domingo, 8 de outubro de 2006

ATÉ QUE ENFIM.UM BOM ARTIGO QUE PÕE O DEDO NA TECLA CERTA SOBRE A PROBLEMÁTICA DA POLÍCIA

Aqui deixo o artigo, na integra, publicado no Correio dos Açores de 07.10.2006

«CARLOS A. C.CÉSAR

Credibilizar as forças de segurança

Na cidade do Porto, cerca da uma da madrugada, uma brigada da Guarda Nacional Republicana manda parar um veículo automóvel com quatro jovens que, desobedecendo à ordem, iniciam a fuga em alta velocidade, não respei­tando regras nem sinais de trânsito, pondo em perigo outros condutores e pessoas. A fuga terminou dez quilómetros à frente e meia hora depois, após disparos de intimidação efectuados aos pneus do veículo por um dos Guardas que, infelizmente, naquelas condições, e à velocidade em que circulavam, fa­lharam, atingindo mortalmente um dos ocupantes.
Posteriormente, soube-se que a fuga foi motivada por terem ingerido álcool e por falta de seguro da viatura. Todos já eram conhecidos da polícia por estarem ligados a diversas situações desde tráfico de droga, furtos e roubos.
Foi chocante a morte do jovem. Mas também não podemos deixar de registar aqui a forma indigna como foi tratado o Guarda; recebendo ordem de prisão, in­diciado por homicídio simples com dolo eventual. Tratando-se de um jovem de 26 anos, enquanto militar do Exército, cumpriu missões na Bósnia e em Timor. Como Guarda é considerado e respei­tado pelos colegas, certamente que não queria ter na sua folha de serviços esta mancha. Actuou no cumprimento do seu dever e na defesa dos seus concidadãos, há que inquirir e, se for comprovada a intenção de matar, então, condenar, mas se se comprovar o contrário ter a cora­gem de lhe fazer a devida justiça. Ago­ra é hora dé apoiar este jovem Guarda e aí têm uma grande importância tanto os seus familiares, colegas e as Associações representativas.
Esta ocorrência veio mais uma vez pôr a nu as dificuldades que estão a passar as nossas forças de segurança, desmoralizadas, desrespeitadas, sem poder de actuação perante as diversas situações. Os infractores são apanhados e postos em liberdade, ainda o agente está a cumprir formulários obrigatórios e eles já o estão esperando no lado de fora para o achincalhar. Sem os devidos treinos específicos da sua profissão, com a falta de meios humanos e materiais que deveriam possuir, sobrecarregados de trabalho que por cansaço pode levar a erros graves, são uns heróis ao en­frentarem, no dia a dia, o crime muitas vezes melhor organizado e com melhor meios.
É urgente rever toda esta situação e dar credibilidade a estes homens e mu­lheres que heroicamente correm sérios riscos de vida na defesa do País, da Ins­tituição que representam e na segurança do cidadão e seus bens

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