segunda-feira, 18 de maio de 2009

VOTAR NA NOSSA EUROPA?

Independentemente da variedade de conceitos de Europa, parece impróprio afirmar que finalmente o país se encontrou com a Europa, porque aquilo que aconteceu foi ter de escolher entre um dos novos conceitos. Nesta escolha, que se concretizou na CEE como primeira prioridade, acontece que o projecto não tem qualquer contribuição portuguesa na origem. Não se encontra presença nacional entre os que, aceitando hoje Jean Monnet como o pai da ideia e da realidade, desenvolveram o projecto ao qual finalmente aderimos.
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Adriano Moreira

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A GEOESTRATÉGIA É TRATADA DA MESMA FORMA COMO LIDAM COM OS PNEUS


Os pneus são a parte da viatura que a conectam com a sua utilidade. São um factor importantíssimo na viatura. Mas não lhes ligam muito. O que é importante são os comandos dos aparelhos musicais no volante, o espelho na pala, o sítio para colocar a lata da bebida, etc. Enfim, os pormenores do confortozinho. A geoestratégia está na mesma situação. Trata da conexão, mas ninguém liga. Iludem-se com tretas do imediato e não acautelam os tempos do depois dos amanhãs. A factura está aí.

sábado, 9 de maio de 2009

A DEMOGRAFIA SERÁ O RESULTADO DA DERROTA DAS POLITICAS DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL

E muito bem explicado, aqui. Há muito que se avisa. A cegueira de se manter a todo o custo um conforto luxuoso, tem um custo fatal no futuro. O engraçado da questão, nos dias actuais, é que são os pais que limitam o futuro dos filhos, mas sastifeitissimos em poder auxiliá-los com o excedente proporcionado por limitações que põe ao desenvolvimento dos filhos. Um grupo etário egoísta que, desde a década de 60 do século passado, impõe a falência da sociedade ocidental. As políticas económicas e demográficas são interdependentes e reflectem-se em todas as outras políticas sectoriais. E os resultados, as facturas, estão a surgir.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

TEM TUDO A VER

Com o como chegámos até aqui, e neste estado.

Trinta e cinco anos depois de Abril, a democracia continua a viver à custa de Salazar e da sua queda. Parece que o regime democrático e a liberdade nada têm a oferecer ao povo para além do derrube do ditador. Que, aliás, não foi do próprio mas do sucessor. Aqueles partidos e aquela instituição vivem obcecados. Sentir-se-ão culpados? De quê? De não terem sabido governar o país com mais êxito e menos demagogia? De perceberem que a população está cada vez mais cansada da política e indiferente aos políticos? Preocupante é haver alguém que pense que aquelas imagens produzem algum efeito! A política contemporânea é de tal modo medíocre que o derrube do anterior regime é ainda mais importante do que o novo regime democrático. Essa é a mágoa! Trinta e cinco anos depois, a liberdade e tudo quanto se vive não são já mais importantes do que aquele dia de derrube.
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António Barreto, no Público de 3.05.09
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Os meninos sem rosto da nossa terra são a sombra dos nossos dias. Vivem nas casas mais pobres dos bairros degradados, onde a violência faz lei e onde não têm voz. Deambulam pelas ruas em bandos onde os mais velhos ditam a sua força e os arrastam para o crime. Frequentam a escola porque os obrigam, mas depressa a abandonam ou a contestam. Muito novos caminham para a delinquência, na esperança de poder conseguir assim um caminho mais fácil.
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Daniel Sampaio, no Público de 3.05.09
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Os resultados, como se costuma dizer, valem o que valem. Mas sempre dão uma ideia da cabeça dos portugueses, que toda a gente invoca e ninguém conhece.
VPV, no Públioco de 3.05.09
Os temas são os mais variados, das grandes questões, como a justiça mundial ou o ambiente, até às questões espúrias e tontas. O factor determinante em todo o processo é, sem dúvida, a comunicação social, e em particular a televisão. É ela que determina o alinhamento dos telejornais e decide as causas que são empoladas ou esquecidas. Não costuma ser a imprensa a criar os temas, pois há sempre na sociedade milhões de interesses, objectivos, sonhos à espera de reconhecimento. Mas são os jornalistas que decidem focar as atenções neste e omitir ou esquecer os demais. A sociedade actual vive em permanente alvoroço. O importante é manter a adrenalina e o nervosismo, que alimentam a procura dos media.
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César da Neves , hoje no DN.
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A distância entre esta programação e o entendimento dos atingidos pela crise da economia real, tem a sua expressão nos milhares de manifestantes e polícias que entraram em violentos confrontos nas ruas de Londres, na ocasião da chegada dos líderes mundiais, os quais não podem, ou não devem, ignorar o facto. Aquilo que os cerca de 35 mil manifestantes tornaram claro, sem grandes apoios teóricos de grandes nomes, foi que a realidade se traduz no alargamento da geografia da fome, nas falências, no desemprego catastrófico em crescimento global.
Que tenha sido enunciada uma política renovadora não se verificou, e não vai ser nem fácil nem rápido conseguir uma formulação que evite a concretização das piores consequências que o FMI previu para a crise. Mas a chamada de atenção para que qualquer solução seja organizada a partir da realidade, e que não parece eficiente pretender dominar a realidade pela imaginada limpeza do sistema que entrou em disfunção, exige uma intervenção, essa limpa das responsabilidades pelos erros e pelas faltas, que conheça as dificuldades de enfrentar uma realidade complexa, que talvez sem exagero se deva considerar caótica.
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Adriano Moreira, no DN de 21.04.09

quinta-feira, 30 de abril de 2009

FACTURA MUY CRUEL


Pero hay que tener cuidado com presumir de algunas cosas porque la realidad se cobra una factura muy cruel.

José Maria Aznar em entrevista ao EL PAÍS de 26.04.2009-04-30

La emigratión china reduce la pression demográfica en su país al tiempo que le permite jugar un papel global.

No El PAÍS de 26.04.2009 no artigo "África, el Far West chino"

sábado, 25 de abril de 2009

HOJE AINDA SE COMEMORA O QUÊ?

??? Que país resultou? Que cidadãos somos? Que esperança resiste?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A REALIDADE

A distância entre esta programação e o entendimento dos atingidos pela crise da economia real, tem a sua expressão nos milhares de manifestantes e polícias que entraram em violentos confrontos nas ruas de Londres, na ocasião da chegada dos líderes mundiais, os quais não podem, ou não devem, ignorar o facto. Aquilo que os cerca de 35 mil manifestantes tornaram claro, sem grandes apoios teóricos de grandes nomes, foi que a realidade se traduz no alargamento da geografia da fome, nas falências, no desemprego catastrófico em crescimento global.
Que tenha sido enunciada uma política renovadora não se verificou, e não vai ser nem fácil nem rápido conseguir uma formulação que evite a concretização das piores consequências que o FMI previu para a crise. Mas a chamada de atenção para que qualquer solução seja organizada a partir da realidade, e que não parece eficiente pretender dominar a realidade pela imaginada limpeza do sistema que entrou em disfunção, exige uma intervenção, essa limpa das responsabilidades pelos erros e pelas faltas, que conheça as dificuldades de enfrentar uma realidade complexa, que talvez sem exagero se deva considerar caótica.
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Adriano Moreira, no DN.
E já agora vale a pena reler este post aqui

segunda-feira, 20 de abril de 2009

ENDOGAMIA E ÉTICA

Ontem, no Público, um excelente artigo de Mário Vieira de Carvalho com o titulo «Mudar a universidade: endogamia e ética». Destaco duas passagens:
A endogamia das universidades portuguesas - isto é, o princípio da reprodução interna do seu corpo docente - tem-se mantido inabalável. E tem sobrevivido a todas as reformas. Se há excepções, é porque confirmam a regra.A instituição da endogamia é o maior travão à inovação, o factor que mais tem contribuído para a estagnação do ensino superior, para a sua incapacidade de responder com criatividade aos desafios que a realidade lhe coloca.
(...)
Mas há ainda a dimensão mais patológica do corporativismo - uma espécie de degenerescência do sistema causada pela endogamia: as lutas internas de grupo, pelo favorecimento de uns, à custa de outros, sem olhar a critérios de mérito relativo. Exemplos não faltam.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

AFINAL QUEM SÃO?


Quem os viu e quem os vê. Ando mesmo fascinado com a lata com que muitos políticos se apresentam à frente de um microfone. Como se não fosse nada com eles. Como se eles fossem o exemplo de honestidade, seriedade e etc.. Como é que este povo atura isto e não se revolta? Como? Só porque lhe dão futebol às toneladas? Só porque fabricam programas sobre futebol onde lhe vende a ilusão de que os clubes deles são os melhores do mundo? Só porque fabricam programas para onde o povo pode telefonar e iludir-se que tem opinião? Ou porque votam por SMS (pagando valor acrescentado, é claro) e se iludem que decidem? Como eu gosto de ouvir as vedetas cá do bairro dizerem "os portugueses decidiram". Mas afinal quem são os portugueses? Estou com uma enorme dificuldade em saber.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A FALTA DE EMPENHO NA DEFESA TEM CUSTOS

Todavia, a deriva para a privatização da acção militar parece ter levado a uma espécie de aristocratização da actividade, transformando em objecto social, avalizado pelo mercado, a variedade de intervenções, e por isso também as ofertas do mercenarismo inspirador. A mensagem destas sociedades tem relação com um facto que atinge todas as actividades públicas e privadas, cuja actividade seja tributária do avanço técnico e científico: a necessidade crescente de pouca gente, mas altamente qualificada, torna dispensável o antigo modelo do contingente, de serviço militar obrigatório, que abrigava muita gente sem qualificação exigente. E, também, a formação multidisciplinar dos quadros permanentes, e a sua concentração nas tarefas da tecnologia avançada, orientaram no sentido de contratar no exterior, com firmas especializadas, serviços sem os quais a máquina militar não funciona. O formalismo jurídico é observado, as obrigações de publicidade são cumpridas, o mecanismo bolsista está presente.
Adriano Moreira, "A legalização dos cães de Guerra", in DN de 14.04.2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

ESTRANGEIRADO

Do excelente blog dedicado a António Quadros, e do próprio, com link aí ao lado.

O pensador estrangeirado é afinal aquele que saiu de si para ser um outro que nunca poderá ser, a menos que por completo se desintegre do organismo cultural que é o seu de origem.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

SE

Para se delinear um programa, deveríamos pensar no que não podemos fazer. Porque eu só vejo políticos convertidos em keynesianos e que não têm uma ideia do que ele disse, quando o disse e porque o disse. Para eles, keynesianismo é gastar primeiro e pagar depois. O problema é que quem paga somos todos nós quando eles fizerem parte da história como maus exemplos.Segundo, deveríamos pensar como nos queremos apresentar aos investidores internacionais quando a crise estiver a passar. Se, daqui a um ano, a economia internacional estiver a recuperar, como queremos atrair investidores, que indicadores lhes queremos mostrar para os convencer a confiar na nossa economia, que desequilíbrios serão aceitáveis? Para além dos subsídios e das isenções de impostos que são custosos e de duvidosa eficácia, que País queremos apresentar? Certamente, que vamos ter um País endividado como nunca esteve; um Pais que será visto (já é visto) como um País de alto risco. Basta ver a pressa com que se lançam concursos e se fecham contratos de grandes projectos, cujos custos sofrerão grandes derrapagens porque os estudos técnicos foram feitos sob pressão eleitoral.
O que dói é que, para Portugal, esta crise tem aspectos que nos são particularmente favoráveis. A queda dos preços do petróleo e dos bens alimentares, que justificaram os nossos problemas há um ano, beneficiam-nos, agora, mais do que a outros países. Do ponto de vista orçamental, em 2007, de facto Portugal era apresentável, o que também nos poderia ter favorecido. O mesmo não direi dos resultados orçamentais de 2008 que provaram que a casa ainda não estava arrumada, apenas apresentável: podíamos receber amigos mas não podíamos convidar visitas de cerimónia.
Além disso, não tínhamos tido uma bolha imobiliária como a Espanha ou a Irlanda, nem sequer algo parecido. E, muito importante, não tínhamos activos tóxicos, nem comprados aos Estados Unidos, nem de produção nacional. O nosso sistema bancário tinha concedido muito crédito, nomeadamente à habitação, mas tinha feito uma notável avaliação de risco, pelo que não produziu activos tóxicos em montantes relevantes. O Banco de Portugal tem aqui um quinhão dos louros, pese embora estar na moda ser bater no supervisor.Por tudo isto, daqui a um ano, quando a crise - esperemos - estiver passada, Portugal poderia estar numa posição relativa melhor do que aquela que tinha à partida. Mais uma vez, não estou a dizer que a crifi [crise financeira] poderia ter efeitos de pequena monta, apenas que fariam menores estranhos na nossa economia do que em outras congéneres se outra política tivesse sido seguida.Lamentavelmente, os factores que minorariam os efeitos da crise, em Portugal, foram esmagados por políticas incorrectas e atabalhoadas. Foi pena, mas já é tarde.
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Luís Campos e Cunha, no Público em 03.04.2009

domingo, 12 de abril de 2009

UM LUGAR À MESA

Esta definição do VPV é, notoriamente, correcta
O português parte do princípio que os políticos se "enchem" (os que são espertos, pelo menos). Não acredita na honestidade do Estado ou na eficácia da lei. Acredita no que recebe e no que lhe tiram; e não se importava de arranjar um lugar à mesa.
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Vasco Pulido Valente, in Publico de 5.04.2009.

sábado, 11 de abril de 2009

A PRIMEIRA MISSÃO


Tendo vestido o alheio, cumpre despi-lo na praça. A primeira vestidura será a do cesarismo centralista que fez do povo com mais possibilidades democratas e maior vocação municipalista que jamais houve no mundo o seguidor apagado e triste de quanta renovação de paganismo e de romanismo a Europa inventou para, primeiro, dominar uma totalidade em proveito de parte, e, depois, em seu próprio proveito, dominar todo o resto da Terra. O que nos pertence, o que nos caracteriza, o que é verdadeiramente nosso, é o achado de uma fórmula política como a dos forais da Idade Média que permitia a um Rei livremente consentido por seu Povo, e não a ele se impondo por força ou manha, governar uma federação de repúblicas. A nossa coragem de recomeçar, porque todo o edifício de ruins alicerces por si mesmo tombará como tombou o primeiro edifício português por não ter havido a coragem de recomeçar Ceuta, tem de se haver com a obra de descentralizar e democratizar a administração e a organização política: Portugal e Brasil têm de restabelecer o poder municipal em toda a sua plenitude, entregando-lhe o fundamental da máquina administrativa, da economia e da educação; nenhum território pode estar sujeito a qualquer espécie de metrópole, nenhum traço de colonialismo pode subsistir, por mais tênue que seja, quer se trate dos territórios ultramarinos portugueses, quer, por exemplo, do Nordeste brasileiro em relação aos Estados do Sul; e a primeira missão que tem de ser confiada à grande língua comum é a de livremente poder dizer a todos os governantes a opinião de quem a fala. Neste ponto, e para além do conceito vulgar, temos todos que crer, e que crer sinceramente, em que é voz de Deus a voz do povo; a qual, como a outra, pode ser brusca e incómoda: mas é realmente salutar.
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Agostinho da Silva, «Condições e Missão da Comunidade Luso Brasileira», in "NOVA ÁGUIA" , Nº3, 1º semestre 2009.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

PARAR E REFLECTIR

Se me permitem a sugestão, gostaria que vissem um vídeo com uma entrevista a um filósofo, Robert Happe. Vale a pena despenderem 34 minutos do vosso tempo e reflectirem. Em acordo ou desacordo, mas reflictam. O endereço do vídeo é este aqui.

terça-feira, 7 de abril de 2009

O MEDO NA POLÍTICA

Se dizem que a política é uma selva não é pela falta de regras. É, sim, pelo papel que nela desempenha o medo.
Pedro G. Rosado, in " O CLUBE DE MACAU"

sábado, 4 de abril de 2009

PROTEJAM AS BACTÉRIAS

Protejam as bactérias, pois são a única cultura a que muitos almejam.

APENAS UMA FACETA


Estou pronto para generalizar a partir da minha experiência pessoal e para admitir que os valores postulados pela teoria económica são, de facto, relevantes para as actividades económicas em geral e para o comportamento dos participantes do mercado em particular. A generalização justifica-se porque os participantes do mercado que não se regem por estes valores sujeitam-se a ser eliminados e reduzidos à sua insignificância pelas pressões da concorrência.
Pela mesma razão, a actividade económica representa apenas uma faceta da existência humana. Muito importante, sem dúvida, mas há outros aspectos que não podem ser ignorados. Para fins imediatos, distingo as esferas económica, política, social e individual, mas não pretendo atribuir grande importância a estas categorias. Facilmente se introduziriam outras. Podia, por exemplo, mencionar a pressão dos rivais, a influência da família ou a opinião pública; mas também podia distinguir entre o sagrado e o profano. O ponto aonde pretendo chegar é que o comportamento económico é apenas um tipo de comportamento e que os valores que a teoria económica toma como dados adquiridos não são os únicos que predominam na sociedade. É difícil ver como poderiam os valores pertencentes a essas diferentes esferas ser sujeitos a cálculo diferencial como curvas de indiferença.
Como se relacionam os valores económicos com outros tipos de valores? Não é uma pergunta a que possa responder-se de maneira universalmente válida e por tempo indeterminado. A única coisa que podemos dizer é que os valores económicos, por si só, não bastam para sustentar a sociedade. Os valores económicos apenas exprimem o que um participante individual do mercado está disposto a pagar a outro por algo em livre troca. Esses valores pressupõem que cada participante é um centro de lucro, orientado para a maximização dos lucros com exclusão de quaisquer outras considerações. Embora a descrição possa ser adequada ao comportamento do mercado, devem existir alguns valores diferentes que, efectivamente, actuem no sentido de sustentar a sociedade, de sustentar a vida humana. Quais são esses outros valores e como podem reconciliar-se com os valores do mercado é uma questão que me preocupa. Mais do que isso, confunde-me. Estudar economia não constitui preparação suficiente para tratar dessa questão - temos de ir para além da teoria económica. Em vez de tomarmos os valores como dados adquiridos, temos de os tratar como reflexivos. Isso significa que valores diferentes prevalecem em condições diferentes e que há um mecanismo de feedback em dois sentidos que os relaciona com as condições reais, criando um caminho histórico único. Devemos, ainda, tratar os valores como falíveis. Isso significa que esses valores que prevalecem num determinado momento da história são susceptíveis de vir a mostrar-se inadequados num momento diferente. Afirmo que os valores de mercado assumiram uma importância no momento da história em que nos encontramos que não corresponde ao que é apropriado e sustentável.
Devo, no entanto, observar que, se quisermos aplicar o conceito de reflexividade tanto a valores como a expectativas, teremos de aplicá-lo de maneira diferente. No caso das expectativas, o resultado serve de verificação da realidade; no caso dos valores, não. Os mártires cristãos não abandonavam a fé nem mesmo quando os atiravam aos leões. Em vez de falarmos de função cognitiva, provavelmente precisaríamos de outro nome, mais emocional, para o feedback da realidade para o pensamento, mas ainda não sei qual é. No entanto, voltaremos mais tarde a esta questão.
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George Soros, in "A CRISE DO CAPITALISMO GLOBAL",1998.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

PRECISÁMOS. SEMPRE PRECISÁMOS

Não é de um líder forte e autocrático que precisamos. Não. Precisamos, e muito, é de menos mediocridade no seio dos cidadãos.

A isolação de Herculano no remanso estéril do diletantismo bucólico, comprometeu o destino mental d'uma geração inteira. Pelo intenso poder das suas faculdades reflexivas, pela eminência do seu talento, pela autoridade da sua palavra, pela popularidade do seu nome, pela reputação nunca discutida da sua honestidade, ele era o homem naturalmente indicado para assumir o pontificado intelectual do seu tempo. A ausência d'essa autoridade do espirito sobre o espirito foi uma catástrofe para a geração moderna.
Tudo se ressentiu na sociedade portuguesa, com o desaparecimento d'esse alto poder moderador, destinado a ser o núcleo do seu governo moral.
Á tribuna parlamentar nunca mais tornou a subir um homem cuja voz firme, sonora e vibrante levasse até os quatro cantos do país a expressão viril das grandes convicções inflexíveis, dos altos e potentes entusiasmos ou dos profundos e implacáveis desdens. Essa pobre tribuna deserta degradou-se sucessivamente até não ser hoje mais do que uma prateleira mal engonçada com algum lixo e o respectivo copo d’água.
A imprensa decaiu como decaiu a tribuna. Assaltada pelas mediocridades ambiciosas e pelas incompetencias audazes, a imprensa tornou-se um tablado de saltimbancos de feira, convidando o publico a 10 réis por cabeça, para assistir, entre assobios e arremessos de cenouras e de batatas podres, á representação da desbocada comedia, declamada em gíria da matula por personagens sarapintados a vermelhão e a ocre, que mostram o punho arregaçado e sapateiam as tábuas, como em sarabanda de negros e patifes, com os seus pés miseráveis.
A política converteu-se em uma vasta associação de intriga, em que os sócios combinam dividir-se em diversos grupos, cuja missão é impelirem-se e repelirem-se sucessivamente uns aos outros, até que a cada um d'elles chegue o mais frequentemente que for possível a vez d'entrar e sair do governo. Nos pequenos períodos que decorrem entre a chegada e a partida de cada ministério o grupo respectivo renova-se, depondo alguns dos seus membros nos cargos públicos que vagaram e recrutando novos adeptos candidatos aos lugares que vierem a vagar. É este trabalho de assimilação e desassimilação dos partidos, que constitui a vida orgânica do que se chama a política portuguesa.
A arte desnacionaliza-se e afasta-se cada vez mais do fio tradicional que a devia prender estreitamente á grande alma popular.
A opinião publica, marasmada pela indiferença, desabitua-se de pensar e perde o justo critério por que se julgam os homens e os factos.
Se um pensador da alta competência e da grande autoridade de Alexandre Herculano tivesse persistido durante os últimos vinte anos á frente do movimento intelectual do seu tempo, essa influencia teria modificado importantemente o nosso estado social.
Eça de Queiróz & Ramalho Ortigão, in "AS FARPAS", Junho de 1983.

PRECISAMOS?

Eu já nem sei.


Precisamos de romper com os valores que vêm do passado e com os interesses das corporações, precisamos de fazer tábua rasa dos maus hábitos e de ter a coragem de erguer novas bandeiras e novos objectivos. Nesta época de miséria moral e social, quando o banditismo se torna um ideal de vida e é glorificado pela conduta humana e pela generalidade das ficções (que chegam a ser vistas como expressões de cultura), impõe-se uma liderança forte para o Estado, com mais poderes, com maior capacidade de decisão e com a força que só a convergência organizada de todos os mecanismos de prevenção do crime garante. É preciso ter coragem para decidir, para agir e para renovar o Estado e a República todos os dias, em todos os nossos actos e em todas as nossas palavras.
Pedro G. Rosado, in "O CLUBE DE MACAU"

sexta-feira, 27 de março de 2009

BRILHANTES

Mandaram-me, hoje, por mail, esta frase:

Sendo a velocidade da luz superior à velocidade do som, é perfeitamente normal que algumas pessoas pareçam brilhantes até abrirem a boca...

quarta-feira, 25 de março de 2009

DISTRACÇÕES

Ultimamente tem-se falado muito da fraca, ou fraquissima, qualidade dos governantes, em geral, por esse mundo. Esta crise global não apareceu por obra e graça do Espiríto Santo de um momento para o outro. Foi-se anunciando. E fez testes de exibição para prenunciar a sua chegada. Muita gente por esse mundo, mais esclarecida e competente na matéria, entendeu-a e anunciou-a. Mas todos, absolutamente todos, tentaram ignorar. Enfim, ninguém gosta de chatices. Mas leiam agora este trecho em que se anuncia claramente a crise, com causas, consequências e remédios. É do livro «A ERA DA FALIBILIDADE», de George Soros, e foi escrito em 2006. Se há políticos que não lêem jornais, muito menos leram este livro.

PERSPECTIVAS ECNÓMICAS
Na altura em que escrevo este livro, a economia global encontra-se estável. Existem alguns desequilíbrios, fundamentais, dos quais os mais fulgurantes são o défice comercial dos Estados Unidos e o excedente comercial asiático, mas estes desequilíbrios podem durar por tempo indefinido, porque quem está disposto a pedir emprestado encontra sempre alguém disposto a emprestar. Não há sinais de uma crise financeira e os mercados globais têm sido notavelmente flexíveis para absorverem os choques, como o aumento do preço do petróleo. As autoridades financeiras estão seguras de que, com uma boa supervisão financeira, os mercados podem cuidar de si mesmos. Talvez a única nuvem no horizonte seja o facto de alguns países em desenvolvimento, como a Indonésia, a África do Sul e vários países da América Latina, não se estarem a desenvolver suficientemente depressa para satisfazerem as aspirações do povo; estão assim criadas as condições, para o descontentamento político, mas as autoridades financeiras internacionais não parecem qualificadas para abordar o problema.
Penso que a calma actual não vai durar muito. Como já disse, acredito que a economia global tem sido sustentada por uma explosão imobiliária que adquiriu as características de uma bolha. Em alguns países, sobre tudo no Reino unido e na Austrália, a bolha decresceu, mas daí não resultaram perturbações sérias. O consumo caiu, mas uma diminuição modesta das taxas de juro foi suficiente para estabilizar os preços das casas e o consumo. A isto chama-se uma aterragem suave, que encorajou as autoridades a pensarem que o mesmo acontecerá nos Estados Unidos. Tenho uma opinião diferente. Há razões para acreditar que o abrandamento dos preços das casas nos Estados Unidos terá repercussões mais severas do que nos outros países. Uma das razões é a dimensão absoluta da economia dos Estados Unidos. Um abrandamento nos Estados Unidos terá repercussões na economia global, mas a Austrália e o Reino Unido são demasiado pequenos para que um abrandamento produza grandes efeitos. Outro factor é o facto de, nos Estados Unidos, o aumento dos preços ter sido acompanhado pelo aumento do volume da construção, enquanto que, no Reino Unido, a construção se manteve estável. Isto criou um excesso de oferta nos Estados Unidos, que levará tempo a estabilizar. Por último, nos Estados unidos, as condições de crédito foram mais facilitadas do que em qualquer outro lado e estão agora a ser revistas. Todos estes factores combinados irão assegurar que os preços das casas, quando abrandarem, não voltem a subir muito em breve. Como já referi, prevejo que a aterragem suave inicial se transforme numa aterragem dura quando o abrandamento não parar. Um abrandamento nos Estados Unidos repercutir-se-á no resto do mundo através de um dólar mais fraco. E por isso que prevejo um abrandamento mundial a partir de 2007.
É claro que posso estar enganado. Já me enganei antes. Pode não ser prudente exprimir esta tese, uma vez que, depois de publicada, é difícil não voltar atrás ou modificá-la. Exprimo-a como exemplo do género de perturbação que, mais cedo ou mais tarde, irá ocorrer. O que pretendo dizer é que a economia global está sujeita a perturbações periódicas e que será necessária a cooperação internacional para manter essas perturbações dentro dos limites.
Mesmo na ausência de uma crise, existe algo de perverso na constelação actual. As poupanças do mundo são canalizadas para o centro para financiarem o consumo excessivo do maior e mais rico país, os Estados Unidos. Isto não pode continuar por tempo indefinido e, quando acabar a economia global irá sofrer uma insuficiência de procura. Os países asiáticos que estão a financiar o excessivo consumo americano fariam bem em estimular o consumo doméstico, mas, mesmo que o consigam fazer, poderá haver uma carência temporária. As autoridades financeiras internacionais deviam fazer planos de contingência, mas não vejo sinais disso2a. No passado, propus que o Fundo Monetário Internacional emitisse Direitos Especiais de Saque (DES), em que os países ricos reservam as suas dotações para a ajuda internacional. Há dificuldades técnicas _ os DES exigiriam dotações orçamentais _, mas, se a minha previsão de um abrandamento global em 2007 se realizar, trata-se de um esquema que deve ser agora implementado.

sexta-feira, 20 de março de 2009

MEMÓRIAS


Ando cada vez mais longe da ilusão. Lembro-me melhor, hoje, de muitos jovens, ligeiramente mais velhos do que eu, que nos idos anos de 60 do século passado se assumiam como lutadores de vários ideais. Hoje reconheço-os como agentes políticos, militantes de organizações políticas que se empenham em preencher a governabilidade. Para além da idade, o que difere na actuação de cidadania desses indivíduos desses idos anos até hoje? Tudo. E sobretudo o terem ignorado os ideais. Esquecido as pessoas, e o país, foi a consequência de terem ignorado os ideais. Em que é que se tornaram? À vista desarmada em veneráveis abastados. Parece que era isso que, afinal, ambicionavam. O que, ou quem, sacrificaram? Ou trucidaram? Que cada um visite a sua memória e reconstrua o filme. Estão lá todas as respostas. E revejam aquela excelente série italiana, «O POLVO». Tem tudo a ver.

terça-feira, 17 de março de 2009

RESPEITO

O respeito pelo esforço dos pequenos agricultores, que sobram, das pequenas, médias, e grandes empresas, exige a entrega de uma responsabilidade política confiável a quem mobilize o regresso convicto a essa actividade, e assegure que a frustração não é a recompensa da confiança depositada nas directivas. É um esforço que implica esquecer passadas decepções, e o abandono de terras, lugares, e colheitas, a favor do regresso a solidariedades comunitárias, a um sentido de responsabilidade participado a favor do bem comum. A falta de reserva estratégica alimentar, e as consequências inevitáveis dessa carência, exigem estarem presentes na previsão governativa do presente.
Adriano Moreira, hoje, no DN, no artigo os pobres.
O prof. Adriano Moreira foca uma exigência, a responsabilidade política confiável. Eu tenho dúvidas, e não me refiro só a Portugal, se há política, e respectivos agentes, em que se possa confiar. Sobretudo se há pessoas para se confiar na política. De facto a frustração tem sido a recompensa da confiança. Eu não sei se consigo confiar num politico. Não sei mesmo. Só vejo gentinha mediocre.

sexta-feira, 13 de março de 2009

SABER E FAZER

O Comandante Virgílio Carvalho tinha, segundo interpretação minha, a noção que o país já não tinha estratégia alguma. Pelo menos os governantes não tinham noção nenhuma sobre isso. Então actualmente é um deserto desse entendimento na governança. Tudo o que ultrapasse a obtenção de tachos e aumentos de pecúlios transcende a capacidade de reciocínio desse pessoal. Tem a ver com os cursos universitários de que conseguiram obter diploma e com a esmola politica que é a ocupação de lugares na administração pública.
Aqui deixo um pequeno trecho do Camandante Virgílio Carvalho:

A Tecnologia é hoje um importante elemento de influência, de prestígio e liberdade de acção dos países, mas também pode ser de sujeição, mormente se não for desenvolvida numa perspectiva de reforço do poder nacional. Não chega, pois, o saber pelo saber, nem sequer o saber para fazer. É indispensável que saber e fazer tenham objectivos definidos enquadrados na Grande Estratégia Nacional, principalmente num país como Portugal, cuja importância geoestratégica o torna alvo de cobiças.
in " O MUNDO, A EUROPA E PORTUGAL - II Volume"

quarta-feira, 11 de março de 2009

O NOSSO PROBLEMA

O nosso problema é que tal como no mundo exterior, temos os nossos direitos adquiridos. E desde que exista o elemento de egoísmo, não descobriremos o caminho. Cada um de nós quer que o Mestre desça até si; mas o que não aprendemos foi que, mesmo como imaginamos, se Ele descesse das nuvens, seríamos incapazes de O servir, porque não nos equipámos para Lhe prestar serviço.
Jiddu Krishnamurti, in "Conhece-te a ti mesmo", publicado no «The Herald of Star » em 1925

domingo, 8 de março de 2009

PORTUGAL, PARA ONDE?



Para se entender Portugal é imprescindível ler três autores. O comandante Virgílio de Carvalho com os seus dois volumes de «O Mundo, A Europa E Portugal». O professor Adriano Moreira com toda a sua obra dos últimos 40 anos, incluindo as suas quase memórias. O Dr. Franco Nogueira com a sua obra «Juízo Final». Depois pode-se complementar com artigos de imprensa, dos quais recomendo Vasco Pulido Valente, António Barreto, Luís Campos e Cunha, Mário Crespo, Ricardo Araújo Pereira, nunca esquecendo de ler, ou ouvir, o que Medina Carreira e Silva Lopes expõem.
VPV tem uma frase no seu artigo de 6.03.2008, no Público, que elucida bem que Portugal não evolui. E como tal caminha para um abismo, que pode muito bem exceder o tal conceito de "estado exíguo" a que se refere Adriano Moreira. E a frase é: Mesmo com mais de 30 anos de democracia e 20 de "Europa" a saloiice indígena continua sólida.
Claro que ler, estudar e entender é uma coisa; agir e ser decisivo é outra. E os portugueses de agora sentem o país como parte integrante da sua individualidade?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O SUCESSO DO RENASCIMENTO


Nos tempos que correm cada vez mais me interrogo se esta saga civilizacional (ocidental) está a ter sucesso. Os valores humanisticos, democráticos, de solidariedade social, de liberdade harmoniosa e culturais estão a ser bem difundidos e assimilados? Julgo que não. Parece-me que há um rotundo fracasso. A violência sobre as crianças e sobre as mulheres demonstram isso. O incremento da pedofilia e sua impunidade demonstram isso. A ganância desmedida e o lucro injusto espelham isso. A hipocrisia com que os estados interagem, bem como a democracia que evangelizam, gritam isso mesmo.
Que valores são hoje tenazmente defendidos pela dita civilização ocidental? Cada um que se interrogue.
Mas quando a violência doméstica tem um crescimento desmedido, só pode significar fracasso. O urbanismo actual não conseguiu absorver as ansiedades das populações nem moldar os valores que o saneamento de conflitos sociais das aldeias continham. A moderação social aldeã, em qualquer parte do mundo, e em qualquer esquema civilizacional, manteve uma sanidade no seio das sociedades locais. Perdido esse equilíbrio a favor das grandes urbes, perdeu-se, também, algures, os desígnios da civilização. As crises, e não exclusivamente as financeiras, são fruto desse desnorte de moderação. Algures, por aí, as elites pensantes foram sufocadas. O supérfluo é que é dignificado e a ignorância valorizada. A factura está a ser passada. O recibo vem aí a caminho. Sempre, sempre a FÉNIX.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

A PACIÊNCIA

A PACIÊNCIA É UMA ÁRVORE DE RAÍZ AMARGA MAS DE FRUTOS MUITO DOCES.

(Provérbio)

QUE SENTIDO TEM CORRER QUANDO ESTAMOS NA ESTRADA ERRADA?

(Provérbio)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

DA LUZ

Transcrevo um pequeno trecho do post da Serpente Emplumada, sempre com a devida vénia:

“É a matéria que imagina o céu. Depois, é o céu que imagina a vida. Depois, é a vida que imagina a natureza. Depois, a natureza cresce e mostra-se sob diferentes formas que concebe muito menos do que inventa revolvendo o espaço. Os nossos corpos são uma dessas imagens que a natureza tentou junto da luz.” Pascal Quignard, Terraço em Roma

domingo, 15 de fevereiro de 2009

VAI-SE DIZENDO POR AÍ

O que está de acordo com a extravagância geral da nossa vida colectiva. Ao mesmo tempo que o INE anunciava a desgraça da nossa economia, um "jornal de referência" veio explicar que, felizmente, 900.000 pessoas trabalham para o Estado e não podem por isso ser despedidas como qualquer vagabundo da "privada".
VPV, no Público, hoje.
Aqueles deputados têm os mesmos reflexos, os mesmos comportamentos e a mesma visão do mundo que um bando de hooligans em claques de futebol.
António barreto, hoje, no Público.
Que Deus possa escrever direito por linhas tortas é uma sabedoria portuguesa que Bernanos descobriu no Brasil. Não devemos, no entanto, exigir ao Espírito Santo esforços suplementares para aquilo que compete aos seres humanos. Repete-se que há falta de vocações. Não acredito. Se a vocação é dom de Deus, não se esgota facilmente. Deveríamos olhar mais para o tabu que impede caminhos de solução. Por que não reintegrar aqueles padres que tiveram de abandonar o ministério presbiteral e que estão em condições de prestar serviços relevantes para os quais foram preparados? Por que razão não chamar, ao presbiterado, homens casados que manifestam grande capacidade de serviço na Igreja? E as mulheres? Será que, por serem mulheres, Cristo não as quer ver a presidir à Eucaristia? Precisamente Ele que, segundo os Evangelhos, lhes deu com amizade o papel de comunicar, aos apóstolos, o Evangelho da Ressurreição? Se Deus criou o ser humano à Sua imagem, homem e mulher, seria ridículo atribuir a Deus uma mentalidade patriarcal. Criar um deus à imagem do masculino é criar um ídolo. O sujeito masculino não tem mais aptidão para ser chamado à presidência da Eucaristia do que o sujeito feminino.
Frei Bento Domingues, hoje, no Público.
Não parece um método tranquilizante da sociedade civil o anúncio da evolução estatística da criminalidade, sobretudo quando insiste em débeis percentagens de crescimento. As médias dizem pouco sobre a relação entre a espécie e gravidade das infracções e a insegurança efectiva dos cidadãos.
Adriano Moreira, no DN de 10.02.2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

ESTATISMO PANTANOSO


António Quadros, publicou na revista «57», em 11.06.52, um ensaio «Os Três Problemas Portugueses». Já aqui nos tínhamos referido a essa revista a propósito do «Manifesto Sobre a Pátria», também de António Quadros. O blog dedicado a António Quadros tem o link aí ao lado. E é muito interessante este ensaio do qual pomos aqui um pequeno trecho. Mas é delicioso podermos aprender com quem sabe. E António Quadros sabia, e o seu saber é actual e muito proveitoso. O triste é poucos aprenderem. Já decepcionante é muitos nem sequer saberem ensinar (Mas isto é outra cantiga não avaliada). Mas leiam o ensaio todo. E depois façam as vossas reflexões. Meditem sobre os tempos hodiernos. Eu continuarei a divagar por aqui até que a mistura de ignorância e poder nos faça explodir. Mas leiam o trecho e depois todo o ensaio:


Ora é este terreno comum que exactamente contestamos e pomos em causa. Há quatrocentos anos que, entre nós, mudam os regimes, as estruturas e as forças dominantes, mas na realidade pouco ou nada se modificou no tipo de estatismo em que pantanosamente mergulhamos.E isto porque o nosso pensamento político, há quatrocentos anos que não é criador, mas aderente. Queremos dizer que, incapazes de criar doutrina política, necessariamente derivada de uma filosofia e de uma visão do mundo, os nossos políticos se limitam a lutar pela adesão do pais a este ou aquela doutrina, forjada por outros a partir de circunstâncias históricas, ideológicas e sociais inteiramente diversas das nossas. Qual é o partido político que, nos últimos séculos, pôde ou soube postular uma teoria própria e original? Portugal é pensado como um pequeno e triste astro sem luz própria, reflectindo a sombra e o sol dos outros, e por isso todos os nossos movimentos de reacção e acção, sejam a Contra-Reforma e o Iluminismo, sejam o Absolutismo e o Liberalismo, sejam a Monarquia constitucional e a República, sejam as outras teses e antíteses que se lhes seguiram, tiveram de comum, a ideia concordante da menoridade da pátria, incapaz de teorizar pelas próprias vias, sistemas de filosofia, de educação e de política.
(...)
Ora estes problemas andam de tal forma obscurecidos por ambiguidades artificiais, o drama consequente é de tal modo menorizado por proposições sentimentais e volitivas, o essencial é tantas vezes ocultado pelo acessório, que a maioria das pessoas cada vez sabe menos o que há-de pensar, quando não se encontra filiada em qualquer organização que por eles pense.
A pequena política é a grande dissolutora das mais belas e verdadeiras ideias humanas, porque não quer reconhecer a hierarquia dos problemas e a lógica das relações entre o menor e o maior. Assim, a mediocridade é o plano em que se agita, o superior é arrastado ao nível do inferior, as mais fecundas concepções filosóficas são degradadas em nome dos interesses imediatos, circundantes, egoístas e pragmáticos. Crescem os actos puramente utilitários, as atitudes provincianas, as ilusões utópicas, os partidarismos irreflectidos, as subordinações confessas ou inconfessas, e é tudo isto, toda esta gama de detritos provindo de ideias e crenças moribundas, que está alimentando e envenenando um número majoritário de portugueses."

domingo, 8 de fevereiro de 2009

MODELO DE INUTILIDADE

Agravidade do que precede é tal que nem recordamos o facto essencial do ano: as eleições. Teoricamente, estas poderiam ser um instrumento de resolução. Debates sérios e veredicto popular poderiam seleccionar e ungir quem tem mais capacidades para deitar mãos à obra. Mas, com realismo, receia-se o pior: é bem possível que das eleições resulte um poder minoritário, partidos fragmentados e uma autoridade dispersa.As eleições europeias não interessam a ninguém. Não têm qualquer espécie de significado. Ou antes, têm-no cada vez menos, se tal é possível. Em tempos de ressurreição do proteccionismo, são um modelo de inutilidade. Já as outras, autárquicas e legislativas, são de real importância. Espera-se que sejam úteis.
(...)
Há cada vez menos pessoas a votar pela camisola ou por mera credulidade. Há cada vez mais quem faça contas à vida e decida livremente votar. Há quem não vote enquanto o sistema eleitoral for o que é: proporcional por lista, com grandes círculos anónimos e colectivos e sem compromisso pessoal. Outros, mesmo críticos do sistema, procuram sinais que os ajudem a decidir.
António Barreto, hoje, no Público.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A LER

Hoje, no Público, a carta aberta do Eng. Henrique Neto. Ontem, também no Público, o artigo de Luís Campos e Cunha. E tantos mais. Que aqui e ali se vai alertando, é um facto. Mas parece que há um autismo geral, quer dos cidadãos, quer dos dirigentes nacionais. Vamos a ver se acordam a tempo. Embora o tempo escasseie.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

CHAGAS DA MEDIOCRIDADE.


Perguntou-me um amigo porque não falo sobre o momento político actual. Disse-lhe que por desencanto. Este país resvalou para a mediocridade. Passou-se a dar mérito aos medíocres e eu não me revejo nisso. Em todo o lado são os medíocres que dominam, são promovidos e exaltados como exemplos a seguir. E eu não aplaudo isso. Não se cultiva o mérito, a excelência e a nobreza. Antes pelo contrário. Assim temos o incremento da preguiça, da irresponsabilidade e da desonestidade. E eu não bajulo isso.
Já por aqui tenho batido este tema muita vez. E é muito visível na educação. Veja-se um exemplo. Indivíduo sem o 12º ano faz uma equivalência ao mesmo por validação de competências, por análise curricular e por um trabalho de 10 páginas, que encomendou a outrem. E entretanto acede a uma universidade por entrevista, sem provas prestadas. Ingressa e já tem uma equivalência a sete disciplinas por análise curricular, sem ter ainda prestado prova nenhuma. Agora digam-me como é que se vai explicar a um filho que deve estudar no duro e fazer todas as provas e completar um curso normalmente? Por que não fazê-lo pela via fácil das equivalências? E o que dizer da injustiça que é esta política das equivalências para os que fizeram tudo prestando provas com aproveitamento? O que pensará um aluno que prestou provas, fez exames para aceder à universidade e ao seu lado tem outro que só precisou de utilizar esquemas? A injustiça é outra chaga neste país. Não se faz justiça. Nem no ensino nem nos tribunais. Estes, os tribunais, nem se sabe bem, hoje, para que servem. Sendo certo que não é para aplicar justiça. Qualquer sentença proferida passados mais de dois anos sobre os factos, mesmo que correcta na forma e no conteúdo, é injustiça. E isso mina a credibilidade dos tribunais e a confiança dos cidadãos no Estado. Já por aqui tenho dito que se mede a saúde de um país pela avaliação do ensino e da justiça. Se um deles está mau, o país não está bem, mas se se dá a conjunção dos dois estarem mal, então esse país está num descalabro.
Não sei se respondi exaustivamente ao meu amigo. Mas eu não aprecio mediocridades. Nem estupidez, que já alguém disse ser o maior flagelo da humanidade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

TEATRALIDADE

Este ponto exige que a arrogância não seja responsável por uma teatralidade que apenas concorre para que a dependência se vá tornando mais severa sem debate responsável, sobretudo porque a dependência energética tem companhia das dependências das matérias-primas, da mão-de- -obra, e da reserva estratégica alimentar. As fórmulas com que os analistas tentam caracterizar a conjuntura, designadamente a esquecida proposta de Kagan no sentido de comparar a Vénus a debilidade europeia, e de comparar a Marte a suposta força dos Estados Unidos da América, cuja doença da debilidade dos metais não pressentiu, tendem para ser desactualizadas, e isto pelo facto de que este aviso do fornecimento do gás também diz respeito àquilo que chamou o regresso da história.
Adriano Moreira, hoje no DN, no artigo «AVISO»

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A MAFALDA CONHECIA A CRISE

Passei os últimos 4 dias, nos tempos livres, a ler aqueles pequenos livros da Mafalda, editados pela D. Quixote, ainda antes do 25 de Abril. Revisitei essas pranchas do Quino. E com muito humor está lá tudo. As soluções das crises já eram conhecidas da Mafalda. Como eu adorei estas horas que passei a reler a Mafalda. Mas queria aqui comungar convosco o pensamento da Mafalda no último quadradinho da última prancha do nº3 dessa colecção: "É SEMPRE O MESMO: O QUE É URGENTE NÃO DEIXA TEMPO PARA O IMPORTANTE".
Espero que este pensamento da Mafalda vos permita boas reflexões.
Sobre esta crise global também é muito interessante a antevisão precisa e clara que dela fez George Soros no seu livro "Era da Fialibilidade" de 2006. Vale a pena ler. Embora ele esperasse que a crise "estoirasse" em 2007, e esse estoiro se atenha adiado um ano, o que para o caso é irrelevante, vale bastante a pena ler a sua percepção do mundo económico.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O PILAR DA HIPOCRISIA

Há quem diga que "é fita" para a televisão. É verdade que essa é parte do problema. Temos olhos cansados, habituámo-nos a tudo, à miséria e à fraude, à corrupção e ao despotismo. A televisão, predadora de sentimentos, mostra imagens até à fadiga, à insensibilidade. Não se acredita, nem se vê o sofrimento dos outros, para não incomodar as nossas certezas ou para não revelar a nossa insegurança.
António Barreto, hoje, no Público.

sábado, 24 de janeiro de 2009

UM PAÍS NÃO É UMA FÉ. É UMA REALIDADE VIVA, COM PRINCÍPIO E FIM

Portugal tem riscos sérios de viabilidade, se os portugueses não se aperceberem que os países, como as civilizações, são mortais. O problema é que - intoxicados por anos de relativo ou grande progresso, sossegados pela falta da memória de crises graves, habitados por uma cultura de direitos sem responsabilidades, incapazes de sentir o interesse colectivo, formados nos tempos das reivindicações que se seguiram ao 25 de Abril - os portugueses não querem perceber os riscos, nem mesmo acreditam nos perigos.
José Miguel Júdice, ontem, no Público, no artigo «O ATOLEIRO»

A DILUIÇÃO DO SUJEITO

Com a devida vénia, um trecho de um post do Combustões tirado daqui:

A Europa, outrora ufana e orgulhosa ao ponto de se proclamar rainha do pensamento, transformou-se neste deserto que sabemos. O embotamento tem o seu preço. Hoje, tão iguais uns aos outros, deixamos de ter razões que nos levem a estar uns com os outros, pois nada há a tratar com quem não quer, não deve nem pode falar sem medo de represálias. É preciso sair longe dessa atmosfera para recobrarmos o direito natural de falar, razonar e contrapor.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

E NEM SEQUER TÍNHAMOS REPARADO.

(...)
A crise económica de 2009 vai seguramente traduzir-se numa gravíssima crise alimentar. É absolutamente aberrante o que se está a passar. Temos gente que tem emprego, mas para quem é matematicamente impossível pagar as contas. Temos uma geração inteira, jovem, a ganhar 400 Euros mensais, por mais qualificações e competências que apresente.» O fosso entre ricos e pobres em Portugal é o maior da União Europeia. O rendimento dos dois milhões de portugueses mais ricos é sete vezes maior do que o dos dois milhões mais pobres. Um terço dos jovens entre os 16 e os 34 anos seriam pobres se dependessem apenas dos seus rendimentos. Não são sintomas da crise. São sinais de subdesenvolvimento.
(...)

O tipo com quem jogávamos à bola em miúdos, um colega da escola, um vizinho do lado. Um ser familiar e mudo, que se tornou invisível, que chegou ao fim da linha. E esse é o momento da bofetada. Alguém que conhecemos passa fome. E nem sequer tínhamos reparado.
No DN de Domingo, 18 de Janeiro de 2009, do artigo «Pobres como nós» no Notícias Magazine

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

DEVE-SE ESPERAR SEMPRE O PIOR


Assim, cheguei [M. THATCHER] às seguintes conclusões:
. O ocidente precisa, no seu conjunto, de reparar urgentemente os danos causados pelos cortes excessivos nos orçamentos de defesa.
. A Europa, em especial, deve aumentar rapidamente tanto a quantidade como a qualidade das suas despesas com a defesa.
. Os Estados Unidos devem assegurar-se de que têm aliados de confiança em todas as regiões.
. Não assumir a presunção de que as crises surgem isoladamente ou, quando muito, aos pares.
. Não dissipar em operações de paz multilaterais os recursos que podem ser mais bem usados nas emergências nacionais.
. Seja o que for que os diplomatas digam, deve-se esperar sempre o pior.
Margaret Thatcher, in "A ARTE DE BEM GOVERNAR - Estratégias para um mundo em mudança"

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

GENERAIS

José Miguel Júdice, hoje, no Público, no artigo "O Cilindro de Comando" referiu-se a eles. Transcrevo um trecho:

Eis senão quando, semanas depois, surgiu outra notícia: Portugal tem hoje mais generais do que no tempo em que o país estava em guerra em três frentes militares em África! Também esta notícia não foi comentada por ninguém. Pelo menos para salvar a honra do convento, comento eu. Não sem dizer que se confirma aqui o princípio de que "os militares combatem sempre a guerra anterior", admito que citada fora do contexto.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Veteranos sem apoios afastam recrutas das FA

É o título de notícia, hoje, no DN. Que expões o assunto assim:

A forma como os veteranos de guerra e deficientes militares são tratados condiciona a imagem das Forças Armadas e afecta o recrutamento de jovens para as fileiras, indica um relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
Publicidade negativa sobre o deficiente tratamento dado aos veteranos pode afastar potenciais futuros recrutas" de se alistar nas Forças Armadas.
E não posso deixar de relembrar que é um assunto há muito batido por aqui. O último post foi este aqui .

A DESCONFIANÇA

Adriano Moreira, hoje, no DN:
Ao mesmo tempo, a erosão da confiança dos cidadãos nos responsáveis pelas instituições democráticas vigentes nos países em que a adesão ao modelo é antiga e sem alternativa credível cresce de evidência.
(...)
Que das eleições decorra a autoridade confiável dos escolhidos é uma evidência posta crescentemente em dúvida por várias latitudes, ou que fica dependente de demonstração.
(...)
A abstenção nas urnas perde o significado da indiferença quando os movimentos cívicos atípicos se multiplicam e conseguem audiência, com tendência para ultrapassar as fronteiras nacionais, mas para ali se encontrarem com a desgovernança internacional. Os novos meios de comunicação fornecem apoio às imaginações, desafiam o isolamento dos cidadãos que se afastam dos modelos tradicionais de intervenção, alertam para a necessidade de solidariedades, forçando uma linha entre o desencantamento e o renascimento da esperança.
E, também no DN, Mários Soares disse:
Mas foi também um ano de mudança, porque temos de procurar um novo paradigma, visto que, manifestamente, o que tínhamos não serve. Trouxe corrupção, numa escala nunca vista, falências, desconfiança, desemprego, desigualdades, mais pobreza, e quem sabe se trará ainda revoltas, fruto do descontentamento...

domingo, 4 de janeiro de 2009

QUANDO A ÉTICA, AS LEIS, A FÉ E A JUSTIÇA NÃO FUNCIONAM, AINDA RESTA O DESESPERO E A VIOLÊNCIA.

É o titulo do artigo de Frei Bento Domingues, hoje, no Público. Deveras interessante. E é um texto de geoestratégia.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

SEGUEM OS DIAS AUSTEROS

Eu já não sei se as pessoas acreditam na renovação da esperança com que fazem a passagem do ano. Aquela esperança de que o ano novo vai ser melhor, já não habita nos espíritos quando se faz votos de desejo de um bom ano. E isso não é bom. Avança-se para um plano de desconforto geral. No fundo, «mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara», como disse Carl Sagan(ver aqui), e que é o mote deste blog. Mas como é que as sociedades ocidentais permitiram que fosse possível que a ignorância açambarca-se o poder? A quem interessava que assim fosse? E o que vai resultar? São questões que só o devir poderá fornecer respostas. Mas ciclicamente os vulcões rebentam. Há sempre explosões. Segundo dizem o Universo começou com uma, e a partir dessa outras continuam a impulsionar a vida do Universo em todos os aspectos.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

HOJE

Há alguém de quem nos esquecemos. Algures. Todos os dias nos esquecemos de alguém. Um dia vão-se esquecer de nós. Aqui ou no outro lado do planeta, vamo-nos esquecendo. Um dia, teremos a factura à frente.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

AQUELE OLHAR


E que importância teve esse mito da Sétima ldade para Portugal? lsso interferiu de alguma forma nos destinos de Portugal?
- A senhora já pensou nisso diante dos painéis de São Vicente? Olhe como está aquela gente! Eu levei lá uma vez o Kane, um amigo meu que foi director da Faculdade de Letras e Ciências Humanas da Universidade de Dacar no Senegal. Ele veio aí e eu levei-o aos painéis. Expliquei-lhe rapidamente duas ou três coisas que se podem dizer dos painéis, sem erro. Número um, que é a única pintura do mundo em que uma nação tira o retrato. Não há, nunca houve em parte nenhuma, uma nação inteira a tirar e retrato. Todos os da nação, dos pescadores aos guerreiros, aos filósofos, aos juristas, aos mouros, aos judeus, uma quantidade de gente, extraordinário! Segundo, que é uma cerimónia religiosa, que ninguém hoje distingue por mais sábio que seja em coisas religiosas. Terceira coisa, é que há ali figuras históricas, aquilo é do fim do século XV, aquele rei é D. Afonso V, isso sabe-se e já com o infante se discute, se aquele sujeito do chapeirão é o infante D. Henrique ou talvez seja o D. Duarte, não se sabe bem, mas não importa. Dei-lhe duas ou três coisas desse género de explicações. Não entrei em mais pormenor nenhum para não atrapalhar e o homem ficou olhando e, depois, disse-me só uma coisa, a primeira vez que a ouvi a alguém olhando os painéis: «O olhar daqueles homens é espantoso, porque estão a olhar a realidade e o irreal do futuro!» Veja só, veio aquele senegalês, sabe, com uma definição do olhar daquela gente, que é uma coisa espantosa, muito bonita! Então é isso. A nação portuguesa sempre teve essas ideias sabe? Sétimas ldades, Espírito Santo e tal, mas ao mesmo tempo olhando bem as realidades, sabendo bem a sua matematicazinha, a sua náutica, todas essas coisas gue se têm de saber ali no concreto, no real. Podia ser muito interessante que três vezes cinco fossem dezasseis, só que não, são quinze. E, por outro lado, uma capacidade de passearem ao mesmo tempo pelos jardins do irreal e do imaginário, extraordinária!
Antónia Sousa, in "O IMPÉRIO ACABOU. E AGORA?" - Diálogos com Agostinho da Silva

domingo, 21 de dezembro de 2008

ESTIMAM-SE

Meditem nisto, pois só meditando podem analisar:

Os reguladores e os políticos conhecem intimamente os especuladores e os predadores. Não só se conhecem, como se estimam e convivem. Têm mesmo, simultânea ou sucessivamente, interesses comuns. O triângulo formado pelos políticos, os reguladores e os especuladores constitui um percurso pessoal que muitos fazem airosamente nas suas carreiras. Muitos políticos e muitos reguladores consideram que os predadores e os especuladores têm o direito de se entregar às suas actividades, de operar no mercado livre, de ter sucesso e de vencer nos negócios.
António Barreto, hoje, no Público

sábado, 20 de dezembro de 2008

FUNDO DE QUIMERA

A GENTE PORTUGUESA, AMOROSA, contemplativa sonhadora, com esse inesgotável fundo de quimera que lhe ficou da tradição religiosa,do ensino das visões místicas, do maravilhoso dos milagres e da alucinação do inferno, é notàvelmente própria para produzir de entre si engenhos excêntricos, onde a imaginação sobreleve e se imponha ao simples bom-senso, dando a realidade narrativa ao pesadelo, numa harmónica rrespondência com o feitio da alma popular, que, na sua miragem coiectiva do sebastianismo, procurou nos versejadores anónimos o estilo com que convinha fixar a sua fantasmagoria.


BRUNO SAMPAIO, in "A Geração Nova"

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

OBAMA NOMEOU UM GENERAL COM CARISMA PARA OS ASSUNTOS DOS VETERANOS. E POR CÁ?

O silêncio sobre os ex-combatentes. O esquecimento, a incúria, até mesmo a ingratidão. A semana passada morreu o Vasco. Mais um entre muitos que foi desprezado pelo país, esquecido pelo Estado, e sobretudo ignorado pelas Forças Armadas, que bem serviu. O stress de guerra e o álcool não são uma boa combinação.
O sr. Miguel Monjardino, que respeito como o faço a qualquer cidadão, escreveu no Expresso de 28.04.2007 "que a sociedade lusa não valoriza o papel dos seus militares". Presumo que o sr. Miguel Monjardino não serviu nas fileiras antes de 1975 e, como tal, nunca foi um ex-combatente. Eu já por aqui tenho escrito que o facto de não se honrar os que lutaram pelo país e as memórias dos que pereceram, como o fazem noutros países, e agora temos o exemplo da preocupação de Obama, tem consequências. E julgo que o sr. Monjardino não percebeu que nessa sociedade lusa estão os ex-combatentes e suas famílias e amigos, os esquecidos. O sr. Monjardino fala dos militares actuais, os que nunca passaram por nada parecido com que os outros passaram, e só com pré, nada de vencimentos luxuosos da actualidade. E a frase com que encerra o seu artigo tem muita acuidade: "Mais tarde ou mais cedo, o preço a pagar pelo nosso desinteresse e esquecimento será muito elevado". Mas a questão é que isto é aplicado sempre. Não pode ser só aplicado aos que serviram a partir de 1990, e os outros, os esquecidos, que se lixem. Pois é esta postura que tem um preço. Se até já nem o Lar de Veteranos Militares é para os veteranos militares, mas sim só para o QP. Os esquecidos ainda não estão todos mortos e vão lembrando, sempre, o desprezo a que foram votados. E essa lembrança tem custos. Que o sr. Monjardino não teve em conta, porque também olvidou os ex-combatentes.

domingo, 14 de dezembro de 2008

A CIÊNCIA EM PORTUGAL

Eu já perdi qualquer esperança neste país. No post anterior citei uma frase sobre o empréstimo dos filhos. Em Portugal não se pediu esse empréstimo. Tiraram-lhes, simplesmente.
Por isso peço que meditem na frase mote deste blog, que está abaixo to titulo do blog. Mas meditem nela todos os dias.
Hoje deixo um artigo para avaliarem:
A Ciência em Portugal
Miguel Mota
Publicado no “Linhas de Elvas” em 11-12-2007
Não há muito tempo, quando entrevistado por um jornal, um cientista português teve esta frase: “Queria ser professor universitário, porque era a única maneira de fazer ciência em Portugal”. Esta frase revela bem um dos clamorosos erros da política de ciência em Portugal nas últimas décadas: a destruição de toda a investigação que seja feita em instituições fora das universidades.
Os portugueses, com excepção das pessoas que trabalham em laboratórios do estado em diferentes ministérios, talvez não se tenham apercebido da fantástica destruição de boa ciência levada a cabo pelos governos das últimas décadas. Embora neste país muita gente não perceba o alto valor da ciência como cultura - como se mostra com os títulos de "Cultura e Ciência", considerando para a primeira a pintura, a literatura, o cinema e outras actividades, até a culinária - essa destruição não causou ao país apenas uma grande perda cultural mas também económica. Basta dar como exemplo o que tem sido feito aos dois primeiros desses grandes laboratórios, a Estação Agronómica Nacional, criada em 1936, e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, nascido dez anos depois e dela decalcado, duas instituições que muito projectaram o nome de Portugal no mundo, além de lhe darem grandes valores económicos. Impondo-lhes limitações de toda a espécie e culminando com o actual governo a realizar verdadeiras destruições, conseguiram reduzir enormemente a sua anteriormente boa produção científica.
Nem todos os ministros souberam ou quiseram resistir da mesma forma a essa destruição. Os que até muito a ajudaram foram os da Agricultura, todos eles incapazes de perceberem a verdade elementar de que sem o seu Ministério ter uma bem desenvolvida e de alto nível investigação agronómica nenhum país pode ter boa agricultura, daí resultando a situação vergonhosa que se encontra bem patente em qualquer supermercado, com a enormidade de produtos agrícolas importados que aqui devíamos produzir de melhor qualidade e mais baratos.
O problema é tanto mais errado porque, para além do valor cultural da ciência produzida - bem evidente nas citações dos trabalhos portugueses nas revistas científicas e livros texto de divulgação internacional - a investigação agronómica é um dos mais rendosos investimentos que qualquer governo inteligente pode fazer. Com os escassos elementos existentes - porque não se tem querido efectuar os estudos que já propus(1) - há muito mostrei como a investigação agronómica rende juros verdadeiramente astronómicos(2) . Quando propus a constituição dum Gabinete de Estudos Económicos na Estação de Melhoramento de Plantas apenas dispunha dum caso bem quantificado: a solução duma "doença" das vinhas do Douro, a maromba, resultado da investigação feita na Estação Agronómica, então ainda em Sacavém e que dava à lavoura duriense um valor anual que, ao tempo, era duas vezes todo o orçamento da Estação Agronómica. E, note-se, a solução desse problema continuou a dar ao país um valor semelhante (actualizado) todos os anos. Citei, ao tempo, os evidentes aumentos de produção de cereais das variedades lançadas pela Estação de Melhoramento de Plantas, cujo valor estimado era sempre várias vezes o que toda a Estação gastava ao estado. Ainda não havia, nessa altura um caso que cito com frequência, porque toda a gente conhece, embora a maioria lhe desconheça a origem: essa excelente uva branca de mesa 'D. Maria', "fabricada" na Estação Agronómica, em Oeiras, pelo meu infelizmente já falecido colega Eng.º José Leão Ferreira de Almeida, que a baptizou com o nome de sua mãe. O que essa variedade dá a mais, ao país, em relação às variedades que suplantou é certamente mais do que o que o estado investe na Estação Agronómica. Quantos mais casos como o da uva 'D. Maria' deixaram de contribuir para o PIB de Portugal é algo que os portugueses devem "agradecer" aos vários ministros da Agricultura e também aos da Ciência, desde que estes passaram a interferir no sector. E a destruição parece continuar até ao total desaparecimento dessa valiosa investigação e, mais uma vez, lembro a vergonhosa legislação dos finais de 2007, um verdadeiro crime de lesa ciência e de lesa economia. A única explicação que se encontra é que alguns medíocres das universidades (também lá há bons e muito bons), não sendo capazes de suportar a concorrência de melhores cientistas, têm conseguido que governos que não se importam de manter o país em baixo nível e na cauda da Europa, procedam a tais acções.
(1) Mota, M - "Da conveniência dum Gabinete de Estudos Económicos na Estação de Melhoramento de Plantas", Linhas de Elvas de 25 de Agosto de 2000.
(2) ---------- - Investigação Agronómica e Extensão Agrícola, as bases fundamentais do Desenvolvimento Rural, Vida Rural de Julho de 1999.
http://agriciencia.blogspot.com/

domingo, 7 de dezembro de 2008

O AUTÊNTICO CONSERVADOR

«O autêntico conservador é alguém que sabe que o mundo não é uma herança dos seus pais, mas um empréstimo dos seus filhos.»
J.J. Audubon (1800)

«O assalto dos merceeiros e desmiolados a tudo o que desprezam ou desconhecem, a substituição das velhas elites por gentinha insignificante vai provocar, cedo ou tarde, uma vaga de violência que permitirá a reedição do erro que foi o comunismo; ou pior, talvez de um neo-comunismo quase sem Marx, mas com muito Hitler à mistura.»
Do blog "COMBUSTÕES", ontem.
A que junto o lema, e tema, deste blog desde o primeiro post (ver abaixo do título).

sábado, 6 de dezembro de 2008

A INDIGNAÇÃO DOS CROATAS

Gostei de ver a indignação dos cidadãos croatas. Em manifestação veiculada pela internet. Mas sobretudo gostei do que disseram sobre os políticos. A coisa está-se a compor.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A SEM RAZÃO DO ORGULHO DOS QUE SE JULGAM INOVADORES

As gerações nunca aprendem na experiência alheia: só à custa do próprio sofrimento, dos própios êxitos e dos próprios insucessos, cada geração encontra, dolorosamente ou triunfalmente, os seus caminhos. Nem as circunstâncias dos tempos se repetem - embora às vezes sejam parecidas. Mas o que o conhecimento do passado proporciona à cultura de uma época é o esclarecimento das origens, da evolução, da razão de ser de formas de vida actuais, de ideias correntes, de instituições vigentes, mostrando certas constantes da Humanidade, as limitações da imaginação terrena e a sem razão do orgulho dos que se julgam inovadores.


Marcello Caetano, in "Marcello Caetano no exílio - Estudos, Conferências e Comunicações"

domingo, 23 de novembro de 2008

A FARSA

Em exibição contínua no «Teatro Portugal», com os melhores actores em hipocrisia seráfica.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CEM OEZDEMIR

Um amigo dizia-me que não entendia em que é que o post "Que fizeste do teu irmão" continha geoestratégia. De facto é matéria difícil. Mas se conseguirem apreender a problemática da imigração, verão que tem muito de geoestratégia. O não se ter actuado em tempo, e no sítio certo, tem os custos elevados que o mundo ocidental da Europa e da América do Norte vão pagar. E a médio prazo vão perder a matriz da identidade. Cem Oezdemir é o novo líder de "Os Verdes" alemães e é de origem turca. E é um bom exemplo do que disse atrás. Honra e glória a ele. Esperando que os novos líderes da europa, de origem imigrante como ele, sejam tão competentes como Oezdemir. Mas serão eles a impor as regras. O império romano vai, definitivamente, cair. Porque os "outros" merecem derrubá-lo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A REGRA

«A questão da fidelidade dos povos em relação ao Príncipe, é mais discutida em função da manutenção do poder do que da legitimidade da obtençãodo mesmo. E a regra é que o amor depende dos súbditos, mas impôr o receio depende do Príncipe.»
Adriano Moreira, NICOLAS MACHIAVEL: A CIÊNCIA POLÍTICA, in "10 Livros que Mudaram o Mundo".
Se as pessoas percebessem que as democracias têm principesinhos ..... !

(Este post já tinha sido publicado em março de 2006)

QUE FIZESTES DO TEU IRMÃO?


Frei Bento Domingues, no Público de Domingo, pôs em destaque esta pergunta no seu artigo.
Entendi focar aqui um trecho pela acuidade da análise de frei Bento.

2.Recebi, no entanto, um reparo bem áspero: "Deixe-se de mortos e cuide dos que, hoje, vivem mal." Esta observação não se inscreve, apenas, numa crítica à religião - que já vem do século XIX e percorreu o século XX - enquanto alienação intelectual, antropológica, psíquica e socioeconómica. A uma religião sem mundo parecia suceder um mundo sem religião. Era uma nova crença: na medida em que se forem resolvendo, de forma científica e técnica, os nossos problemas mais palpáveis, as religiões irão perdendo terreno e acabarão por desaparecer.A crítica mais certeira das falsas devoções veio, porém, do interior da própria religião, de alguns profetas do antigo Israel que Jesus Cristo radicalizou. Quem beber nessa Fonte e se aquecer a esse Lume será sempre confrontado com a mesma pergunta: "Que fizeste do teu irmão?"Quando nos referimos às religiões, pensamos, de imediato, em sistemas culturais e simbólicos, em credos, em dogmas, em ritos, em organizações mais ou menos hierarquizadas e em normas morais. Ao dizer isto, devemos ter cuidado, pois as religiões são diversas, multifuncionais e podem ser utilizadas para o melhor e para o pior: para fazer a paz e para fazer a guerra; para manter a concórdia e suscitar a revolta.A própria etimologia da palavra religião tanto pode vir de "religar" o humano e o divino e os membros de uma comunidade, como de "reler", reconsiderar, observar cuidadosamente as formas e as fórmulas que mantêm a separação do sagrado e do profano. Sob este ponto de vista, o contrário de religião é a negligência, a distracção, a falta de regras para manter o sagrado e o profano nos seus respectivos lugares.A primeira etimologia evoca um universo integrado. A segunda é tentada pelo ritualismo e até pelo fanatismo. Daí, a saborosa adivinha eclesiástica: qual a diferença entre um terrorista e um liturgista? Com o terrorista é possível negociar. Com o liturgista, nunca.3.Por causa de usos e abusos de práticas rituais e de imposições dogmáticas, há pessoas, profundamente religiosas, que preferem caminhos de meditação, de espiritualidade, de mística, em regime de isolamento ou de peregrinação. Quando, porém, se foge de manifestações exteriores, pode-se cair num intimismo alheio às questões da sociedade. Ao evitar o ritualismo e o dogmatismo, não se deve esquecer que a ritualidade faz parte do ser humano e que precisa de articular convicções em constante aprofundamento. A grande questão é esta: como alimentar a qualidade estética, a exigência ética, a profundidade contemplativa e a clarividência profética nas celebrações da fé cristã?Pode-se dizer, com razão, que as celebrações da Eucaristia - isto pode ser extensivo a todos os sacramentos - têm uma estrutura que permite articular palavra, silêncio, gesto, imagem, música, interpretação, relação entre quotidiano e festa, profundidade espiritual e intervenção profética, vencendo o reino das aparências, sem resvalar para o esotérico ou para o comício.Dizer isto não é difícil. No entanto, para promover todas essas dimensões com autenticidade, seria preciso, nas paróquias e nos movimentos, conceber e realizar programas que saibam unir formas de vida e de expressão que há muito tempo andam divorciadas. Esta é uma das tarefas primordiais da Igreja.Dir-se-á que os verdadeiros problemas de hoje dizem respeito ao genoma humano, aos organismos geneticamente modificados, à identidade sexual, às novas formas de viver em comum, à clonagem, à globalização, à regulação financeira e das telecomunicações, etc. A Igreja católica não vive ausente de toda essa nova problemática cultural que também faz parte do seu corpo. Precisa, no entanto, de escutar a voz do Espírito. É essa, aliás, a proposta do primeiro escrito cristão: não fujam, procurem, em tudo, discernir o que é bom (1 Ts 5, 19-21).

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

OS INTELECTUAIS PODEM SER INTELIGENTES MAS ISSO NÃO GARANTE QUE SEJAM ESPERTOS

Hoje, no Público, Rui Tavares publica o excelente artigo «A maldição dos intelectuais» de que destacamos este trecho:



Os intelectuais podem ser inteligentes mas isso não garante que sejam espertos. A lição que muitos teimam em não aprender é a seguinte: "Nunca, mas mesmo nunca, bajular uma categoria de pessoas para aceder ao poder com elas e depois tentar influenciá-las." O que acontece de cada vez é que a pessoa bajulada acredita nos seus dons e, naturalmente, reage mal quando o intelectual lhe vem dizer o que fazer.
Isto ocorre à esquerda e à direita. Muitos conservadores, que deveriam ser mais cautelosos, exageram na propaganda às virtudes das pessoas mais "instintivas".

JÁ FALTOU MAIS

domingo, 9 de novembro de 2008

A LUTA FINAL

É o título do excelente artigo de António Barreto, hoje, no Público, que não se deve deixar de ler.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

SE NÓS NÃO NOS QUISERMOS DEFENDER ...

Já aqui tinha colocado o final da última obra de Franco Nogueira. Que recomendo, sempre, para ler na íntegra. Mas o final deve ser lido com visitas periódicas. Sugiro que todas as semanas o releiam. E caso não tenham o livro, voltem sempre aqui.
Mas hoje deixo outra passagem desse livro, para que a meditação se possa ajustar à realidade actual:
Mas seria erro pensar que dentro de dez ou vinte anos a situação é idêntica à de agora. Depois de tudo mudar, apura-se que não mudou muito o que há de básico. Em qualquer caso, por mais sólidas que sejam as alianças, a maior defesa da independência nacional, a sua maior garantia está na força e na vontade dos Portugueses. Aliás, apenas um povo vigoroso e com vontade de se defender consegue contrair alianças úteis. Não há alianças que nos defendam se nós não nos quisermos defender.

Franco Nogueira, in "Juízo Final"

sábado, 25 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

DE QUE PRECISAM OS PARTIDOS

"Um partido não precisa de indivíduos com personalidade, criatividade, imaginação, dignidade: precisa de burocratas, funcionários, servos, (...) yes men, homens que não são homens, robôs que estão sempre de acordo com as ordens que recebem."As palavras são da jornalista italiana Oriana Fallaci, desaparecida há dois anos, vítima de cancro, e que, durante a sua vida profissional, entrevistou os poderosos do mundo e escreveu reportagens onde o seu espírito indomável e o seu apego à liberdade espreitavam por baixo de cada linha.
Do artigo de José Vítor Malheiros, hoje, no Público.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

GERAÇÃO ESPONTÂNEA

Também se dizia no velho Império Romano que, quando uma guerra é ganha, todos nela participaram, mas quando uma guerra é perdida, só há um culpado", lamenta.
A Xabanu Farah Diba, no Público de ontem.
Mas isto é tão português. Ainda ontem houve eleições aqui, nos Açores. E o que se dizia no velho império aqui se aplica. Como em qualquer eleição, em Portugal, desde o 25 de Abril. Os da Pide devem até ter ficado estupefactos com tantos opositores de gema, que eles ignoravam no dia anterior. Foram geração espontânea. E se formos falar dos estudantes universitários que perveteram os valores porque, então, lutavam, muito havia para escrever.

domingo, 19 de outubro de 2008

A IDEIA DE INFERNO

A minha ideia de inferno é a de um mundo onde a razão é impotente. Creio que foi Kant quem primeiro o disse.

Nuno Crato, em "Os meus medos" na Revista Sábado.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A FALTA DE AGILIDADE MENTAL POVOA MILHARES DE POSTOS DE TRABALHO OCUPADOS POR ESMOLA POLÍTICA.

A carência de agilidade mental é desastre quando existente a partir de níveis mínimos decisórios. No fundo é o lema deste blog, que está escrito debaixo do título: mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara. E parece que está a rebentar por todo o lado. Aqui, ali e no mundo. Só que nós conhecemos esses carentes aqui e ali, embora não conheçamos os de todo o mundo. Mas os daqui conhecemos muito bem.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

PORQUE NÃO SE OUVEM AS VOZES ATINADAS, E ATEMPADAMENTE?

Antes das crises estoirarem há sempre vozes de pessoas mais avisadas, que, por aqui e por ali, vão alertando para as tempestades que se podem aproximar. Mas ninguém os ouve, não lhes dão atenção. E as tempestades acontecem. Ontem o Dr. Medina Carreira, mais uma vez, disse, publicamente, o que pensava do estado do país. Foi na SIC Notícias, no Jornal das 21(O video dessa entrevista esta na SIC online). Há anos que ele, entre outros, chama a atenção para os erros do país. Eu tenho-o citado. Hoje só peço que no Google pesquisem Medina Carreira. Há muito material. Ouçam e leiam. Por favor, façam isso. Informem-se, actualizem-se.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A TAL DE GANÂNCIA

Excelente reflexão de Rui Tavares, hoje, no Público. Destaco:
Não tenho qualquer razão para defender os executivos, mas não - a culpa da crise não está na "ganância dos executivos". Os executivos não são mais gananciosos do que qualquer outra pessoa em circunstâncias semelhantes. As suas empresas agem no interior de um sistema legal. Quem fez as leis ou - mais exactamente - quem revogou as leis que nos protegiam? Políticos. Quem elegeu os políticos? Nós. Quem convenceu a maioria dos eleitores de que regular o mercado era indesejável? Os mesmos que agora querem pôr as culpas na "ganância dos executivos". Por sinal, os mesmos que durante anos proclamaram (por outras palavras) que a "ganância dos executivos" iria resultar na prosperidade de todos.Já ouviram algum deles dizer: "Andei nos últimos anos a defender ideias que agora se revelaram desastrosas"? Bem me parecia. Falar da "ganância" é fácil e inconsequente, porque jamais se poderá abolir a ganância. Podemos no máximo taxá-la com um imposto fortemente progressivo. Isso é que era falar.

JUMENTO

É um excelente blog sobre o nosso país, e não só. Encontra-o aqui.

Dois destaques:


(de 6.10.2008) - Daquilo que conheço na Administração Pública nunca a teia corrupta esteve tão consolidada, nunca deteve tantos lugares de chefia, nunca teve tanto poder, ao ponto de serem os honestos a recear o poder do corruptos.
(de 19.09.2008) - A educação católica que terminou no crisma ter-me-ia levado ao PCP que é a organização política que mais se assemelha à Igreja Católica Apostólica Romana, os dogmas têm a mesma importância, a infalibilidade do Papa é quase tão grande como a do Jerónimo de Sousa, a comissão de quadros foi decalcada da Congregação para a Doutrina da Fé, a Igreja muda os padres das paróquias com os mesmos critérios com que o PCP mandou o presidente da CM de volta para a sacristia, o PCP tem tantos textos sagrados como a Igreja tem evangelhos, o líder do PCP é escolhido em segredo pela mesma maioria com que Bento XVI contou graças aos cardeais que nomeou para o conclave que o elegeu, por fim, quer o Papa quer Jerónimo de Sousa prometem-nos o Céu, a única diferença está no timming, o Jerónimo promete-o para antes da morte, enquanto Bento XVI assegura-nos uma eternidade de prazer casto no post mortem.

domingo, 12 de outubro de 2008

PORQUE SERÁ QUE AINDA NÃO OUVI RUÍDO NA BANCA OFFSHORE?

E as grandes fortunas que se estão consolidando neste momento, comprando na bolsa em baixa? E onde estava o dinheiro que falta na liquidez bancária, e que aparece, confortável, para estas compras gigantescas aproveitando as baixas cotações?
E as megas fusões que estão a surgir? E os monopólios mundiais estão a fortalecer-se. Sim, porque o dinheiro não se escoou por um bueiro ignaro. Ele anda por aí, sempre pronto a reproduzir-se à custa do sacrifício de milhões de pessoas.
E a propósito cito Frei Bento Domingues, do Público de hoje:
Agora, fala-se, debate-se e escreve-se abundantemente sobre a crise, assegurando uns que o pior já passou e outros que o pior está para vir. Continuam, no entanto, por explicar, de forma adequada, as causas reais que cegaram tantos economistas, gestores, conselheiros e reguladores - muito bem pagos e premiados, servidos pela melhor tecnologia - a ponto de não conseguirem ver o desastre que estavam a provocar.Repetiu-se, até à saciedade, que era preciso menos Estado e mais iniciativa privada, pois ele só servia para complicar e empatar. Seja como for, o Estado acaba de receber a maior consagração que se poderia imaginar e a economia de mercado, na sua expressão neoliberal, perdeu a aura fictícia da sua auto-regulação.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

INSULARIDADE (III)

A humidade é terrível. Tem-se ouvido cada coisa por cá, que só a humidade justifica. Que os estudantes universitários, mas da Universidade de cá, claro, que fossem assíduos e bem comportados não deviam ser penalizados pela escala de 0 a 20: deveriam passar, automaticamente, só por irem lá pastar na universidade. Isto é muita insularidade adensada. Para já não falar das selecções de futebol. E não é ficção, tudo isto é Real.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A ABREVIAÇÃO

Ora, a única razão que pode «incitar» quem ainda dispõe de algum trabalho a proporcioná-lo é conseguir pagá-lo a preço miserável, e fazê-lo aceitar por infelizes vitimados pela «insegurança». Criar emprego talvez, mas primeiro criar essa insegurança! Ou, melhor ainda, ir procurá-Ia onde ela existe, em determinados continentes.
Evidentemente, entre as massas cuja insegurança foi pla­neada a sangue frio, só uma pequena percentagem de indiví­duos beneficiará desses empregos em saldo que não os farão sair da miséria. Para os outros só resta a insegurança. E o seu cortejo de humilhações, de privações, de perigos. A abrevia­ção de umas tantas vidas.
O lucro, claro, lucrará.
Viviane Forrester, in "O HORROR ECONÓMICO". Chamo a atenção que este livro é de 1996. Escrito 14 anos antes desta crise. Do agudo da crise, porque ela já, então, pulsava.
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Michele Sindona foi o homem escolhido por Paulo VI para consultor financeiro do Vaticano; o homem escolhido, após uma longa amizade com o papa, para aliviar a Igreja da sua alta posição no mundo dos negócios em Itália. O plano era vender a Sindona alguns dos principais valores adquiridos por Nogara. A Vaticano SARL a distanciar-se do lado inaceitável do capitalismo. Teoricamente ia abraçar a filosofia contida na mensagem que Paulo VI dera ao mundo em 1967 na Encíclica Populorum Progressio:
«Deus destinou a terra e tudo o que ela contém para o uso de todos os homens e de todos os povos, de forma a que os bens da criação corram em justa proporção para as mãos de toda a gente, segundo as regras da justiça que é inseparável da caridade. Todos os outros direitos, sejam eles quais forem, incluindo os da propriedade privada e do comércio livre lhe devem ser subordinados: não devem pôr obstáculos à sua realização, mas devem pelo contrário incentivá-la e é um dever social urgente e grave restabelecê-los nos seus objectivos originais.»
David Tayllop, in "EM NOME DE DEUS". De 2006.

INSULARIDADE (II)

Ontem foi tema interessante dos noticiários a questão do hóquei juvenil e da discriminação a que os Açores foram sujeitos pela Federação. É certo que movida por motivos financeiros. Mas é a insularidade. Quem defende os interesses dos Açores? Dos que vivem nos Açores? Outra questão nunca defendida é a discriminação salarial e de categoria profissional que as empresas nacionais fazem aos trabalhadores seus, mas que laboram nos Açores. Ninguém os defende, ninguém zela pelos seus interesses. É pura discriminação, que fere preceitos constitucionais. Mas decorre da insularidade.
Mas depois há o seu contrário. O Campeonato Regional de Ralis tinha, atribuído pelo Governo Regional, um prémio para o vencedor anual do campeonato. Mas só se fosse nascido nos Açores. Julgo que isso já foi corrigido. E houve um ano que, julgo eu, não foi entregue. Discriminação inversa. Mas muito aplaudida por alguns círculos locais. (Este ano o Campeonato foi ganho pelo Ricardo Moura, que felicito, e a quem desejo que voe mais alto, noutros campeonatos, para não ficar confinado a esta insularidade desportiva). Só que esta insularidade, o auto isolamento, tem custos. A realidade do ensino dos cidadãos surdos, que eu conheço bem, é vitima de uma autonomia, que os segregando dos modelos evoluídos aplicados no Continente e na Madeira, lhes provoca insucesso. É fruto da insularidade. E também de uma mediocridade. E como referi no INSULARIDADE (I) o auto isolamento não conduz a nada de bom para quem vive nos Açores.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

INSULARIDADE (I)

A insularidade, em si, não é um mal. O isolamento que pode incrementar já é, então, mau. Mas o pior é o isolamento imposto a partir do interior da insula. Esse é que é fatal. Quando é o próprio núcleo insular que não quer comunicar, que impede o desenvolvimento, a formação, o embeber as novidades que estão para lá da insula, isso é fatal. O empobrecimento do espírito por vontade própria é castrador para o desenvolvimento.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O MEDO SEGURO

Encontramo-nos, actualmente, numa situação paradoxal: vivemos numa das sociedades mais seguras e prometedoras da História e mais obcecada com a segurança. Parece que quanto mais seguros estamos, objectivamente, mais inseguros nos encontramos e mais protecção exigimos. Vivemos um tempo de incertezas que nos tornam vulneráveis sob o ponto de vista social, económico e afectivo.
(...)
Enquanto houver guetos de pobres e condomínios fechados de ricos, é de ter medo. Para evitar o medo omnipresente, é preciso reorganizar o espaço urbano, público, onde todos se possam encontrar e enriquecer a diversidade cultural. Juntos, não teremos medo.
Frei Bento Domingues, no seu artigo "Sociedades do Medo", ontem, no Público.

SOBREESTENDIDO

A América pensa (e continua a agir) como uma "hiperpotência". É uma ilusão. A tecnologia militar não chega. Sem peso político, sem uma clara hegemonia económica e sem um exército praticamente inesgotável (e dinheiro para o pagar) existem limites que é mortal passar. E a América "sobreestendida" e dependente de 2008 passa, dia a dia, esses limites.
VPV, no Público de 03.10.2008.

3 LIÇÕES DA, E PARA, A CRISE

O Prof Luís Campos e Cunha explica com clareza a crise financeira actual. No seu artigo «O MEDO» publicado no Público de 3 de Setembro de 2008.

sábado, 4 de outubro de 2008