos, traindo os ideais porque lutaram na juventude. Estas gerações do pós-guerra perderam, algures no seu percurso, todas as referências de solidariedade e despiram-se de valores. O objectivo único é a cupidez. Não importa como nem à custa de quem. Tão obcecados ficaram em ganhar dinheiro que é, para eles, irrelevante os princípios que atropelam, as pessoas que machucam e a natureza que destroem. Refiro-me sobretudo ao mundo ocidental e cristão. Que, infelizmente, os outros mundos tenderam a copiar. Hoje, essa geração obcecada pelo dinheiro, educa (ou nem sequer educa nada) os filhos no objectivo do ter mais, muito mais. As crianças tornam-se estúpidas, e muito mal criadas, em função de ter um telemóvel, um jogo de vídeo, roupa ou calçado de muito boa marca. Sem se aperceberem das vítimas que os fabricam, das suas condições de vida. E depois são os consumos concorrenciais.

Os jovens têm de lutar contra as gerações mais velhas que lhes degradaram o caminho. Têm de se entender com valores que os mais velhos já não respeitam. Têm de buscar a razão de se adquirir esperança. Têm de ser a integridade na política e consubstanciar os novos paradigmas. Indigo. Um dia tem-se de responder ao que se fez com os dons. Comecem desde já a responder com eles. Dar de beber a quem tem sede, de comer a quem tem fome, agasalhar quem tem frio. Isto é o básico. Mas há muito mais para dar e partilhar. Amor, compreensão, tolerância e tempo. Mas, sobretudo, não tirem. A água aos rios, a terra aos campos e a subsistência. E se não tiram, também não ponham lá sujidade nem outra destruição ambiental. Lutem pela harmonia geral com a natureza. Que fizeste com os teus dons? Responde diariamente a esta questão. Não copies a “civilização” dos mais velhos. Está nua de valores e, infelizmente, só respeitam o egoísmo. Luta pela esperança num mundo melhor. Repararás que muitos dos mais velhos baixaram os braços. Cansados de lutar. Ainda têm valores, mas não têm forças para os impor. Acantonaram-se. Têm medo. Do seu escasso futuro. E andam envergonhados por terem perdido os ideais. Algures embrulharam-se nas ilusões do egoísmo e deixaram de lutar. Quem não luta, morre. Se não fisicamente, morre animicamente. E vegetam por aí com medos, muitos medos, sem nunca terem perguntado a si próprios o que fizeram com os dons. Simples pergunta, da qual ainda têm mais medo.

Jovem, luta. Por ti e por todos. A esperança no futuro está na tua luta.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

MEDINA CARREIRA - O LIVRO

Deve ter sido lançado ontem o livro de crónicas e outros textos do Dr. Medina Carreira. Todo o eleitor devia ser obrigado a ler. Para ver se se consegue meter alguma coisa de útil na cabeça dos portugueses. Eu julgo que com tanta certificação de competências e equivalências, não há possibilidades de entrar nada de jeito. Paciência. A factura está passada. Todos a vamos pagar. Não todos. Os que levaram Portugal ao estado miserável em que se encontra, falido, não vão pagar nada. Antes pelo contrário, pois já se isentaram e precaveram contra os desaires que provocaram e geraram.
Já agora leiam a entrevista do Dr. Carreira que saiu na última VISÃO

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

DEPOIS DOS DEBATES DIGA NÃO À ABSTENÇÃO. VOTE EM BRANCO.

Depois do que viram e ouviram não vos resta alternativa. Combata a abstenção. Vote em branco. Não passe é cheques em branco. O país não merece que viabilizem estes políticos. Se estiveram atentos viram o que valem e para que se aprestam. É um problema vosso. Depois não se venham queixar sobre a asneira que praticaram. São vocês os culpados, não os políticos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

SOLIDARIEDADE SEM FRATERNIDADE É UMA TRETA

Julgo que nem é preciso explicar o porquê. É uma solidariedade inútil. A fraternidade é a solução para a solidariedade. Mas é claro que nesta civilização de egoísmos a fraternidade é elemento ausente.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

INUTILIDADES

The Moscow summit between U.S. President Barack Obama, Russian President Dmitri Medvedev and Russian Prime Minister Vladimir Putin has ended. As is almost always the case, the atmospherics were good, with the proper things said on all sides and statements and gestures of deep sincerity made. And as with all summits, those atmospherics are like the air: insubstantial and ultimately invisible. While there were indications of substantial movement, you would have needed a microscope to see them.
George Friedman, in STRATFOR de 7.07.09

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

LIDERANÇAS CONFIÁVEIS

A falta destas lideranças é o drama actual da democracia. O sistema democrático ficou preso, pela sua tolerância, nas mãos de pessoas pouco recomendáveis, sem escrúpulos e sem ética. Políticos profissionais só significa inúteis que chulam o sistema, logo corrompem-se.
O que fazer? Corrê-los do cenário. Como? Ousem não ser invejosos nem permissivos ao dinheiro que eles ganham com a corrupção. Ousem ser cidadãos íntegros. Se o não quiserem ser também não se queixem. Mantenham-se coniventes com esta deterioração. Mas tomem boa nota que o país não vai aguentar eternamente. Está velho e pode ir-se com uma crise aguda.

domingo, 16 de agosto de 2009

OS PORTUGUESES SÃO TENDENCIALMENTE CORRUPTOS

Os portugueses são refilões e maldizentes. Sobretudo dizem mal dos colegas e dos amigos. Tudo fruto da inveja comezinha, essa instituição nacional. Mas adoram criticar, apontar e dizer mal dos políticos, dos que eles acham que dominam o poder. Acusam-nos das piores tropelias de corrupção e roubo, normalmente tendo razão, mas não os penalizam por isso, nem sequer lhes acenam com uma reprovação moral de conduta. E não o fazem porque acham que quem está no poder deve ser corrupto, pelo que só têm inveja e pena de não serem eles a terem essa oportunidade. Os portugueses apreciam aqueles que conseguem “subir a pulso” vigarizando tudo e todos, só lamentando que não tenham tido o engenho e a arte de também poderem vigarizar e enriquecer como os ídolos que apreciam e invejam. Mas que maldizem. Potencialmente os portugueses, duma maneira geral, são tendencialmente corruptos. Falta-lhes a quase todos o engenho e a oportunidade. Dirão sempre mal, e de forma constante, até terem a oportunidade de também serem corruptos. Como a maioria não tem essa oportunidade, refilarão, com raiva e inveja, que os consumirá, bem como ao seu empenho em melhorar, até à cova. Os portugueses são despidos de civismo. Estão sempre prontos a espezinhar o próximo, nem que seja para tirar uma vantagem medíocre. E odeiam, por inveja, quem se destaca pela competência e qualidade. Foi com essa percepção que Camões encerrou “Os Lusíadas”. E julgo que o fez desiludido com a pátria, com os compatriotas. Os que actualmente elegem agentes políticos corruptos, fazendo-o de forma consciente e com má actuação cívica, na mira de assim tirarem dividendos em seu proveito. Ignorantes e iludidos para assim pensarem e agirem. São uns trastes e tolos. Não são só os maus agentes políticos que são culpados do país caminhar para a miséria e exiguidade. Os portugueses que sustentam a sua permanência nas instâncias de poder são ainda mais culpados. Burros, invejosos, pouco laboriosos e propensos a esquemas de corrupção e vigarice, que geralmente praticam em pequena escala no dia a dia, imitando aqueles que invejam e admiram na grande corrupção e roubo, são os portugueses de hoje. Pouco sérios, oportunistas, chico-espertos e vigaristas menores. O país com gente desta não tem futuro viável.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

OIÇAM BEM O DR. MEDINA CARREIRA

Aqui mesmo. Mais claro que isto é impossível. Não sei o que é que mais falta aos portugueses para perceberem. Se calhar só mesmo a capacidade para perceberem. É muita equivalência, pelo que são incapazes de lá chegar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

IMPUNIDADE

Os partidos teimam em fazer vista grossa à ética, faltando-lhes coragem para pôr cobro a práticas de impunidade. Foi o que disse o Marques Mendes no Sol do passado Sábado

A ACTIVIDADE DA PROSTITUIÇÃO NÃO PODE SER RECONHECIDA COMO UMA MAIS VALIA PARA EQUIPARAÇÃO COM O 12º ANO?

Sim. Se se valoriza qualquer competência para se atribuir a equivalência ao 12º ano, porque não aceitar o exercício continuado dessa actividade, com formação continua e constante ao longo da vida, para uma valência pessoal que corresponda à equivalência do 12º ano? Eu refiro-me em exclusiva às prostitutas. As putas em Portugal são todas putas-finas, licenciadissimas e promotoras das carreiras dos maridos, os doutores da nossa vida. Mas sem valências. Enquanto as prostitutas valem bastante, têm valência.

domingo, 2 de agosto de 2009

POBREZA, RIQUEZA, BEM-ME-QUER, MAL-ME-QUER

“A grande pobreza nacional está aí. Está no facto de cada português possuir um reduzidíssimo coeficiente de qualificação humana e de predominar um nível de cultura geral que permite encontrar auditório para concepções como a da inevitabilidade da miséria. É nos homens que está actualmente a pobreza do País, e é neles também que está a sua riqueza virtual.”
António José Saraiva, in "Dicionário Crítico".

sexta-feira, 31 de julho de 2009

SOMOS CRIATIVOS A EXCLUIR, MAS INÁBEIS A INCLUIR.

In o "Vendedor de Sonhos" de Augusto Cury.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

AMADORISMO

Pois, é isso o que mais se vê por aí. E compadrio, daquele mafioso. A mistura perfeita para resultar em incompetência. Por isso não sei porque que é que os cidadãos andam por aí a admirarem-se com o que acontece (mal). E estupefactos pelo que não acontece bem. Lerdos e acomodados, os cidadãos permitiram que eles se instalassem, pelo que só lhes resta desinstalá-los. Ou continuarem acomodados e ficando estupefactos, dia após dia, aconchegados no sofázinho. Ah! Aquela televisão entorpecente.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

DIGA NÃO À ABSTENÇÃO. VOTE EM BRANCO

Não se abstenha. Expresse a sua opinião de forma democrática. Vote em branco. Não tem ninguém em que valha a pena votar, vote em branco. Se votarmos em branco expressamos oficialmente o que achamos dessa gentinha que ocupa os lugares da militância partidária e da administração pública.
Faça campanha pelo voto em branco.

sábado, 18 de julho de 2009

AS ANGÚSTIAS DO MUNDO ISLÂMICO


Eu penso que o mundo islâmico tem as suas razões para reagir contra o mundo ocidental. Sente-se ameaçado. Não belicamente. Não é isso que temem. O que temem é a ausência de valores que inunda hoje o mundo ocidental. Os comportamentos das sociedades no ocidente. As juventudes desnorteadas e à deriva. O âmago da família atingido. E a divulgação disto tudo, de forma agressiva, pelos meios de comunicação. É o que os ameaça, a falta de valores, e que temem que os atinja no seu seio. Por isso reagem. Mal. Mas reagem. Nada obriga a que uma reacção seja obrigatoriamente boa. Mas temem, e muito, que a falta de valores os conspurque. As sociedades, na esteia do post anterior, teriam de saber lidar com estes problemas. As sociedades, mas sem deixar intervir os políticos, pois, actualmente, são gente despida de valores, logo não confiável. Analisem bem a decadência de Roma. Está lá tudo. O politicamente correcto, e de forma snob aceite, não é um padrão que o mundo islâmico acate de ânimo leve. E voltaremos aqui, ao tema, pela demografia.

terça-feira, 7 de julho de 2009

APENAS INCREMENTARÃO A LUTA

Amigos, penso que cada um de nós está aprisionado seja num problema religioso seja numa luta social ou num conflito económico. Cada um de nós está a sofrer pela falta de compreensão destes variados problemas, e tentamos resolver cada um deles por si; isto é, se têm um problema religioso, pensam que o vão resolver pondo de lado o problema económico ou social e centrando-se inteiramente no problema religioso, ou se têm um problema económico pensam que vão resolver esse problema económico limitando-se inteiramente a esse conflito específico. Ao passo que eu digo que não podem resolver estes problemas por si sós; não podem resolver o problema religioso por si só, nem o problema económico nem o problema social, a menos que vejam a interrelação entre os problemas religiosos, sociais e económicos.
Aquilo a que chamamos problemas são meramente sintomas, que aumentam e se multiplicam porque não agarramos a vida toda como uma coisa só, mas dividimo-la em problemas económicos, sociais ou religiosos. Se olharem para todas as variadas soluções que são oferecidas para os vários padecimentos, verão que lidam com os problemas em separado, em compartimentos estanques, e não tomam os problemas religiosos, sociais e económicos compreensivamente como um todo. Ora é minha intenção mostrar que enquanto lidarmos com estes problemas em separado apenas aumentamos o desentendimento, e portanto o conflito, e desse modo o sofrimento e a dor; até que lidemos com o problema social e com os problemas religiosos e económicos como um todo compreensivo, não dividido, mas de preferência vendo a ligação delicada e subtil entre aquilo que chamamos problemas religiosos, sociais ou económicos – até que vejam esta ligação real, esta ligação íntima e subtil entre os três, seja qual for o problema que possam ter, não o vão resolver. Apenas incrementarão a luta. Embora possamos pensar que resolvemos um problema, esse problema surge novamente de uma forma diferente, e assim vamos através da vida resolvendo problema após problema, luta após luta, sem compreender totalmente o pleno significado do nosso viver.
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Jiddu Krishnamurti
Auckland, Nova Zelândia - 1ª palestra 28 de Março, 1934. Do site que já citei anteriormente.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

TENHO VISTO MAIS MISÉRIA DO QUE NUNCA

A minha afilhada Ana, que é uma alma boa e generosa, pura e cândida, escreveu-me da Argentina, onde está a fazer um ano lectivo da sua licenciatura numa versão parecida com o Erasmus, a relatar-me uma sua experiência. Deixo-vos o relato. Puro. Como ela.

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http://www.untechoparamipais.org.ar/espanol/index.php
É no que ando metida este ano.

Tenho visto mais miséria do que nunca, mas vejo também uma enorme vontade de vida. Continuo a achar o mesmo, que a pobreza e desgraça não são tudo o que devemos ver, apesar de ás vezes ser tão chocante que quase nos cega. Mas nestas mesmas realidades existe a enorme esperança e vontade de viver daqueles que não têm quase nada, isso também deve ser visto e, do meu ponto de vista, esse deverá ser o grande ensinamento que devemos levar para o nosso quotidiano.

Este ano tenho visto muita coisa horrível. Poderia levar daqui uma revolta contra a forma como vivemos, a forma como se faz e discute politica sem se falar daqueles que continuam sem ter onde morar, das crianças que continuam sem ir a escola, das famílias que nem sempre têm o que comer.

Mas esta organização mostra-me mais que isso, mais que o esquecimento da sociedade, mais do que a desgraça destas pessoas. Mostra que jovens por toda a América latina acreditam num futuro melhor, mostram as famílias que não desistem.

Construir uma casa de raiz foi algo incrível: cavar, por estacas no chão, levantar paredes e fazer um tecto. Trabalhar com as mãos e saber o peso das coisas. Mas foi mais que tudo isto.
Ao ser recebida no seio de uma família, e juntos construir a sua casa, pude falar sobre as diferentes realidades em que vivemos. O estado em que vivem é triste. São imigrantes, moram entre dois bairros sociais, uma estação de tratamento de gás e um campo de tiro. Ele é cantoneiro, trabalha noites inteiras para receber dois euros, ela toma conta de uma senhora idosa e ganha pouco mais que isto ao dia. Têm filhos.
Apesar de nem sempre terem o que comer e de, durante as obras, levarmos a nossa própria comida, fizeram pratos típicos dos seus países, ofereceram tudo o que tinham em casa. Depois do segundo dia com eles, criou-se um enorme carinho, que ganhamos entre todos, e abateu-se uma tristeza sobre os voluntários. Como é possível que se viva assim? Como é que é termos tanto e eles tão pouco? E foi a própria família que nos animou, mostrou a felicidade de estarem juntos, de apesar de que tudo nas suas vidas ser difícil, que conseguem sempre alimentar os seus filhos, que quando tudo parece pior aparecem pessoas como nós que os ajudam. Não nos olhavam com despeito, apontavam para nós como exemplos que os seus filhos deveriam seguir.
A Esther e o Helder continuam a sorrir, cantar e a contar aquele momento em que os conhecemos como uma coisa positiva.

Aquela miséria pode-me marcar, mas a marca dos sorrisos daquela gente por ter um tecto marcou-me mais!

Depois disto voltamos ao mesmo bairro para construir mais casas, pintar as que já construímos, começar actividades de apoio à comunidade, e em tudo isto tivemos a colaboração de todos os que ajudamos da primeira vez.

Continuo a achar que a miséria não é um fim. É um início.

Sei que é importante que alguém discuta economia e politica. Que alguns de nós têm de governar países e que isto é mais abrangente que o individuo que parece esquecido. A mim continua a interessar-me mais a vida de uma ou duas famílias que conheço, pois o que me mostram continua a ser mais relevante. Todos têm um papel igualmente importante na sociedade em que vivemos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

UNE NOUVELLE FAÇON DE PENSER LE MONDE

Ela [a Europa] tinha igualmente sucumbido aos furores do mundo da técnica, à voracidade do «Progresso». A agressão feita à Natureza para a pilhar e a explorar para lá de toda a razoabilidade terá mais tarde as consequências. É uma tragédia que se confunde com a história do Ocidente moderno. Viu-se os efeitos desse excesso durante as duas guerras mundiais. Vêm-se actualmente na colocação em perigo do planeta, submetido à ideologia do crescimento.
(Tradução minha, e muito livre.)

Do Editorial de «LA NOUVELLE REVUE D’HISTOIRE», Nº 42 DE 2009, por Dominique Venner.

Que nos remete para Hervé Juvin, «Produire le Monde. Pour une croissance écologique, Le Débat.» 2008.

O editorial termina assim:
Perspectives [do ensaio de Juvin] qui impliquent le primat du collectif sur líndividuel et la soumission de l´économie au politique, autant dire une revolution intellectuelle majeure. Le but n’ étant plus de percer les secrets de la Nature pour l’ asservir, mais pour la sauver. Et nous avec.