quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

PARA A SOFIA

A Sofia pôs um comentário, num post de há dias, onde me colocou um desafio. O seu comentário foi, e é, muito interessante. Apresentar soluções em vez de só apontar os defeitos.
Ora isto seria uma tarefa complicada se a solução não fosse fácil. E é fácil por isto: basta os portugueses tornarem-se cidadãos conscientes e lúcidos dos seus deveres e direitos, e cumprirem a sua cidadania em acordo com isso. Bastava e seria suficiente. Se os cidadãos não pactuassem, e não fossem coniventes, com as patifarias diárias, extinguiam-se imensos problemas. É estranho que em Portugal haja apreço por pessoas que são manifesta e declaradamente escroques, vigaristas, corruptos, ladrões, e etc. Até os elegem. As pessoas que fogem ao fisco, e disso se gabam à boca cheia, são admiradas e invejadas. As pessoas que enriquecem sem terem forma de alguma vez o terem podido fazer legalmente, são apreciadas, são aduladas e apontadas como exemplo de sucesso.
Costumo citar muito o caso dos alunos do 12º ano de Guimarães que apresentaram atestados médicos para não irem a exame. Foram os pais que os conduziram a isso, foram os pais que os educaram nessa vigarice, foram os pais que lhes servem de exemplo. E os médicos, que nunca são responsáveis por esses pequenos gestos com que facilitam as vigarices, e claro, com recompensa monetária, como é notório pelo país fora.
Também aquelas pessoas, normalmente trabalhadores por conta própria, advogados, médicos, engenheiros, e etc. que quase não pagam IRS, mas que têm bens e modos de vida 50 vezes superior aos que pagam 5 vezes mais IRS do que eles, são um "bom" exemplo de cidadania.
Por tudo isto, Sofia, a solução é fácil. Se todos os cidadãos de Portugal forem cumpridores dos seus deveres e direitos de cidadania, os problemas terão solução imediata. Agora se também eles tentarem tirar vantagem das vigarices que por aí pululam, na óptica do que cada um que se safe o melhor que puder, e que quem não tentar é tolo, não há soluções técnicas que possam resolver a “desbunda” onde isto caiu.
Eu podia apresentar soluções para cada caso, diria para a área de cada ministério, mas sem cidadania consciente e efectiva não vale a pena. Só se nos conseguíssemos educar uns aos outros. No que não creio.
Permito chamar a atenção para o lema deste blog, a mistura explosiva de ignorância e de poder, que também poderá ler aqui, ou no próprio livro.
Espero ter sido claro da minha posição.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

KIMBÓIOS

Transcrevo, com a devida vénia, do blog "The Braganzzzzza Mothers" o post seguinte:
«Hoje também não vamos escrever sobre o aborto.
Bem, não é verdade, vamos escrever sobre um aborto mas não é de nenhuma criança que uma futura ex-mãe tenha preferido não ter depois de fazer aquilo que normalmente leva aquela situação.
O aborto chama-se Linha do Norte.
Os números vêm no semanário Sol deste fim-de-semana.
A história, que não deve ser contada ás criancinhas, é assim.
Quando o senhor Professor Aníbal ainda só era o primeiro-ministro deste quintal, ou seja em 1991 iniciaram-se as obras de modernização da Linha do Norte com conclusão prevista, reparem bem p-r-e-v-i-s-ta, para 1993 com um valor de 76 milhões de euros e que deveria levar o comboio a ligar Lisboa ao Porto em 2 horas e quinze minutos.
E como havia muito dinheiro e estava tudo a correr bem, compraram logo os Alfas pendulares que iriam aproveitar a magnífica linha em estonteantes velocidades.
E o que é que aconteceu ò crentes?
Pois hoje em 2007 os senhores que mandam nisto tudo já gastaram 1863 milhões, uma singela derrapagem de 2000 %, o tempo de viagem é de 2 horas e cinquenta e cinco minutos, cerca de quarenta minutos melhor do que faziam nos anos sessenta, e as obras estão suspensas, para dar lugar às Novas Obras Para o TGV.
Duas notas finais:
As Novas Obras têm um valor previsto de 4700 milhões de euros e vão terminar (é apenas um prognóstico) em 2015 e isto é publicidade não é para levar a sério.
Sim, nenhum dos gestores que derraparam daquele maneira, foi acusado, nem foi preso e aposto que a maioria foi transferida para As Novas Obras.
As boas mãos devem ser mantidas.
O governo agradece que discutam apaixonadamente outros temas, que este ferve.»

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

SENSATEZ

http://www.youtube.com/watch?v=oMYzdf4t8IY

Vejam aqui o que eu considero uma opinião sensata e serena sobre o próximo referendo.

CRITICAR E APROVEITAR

Ontem, no quadro de revista do programa “Quase Magazine”, dos Gatos Fedorentos, sobre a suposta corrupção na Câmara de Lisboa, houve mais um elemento para o enquadramento do português comum. A personagem do Zé-povinho, sempre crítico, acaba por entrar no esquema do político, porque “mora” na Amadora, pelo que lhe passa ao lado, podendo, assim, aderir à “modalidade, recolhendo, então, uns trocos.
Como venho dizendo, os portugueses tentam sobreviver por esquemas manhosos, despidos e desguarnecidos de valores e de padrões de integridade. E a falta de vergonha e o descaramento começam a imperar.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

VAGA IMAGEM

«De qualquer maneira, o caso não se agravou e os patriotas não se devem afligir com a "imagem de Portugal no mundo", se o mundo tem a mais vaga imagem de Portugal, o que nada indica. Apesar dos milhões que se gastam em propaganda turística e em viajatas várias, para a maior parte da humanidade Portugal, coitado, não existe.»

VPV, hoje, aqui, no Público

DISSONÂNCIA COGNITIVA

«O ex-ministro das Finanças de José Sócrates quebrou um silêncio de 18 meses e, ao comentar referência de Manuel Pinho, na China, aos salários baixos, falou de "dissonância cognitiva"
"Se calhar o mal não está naquela frase, está em ter-se andado a propagandear o choque tecnológico. A evolução tecnológica dos países é por definição lenta, logo é o contrário de um choque. Do meu ponto de vista há nesta ideia uma contradição nos seus próprios termos."»
Aqui, no Público de hoje. Ou para ver no Canal 2 da RTP no programa 'Diga Lá Excelência', que repete amanhã à tarde, e também não sei quando na RTPN.

O PORTUGUÊS VERDADEIRO

« Em Portugal há só um homem – que é sempre o mesmo ou sob a forma de dândi, ou de padre, ou de amanuense, ou de capitão: é um homem indeciso, débil, sentimental, bondoso, palrador, deixa-te ir: sem mola de carácter ou de inteligência, que resista contra as circunstâncias. É o homem que eu pinto – sob os seus costumes diversos, casaca ou batina. E é o português verdadeiro. É o português que tem feito este Portugal que vemos »

Eça em carta a Fialho de Almeida.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

A ESCURIDÃO ENVOLVENTE

«A consciência do valor da liberdade de expressão e das outras liberdades consignadas na Declaração de Direitos, do que acontece quando não as temos, e de como as devemos exercer e proteger, deveria constituir um pré-requisito essencial para se ser cidadão ame­ricano – ou, em boa verdade, um cidadão de qualquer país, e tanto mais quanto menos protegidos estiverem estes direitos. Se não formos capazes de pensar por nós próprios, se não estivermos dispostos a questionar a autoridade, ficamos nas mãos dos que detêm o poder. Mas se os cidadãos tiverem um bom nível educacional e souberem formar as suas próprias opiniões, os detentores do poder trabalham para nós. Em todos os países devíamos ensinar às crianças o método científico e o interesse de uma Declaração de Direitos. Isto trará alguma decên­cia, alguma humildade e algum espírito comunitário. No mundo infes­tado de demónios em que vivemos pelo facto de sermos humanos, isto pode ser tudo o que nos separa da escuridão envolvente.»
Carl Sagan, do livro de onde foi extraido o lema deste blog.

SOBRE A NOSSA IDENTIDADE

Um bom artigo de hoje para ler na integra, aqui.
Um pequeno destaque do mesmo:
«Em todos os sectores, na política, na economia, nas universidades, na cultura, incluindo a comunicação social, há gente que se instalou e não quer sair dos lugares que ocupa há longos anos. As nomeações para os diversos cargos não beneficiam os melhores, mas os amigos daqueles que adquiriram algum poder. A entrada a estranhos e independentes, com capacidade de crítica do actual sistema, não é permitida. Não existe por isso um debate de ideias, mas exibição de títulos e mordomias, como se isso bastasse para provar o quer que fosse.
(...)
E aqui entronca a questão europeia e as relações com Espanha, a quem estivemos sempre ligados como irmãos siameses, mas que ainda hoje não sabemos equacionar correctamente, tentando sempre amesquinhar aquela que foi, num determinado período da História, uma das nações mais poderosas da Europa e do mundo. Nesse sentido, a Espanha conseguiu ao fim de alguns anos, depois da sua adesão à Comunidade Europeia e da entrada na democracia, encontrar a sua verdadeira identidade (pese embora a questão basca, ainda por resolver) e aproveitar a expansão da sua língua, que só na América Latina é falada por cerca 200 milhões de pessoas, um pouco mais que o português no Brasil. De cada vez que me chegam dados sobre ela, fico espantado. A Espanha ultrapassou o PIB do Canadá e devia fazer parte do G8 ou G9 - jornal Le Monde de 30 de Dezembro de 2005. Ou a lista publicada recentemente pelo El País das empresas adquiridas em 2006 por grupos espanhóis no estrangeiro. Que vão desde a gestão de aeroportos no Reino Unido a diversas empresas francesas, italianas, alemãs e norte-americanas, incluindo bancos na China e na Rússia. Por isso, quando há meses atrás os nacionalistas do costume clamavam "Aqui del-Rei!" que os espanhóis nos estão a invadir e vamos passar todos a falar espanhol daqui a uns anos, por que não estudar antes os assuntos com alguma serenidade e racionalidade antes de fazer afirmações que demonstram uma perfeita ignorância do que se passa no mundo. Porque é isso que essencialmente falta aos portugueses. Estudar e trabalhar bem. Todos os dias se toma conhecimento de actos que vão no sentido inverso e, nos jornais, de afirmações perfeitamente delirantes.»

A JUSTIÇA NAS RUAS DA AMARGURA

Nem de propósito. Após o post de ontem, hoje um dos temas do dia é o indulto presidencial a um foragido. Vejam aqui ou em qualquer outro jornal.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

A JUSTIÇA FAZ-SE NA TV. PORTUGAL É UM PAÍS ANEDÓTICO.

Agora os juízes e bastonários vão justificar tudo na televisão. Já se sabe que, hoje em dia, tudo se faz para manipular os sentimentos da opinião pública, através da televisão, para se condicionar as decisões judiciais. Os tribunais ficaram, doravante, cativos dos noticiários televisivos. Isto é Portugal no seu melhor. É o fim da justiça e do estado de direito.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

O ABORTO E A HIPOCRISIA


Já aqui expus a minha posição sobre o aborto. Esta também será a minha última intervenção sobre este tema até ao referendo.
Estive seis dias sem colocar qualquer post, porque entendi que o post que tinha colocado era susceptível de ser bem digerido. As resposta da entrevista continham muito da concepção do mundo actual, dos temores, das desesperanças, das hipocrisias, das falácias, enfim, da angústia de povos que caminham numa convivência para o caos. Nenhum comentário objectivo ao post. Assuntos sérios não são atractivos.
Voltemos ao aborto. A sociedade portuguesa sobrevive desde há anos na hipocrisia. São cidadãos sem memória, que tentam viver de oportunismos. Todo este cenário em volta do aborto, do referendo, reflecte isso. A problemática do aborto em Portugal é, basicamente, sócio-económica. A falta de empregos, de salários miseráveis, de educação/instrução débil, de segurança social frustrada, de existência de uma administração pública ineficaz quando não corrupta, de uma educação para a cidadania nula e de uma ausência de estratégia para o futuro do país estão na base da taxa do aborto em Portugal. Devo também lembrar que a taxa de desemprego não está encorpada por funcionários públicos, que estão blindados nos seus privilégios, mas sim só por trabalhadores.
Quando um casal é despedido de uma fábrica e a mulher está grávida, a única opção é/foi abortar. E a hipocrisia está em que ninguém dos acomodados, os quais agora barafustam pelo sim ou pelo não, se preocuparam, minimamente, com essas pessoas. Vê-se agora toda a gente a visitar os centros de acolhimento de mães jovens solteiras, a tentarem arranjar ajudas, etc, etc. Mas só até ao dia 11 de Fevereiro. Depois, como é costume, e de acordo com a má qualidade dos portugueses, volta tudo para o esquecimento. Tem-se visto que os portugueses não têm bom carácter. E a hipocrisia que têm manifestado neste assunto do aborto, prova-o. Há muito que perderam os valores da integridade.
Depois de 11 de Fevereiro, seja qual seja o resultado, o panorama da miséria será mantido. O ministro Pinho até clarificou isso, lá na China. Os acomodados é que tentarão continuar a espremer o mais possível da teta, farão os impossíveis para que nada sobre para os miseráveis. Entretanto jorram palavras caras para iludirem os miseráveis. Os portugueses estão condenados a sofrerem pelas suas faltas de carácter.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

PARA MEDITAR

Recebi por mail. É algo que merece ser bem lido.
«Entrevista dada ao Jornal O GLOBO por "Marcola", o líder do PCC,
Colunista: Ronaldo Jabor
NOTA: Marcola é o chefe dos "gangs" brasileiros que puseram S. Paulo aferro e fogo.
- "Você é do PCC?"
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre einvisível... vocêsnunca me olharam durante décadas... E antigamente era moleresolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralasperiferias. A solução que nuncavinha... Que fizeram ?Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verbapara nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora,estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo...Nós somos início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...
- Mas... A solução seria...
- Solução? Não há mais solução, cara... A própria ideia de "solução" já é umerro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões dedólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensavontade política, crescimento económico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tiraniaesclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, quepassasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário,que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal dopaís, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até Conference Calls entre presídios...) Etudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocialprofunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
- Você não têm medo de morrer?
- Você é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês nãopodem entrar e me matar... Mas eu posso mandar matar vocês lá fora... Nóssomos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira damorte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outrosbichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovadonuma vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "sejamarginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000livros e leio Dante... Mas meus soldados todos são estranhas anomalias dodesenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, seeducando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como ummonstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. Éoutra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. Após-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, Internet, armas modernas. É a merda com chips, commegabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos deum grande erro sujo.
- O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como oBeira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório...Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no"microondas"... Ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado porincompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nósnão tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vãode três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam emsuperstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pelapopulação das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais.Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assimque passa o surto de violência.
- Mas o que devemos fazer?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado,senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas decocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentandoum Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastospúblicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva deêxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gentejá tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... Pra acabar com a gente, só jogando bomba atómica nas favelas... Aliás, agente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo... Jápensou? Ipanema radioativa?
- Mas... não haveria solução?
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a"normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer umaautocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele evocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olhaaqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogni speranzavoi che entrate!" -Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno. " »

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

A QUALIDADE DOS DEPUTADOS

Ainda há pouco ouvi, no fórum da TSF, o filósofo José Gil dizer o seguinte: “A qualidade cultural dos nossos deputados deixa muito a desejar e isso é um assunto sério.”
Dito por ele sempre tem mais impacto do que por mim.

EM DEGRADAÇÃO, ANO APÓS ANO

«Números crus: em 1998, um operador I em Portugal recebia em média 750 a 800 I euros por mês, fazendo um turno de oito horas. Agora só leva para casa 400 euros. Se tiver um prémio de produtividade, po­de ainda chegar aos 500 euros, mas o pre­ço por hora não atinge os três euros ­bem menos do que faz hoje uma mu­lher-a-dias. «10% dos custos de um 'call center' são os recursos humanos e as em­presas tentam cortar aí.» »
Do artigo "A malta dos 'call centers' ", na revista Única do Expresso de 20.01.2007.
Pena que os que estão acomodados na função pública não percebam, ou não queiram constatar, a realidade dos trabalhadores em Portugal. Mas um dia vai-lhes custar caro a indiferença com que encaram o esforço dos trabalhadores para pagarem os impostos que os sustentam.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

A FRASE DO MÊS

«A nossa classe média é, por natureza e origem, uma classe média do "emprego público".»

VPV, no Público de 19.01.2007, aqui.

A FALTA DE MEMÓRIA POTENCIA A ASNEIRA


«Já se sabe que, em Portugal, a memória é um luxo dispensável. Um ano é uma eternidade. E a actualidade vive exclusivamente do momento, da frase do dia, do acontecimento imediato, do último escândalo e da indignação fácil que tudo isto suscita. Nada de essencial sobrevive aos diversos tumultos do dia-a-dia. Uns meses mais tarde, depois de alguns inquéritos inúteis, qualquer destes casos bombásticos está morto e enterrado no sossego dos arquivos. A política, como tudo o resto, não tem passado. Nasce virgem, todos os dias, pronta a estrear um novo caminho, com novos objectivos que exigem novos anúncios e novas e esfusiantes promessas.
Ainda esta semana, a propósito do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), apresentado com pompa e circunstância pelo primeiro-ministro, se viu, mais uma vez, como as velhas e estafadas promessas de sempre se transformam, com uma encenação apropriada, em novos e reluzentes anúncios sobre as prioridades do Governo e o futuro radioso da pátria.
(…)
O Governo insiste na racionalização dos recursos e na necessidade de diminuir a despesa pública, mas recusa-se a ver que, sem o acesso à qualidade, nem a quantidade se consegue manter. Ao fim de vinte e tal anos de fundos europeus e de anúncios sucessivamente ultrapassados, dá ideia que voltámos à estaca zero. E que já perdemos esta última oportunidade que agora supostamente se nos apresenta. A Finlândia do eng. Sócrates, como a Irlanda com que sonhou o eng. Guterres, são miragens, cada vez mais distantes. E quanto mais esta distância aumenta, mais a política de betão do prof. Cavaco Silva deixa de fazer qualquer sentido. Pelo caminho, e feitas as contas, temos, pelo menos, vinte e tal anos perdidos
.»
Constança Cunha e Sá, no Público de 19.01.2007, aqui.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

AINDA CAMINHAMOS PARA A CURVA DE RETORNO DO CAOS

«Como chegámos a estas amnésias, a esta memória lacó­nica, a esse olvido do presente? Que aconteceu para que hoje reine uma tal impotência de uns, um tal domínio de outros, uma tal aquiescência de todos a uma como a outro, um tal hiato? Nenhuma luta, excepto a que reivindica cada vez mais espaço para uma economia de mercado se não triunfante, pelo menos omnipotente e que, é evidente, tem as suas lógicas, mas às quais já não se contrapõe nenhuma outra lógica. Todos parecem participar do mesmo campo, tomar o estado actual das coisas como o estado natural, como o próprio ponto em que a História esperou por nós.
-Não subsiste qualquer apoio aos que não têm nada a per­der. Só o outro discurso se faz ouvir, ensurdecedor. Algo de totalitário paira sobre nós. De terrífico. E como únicos comen­tários os do senhor Homais (1), mais eterno, oficial, solene e plu­ral que nunca. Os seus monólogos. O veneno que guarda.

1. O farmacêutico de Madame Bovary, de Flaubert (N. da T.).

(…)

Para o assalariado, trata-se de estar disponível para todas as viragens e caprichos do destino, neste caso dos patrões. Terá de contar com mudanças constantes de trabalho ( « como quem muda de camisa», diria a ama Beppa). Mas, a troco da certeza de ser atirado «de um emprego para outro», terá uma «garantia razoável» – isto é, nenhuma garantia – «de encontrar um emprego diferente do que perdeu, mas ganhando o mesmo». Tudo isto está carregado de bons sentimentos, mas andar a saltitar de empregos insignificantes para insignificantes empregos não tem nada de novo, e quanto às «garantias razoáveis», desde já se prevê que serão sempre e imediata­mente consideradas «não razoáveis» e inexistentes. No entanto, inventou-se uma bugiaria para distrair as massas. Convém não esquecer: empregabilidade.
O termo fará sucesso. Imagina-se o grau de profissionali­zação desses «empregabilizados», pelo menos o suposto, o grau de interesse que poderão dedicar ao trabalho, o progresso e a experiência que nele adquirirão. A qualidade de peão subs­tituível, de nulidade profissional que lhes será conferi da. E não se trata, de forma alguma, de uma vida de aventura oposta a uma existência de empregado de escritório, mas da acentuação de uma fragilidade que os tomará ainda mais vulneráveis. Com a preocupação sempre renovada da aprendizagem, sem ter grandes hipóteses de vir a ser competentes. Claro, aqui não se põe a questão de uma profissão. Em cada nova tentativa, será preciso actualizar-se, procurar não desagradar a desconhecidos, sem a esperança de fazer amigos ou obter um lugar, uma situa­ção, um estatuto próprio, por mais ínfimos. Muito menos um «local» de trabalho. A existência oscilará sempre entre a obses­são de não perder rapidamente esse posto, mesmo indesejável, indesejado, e a de encontrar outro depois de o perder. Obses­sões tais que, apesar das horas de inactividade, não deixarão espaço para outras ocupações, da mesma forma que esse modo de vida, mesmo temperado por uma «garantia razoável», tam­bém não as proporá nem permitirá.
Pelo menos, podemos alegrar-nos pelo facto de deixar de ser necessária a existência dos sindicatos em semelhantes pai­sagens. As mudanças permanentes, a brevidade das estadias em empresas em cujo funcionamento a pessoa não tem tempo de se integrar, limitando-se a estar de passagem, isolada, torná-los-ão inoperantes
.»
Viviane Forrester, in "O HORROR ECONÓMICO"

domingo, 21 de janeiro de 2007

MANUALE D' AMORE

Em português "Manual de Amor". Eu não costumo aconselhar filmes. Todavia acho que este filme deve ser visto. Façam por não o perder.

PARADOXO FINAL

«Na Europa, vive-se um paradoxo notável. Por um lado, existe um relativis­mo moral e civilizacional atroz O multiculturalismo reina. Há vergonha em assumir e defender valores clássicos do Ocidente. Mas, por outro lado, continua a existir um eurocentrismo ridículo em termos estratégicos.
A Europa de hoje é relativista onde não deveria ser (nos valores civilizacionais) e eurocêntrica onde é ridículo sê-lo (na estratégia; ainda se julga o centro do mundo). Se soubermos resolver este paradoxo, talvez o nosso declínio inevitável (poder) não seja acompanhado pela nossa decadência (valores). Se os europeus abrirem os olhos, talvez consigam perceber que o) mundo é pós-europeu, em termos de poder, mas não é pós-ocidental em termos de identidade (legitimidade). Seremos capazes de curar a conjuntivite mitológica e ver a realidade com olhos de ver?
»
Henrique Raposo, in "Atlântico", Janeiro de 2007

sábado, 20 de janeiro de 2007

OS PORTUGUESES SÃO EGOÍSTAS E NADA SOLIDÁRIOS

Sim. Não é por causa de uma qualquer campanha de solidariedade onde podem participar por SMS ou qualquer outra chamada de valor acrescentado que são solidários. Nem por participarem em qualquer outra campanha de angariação para longínquas paragens, por ser politicamente correcto, que passam a ser solidários. São egoístas. Nunca reparam no vizinho da rua. Nem nas solidões e carências das suas vizinhanças. Nunca socorrem quem precisa ao pé de casa. Fazem mesmo por ignorar para que não sejam incomodados.
E sobretudo veja-se o descaramento, dos bens instalados e muito bem pagos com horários mínimos, que exigem e lutam por aumentos e regalias sem repararem, nem lutarem, por aqueles que pouco ou nada têm, contribuindo com isso para que a situação dos mais desgraçados ainda piore mais. Em 30 anos nunca vi ninguém neste país fazer uma greve lutando não para si, mas para que os ordenados baixos se fossem elevando. Vi sempre lutas invocando que os ordenados baixos se estavam a aproximar perigosamente dos seus pelo que deveriam ter muito mais.
Para perceberem como chegámos até aqui.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

TRISTE É TER SIDO UMA SUCESSÃO DE ERROS POLÍTICOS QUE LEVARAM O PAÍS A ESTE BECO

Má gestão política, erros políticos, políticos incompetentes conduziram o país a este beco quase sem saída. E ninguém é responsabilizado. Claro que os portugueses também não ajudam. Tornaram-se viciosos, de géneros vários de vicio. Não querem puxar a carroça, pois preferem que alguém os leve às cavalitas. Alinham com oportunismos e fomentam práticas estéreis para que vão vivendo de facilidades. Os custos hão-de chegar. Para todos. Claro que alguns já se acautelaram pondo dinheiro no estrangeiro. Como sempre é prática corrente. Mas nunca ninguém assume responsabilidades, nem nunca ninguém é responsabilizado. País inerte.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

AFECÇÕES

«Reconhecer as limitações das ciências sociais não significa desistir da busca da verdade quando exploramos fenómenos sociais. Significa apenas que a busca da verdade nos exige que reconheçamos, que certos aspectos do comportamento humano não se regem por leis válidas por tempo indeterminado. Isto devia incitar-nos a explorar outras vias de compreensão. Buscar a verdade obriga-nos também a reconhecer que os fenómenos sociais podem ser influenciados pelas teorias avançadas para os explicar. Em consequência, o estudo dos fenómenos sociais pode ser motivado por outros objectivos que não sejam a busca da verdade. A melhor forma de se salvaguardar o método científico da utilização abusiva é reconhecer que as teorias sociais podem afectar o assunto a que se referem.»
George Soros, in "A Crise do Capitalismo Global"

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

QUEM TIVER MENOS DE 30 ANOS QUE FUJA DE PORTUGAL

Insisto, mais uma vez, neste tema. Será a única forma de poderem alcançar uma existência digna.


«Las razones que explican la observación empírica de que existe un sesgo deficitario aluden al horizonte cortoplacista de los gobiernos, que lleva a políticas dinámicamente inconsistentes. Esta explicación está basada en la contribución de 1977 de Kydland y Prescott, a la que siguió la de Barro y Gordon en 1983 para explicar el sesgo inflacionista de la política monetaria, la misma idea que Alesina y Tabellini (1990) han desarrollado para la política fiscal. Se supone que existe cierta ilusión fiscal (los contribuyentes no son conscientes de que un déficit actual implica mayores impuestos en el futuro) así como egoísmo intergeneracional (serán las generaciones futuras y no la actual quienes carguen con el aumento de los impuestos futuro requerido para pagar la deuda pública). Ambas condiciones explican por qué los votantes no castigan a los gobiernos que ponen en práctica políticas insostenibles (Wyplosz, 2005; Comisión Europea, 2006c). Además, los grupos de interés estarán al tanto de la aparición de ahorro fiscal para reclamar un aumento del gasto en su área. Como los contribuyentes saben que el gobierno es débil ante estos grupos y que tiene un sesgo deficitario, el anuncio de una estrategia de contracción fiscal no es creíble; se recibe simplemente como una pérdida de poder de alguno de los grupos y, por tanto, es políticamente costoso.»
IN
La reforma del Pacto de Estabilidad: el trade-off entre visibilidad y buen diseño en la regla fiscal europea (DT)

Clara Crespo
DT Nº 1/2007 - 11.01.2007

A FOME VAI VOLTAR

A flexigurança já é presidencial. Este conceito oriundo da Dinamarca, resultou lá, na Dinamarca, muito bem. Mas de certeza que nunca será bem aplicado em Portugal. Aliás, em Portugal nunca nada é bem aplicado. A segurança que há na Dinamarca nunca haverá em Portugal. Já hoje o Estado é incapaz de apoiar os desempregados, depois quando houver mais, a miséria e a fome crescerão exponencialmente. O desemprego é que será muito mais aplicado do que na Dinamarca. Os nossos burocratas são incompetentes, geralmente, para resolver qualquer coisa. E de certeza que o país passará para a miséria. Estes despedimentos irão atingir as pessoas com mais de 45 anos, seguramente os com mais de 50 anos. Serão desempregados que nunca encontrarão emprego, pois foram despedidos exactamente pela idade. E NUNCA vão ter segurança. Uns 15 meses no fundo de desemprego e esmola pelas ruas até atingirem a idade da reforma, cujo cálculo entretanto já foi tão degradado, que não irão ter uma vida, na reforma, digna. Provavelmente até irão morrer antes, porque as condições de vida para que vão ser empurrados contribuirá para isso, quando não se sentirem obrigados ao suicídio por verem como se degradou a vida deles por culpa de governantes inábeis e corruptos. Os funcionários públicos estão abrigados deste problema porque nunca constam da taxa de desemprego, e terão o ordenadinho sempre, porque o governo cobrará sempre os impostos, mesmo aos que andam a passar fome. Eu lembro-me de um país que passava fome no século XX. Nunca imaginei que este regime, auto intitulado de democrático, começasse a empurrar os portugueses para a fome donde já tinham saído +/- a partir de 1965. Voltamos para trás. Os portugueses daqui a uns anos farão a figura dos romenos pelas capitais europeias. Quem não sabe escolher os governantes sujeita-se sempre a ser escravo.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

NA MESMA FACE DA MOEDA

Com a devida vénia, transcrevo o post do blog The Braganza Mothers, por o achar honesto e clarividente.:

«Na lista dos dez maiores portugueses de sempre figuram Salazar e Cunhal. Para muitas pessoas a junção destas duas personalidades parece estranha. Estão enganados. Para começar ambos morreram julgando que ainda mandavam. Ambos acreditavam que aquilo que defendiam era o melhor para o povinho. Os dois, coitadinhos, eram uns ditadores do tamanho de Portugal, maneirinhos, mas muito teimosos. Nenhum deles, nunca, jamais em tempo algum matou alguém. Ambos, quer por omissão, quer por vocação autorizaram que se matasse.
Há no entanto uma diferença entre ambos. O António amava Portugal e queria que o mesmo fosse grande no Mundo. Não conseguiu fazê-lo. O Álvaro amava a pátria soviética e queria que Portugal fosse uma colónia da mesma. Não o deixaram fazê-lo.»

COMPARANDO

Ainda do mesmo artigo citado no post de ontem:
«Decidimos fazer da UE a região mais competitiva do mundo dentro de 10 anos” (declaração dos 1ºs ministros europeus, com o eng.º A. Guterres à cabeça).? ... Cinco anos depois, a meio do percurso, e segundo o Eurostat, o PIB per capita americano é 37% superior ao europeu...... Mas isto são as boas notícias. As más é que a diferença tende a acentuar-se já que entre 2000 e 2006 a média das taxas de crescimento anual do PIB per capita a preços constantes europeia foi inferior à dos EUA: 1,9% contra 2,7%.O Japão? Pior desde 2001, ultrapassou a Europa em 2005 e em 2007 estará já 2,2% melhor.Mas isto ainda são as boas notícias. As más é que a divergência tende a aumentar já que em 2007 e 2008 os EUA e Japão crescerão mais que a Europa (2,5% e 2,2% contra 2,15%).Porquê? Foquemos nos EUA versus a UE. Bem, o PIB per capita é fruto da 1) produtividade por hora multiplicada por 2) nº de horastrabalhadas, multiplicado pela 3) taxa de actividade e multiplicado finalmente pela 4) taxa de emprego.Ora acontece que os EUA estão melhor... em 1) e 2) e 3) e 4). No resto? No resto estão pior...Produtividade por hora? 14% superior. Número de horas trabalhadas? 10% mais. Taxa de actividade? 6% acima. Taxa de emprego? 3% melhor.Ou seja: há mais americanos a trabalhar (em % da população total). Trabalham mais (horas). E finalmente trabalham melhor (maior produtividade horária). Donde e surpreendentemente, os EUA têm um nível de vida 37% superior ao europeu...»
Claro que ter o Eng. Guterres à cabeça não era bom prenúncio para nada.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

PORTUGAL, O ÚLTIMO

«E depois, há outros na cauda da Europa. Segundo o Eurostat, os seis piores países da UE-25 em 2008 serão: Polónia, Letónia, Lituânia, Eslováquia, Hungria e... Portugal: este 53,4% abaixo da UE e com um nível de vida sensivelmente metade do americano.
Em síntese: Portugal está na cauda do pior, nem sequer na frente do pior, muito menos na cauda do melhor e sem falar da frente do melhor. Moral da história? Podia ser pior. »
Jorge A. Vasconcellos e Sá, aqui, no Diário Económico.

domingo, 14 de janeiro de 2007

ESPERANÇA ESGOTADA

CRISTO


QUANDO eu nasci, Senhor! já tu lá estavas,
Crucificado, lívido, esquecido.
Não respondeste, pois, ao meu gemido,
Que há muito tempo já que não falavas...

Redemoinhavam, longe, as turbas bravas,
Alevantando ao ar fumo e alarido.
E a tua benta Cruz de Deus vencido,
Quis eu erguê-la em minhas mãos escravas!

A turba veio então, seguiu-me os rastros;
E riu-se, e eu nem sequer fui açoitado,
E dos braços da Cruz fizeram mastros...

Senhor! eis-me vencido e tolerado:
Resta-me abrir os braços a teu lado,
E apodrecer contigo à luz dos astros!
José Régio, in "Poemas de Deus e do Diabo"

sábado, 13 de janeiro de 2007

O FECHO DAS RUBRICAS ORÇAMENTAIS

Já tinha dito que iria focar este tema. O qual teve muita azáfama no mês de Dezembro, como tem sempre em todos os Dezembros. E ocorre em todas as chafaricas do Estado, quer seja da administração central, regional ou local. E com vícios que têm mais de sessenta anos. Muitas rubricas, respeitantes às miudezas, são todos os anos, desde há décadas, inflacionadas para que não se tenha menos verbas no ano seguinte. O que resultou que, actualmente, haja uma mega inflação nessas rubricas. Mas para se justificar sempre esse aumento é necessário que nunca, em ano algum, sobre dinheiro porque não se o gastou.
Assim gasta-se tudo. E como? Façamos um “suponhamos”, como diria o ZéZé do “Conversa da Treta”. Então “suponhamos”, até porque eu não conheço nenhum caso, que numa chafarica qualquer do Estado, algures em “Freixo-Espingarda-ao-Ombro”, e lá no Continente, numa rubrica de consumíveis de material de escritório, a verba inscrita é de 20 mil contos, (100 mil €). Mas a chafarica só consome, isto é sempre um “suponhamos”, mil contos (5 mil €). Como resolver, então? “Suponhamos” que o fornecedor entrega mais material no valor de mil contos, que entretanto pode ser distribuído por todas as famílias dos funcionários, que assim ficam com material para o ano todo. E dos outros 18 mil contos passa-se recibos, pelo fornecedor, “suponhamos”, dividindo-se o dinheiro assim pago pelo Estado a meias entre o fornecedor e os três ou quatro lá da chafarica que estão por dentro da jogada. “Suponhamos” que é assim. “Suponhamos” isto multiplicado por muitas chafaricas em todo o país, e veja-se lá se não resolvia já uma boa parte do tal défice. E as piscinas?

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

SILÊNCIO


Regenerador.

FLUTUANDO NAS NUVENS


Hoje, pelas 17H00, eu vi o mundo assim.

OS MAIORES PORTUGUESES

É o título do artigo de Constança Cunha e Sá, hoje, aqui no Público, o qual tem de se ler obrigatoriamnete e, sobretudo, reflectir sobre ele.

GLOBAL

«No entanto, a actual era de globalização não é diferente apenas em grau; sob certos aspectos muito importantes, é dife­rente também em género. Como The Economist certa vez obser­vou, a anterior era de globalização foi construí da à volta da baixa do custo dos transportes. Graças à invenção do caminho-de-ferro, do barco a vapor e do automóvel, as pessoas podiam chegar a muitos mais lugares mais depressa e mais barato e podiam comerciar com muitos mais lugares mais depressa e mais barato. A actual era de globalização está a ser construída à volta da baixa do custo das telecomunicações – graças aos microchips, aos satélites, às fibras ópticas e à Internet. Estas novas tecnologias têm a capacidade de tornar o mundo ainda mais apertadamente interligado. Estas novas tecnologias significam que os países em desenvolvimento já não têm de limitar-se a vender as matérias­-primas ao Ocidente e receber em troca produtos acabados; significam que também os países em desenvolvimento podem tornar-se grandes produtores. Estas novas tecnologias permitem igualmente às empresas localizarem diferentes partes da sua pro­dução, pesquisa e marketing em diferentes países, mantendo-as apesar disso em ligação total, através dos computadores e de tele­conferências, como se estivessem num único lugar. Além disso, graças à combinação dos computadores e de telecomunicações baratas, as pessoas podem agora oferecer e comprar de uma forma global serviços – desde conselhos médicos à criação de software e ao processamento de dados – que antes não podiam verdadeiramente ser negociados. E porque não? Segundo The Economist, em 1930 um telefonema de três minutos entre Londres e Nova Iorque custava 300 dólares (em dólares de 1996). Hoje, através da Internet, é praticamente de graça.
O que torna a nossa era de globalização única não é, porém, apenas o facto de estas tecnologias estarem a permitir às tradi­cionais nações-Estados _ às empresas chegar mais longe, mais depressa, com menos custos e mais profundamente em todo o mundo do que em qualquer outra época da História. É o facto de permitirem que simples pessoas, individualmente, o façam também
.
Thomas L. Friedman, in " Compreender a Globalização"

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

RECORDANDO

«Os capitães que querem subverter a História têm os dias contados! Pois tu não vês, Zagallo, que o velho exército já aí está levantando a sua cabeça tradicional, reclamando comandos, privilégios, batalhões, força? Pois tu não vês, Zagallo, que nós, os políticos, nós, os Abranhos, nós, os Solares, nós, os Saques e os Arneiros já aí estamos reclamando que o exército se deixe de andar agitando as cabeças dos camponeses, que devem estar curvadas, biblicamente, para o solo úbere, e as cabeças dos operários, que devem estar vergadas, fecundamente, para a máquina produtiva?»
Artur Portela Filho, in "O Regresso do Conde de Abranhos"

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

REFORMAS ??????????

«Em 2006, o governo de José Sócrates não conseguiu conter as despesas, nem viu o investimento privado aumentar. Faz sentido esperar que faça reformas em 20077? Não. E para concluir isto, precisamos de partir ape­nas de duas premissas. A primeira é que as "reformas', a não ser que se considerem os simples aumentos de receita e os cortes e congelamentos de despesa como reformas, correspondem a um modelo social que o PS não partilha.
Viu-se isso no caso da segurança social. Este governo está cansado de anunciar que nada quer mudar em Portugal, a não ser o absolutamente necessário para ficar tudo na mesma. É tempo de acreditarmos no que os ministros dizem. O PS quer simplesmente este Estado social, mas mais barato. A segunda premissa decorre do cadastro histórico do PS: o papel do Partido Socialista nunca foi o de reformar, mas o de resistir a reformas. E isto, não por causa dos preconceitos ideológicos de que tantas almas boas andam a tentar libertar os actuais ministros, mas por sensatas consi­derações políticas.
Os escrúpulos de esquerda nunca condicionaram excessivamente a liderança do PS. A ideia de que José Sócrates mudou a "natureza do PS" é um mito. A comparação com Tony Blair é enganadora. As lideranças do PS distinguiram-se acima de tudo por uma estratégia de poder. E será essa estratégia que, mais até do que a sua filosofia de esquerda, há-de impedir este governo de se arriscar a grandes iniciativas de reforma
.»
Rui Ramos, in revista "Atlântico" de Janeiro de 2007

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

O INFINITO

Só existem duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. E eu não estou muito seguro da primeira.
Albert Einstein

domingo, 7 de janeiro de 2007

A REFORMA DAS MENTALIDADES

Algo que eu julgo impossível devido ao nível de imbecilidade para que se tem conduzido o povo português, bem como a existência sufocante de medíocres na política e na administração pública.
Mas este título é o 6º problema que Jorge A. Vasconcellos e Sá refere no seu livro, já por mim aqui referenciado algumas vezes, "Portugal a Voar Baixinho", de 1999. Eis como ele o vê este problema:
«6 - Sexto, a reforma das mentalidades: a grande, grande reforma que até ao momento não foi feita em Portugal.
Se se pensar o que existe de comum entre países de sucesso tão díspares entre si como a Suíça, Singapura e, mais recentemente, o Chile e o que os distingue de países de insucesso, por vezes com mais terra, recursos natu­rais e maior mercado interno propiciador de aproveitamento de economias de escala, a resposta tem de ser encontrada na ética do trabalho da sua população.
A quatro níveis. Em primeiro lugar, no profissionalismo, isto é, orgulho em fazer o trabalho bem feito: a prossecução da qualidade e rigor, por oposição ao tanto faz e à irresponsabilidade. Em segundo lugar, o sentimento de que há que trabalhar muito e já para assegurar a sobrevivência económica de um país na aldeia global, por oposição a uma certa lassidão em relação ao tempo, o deixar andar.
Terceiro, o pragmatismo, a procura da simplificação, a predisposição para ajudar a andar para a frente, em vez do culto do não, da tendência para com­plicar e de mesquinhamente se dar importância ao pormenor que inverte a escala das prioridades.
Finalmente a crença de que: todos iguais, todos diferentes, isto é de que a diversidade é fonte de riqueza. A crença por cada um de que o seu sucesso é possível. Por oposição à tendência para nivelar os outros por baixo.
Dizia-me recentemente um professor americano que vem frequentemente a Portugal, que nos EUA o poder está com quem constrói, enquanto em outros países está com quem bloqueia. Porque nos EUA o sucesso é premiado en­quanto em outros é ressentido. Por isso há países em que cada um trata da sua vida (mind his own business), enquanto em outros as pessoas estão constante­mente distraídas com a vida dos outros (por palavras e actos), não construindo nada e dificultando a construção pelos outros
.»

sábado, 6 de janeiro de 2007

OS AMERICANOS SABEM MUITO DE HISTÓRIA, MAS NÃO ENTENDEM A HISTÓRIA.

E é por isso que as suas intervenções externas, e alguma da sua actividade diplomática, enfermam de erros básicos.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

QUEM SE ARRISCA A ENTERRAR DINHEIRO NUM PAÍS PARALÍTICO?

«Para começar, e como de resto ele próprio ilogicamente reconhece, o desenvolvimento económico depende muito pouco do Governo e quase tudo de empresários que não investem ou, quando investem, não investem como deviam. Como vai o eng. Sócrates, por exemplo, arranjar empresários que não existem? O Presidente supunha que a sua presença bastaria para os fazer brotar como cogumelos. Como é óbvio, errou. Quem se arrisca a enterrar dinheiro num país paralítico, com a Espanha e a "Europa" à porta? »
VPV, hoje, aqui, no Público

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

A DEFESA. EM ESPANHA. UM PAÍS QUE SE LEVA A SÉRIO.


Las conclusiones que se extraen de esta I Jornada sobre La Defensa, la Paz y el Sistema Educativo apuntan a la necesidad de una educación en valores, que se perfile como vehículo imprescindible para alcanzar la cultura de la paz, y para que ésta prevalezca como pilar cultural, social y político dentro de las sociedades democráticas. Y dentro de esta educación en valores, la cultura de Defensa debe ser uno más.
«La sociedad civil presenta carencias a la hora de responder a la necesidad de la realidad social actual», manifestó el secretario de Defensa, Justo Zambrana Pineda, durante la clausura de la Jornada, quien afirmó que la forma de evitar que la sociedad sea cada vez menos sólida es «recomponer la noción de ciudadanía restaurando una serie de valores que den forma a una esfera común y compartida». Un compromiso que debe partir de la implicación de los centros
docentes, y luego debe continuar en el seno de cada familia.
In "Revista Española de Defensa", Diciembre de 2005.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

O ESTADO EMPATA A VIDA DOS CIDADÃOS E, CONSEQUENTEMENTE, LESA O PIB

Hoje vi que todos os cidadãos têm de perder meio dia de trabalho para irem À Caixa receber o reembolso de recibos resultantes de gastos com a saúde de cada um. MEIO DIA. Multipliquem isto por cidadãos ao longo do ano e vejam a quebra. Jorge A. Vasconcelos já fez as contas. Leiam os livros dele e logo se percebe, com facilidade, mesmo para leigos, das tramas portuguesas.
Mas agora faço eu uma pergunta. Não seria mais fácil e eficiente o cidadão registar-se on-line e, com um NIB, poder fazer este procedimento através dos correios? Não seria?

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

ESTÁ NA ALTURA DE COMEÇAR A RESOLVER ESTE PROBLEMA


Há meses que venho insistindo na mediocridade das pessoas que militam na política em Portugal. E essa mediocridade é o grande obstáculo que o país tem para ultrapassar o momento de crise. Fico satisfeito quando pessoas com relevância no país também se referem a este tema publicamente. É o caso do artigo “ A Renovação da Classe Política” do dr. Rui Machete, aqui, no DN de 31.12.2006. Do artigo destaco:


«Tem-se vindo, porém, a assistir a uma preocupante degradação na qualidade dos que se dedicam à política e à vida pública em geral, uma vez mais evidenciada nas actividades parlamentares, nos dirigentes partidários e nos autarcas.
(…)
e, no entanto, a qualidade da governação é, tal como a qualificação dos gestores nas empresas, decisiva para o progresso das nações. O êxito do desenvolvimento económico e social conseguido pela Irlanda entre os membros da União Europeia, tal como o insucesso de muitos países africanos, deve-se em grande medida à qualidade dos seus governantes.
(…)
A resolução das dificuldades no recrutamento de uma classe política competente constitui uma questão difícil que se insere, aliás, no problema mais amplo das disfuncionalidades do sistema político português.
(…)
As interpretações e as teorias explicativas podem certamente variar. Mas duas coisas parecem certas nesta questão crucial: é que sem maior exigência no recrutamento e na valoração dos comportamentos dos políticos dificilmente a qualidade da governação do País registará substanciais melhorias; e que sem melhor educação política e cívica não se conseguirão os juízos críticos do eleitorado com o grau de exigência requerido e necessário
.»

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

PORQUE HOJE É O PRIMEIRO

Hoje, que a tarde é calma e o céu tranquilo,
E a noite chega sem que eu saiba bem,
Quero considerar-me e ver aquilo
Que sou e o que sou o que é que tem.



Fernando Pessoa

domingo, 31 de dezembro de 2006

ESFORCEM-SE POR FAZER DE 2007 UM ANO BOM.

Façam o favor de lutarem e labutarem para que o ano de 2007 seja um bom ano. Para vós e para todos.
Desejo-vos um feliz ANO NOVO.
E despeço-me do ano por aqui com um poema que encontrei neste site da autoria desta menina, Inês Delgado, 13 anos, Lisboa.
Quero escrever versos,
Versos de amor, de ironia,
Quero preencher todos os espaços,
Desta folha vazia.
Quero, ao escrever,
Ser completamente livre,
Lembrar-me do que quis ter,
Mas que nunca tive.
Quero com estas tantas palavras,
Que escrevo sem encontrar fim
Encher além destas folhas brancas,
Os espaços imensos que há em mim.
Lembrar, esquecer
Dormir, acordar,
Desejar morrer,
E depois lamentar.
Senti a presença da solidão,
Ri as lágrimas que não chorei,
Agindo com o coração,
Sempre errei.
Escrevo partes do que sou,
E dedico-tas a ti,
Mas só eu o sei,
Não sairá daqui.
Todas as lágrimas foram enxutas,
Neste pedaço de papel, que agora é um pouco de mim,
As minhas palavras sentidas, doces ou brutas,
Assim como eu chegaram ao fim.

sábado, 30 de dezembro de 2006

NOÇÃO DE ISOLADO

«Na impossibilidade de abraçar, num único golpe, a totalidade do Universo, o observador recorta, destaca, dessa totalidade, um con­junto de seres e factos, abstraindo de todos os outros que com eles estão relacionados.
A um tal conjunto daremos o nome de isolado; um isolado é, portanto, uma secção da realidade, nela recortada arbitrariamente. É claro que o próprio facto de tomar um isolado comporta um erro inicial – afastamento de todo o resto da realidade ambiente – erro que necessariamente se vai reflectir nos resultados do estudo. Mas é do bom-senso do observador recortar o seu isolado de estudo, de modo a compreender nele todos os factores dominantes, isto é, todos aqueles cuja acção de interdependência influi sensivelmente no fenómeno a estudar. De que nem sempre isso se consegue, a história da Ciência e a vida de todos os dias oferecem múltiplos exemplos. Quantas vezes, na observação de um certo fenómeno ou no decurso duma dada acção, surge um facto inesperado. Que quer dizer – inesperado?
Que o isolado não fora convenientemente determinado, que um factor dominante estava ignorado e se revela agora. Será preciso acrescentar que no aparecimento do inesperado reside um dos motivos principais do progresso no conhecimento da realidade, porque, obrigando a uma melhor determinação do isolado, exige um mais cuidadoso exame das condições iniciais?
Muitas vezes, o estudo encaminha-se de modo que há necessidade de tomar um isolado como elemento constitutivo de um outro mais largo.
Por exemplo, após ter tomado como isolado cada um dos órgãos duma árvore e estudado a sua fisiologia particular, constitui-se um isolado superior – árvore e terreno – no qual se estudará a vida fisiológica da árvore. Por sua vez, a árvore pode ser tomada como uma unidade dum novo isolado mais largo – uma floresta, – a flora duma certa região, etc. Quer dizer, para a recomposição dum certo compartimento da Realidade, é necessário constantemente construir cadeias, e a cada elo da cadeia corresponde um nível de isolado.»
Bento de Jesus Caraça, in "Conceitos Fundamentais da Matemática"

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

COMO CHEGÁMOS A ESTE PONTO


Para dar ênfase ao post anterior recomendo que leiam aqui o artigo “Desleixo ou Incompetência”, de Silva Peneda, no Público de ontem.

E também de ontem no Público, aqui, “De Bom Aluno a Mau Exemplo”, de Paulo Ferreira.

Deste destaco a parte final:


«Portugal, já sabemos, cometeu uma sucessão de erros graves na segunda metade da década de 90. Embriagado pela descida abrupta das taxas de juro, o país consumiu o que não tinha, não produzia nem quis passar a produzir. Como consequência, endividou-se perante a banca e perante o exterior. A política orçamental foi irresponsavelmente laxista e toda a margem de manobra dada pela descida das despesas com a dívida pública e pelo aumento das receitas fiscais foi enterrada em gastos correntes do Estado.Se há um político a crucificar ele não pode ser outro senão António Guterres.Mas a entrega de culpas ao poder político não pode, nem deve, descansar todos os outros espíritos. A responsabilidade deste desastre colectivo é, efectivamente, repartida pelo Estado e pela sociedade civil.Não são os governos que são avessos ao risco, preferindo o aconchego do mercado interno, protegido de concorrência externa. E a degradação económica do país também passa muito por aí. Em plena euforia, muitas empresas deixaram de produzir os chamados bens transaccionáveis - aqueles que podem ser exportados ou que podem sofrer concorrência de produtos semelhantes importados - e refugiaram-se nos serviços ou na construção civil, escapando à pressão de empresas internacionais mas perdendo, ao mesmo tempo, capacidades para competir em mercados globais. Agora que a febre do consumo e da construção passou essas fragilidades ficam à vista.Também não foram apenas os governos que praticaram políticas salariais irrealistas para a evolução da produtividade. Quando há aumentos de ordenados desajustados na função pública prejudica-se o equilíbrio das contas públicas. Mas quando isso acontece no sector privado é a capacidade competitiva das empresas que fica em risco. E quando a eficiência não acompanha as remunerações, há essencialmente um problema de gestão na empresa.Tudo isto é referido nesse pequeno documento, que pretende lembrar aos países que vão aderir ao euro que "os bons tempos não duram sempre". E que, por isso, há que fazer pela vida, deixando de pensar que se pode viver de rendas, venham elas de mercados protegidos ou da folga dada pelo crédito barato.Que o mau exemplo em que nos transformámos sirva para nos confrontar com a vergonha que temos que sentir, sejamos patrões ou empregados, consumidores ou produtores. A oportunidade foi única e não soubemos fazer nada com ela.»

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

PORTUGAL É SEMPRE PIOR E CONTINUARÁ A PIORAR


Ontem os noticiários alertaram para a existência de um artigo publicado pela União Europeia onde Portugal é apontado como o mau exemplo a não ser seguido pelos novos aderentes à União, e a ser tomado em conta pelos outros o mau exemplo para nele nunca caírem. Podem vê-lo e gravá-lo aqui.
Só me admira uma tão tardia acção. Os erros são políticos. E como venho dizendo, faça-se a comparação com a Espanha. Constata-se bem a mediocridade portuguesa. A única solução para Portugal era se os espanhóis pegassem nisto. Mas como eles são astutos e bons gestores, nunca cairão nessa. Se 2006 foi um ano mau, 2007 ainda vai ser muito pior. E os seguintes ainda serão piores. Portugal vai continuar a empobrecer, os políticos que temos continuarão a dar cabo do país, como têm feito nos últimos trinta anos, e a existência dos portugueses, da grande maioria, será cada vez mais miserável.
E ninguém se revolta. Por isso os portugueses merecem o que lhes está a acontecer.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

SOU ANTI POLITICAMENTE CORRECTO

Embirro com o consenso generalizado sobre as perspectivas que abordam qualquer tema. Só se emitem opiniões que, com segurança, não provoquem a ira dos donos da verdade. E há sectores que sabem muito bem aproveitar-se deste medo, pelo que fazem avançar os seus interesses escudados de ataques, que muitos pensam mas que não dizem.

«Nos nossos tempos do «politicamente correcto», é sempre de bom-tom começar com um conjunto de interditos não escritos que definem as posições que alguém está autorizado a defender.»

Slavoj ZiZek, in "A Marioneta e o Anão".

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

O FUTURO DA EUROPA TEM FUTURO?

«Muita gente, sobretudo na Grã-Bretanha, apostou no alargamento para diluir a UE, em particular na sua dimensão política. Teríamos então uma mera zona europeia de comércio livre, o grande objectivo britânico dos anos 50. Mas a aposta que então vingou foi a do Tratado de Roma, que em Março comemora 50 anos.
Acontece que - como era inevitável - a crise da integração está também a afectar a liberalização económica na União. Veja-se o renascimento dos nacionalismos económicos, e não apenas em França.
Apesar de chefiado pelo anterior presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, o Governo italiano fez abortar a compra da Autostrade, no sector das auto-estradas, pela espanhola Abertis. E o Governo europeísta de Madrid tenta por todos os meios travar a compra da Endesa pela germânica E.ON. Por sua vez, o Governo de Merkel acaba de publicar uma lei altamente proteccionista da Telecom alemã.
Entretanto, há três semanas, no Congresso do Partido Socialista Europeu, no Porto, Ségolène Royal foi vibrantemente aplaudida (também por Delors?...) quando reclamou contra a independência do Banco Central Europeu, que havia subido o juro. Ou seja, o mercado único europeu, com livre circulação de pessoas, serviços, bens e capitais está ameaçado até na sua expressão mais emblemática, o euro.»
Sarsfield Cabral, aqui, no DN de 23 do corrente mês.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

SE O NATAL ...

«Se, por negligência, maldade ou ideologia, a referência e os fundamentos confessionais do Natal fossem perdidos, mas continuasse a ser a festa das crianças, dos pobres, dos sem-abrigo, dos velhos, dos que não têm ninguém, dos hospitais, dos abandonados, dos presos, dos esforços para acabar com as guerras, a violência e a marginalidade, o principal não estaria perdido.»
Frei Bento Domingues, aqui, ontem, no Público.

domingo, 24 de dezembro de 2006

UM SANTO NATAL A TODOS

LADAINHA DOS PÓSTUMOS NATAIS


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito

In “OBRA POÉTICA” de David Mourão-Ferreira

sábado, 23 de dezembro de 2006

MODERNIDADE

«Uma possível definição da modernidade é a seguinte: a reli­gião, que já não está completamente integrada na ordem social nem identificada a uma forma particular de vida cultural, adqui­re uma certa autonomia que lhe permite sobreviver enquanto re­ligião idêntica em culturas diferentes. Este estatuto permite-lhe globalizar-se: hoje há cristãos, muçulmanos e budistas em todos os países do mundo. Porém, esta globalização tem um preço: a religião vê-se assim reduzida a um mero epifenómeno secundá­rio em relação ao funcionamento profano da totalidade social. No quadro desta nova ordem mundial, há dois papéis possíveis para ela: terapêutico ou crítico – ou ajuda os indivíduos a fun­cionarem cada vez melhor na ordem existente, ou procura afirmar-se como uma instância crítica e dizer o que está errado nessa ordem como tal, ou seja, enquanto espaço aberto às vozes contestatárias - neste último caso, a religião tende a assumir, como tal, o papel de uma heresia.»
Slavoj ZiZek, in "A Marioneta e o Anão"

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

O PESADELO DE DEUS

Os demónios apoderaram-se da palavra de Deus. Arrogam-se de falar em nome de Dele. Dominam as instituições religiosas que O honravam, fazendo dessas instituições organismos de culto de poder, de glorificação da riqueza, de proselitismo do mal, enfim, organismos ao serviço do príncipe das trevas.
O desprezo que esses organismos manifestam pela pobreza, pela dignidade humana, pela sobrevivência digna das crianças e das populações em geral, é horripilante.
Por isto, até Deus, que é mesmo Deus, O misericordioso, O omnipresente e omnisciente, deve ter pesadelos. E dos grandes.
Nós, míseros humanos, que não reagimos, tomamos anti depressivos, uns em comprimidos e outros em graduação alcoólica, ou qualquer outra droga similar que cause, momentaneamente, alienação da realidade. E aí o pesadelo de Deus ainda é maior.
E vai haver mais um Natal em que não daremos um presente a Deus, pois não lhe vamos aliviar o pesadelo.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

EX-COMBATENTES SÃO HOJE A CONSCIÊNCIA DA INSTITUIÇÃO MILITAR

Excluindo-se os ex-combatentes, ou seja, a integração nacional, resta, então, um clube privado, os militares, vulgo instituição militar.
Esta instituição, em qualquer país normal e democrático, tem como missão garantir a existência do país e respectivas instituições, bem como velar pela segurança e bem estar das suas populações. E tudo isto em consonância com os ditames do respectivo poder político. E sempre como corolário do esforço integrado de todos os nacionais, pois a responsabilidade dessa missão é de todos os cidadãos, embora a sua execução não seja efectuada por todos.

Posto isto, a exclusão da defesa dos direitos, da consideração devida, do bem estar e da gratidão (nunca reconhecida) aos ex-combatentes, derruba por terra qualquer justificação da existência da instituição militar em Portugal. Que é, aliás, o único país da Europa Ocidental que desconsidera os seus ex-combatentes.
Quando, acima disse que é “sempre como corolário do esforço integrado de todos os nacionais, pois a responsabilidade dessa missão é de todos os cidadãos”, vê-se pela forma como todas as instituições, incluindo especialmente a militar, que em Portugal tal corolário já não se verifica.

Assim, os militares, ao fazerem a defesa de se não pagar os míseros euros aos ex-combatentes, assumiram-se como um clube privado. Em Portugal, tudo o que eu enunciei como missão da instituição militar para um país normal e democrático, não é cumprido. Como tal a instituição militar não tem razão de existir. Transformou-se num clube privado a exigir que os cidadãos contribuintes, simplesmente, os sustentem, mais as suas mordomias, não se preocupando, nem lhe interessando, os cidadãos contribuintes que combateram pelo país , eles que eram verdadeiramente a Instituição Militar na sua génese, o povo na defesa dos interesses do país. Hoje, aos actuais militares, já só lhe interessam os seus vencimentos e mordomias. Só que eu fui criado, e servi, num tempo em que o comandante só comia depois de estar garantido que todos os seus homens tinham comida, e que só dormiam depois de saber garantida a acomodação para todos os seus homens. E que combatiam lado a lado. Infelizmente isso foi-se perdendo. Nos últimos tempos da chamada “guerra colonial”, no mato, em campanha, já só o sargento, quase sempre, é que era do quadro permanente. Os oficiais foram assim perdendo a ligação ao país real e aburguesaram-se demasiado. E depois restaram a falar do 25 de Abril. Que não passou de um levantamento de rancho. Não passou de uma reivindicação profissional por causa de uns que, como eles diziam, não tinham a 4ª classe militar. Foi esse o problema. Uns não tinham, e os outros só tinham a tal 4ª classe militar. Como o tempo foi demonstrando de imediato, isso era muito pouco, e desde então tem faltado muita classe, sobretudo na forma de tratar os ex-combatentes. E ao país falta compensar os ex-combatentes. Por muito que alguma vez venha a fazer, e eu não acredito, nunca compensará devidamente. Mas ao menos, de alguma forma, compensava e ficava o reconhecimento do país.
Temo que isso, infelizmente, venha a acontecer quando só restarem 2 ou 3 vivos, pelo que lhes vão dar, então, tudo e mais alguma coisa a esses 3, porque será, então, baratinho, e haverá a esperança de que morram dias depois.
Quer se goste ou não de Salazar, e eu não sou admirador, tem de se reconhecer o alcance da sua célebre frase: Choraremos os mortos se os vivos os não merecerem. E os vivos não os merecem. Choremos, então, pelos mortos, pelo país agonizante, pela indigência, a vários níveis, dos políticos, e por todos nós que fomos incapazes de impor o respeito que é devido a Portugal e à memória dos portugueses que, ao longo dos séculos, com mais ou menos esforço, com mais ou menos sucesso, nos legaram um país que agora, ao que parece, alguns se esforçam por esbanjar com a apatia de, quase, todos nós.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

PARA SE PERCEBER UMA GEOESTRATÉGIA PARA A UNIÃO

«Em nenhum espaço do Globo as relações da geografia formam, como no Mediterrâneo, uma trama espessa e indissolúvel. É preciso considerar a persistência das condições naturais e a continuidade do esforço humano para compreender as gentes e os lugares.»
Orlando Ribeiro, in "Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico".

domingo, 17 de dezembro de 2006

E NÃO É UMA QUESTÃO DE SEMÂNTICA

«O facto de esta ameaça incluir no seu conceito estratégico o apelo a valores religiosos não implica que a governabilidade de um corpo político como a União seja compatível com a integração dos cooperantes e aliados também ameaçados. Com a ameaça ou sem ela, é da governabilidade e das fronteiras de inclusão que parece urgente tratar, para que estas referências sejam claras para os eleitorados e para os parlamentos, e para que a semântica da adesão não fique associada a emoções pontuais, inspirando mudanças de propostas exteriores ao processo, condicionadas por dificuldades ocasionais e não por uma elaborada avaliação das tendências duras da conjuntura. »
Adriano Moreira, aqui, no DN, sobre "O Alargamento Europeu".

sábado, 16 de dezembro de 2006

AS NOTÍCIAS NO PAÍS GASTAM-NOS A EXISTÊNCIA

Depois o estado de espírito prefere rosas.


Prefiro rosas, meu amor, à Pátria
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indif'rença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

Ricardo Reis

RECORDES

Camilo Lourenço colocou uma questão deveras acutilante. Aqui, no Jornal de Negócios, num artigo que vale a pena ler na totalidade. Fico à espera que alguém elucide, se é que há alguém com coragem para o fazer.

«Há recordes difíceis de explicar: como é que um país leva seis anos para sair (?) do procedimento de défices excessivos, por exemplo.»

AS INDIGNAÇÕES NO FUTEBOL

«O Portugal real que tanto se indigna com a compra de um árbitro pelo dirigente X, se este for do clube que se odeia, como se apressa encontrar mil desculpas para o desfalque do dirigente Y, se ele for "dos nossos". O Portugal real que, saindo das grandes cidades onde a distância permite avaliar com frieza, tem receios vários e, pior do que isso, muitas vezes deve favores e teme violar hábitos enraizados.»
Do editorial do Público de hoje.

O FUTEBOL INDIGENTE

«A corrupção no futebol é, além disso, a corrupção mais popular. Não a mais grave, não a mais comum, nem sequer, coitada, a mais prejudicial. Os "negócios" fazem coisas com que nunca sonhou o pior aldrabão do futebol. Mas fazem o que fazem discretamente, sem um nome à vista e em operações tão complicadas que ninguém percebe. O futebol não goza desta penumbra. É público, primitivo e também ele indigente. »
Assim disse o VPV no Público de hoje.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

DE FUTUROS


«Nenhuma coisa se pode prometer à natureza humana mais conforme a seu maior apetite, nem mais superior a toda sua capacidade, que a notícia dos tempos e sucessos futuros;
(…)
O homem, filho do tempo, reparte com o mesmo tempo ou o seu saber ou a sua ignorância; do presente sabe pouco, do passado menos e do futuro nada.»



Por causa da "contra-capa", no post anterior, tive necessidade de ir ler, um pouco, da História do Futuro, do Padre António Vieira. Aqueles dois pequenos extractos são do capítulo primeiro.

INDIVIDUALISMO GROSSEIRO

«O mundo do Século XXI afunda-se num individualismo grosseiro. As nações ricas fomentam a guerra entre os povos mais atrasados, ven­dendo-lhes as armas com que estes se matam, para lhes levar as rique­zas naturais que possuem, ao preço das balas e do sangue que elas fa­zem! Populações inteiras do Terceiro Mundo são vítimas de genocídios horrorosos, de limpezas étnicas de uma brutalidade nunca antes vista na história da Humanidade, de fome generalizada que ceifa, antes de outras, as vidas de inocentes que apenas cometeram o pecado de terem nascido naquelas coordenadas. O tráfico de menores para os chamados paraísos do sexo ou, não raro, para pesquisas laboratoriais, como se de ratos se tratasse, ou, pior ainda, para as grandes clínicas dos países ricos, a fim de serem "dadores de órgãos"; a passagem de droga que destrói famílias e mata a nossa juventude; a lavagem de dinheiro sujo, proveniente das explorações mais ignominiosas do ser humano, tudo é feito hoje com a consciência tranquila das autoridades nacionais das instâncias internacionais, dentre elas o próprio Vaticano que reti­ra despudoradamente desses negócios satânicos chorudos rendimentos que vão parar aos cofres do IOR. »

Esta é a contra-capa do livro “Pedro II – O Último Papa” de Alberto da Silva Campinho, que foi juiz e nascido em Barcelos e falecido em Braga. Ainda não li o livro. Adorei a contra-capa.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

VIOLÊNCIA SOBRE CRIANÇAS

«Muitos actos de violência perpetrados contra as crianças continuam escondidos e têm muitas vezes a aprovação da sociedade, segundo o Estudo do Secretário-Geral das Nações Unidas sobre a Violência contra as Crianças apresentado ontem à Assembleia Geral. Pela primeira vez, um único documento apresenta uma visão global sobre os diversos tipos e a escala da violência contra as crianças no mundo. » Assim noticia a UNICEF.
Veja aqui o estudo em castelhano (vulgo espanhol).
Veja o site do estudo e escolha outro idioma, se preferir.
E veja também A SITUAÇÃO MUNDIAL DA INFÂNCIA 2007 aqui.
Ao menos não se assuma sempre como um ignorante social. Leia, informe-se. Deixe de ser indiferente antes que a indiferença o atinja gravemente.

PARADOXALMENTE

Hoje deve-se ler/estudar o artigo de Rui Ramos, aqui no Público.
Só uma amostra:
«Desde que deixámos de ser rurais e pobres à maneira antiga, deixámos também de ter certezas acerca do que somos. Os portugueses vivem bem, por comparação com a maioria da humanidade. Mas não sabem se têm verdadeiramente meios para viver assim, ao mesmo tempo que, um pouco paradoxalmente, se sentem com o direito de ainda viver melhor. Por isso, uma das poucas coisas em que quase todos concordamos é que precisamos de ser mais ricos.»

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

TLEBS

«Perante a mudança da NGP para a TLEBS, é fundamental sabermos – todos: alunos, pais, cidadãos, professores, linguistas, governantes – se a Terminologia está em condições de servir melhor do que a Nomenclatura de 1967. Em minha opinião, não está de modo nenhum, nas suas partes essenciais, e acarretará consequências pesadamente nefastas para a qualidade do ensino da língua portuguesa (e, presumo, também para a sua eficácia, matéria em que, nunca tendo sido docente de português, apenas me posso orientar pelo bom senso). Acontece, porém, que qualquer postura crítica tem de ser solidamente argumentada, não sendo relevante nem produtivo lançar aqui e acolá afirmações soltas, por vezes mal fundamentadas ou sobre questões pouco significativas. Na verdade, a avaliação de um produto como o que está em causa é uma questão muito complexa, em que têm de se combinar diversos planos de análise, nomeadamente o da qualidade científica das opções nele assumidas, o da sua adequação didáctica e pedagógica, o da viabilidade da sua aplicação por parte dos professores de português, o da sua oportunidade ou necessidade e o da sua interacção com outras disciplinas. Pela minha parte, procurarei neste texto avaliar a TLEBS sobretudo no plano científico, ou seja, como é trivial, no que respeita aos parâmetros clássicos: adequação dos termos e análises ao objecto de estudo e sua simplicidade e clareza, além da consistência, economia e elegância do sistema no seu conjunto. Infelizmente, terei de concluir que, em todos estes parâmetros, a TLEBS enferma de vícios graves, pelo que a minha avaliação não poderia ser mais negativa.»

Assim diz o Professor João Andrade Peres, Linguista, professor catedráticoda Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, num texto que pode, e deve, aqui, ler na íntegra.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

PINOCHET FALECEU! A PERSONAGEM NÃO MORREU


Infelizmente só a pessoa morreu. Tudo o que ela representava se mantêm. Se dúvidas houvesse, bastava constatar a divisão entre os que, no Chile, ficaram contentes e os que ficaram pesarosos. Os regimes totalitários têm sempre sustentação de populações, de grande parte das populações. E não é por mérito deles. É sempre por demérito das democracias. São as democracias que ao falirem nas boas intenções, empurram as populações para caminhos estreitos e ínvios que conduzem a regimes totalitários. O post que coloquei na Sexta-feira, com a frase de Malraux, sintetiza o que acabo de dizer. As democracias, ao ficarem presas e subjugadas nas mãos de crápulas, incrementam elas próprias os regimes totalitários. E, mais uma vez, não me canso de chamar a atenção à frase que serve de mote a este blog.

domingo, 10 de dezembro de 2006

HÁ QUEM SAIBA

Num pequeno e excelente artigo, que José Cutileiro publica no Expresso deste fim-de-semana, está contido o crucial da geoestrátégia europeia da actualidade. Numa certa perspectiva vale tanto, ou mais, que muitos compêndios e teses. Para os aprendizes de feiticeiros que por aí andam não basta lê-lo, mas devem-no estudar para ver se começam, de uma vez por todas, a aprender alguma coisinha e a diminuir a frequência de disparates. Do artigo destaco só o início:

«A Europa perdeu vocação de poder. Em 1945, ar­ruinadas, as suas na­ções ocidentais sob pro­tecção norte-americana e com medo da Rússia Soviética encar­rilaram na economia de merca­do, na democracia parlamentar e na paz entre si. Com defesa assegurada pelos Estados Uni­dos inventaram a União Euro­peia, hoje segunda potência co­mercial do mundo, e enriquece­ram. Entretanto engordaram, deixaram de perceber o que lhes convinha e perderam ga­nas de lutar pelo futuro. Duran­te a Guerra Fria não se deu por isso; assim que ela acabou vie­ram os desastres.»

sábado, 9 de dezembro de 2006

NÃO É SÓ PREOCUPANTE; É PERIGOSISSIMO

No Público, aqui.
«O criacionismo, ou a teoria da concepção inteligente, é um movimento que defende que a vida na Terra começou tal como vem na Bíblia, com Adão e Eva, e que todos descendemos dos animais e humanos que embarcaram na Arca de Noé. É um movimento religioso e fundamentalista, que tenta afastar dos manuais escolares a teoria da evolução de Darwin, e tem grande expressão nos Estados Unidos. Mas começa a ganhar terreno na Europa e está a chegar a Portugal.»
Se calhar quase ninguém se apercebe das implicações geoestratégicas destes movimentos.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

DEMOCRACIA

«Vi as democracias intervirem contra quase tudo, salvo contra os fascismos .»
André Malraux.

Tanto opinador, tanto político, tanto palavroso, tanto aprendiz de feiticeiro e tantos sabem tão pouco de ciência política. A frase de Carl Sagan, que serve de mot a este blog, ainda terá a sua justificação.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

AS BOAS CONTAS NO ESTADO

O artigo de Rui Moreira, aqui no Público, de que destaco o início, vai-me obrigar a lembrar de pôr ainda este mês um post sobre os fechos das rubricas orçamentais nas chafaricas do Estado.


Já se sabe que as obras públicas estão sempre sujeitas ao efeito consecutivo de um multiplicador comum: primeiro, surgem os estudos de consultores competentíssimos, que indicam um orçamento inicial. Na elaboração dos cadernos de encargos, esse orçamento é multiplicado até se chegar à base de licitação. Adjudicada a obra, os "trabalhos adicionais" imprevistos e não orçamentados multiplicam novamente o valor pelo mesmo factor. Quando a factura chega ao conhecimento do público, a culpa não é de políticos nem técnicos, porque há muito que morreu solteira.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

AINDA A FLEXISEGURANÇA

Indispensável ler o artigo da Dra. Teodora Cardoso, aqui no Jornal de Negócios.
Destaco:

É o número e a qualidade destes [ de criação de novos empregos] que distingue um regime laboral que protege o emprego e fomenta o crescimento económico de um que o não faz. Quando os novos postos de trabalho são em maior número e capazes de absorver tanto os trabalhadores jovens como os idosos, os mais e os menos qualificados, estaremos perante uma verdadeira segurança de emprego.
Quando, além disso, a deslocação se dá de empregos que a tecnologia ou a competitividade tornaram obsoletos para outros mais eficientes, teremos criado um ingrediente essencial ao aumento do rendimento e do emprego
.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

POIS ENTÃO, QUE SE EXTINGAM AS FORÇAS ARMADAS

No Domingo, Marcelo Rebelo de Sousa, lá no seu programa, disse que se devia abrir o debate sobre a manutenção ou não das forças armadas em Portugal.
Está aberto. Eu sou pela extinção pura. E passo a explicar.
Disse, aqui, Diogo Vaz Guedes, o seguinte: «Quando lhe falo em Portugal, falo em Ibéria. Portugal já não existe. O mercado é Ibérico e quem não vê isso está enganado.» E ele é um dos homens do Compromisso com Portugal, lembram-se? O Dr. João Salgueiro, aqui há tempos, disse que Portugal é ingovernável.
Mas agora para mim o mais dramático foi o que se disse sobre os ex-combatentes. A mim ofendeu-me. Afirmar que Portugal "não tem recursos para resolver os problemas do futuro e do passado" para justificar o fim de um complemento de pensão, de valor ridículo, aos ex-combatentes foi uma manifestação de desconsideração por eles. Apesar de serem combatentes no passado, não estão mortos. E o futuro de Portugal não passa pelas forças armadas, antes pelo contrário.
Os ex-combatentes da chamada “Guerra do Ultramar” foram obrigados a ir. E as praças ganhavam um pré de miséria. Nada comparado com os chorudos vencimentos que agora ganham para irem para lugares paradisíacos, e não sendo obrigados, pois se estão nas forças armadas, estão-no de forma voluntária. Os ex-combatentes, que combatiam mesmo, se ganhavam alguma medalha, era em cima do caixão, e nunca enchiam o peito de medalhas. Combateram sem condições nenhumas. Eles que contem as histórias reais do que por lá passaram. Eles que tinham de ir 3 ou mais dias pelo mato para fazerem uma envolvente a uma operação, só com rações de combate e a dormir no mato, a que se acrescentava outros tantos dias de regresso. E quando chegavam ainda tinham de ir em coluna buscar água para se lavarem e em condições precárias. E comiam mal, em cozinhas precárias, de prato na mão. Eles que contem. E dormiam em cabanas tipo bairro da lata. Eles que contem. E no regresso, se não iam para funcionários públicos, nem o tempo lhe contavam para a reforma. Agora já foi corrigido, mas parece-me que ainda não a contagem a dobrar nas comissões a 100%. E o que é que o país lhes reconhece? Nada. Deram cabo da saúde, e muitos ficaram com as vidas arruinadas, e o país não lhes reconhece nada. Um deputado que ande a passear-se na Assembleia da República, pode reformar-se com 12 anos de passeio, e já foi com 8. Mas um ex-combatente não tem nenhum direito reconhecido. Os militares do quadro permanente têm hospitais de que se servem e as famílias. Os ex-combatentes não. E as companhias que estavam no mato, com excepção do 1º sargento, já só tinham pessoal do serviço militar obrigatório, do capitão até às praças. E alguns capitães foram obrigados a fazer duas comissões. OBRIGADOS. Eles que contem as histórias do que por lá passaram. E o que é que os ex-combatentes têm hoje. Porque é que os militares do Quadro Permanente nunca disseram nada a favor dos ex-combatentes? E a Liga dos Antigos Combatentes porque se silencia? Porque é dominada por militares? Será? Não há civis na sua estrutura? Ninguém se revolta?
Pois então se o país não tem dinheiro para grandes coisas, que cuide melhor das pessoas e extinga as forças armadas que logo resolve os problemas todos. Também já ninguém percebe qual a sua utilidade actualmente.
Se Portugal fosse um país a sério e estivéssemos a falar de condicionantes geostratégicas do país, então aí eu discorreria de outra maneira. Mas, como diz Diogo Vaz Guedes, Portugal já não existe, então é um desperdício estar a forçar os cidadãos à miséria para sustentar um sector e um estilo de vida ofensivo para quem só recebe 150 euros por ano como complemento de reforma, ou dividindo por 12 meses, 12,5 euros por mês. E estão contra os ex-combatentes por 12,5 euros por mês? O país devia dar-lhes, no mínimo, 500 euros por mês a cada um e dar como idade de reforma os 60 anos, que bem mereciam e não era nada de mais.
Pois então que se extingam as forças armadas. É mais pacífico para todos.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

A QUALIDADE DO ENSINO

António Barreto disse, aqui, no Público de ontem, num artigo para ler na totalidade, isto:
Está assente a convicção de que a qualidade média do ensino em Portugal é má ou medíocre. São muitos os indicadores, nacionais e internacionais, a fundamentar tal percepção. As taxas de insucesso e abandono precoce são altíssimas. As notas médias nacionais dos exames de várias disciplinas são negativas. As que não são negativas são sofríveis. Há centenas de escolas com médias negativas em quase todas as disciplinas. Os conhecimentos dos alunos que terminam um ciclo ou um grau, em quase todas as disciplinas, são muito deficientes. A preparação dos estudantes, tanto técnica e profissional, como cultural e humanística, é insuficiente. Uma enorme percentagem de estudantes que chegam à universidade dá erros de Português, nada sabe de Matemática, conhece mal a História ou a Geografia. O ensino artístico é miserável.

domingo, 3 de dezembro de 2006

FLEXIGURANÇA

Um bom artigo para ler aqui, no Jornal de Negócios, de Isabel Meirelles. Destaco:

A União Europeia tem trazido muitas alterações aos hábitos e tradições portuguesas, para o melhor ou nem por isso, mas sempre a dar um abanão à gostosa inércia de raiz salazarista de que os outros, independentemente de quem quer que sejam, é que têm a responsabilidade de nos proteger e encaminhar ao longo da vida.
(...)
A questão, contudo, que se coloca é se é possível fazer um transplante de um modelo de "flexigurança" de um dador que é incompatível com o paciente, que se arrisca, assim, a morrer. Sabemos todos que a mentalidade e a predisposição laborais de um português não são exactamente iguais à de um dinamarquês, nem sequer aproximadas, nomeadamente em características como o rigor, organização, pontualidade, transparência e tantas outras que para os orgulhosos vikings são genéticas e que para os lusitanos vão levar gerações a adquirir. Em qualquer caso, é certo que há que abanar o sistema instalado, mais que não seja para fazer jus ao aforismo popular de que se não morrer da doença, morre da cura.

sábado, 2 de dezembro de 2006

E OS EX-COMBATENTES? MAIS UMA VEZ, COMO SEMPRE, ALDRABADOS E DESPREZADOS

Pelos políticos. E os militares do dito quadro permanente, como sempre, usaram e esqueceram!
Adorei ver os militares "passearem" a sua inutilidade. Só espero que os ex-combatentes elucidem a família e os amigos para que abram os olhos e percebam bem a qualidade dos (nossos?) políticos e do valor dos militares do quadro permanente. Os ex-combatentes já pagaram um preço muito elevado pela sua cidadania exemplar e que nunca foi reconhecida. Não têm de continuar a pagar para sustentar quem os não merece.
Portugal está a chegar ao fim.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

SOBRE O ESTADO, NO OUTRO HEMISFÉRIO

Do Jorge Gajardo Rojas, sempre com a devida vénia, transcrevo um post.


EL ESTADO PROTECTOR
El estado nos protege y nos exige.Nunca la ecuacion es perfecta.O se le exige que nos proteja y no se quiere que nos exija.En Argentina me queda una sensacion rara.Que espera una sociedad del estado?.Tomemos su caso .El Estado tiene gran ingerencia en la vida de las personas.Fija los precios de los productos.Interviene en las reglas del comercio exterior de los privados.Es el que contrata la mayoria de los creditos en el exterior.El aparataje publico es grande.Solo el teatro Colon tiene mas de 1000 empleados,el gas y el petroleo son estatales,lo mismo muchos otros servicios basicos, com la educacion y la salud.Politicamente hay funcionarios que dependen de servicios no solo nacionales sino provinciales,mas los municipios.Los riegos , no delegar muchas cosas que la sociedad puede hacer por si misma como emprender,como construir desde nuevos edificios hasta como prevenir el futuro economico cuando ya no se trabaje.La educion superior es estatal gratuita,bien por lo primero siempre que el que reciba el servicio actue siendo un buen profesional con sentido social de devolver lo que ha recibido ,seamos realistas devolverlo en parte.Pero un monopolio de Universidades publicas no siempre garantiza calidad si los involucrados(los profesores) se sienten solo burocratas y empleados y los estudiantes seres más o menos responsables de estudiar.Pero si no se pagan nada aun pudiendo hacelo?.Como se la arregla el aparato productivo agricola,si los precios aunque referenciales son sugeridos por el estado?Ventajas del sistema.Una mayor seguridad psicologica,siempre se sabe que el Estado como un padre generoso se hara cargo de nosotros.Pero un estado no puede ver todo,incluyendo las cosas que se deterioran como las carreteras,pasando por la salud mental de sus ciudadanos( y su mejoria)si lo hace el estado debe correr con todos los costos iniciales.Quien realmente paga?,el estado en principio,pero al final pagan todos,si los impuestos son bajos o insuficientes,el estado debe poner plata de sus reservas.Por eso me quedan dudas en un modelo tan especial,amen del poder desproporcionado que adquieren los funcionarios y la dificil parte del control ciudadano sobre la eficiencia de los servicios.Con todo lo bueno de una sociedad muy humana queda la duda si los privados no deben ponerse en carrera con sus propios medios y no esperar que otros corran la carrera de su vida por ellos .La comparacion entre las sociedades chilena y argentina es interesante porque ambos modelos a ultranza necesitan equilibrios.