domingo, 7 de outubro de 2007

O HOMEM PORTUGUÊS

O homem português, ou melhor, o arquétipo do homem português é o que emerge e se revela em determinados períodos históricos favoráveis, mas é também o que se oculta ou é ocultado, o que se reduz a uma vida estagnada e recalcada, nos períodos em que se desfaz a sua «paideia». Uma «paideia», ao modo grego, é a solidariedade e a univocidade entre a estrutura cultural e o sistema educativo de um povo, ambos se ordenando a um «telos» ou a um fim superior, que todos então sentem como seu, pelo qual vivem, lutam e sacrificam se necessário for. Sem a restauração de uma «paideia» essencialmente portuguesa, não deixando de ser universal, será difícil, se não impossível, que o homem português se reencontre, numa reinvenção que ou começa pelas elites, pelas classes letradas, ou nunca mais será possível. Sem uma «paideia» portuguesa renovada jamais poderemos ter uma pátria portuguesa dinâmica, criadora de valores, voltada para o futuro a partir das suas raízes e das suas linhas genéticas fundamentais, sem as quais a nossa identidade se perderia num progressismo vazio e superficial.Recorrendo à metáfora camoniana, assistimos nos últimos anos à vitória do Velho do Restelo sobre o Gama, o mesmo é dizer, da terra sobre a água e sobre os elementos aéreo e ígneo. (…) O que parece dominar hoje em Portugal é a face negativa, nocturna, decaída do arquétipo, do modelo ou da imagem sublimatória que o português já teve de si próprio e o levou a ousar rasgar os seus trilhos na superfície do mundo ou da vida. (…) Vivemos hoje um período de menoridade e de adolescência regressiva em que, predominando o intelecto passivo, as pessoas se auto-satisfazem e auto-iludem com os lugares-comuns ideológicos, com os discursos demagógicos e com as ideias convencionais de gerações que, para repudiarem um certo tipo histórico de nacionalismo, perderam a própria identidade e já não sabem quem são ou para que são, como portugueses.
António Quadros In, «Portugal, Razão e Mistério»
Retirado do excelente blog que é dedicado à obra e ao pensamento de António Quadros.

sábado, 6 de outubro de 2007

APARENTE DEMOCRACIA

Os governos e os grandes partidos europeus substituíram a democracia por decisões iluminadas, tomadas in cameraNuma altura em que se perde de vez a possibilidade de os portugueses se pronunciarem sobre o novo tratado europeu, com o abandono do compromisso pela actual liderança do PSD de fazer um referendo, dá-se mais um passo num triste caminho de criar uma entidade internacional que é cada vez menos democrática e a quem entregamos cada vez mais a nossa soberania nacional. É uma decisão, por parte do PSD e do PS, inqualificável de falta de respeito pelos compromissos assumidos, tornada ainda mais grave quando é claramente manchada pelo facto de ter como principal razão o medo dos resultados do referendo. Ou seja, não se faz o referendo porque os eleitores europeus e portugueses não podem, por diktat, dizer "não". Os Governos e os grandes partidos europeus substituíram a democracia na legitimação do processo europeu por decisões iluminadas, tomadas in camera pelos Governos, sobre matérias decisivas para o futuro de todos nós.
José Pacheco Pereira dixit, hoje no Público, no seu artigo "Uma UE semidemocrática, semieuropeia, semiunião"

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A CRISE ESTÁ SEMPRE EM EVIDÊNCIA

É hoje óbvio que Sócrates falhou. O equilíbrio financeiro foi feito à custa do aumento da receita, que começa a pesar insuportavelmente sobre os portugueses de qualquer idade e rendimento, e não pela prometida, anunciada e glorificada reforma do Estado, que ninguém viu ou verá. A economia não cresce. O desemprego aumenta. E não se vê saída para este buraco a que nos levaram.
(...)
Se o regime se mostrar impotente, como se tem mostrado, para resolver a crise geral do país, não resiste ao primeiro "chefe" populista que lhe aparecer pela frente.

VPV, hoje no Público.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O NOSSO SISTEMA POLÍTICO É UMA GRANADA PRESTES A EXPLODIR?

Entrevistado pela revista Visão em Londres, onde agora trabalha, João Cravinho diz ainda que Cavaco Silva e José Sócrates funcionam como uma “cavilha de segurança” da “granada” em que está a tornar-se o sistema político português. (aqui)
Segundo João Cravinho, um dos grandes problemas é a “corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte de lóbis”.
No entender do ex-deputado, a corrupção, “antes de ser um fenómeno do domínio policial, é um problema de risco, de sistema a ser gerido e não reprimido como se fosse um conjunto de factos isolados”. (aqui)
João Cravinho dixit. Entrevista a ler com muita acuidade na VISÃO.
Presumo que ele é uma pessoa muito habilitada para o afirmar, e que está na posse de informação que o habilitem a ajuizar tal. Aguardemos as reacções à sua entrevista. Assunto a acompanhar munido de filtro.

INTERESSES DIVERGENTES DE PORTUGAL E ESPANHA

O que parece ser a nova política externa da Espanha não é compatível com o que mais conviria a um Portugal que, para afirmar a sua individualidade e a sua liberdade de acção na Península, tem de continuar a assumir-se muito mais como país euro-atlântico que ibérico. Por isso é mais do seu interesse, não só a integração estratégica da defesa dos EUA e da Europa, como a preservação das relações históricas de segurança com a «Potência Marítima». É que tal política atlantista (não confundir com americanista) facilita a coesão vital dum Portugal quase arquipelágico, fragmentário, com parcelas situadas em áreas tidas de interesse estratégico, dos EUA e da Espanha, conforme a divisão «operacional» que estes aliados têm feito do espaço geoestratégico português. A coesão interterritorial de Portugal é a essência da sua individualidade e da sua personalidade, com a qual tem obrigação de concorrer para a construção duma Europa que tem de ser das pátrias para poder ser ela mesma, e não um rebanho de satélites dos que pretendem fazê-la mais à sua própria imagem. Daí que nacionalismo não seja necessariamente anti-Europa, como o regiona­lismo não é antipaís.
Virgílio de Carvalho, in "O MUNDO, A EUROPA E PORTUGAL".

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

OU HÁ UMA OBRA MEGALÓMANA DO REGIME, MESMO QUE INÚTIL OU INEFICAZ, OU A CRISE VAI ACELERAR.

Gostaria de estar redondamente enganado. Mas julgo que o país ainda vai adensar mais a crise. Para 2008 o desemprego vai aumentar exponencialmente. Os não sei quantos mil novos empregos, se apareceram, e eu não os vi, não chegam de forma alguma para travar o aumento da taxa de desemprego. Que está muito light. É uma taxa que não tem em conta os portugueses que emigram. E de reparar que até os imigrantes já estão a fugir de Portugal. As empresas, médias e pequenas estão em grande dificuldade, mas não têm peso nem influência junto do poder. Só as grandes empresas, ou os grande empresários, têm poder de ditar ordens ou decretos de acordo com os seus interesses e com investimento dos desgraçados dos contribuintes. Falta a obra megalómana. Não vai resolver nada. Irá somente atenuar a crise e adiar o desastre para dois anos mais tarde.
E já agora a nossa taxa de desemprego ultrapassou agora a da Espanha em 20 anos. A coisa promete. A Espanha com a pujança com que está, e Portugal mais miserável do que é habitual, é prenúncio do que por aí vem.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

AS FRASES DO DIA

Em geral, as elites portuguesas não se distinguem por nada que tenham feito. Não têm o hábito de se elevar e, em consequência, resta-lhes empurrar o povo para baixo quando ele se chega muito perto. (...) .Em geral, as elites portuguesas não se distinguem por nada que tenham feito. Não têm o hábito de se elevar e, em consequência, resta-lhes empurrar o povo para baixo quando ele se chega muito perto.
Rui Tavares, hoje, no Público.

A ESTUPIDEZ É O MAIOR FLAGELO DA HUMANIDADE

A frase não é minha, mas está em consonância com o que penso dos males deste mundo. O Einstein disse algo parecido com isto, e que já tinha colocado aqui.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A TER EM ATENÇÃO

A globalização não é uma simples questão de liberdade de movimentos de mercadorias e de capitais. É necessário geri-la e isso implica novas abordagens nas políticas nacionais e novas responsabilidades para os organismos internacionais. A grande interrogação de momento incide sobre a capacidade das grandes potências económicas para aceitarem essa evidência. Em especial no caso dos EUA, ainda o indiscutível ‘leader’ do processo, parece mais provável, na actual conjuntura política, assistirmos a uma nova tentativa do Fed para salvar os mercados. Os pequenos devedores incautos pagarão a factura da sua imprudência, mas é improvável que vejamos pôr termo às grandes “alavancagens” e a “corrida às armas de destruição financeira maciça”.
Teodora Cardoso, in Diário Económico, do artigo "Os mercados e a economia".
Agora que a crise chegou, centrada nos Estados Unidos e não podendo, por isso, ser atribuída à irresponsabilidade latino-americana nem ao ‘cronyism’ asiático, há dois riscos que já se tornaram claros no que respeita ao debate sobre a arquitetura e regulação do sistema financeiro.
(...)
Nesses casos, porém, não são as reformas internacionais que podem por si sós resolver o problema, se a qualidade das instituições e o valor atribuído por esses países à autoridade moral – e não à simples força bruta – que lhes cabe exercer não estiverem à altura das suas responsabilidades globais.
Teodora Cardoso, in Diário Económico, do artigo " Conhecimento imperfeito"
... diploma na "ciência" que, por esse mundo fora, tem liquidado as escolas.
Maria Filomena Mónica, ontem, no Público. Artigo a ler com muita atenção.

domingo, 30 de setembro de 2007

SIMON DU FLEUVE

É banda desenhada. Dos fins da década de 70. O autor é AUCLAIR. Por cá foi editado pela Livraria Bertrand. 4 volumes, senão erro. Uma visão, ficcionada, de um futuro após conflito bélico generalizado, com destruição de "modernidade". O regresso aos campos e a memória de um tempo tecnológico, testemunhado nas ruínas e ainda na posse de senhores da guerra. Muito interessante de ler. Embora seja só ficção. Embora.

sábado, 29 de setembro de 2007

A PERCEPÇÃO DA REALIDADE É SEMPRE MULTIDISCIPLINAR.

Há uma necessidade constante de se estar atento às interligações dos acontecimentos a nível mundial. Estando-se atentos, conhecendo-se história e entendendo geopolítica fica-se mais capaz de entender as movimentações da mudança de que todo o mundo é composto. Como comecei a fazer há cinco posts anteriores, vou deixar mais umas passagens para meditação.


O crédito tem um papel importante no crescimento económico. A capacidade de obter empréstimos aumenta grandemente a rendibi­lidade dos investimentos. A taxa de rendibilidade esperada é normal­mente superior à taxa de juro sem risco - se assim não fosse, o investimento não se faria - e, por isso, há uma margem de lucro positiva no endividamento. Quanto maior for o financiamento de um investimento, mais atraente este se torna, desde que o custo do dinheiro se mantenha inalterável. O custo e a disponibilidade do cré­dito tornam-se, assim, elementos com uma forte influência sobre o nível de actividade económica; aliás, são provavelmente os factores mais importantes na determinação da as simetria do ciclo expansão/ / declínio. Pode haver outros factores em jogo, mas é a contracção do crédito que torna o declínio tão mais abrupto do que a expansão que o antecedeu. Quando se chega à fase da liquidação forçada de dívidas, a venda dos bens dados como garantia faz diminuir o seu valor, desencadeando um processo que se vai reforçando a si próprio e que é muito mais concentrado no tempo do que a fase expansionista. Isto é verdadeiro, quer o crédito seja concedido por bancos, quer pelos mercados financeiros e garantido por bens móveis ou imóveis.
O crédito internacional é particularmente instável porque não está tão regulamentado como o crédito interno nos países economica­mente desenvolvidos. Desde o nascimento do capitalismo que tem havido crises financeiras periódicas, por vezes com consequências devastadoras. Para impedir a sua repetição, tanto os bancos como os mercados financeiros foram alvo de regulamentação. O problema é que as regras basearam-se sempre na crise anterior, e não na seguinte, pelo que cada nova crise levou a um novo avanço na regulamentação.


George Soros, in A crise do Capitalismo Global.



DIEU : « Le conservatisme a ses racines dans la religion, contrairement au libéralisme. Il est vrai que certains libéraux sont religieux, mais ils sont plus souvent laïques, athées ou agnostiques. Il se peut que quelques conservateurs (...) partagent ces vues. Pour­tant, s' il est vrai que les conservateurs peuvent étre pratiquants ou non, appartenir ou non à une Eglise, il est difficile d'étre conservateur sans étre religieux. Dans l'ensemble, les conservateurs croient en Dieu, et étant donné que les Américains sont dans leur écrasante majorité un peuple chrétien comportant une minorité juive de taille modeste mais importante, le Dieu du conservatisme américain est le Dieu des Ancien et Nouveau Testaments. Dans l'Amérique actuelle, l'engagement religieux et le conservatisme marchent de concert dans la bataille contre la laïcité, le relativisme et le libéralisme.

Philip S. Golub, in Maniére de Voir, nº 95, citando Samuel Huntington.



Es posible que Mountbat­ten y el gobierno Attlee con­sideraran que podían aban­donar la India con aquel apresuramiento, sin que los habitantes corriesen más riesgos de violencia de los que se hubiesen derivado dei mantenimiento de una presencia británica que los indios repudiaban y que los británicos no podían cos­tear; es posible que Mount­batten y el gobierno Attlee pensasen que la partición se­paraba algo tan intrincada­mente unido que los dos nuevos Dominios se verían obligados a actuar casi como una federación; pero si pen­saron esto, erraron estrepi­tosamente sus cálculos.
Cualquier esperanza de cooperación entre India y Pa­kistán pereció en medio de , la violencia que se desató en­tre comunidades durante el otono de 1947, sobre todo en las provincias partidas de Bengala y Punjab, donde al­canzaron dimensiones ate­rradoras.


Rosario DeLa Torre Del Rio, in La Aventura de La HISTORIA, nº106-ano 9.



Face à Rússia, os Estados Unidos da América podem tirar partido do realismo clássico. A UE não. O confli­to entre Moscovo e Washington po­de facilmente ser reduzido a uma pro­va de força típica do século XIX, um confronto motivado pelo controlo dos recursos naturais e o orgulho na­cional.
Mas o mesmo não se passa com a ­UE. No conceito de democracia sobe­rana, o que mais desconcerta os euro­peus é a ideia de a UE ser encarada como fenómeno temporário, expe­riência interessante, mas sem futuro. A estratégia europeia da Rússia parte do princípio de que são os Esta­dos-nação que vão determinar o futu­ro do continente.

Ivan Kastrev, in Courrier Internacional nº 128.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A POLÍTICA EM PORTUGAL ESTÁ ASSIM

O sistema político-partidário está podre. O mal é geral, concretizando-se em cada caso da forma mais adequada às idiossincrasias de cada um dos agrupamentos em questão. A qualidade média do pessoal político vem baixando, pela regra conhecida de que a má moeda faz tudo para afastar a boa moeda. A luta política vai-se tornando, por isso, cada vez mais rasteira e a competição é crescentemente concretizada pela demonização dos adversários e pelos golpes baixos, em vez de ser feita pela defesa de posições, projectos e valores.A sociedade portuguesa, por tudo isso, reage cada vez pior ao sistema partidário.
José Miguel Júdice, hoje no Público.
E relembro o mote deste blog, que está sempre abaixo do Nome do blog, mas para o qual nem sempre reparam:
«mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara.» SAGAN

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

UM APLAUSO A SANTANA LOPES

Pelo que se passou aqui. Eu já venho denunciando o nojo que é o futebol em Portugal. Há uma inversão de prioridades. Por isso eu não estranho o estado do país. Nem o rumo que leva desde há uns anos. Até parece que é o único país a divergir na União Europeia. Porque os cidadãos, em geral, não atinam, nem obrigam a atinar com as prioridades.

OS PARTIDOS PORTUGUESES SÃO...

Os partidos portugueses são uma espécie de indústrias falidas, protegidas pelos subsídios do Estado e por um sistema eleitoral que lhes tem garantido o mercado dos votos. A militância partidária é quase sempre, em países democráticos, animada pela recolha de fundos. Financiados e confundidos com o Estado, os partidos portugueses dispensam militantes.
Rui Ramos, hoje no Público. A ler com muita acuidade.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

POVO QUE LAVAS NO RIO

É o título de um excelente post, aqui, no blog do José Maria Martins. A ler com atenção.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

E SE UNIRMOS VÁRIOS PONTOS DE DIVAGAÇÃO, SERÁ QUE ESTE MUNDO COMEÇA A SER PERCEPTÍVEL?

E se formos meditando na interligação que estas passagens suscitam?


Este episódio [caso Scollari], que se segue a inúmeras cenas vergonhosas que têm envolvido as nossas selecções de futebol, é um case study para quem se preocupa com o irresponsável clima de impunidade que grassa na nossa sociedade. O futebol tem sido acusado de ser uma das raízes do problema, e retratado como um submundo dominado por tratantes, onde se cruzam a corrupção, a falta de desportivismo e as negociatas. Naturalmente, pelo poder que gera e pela atracção que suscita, não poderia deixar de espelhar todos os nossos vícios.
Rui Moreira, no Público de 24.09.2007

A guerra de civilizações, que a "inteligência" ocidental persiste em pretender que não existe, entrou numa nova fase.
VPV, no Público de 22.09.2007

As respostas certas a estas oportunidades e riscos requerem uma Europa unida e forte. Na realidade, uma Europa unida e forte irá também dar um contributo importante para a modernização sustentável da Rússia.Uma Europa fraca e dividida irá tentar a Rússia a prosseguir caminhos perigosos para o futuro.
Joschka Fischer, líder do Partido dos Verdes durante quase 20 anos, foi ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-chanceler do Governo alemão de 1998 a 2005, no Público de 20.09.2007. (Todo o artigo, intitulado O futuro da Rússia e o Ocidente, é muito interessante)

Os sinais que avisam dos desastres, sobretudo na ordem precária do Governo dos Estados e na ordem frágil da comunidade internacional, não são todos da mesma natureza, não foram objecto de uma racionalização global, mas são mais numerosos e credíveis do que os anúncios dos governantes iluminados que acontecem mais vezes do que seria útil.
Adriano Moreira, no DN de 25.09.2007. O artigo deve, no entanto, ser lido na íntegra.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

SE EU POR AQUI DISSESSE UMAS BOJARDAS SOBRE O NOJO DO FUTEBOL

Não faltariam comentários, insultos e piruetas. Sobre assuntos candentes onde divago, não há muita reflexão.

domingo, 23 de setembro de 2007

SERENAR


Foi o que andei por aqui a fazer, desde o raiar do dia até a outro raiar seguinte.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O QUE PERTURBA OS NOSSOS IRMÃOS MUÇULMANOS?

Em continuação dos anteriores posts.
O que mais perturba o mundo muçulmano, e que o encrespa fortemente, é a crescente ausência de valores no mundo ocidental, que coincide com a zona de matriz cristã. Mas não está em causa uma confrontação civilizacional por religiões. O que está em causa é a degeneração dos valores do mundo ocidental. É isso que perturba o mundo muçulmano e que é, simultaneamente, sentido como uma ameaça à sua matriz civilizacional, uma ameaça ao desenvolvimento das suas juventudes. A decadência do império romano perturba-os e aflige-os. E é disso que vão tentar defender-se. Ou andam a tentar. Os resultados têm sido desastrosos para ambos os lados. E, de forma alguma, têm travado a decadência de cada um dos lados. As soluções ainda estão para vir. E se calhar virão de um outro lado. As perspectivas de Napoleão.
E há uma questão que as duas guerras mundiais nunca resolveram, e não se fez escola com o fluir das guerras: Nunca se humilha os derrotados. A pior vitória é a que é feita com a humilhação dos vencidos, pois resultará numa derrota do futuro.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

E AINDA MAIS ...

Complementando o que venho expondo nos dois ultimos posts, não posso deixar de citar aqui um trecho do artigo do Embaixador Cutileiro, e publicado no Expresso do passado Sábado:
«As coisas mudaram. A Europa pequena, velha e contente consigo de há meio século, aninhada no conchego do confronto nuclear russo-americano, dedicada a engordar, a desculpar-se e a imaginar mundos melhores desde que não tivesse de matar ou morrer por eles, acabou. A Europa hoje é grande, está a deixar de ser tão velha - em França melhora a taxa de natalidade; quando a Turquia aderir entrará muito mais gente nova - e começa relutantemente a perceber que terá de se armar porque não só já não manda no resto do mundo, o que se sabia pelo menos desde 1945, mas também, e isso é novidade, não pode contar com a ordem da Guerra Fria para viver em segurança sem ter de a pagar. Graças à Aliança Atlântica, os europeus andaram em primeira classe com bilhete de turística durante mais de 40 anos.
Uma relação firme Europa-Estados Unidos continua a ser condição "sine qua non" de estabilidade mundial (e de bem-estar e segurança de americanos e europeus) e essa relação mantém-se. Ao contrário do que alguns receavam - e outros apeteciam - as divergências quanto ao Iraque desvaneceram-se e, entretanto, a solidariedade transatlântica recebeu dois alentos novos. Um, é o pró-americanismo dos membros da Europa de leste da União, gatos escaldados da história europeia, com medo de água fria de Moscovo e de água fria de Berlim, desconfiados de que, nessas matérias, Bruxelas não os entenda. O outro é o americanismo do Presidente Sarkozy que, entre "jogging", férias nos Estados Unidos e gosto pela riqueza mesmo quando esta seja dos outros, está a sacudir o molde católico-comunista que entorpeceu a França durante o século XX.
Mas as exigências da relação transatlântica mudaram. Para ela continuar a ser eficaz, os europeus precisarão de gastar muito mais dinheiro do que gastam em defesa e a entenderem-se muito melhor uns com os outros do que se entendem na definição dos seus interesses. Julgo que lá chegarão, à medida que forem forçados a combater com unhas e dentes a concorrência desenfreada da China e da Índia - talvez com avanços repentinos de solidariedade se a paranóia agressiva russa a isso os obrigar. Entretanto, na União, as coisas nunca mais serão como eram dantes. O contentamento mole que Kenneth Tynan ridicularizava sumiu-se. Os curadores do bem comunitário subsistem mas os estados-nação voltaram a galope e regateiam a par e passo as posições da União. É demorado e é arriscado mas se não for assim não é de maneira nenhuma e os europeus não contarão no mundo. Os gémeos Kaczynski poderão ser penosamente caricatos mas sabem de que lado o vento da História sopra.»
E também tem a ver com os dois anteriores posts esta noticia, via Novopress. Inf :
«A apresentadora da televisão alemã Eva Herman foi despedida por palavras politicamente incorrectas. Eva Herman, 48 anos, lamentou que a Alemanha moderna não atribua o mesmo valor à família que esta teve na época nacional-socialista: “valores como a família, as crianças e o papel da mãe, que foram apoiados nomeadamente pelo Terceiro Reich, foram derrotas pelo Maio de 68. Muitos do que foi desenvolvido nessa época, foi abolidos seguidamente“, declarou a senhora Herman numa entrevista à Bild Am. Sonntag, sem nenhuma relação com as suas funções de apresentadora. Esta jornalista referia-se nesse entrevista ao livro que acaba de publicar: O princípio Arca Noé - porque devemos salvar a família.»
E sobretudo, tudo a ver também a resposta do Eng. Henrique Neto, no último Expresso, à questão «Há uma bolha global de "crédito fácil" para rebentar?». Que foi a seguinte:
Não é apenas a bolha global de “crédito fácil” que ensombra o sistema financeiro mundial. É também a generalização do controlo de empresas e de grupos industriais, por fundos sem motivação e sem competência industrial. O que, estou certo, não vai acabar bem.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Continuando ...

Continuando a questão da demografia na sociedade ocidental.
A pressão demográfica começa-se a fazer sentir sobre a frágil sociedade europeia. E os fundamentalismos, xenofobias e exacerbamentos nacionalistas são uma demonstração, reactiva, a essa pressão. Muita gente está com medo de ataques terroristas que debilitem a estabilidade das sociedades ocidentais. Mas essa debilidade há muito tempo que anda a ser incrementada por forças que não são totalmente alheias aos fundamentalismos inimigos da civilização ocidental. E que têm tido sucesso. O incremento da produção de drogas é um factor importante que tem tido sucesso na destruição das juventudes de matriz ocidental. A civilização ocidental, por excesso de fartura, não cuidou devidamente da educação das gerações mais novas, optando por uma pedagogia de facilidades que destruiu o empenho das camadas jovens. A droga é só um aspecto. A abdicação na exigência da instrução é um outro, quiçá mais grave que a droga. A destruição da apetência pelo saber e a instilação do desânimo pelo carinho para com a cultura são outras facetas graves da educação das jovens gerações.
A decadência é emergente. Mais uma vez relembro a Decadência do Império Romano.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A DEMOGRAFIA! O JOGO!

Parafraseando também poderia dizer que é a demografia, estúpido.
Mas uma pequeníssima lição de geoestratégia. E vou usar a linguagem do futebol, porque parece que é a que é susceptível de ser percepcionada por mais cidadãos. Um estádio de futebol com capacidade para 60 mil espectadores. No campo duas equipas de onze jogadores e uma equipa de arbitragem de tipo neutro. Nas bancadas 50 mil são adeptos de uma equipa e 10 mil da outra. Se não houver tensões entre os adeptos, tudo decorrerá bem independentemente do resultado do jogo. Mas se houver, como se forem duas comunidades diferentes, então os 50 mil dominarão os outros 10 mil. E com facilidade.
Se a Europa for esse estádio, os europeus genuínos e de cultura tenderão, em menos de um século, a serem os 10 mil. Os necessários emigrantes, de outras culturas e mentalidades, serão os 50 mil. Os europeus não se reproduzem o suficiente, bastante, porque não querem, porque não podem, porque financeiramente incomportável, porque os novos estilos de vida, social e laboral, são deveras impeditivos, ou simplesmente porque estamos a regurgitar a decadência do Império Romano, pelo que as consequências se podem palpitar. Não há espaços vazios nem almoços grátis. Quem não se quer defender, será atacado e dominado. É uma regra dos tempos. E enquanto houverem tempos a regra existirá.
Já agora leiam, hoje no Público, o excelente artigo de Luís Campos e Cunha, Falemos do Nada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

TEM QUE HAVER DINHEIRO PARA SE CONSUMIR EM FELICIDADE.

Hoje fiz este comentário num outro blog amigo:
A vivência hodierna tem condicionalismos diferentes de há 50 anos atrás. Era tudo mais pobre, com menos disponibilidades de dispersar, mas as pessoas eram mais alegres e felizes. As crianças viviam desde logo livres, o que lhes dava alegria. Hoje as crianças vivem condicionadas pelos horários dos pais, em espaços que os pais possam pagar, pois se o não podem andam pelas ruas inseguras. E confinadas em espaços, em guetos ou em bandos onde estão presas e limitadas aos ditames desses confinamentos. E depois fazem depender a sua alegria ou felicidade de coisas que só o dinheiro compra. Geralmente electrónicas. E vejam o caso dos telemóveis em crianças. E depois de crianças quando chegam a adolescentes já só há que continuar a ser infeliz, se não tiver dinheiro que o pai dá ou... alguém dá. Tem que haver dinheiro para se consumir em felicidade.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

A HONORABILIDADE

E a propósito de mediocres este belo trecho do artigo de hoje, no Público, de Rui Tavares:
A honorabilidade é antes uma espécie de verniz que reclama para si um tratamento respeitoso ou "honorável". A honra é uma obrigação para o próprio; a honorabilidade é um penacho a ser respeitado pelos outros. Quando alguém clama pela sua "honorabilidade", não quer dizer que seja obrigatoriamente honrado; quer dizer que está convencido de que nós temos a obrigação de o tratar como se fosse.

OS MEDIOCRES VENCERAM

Deixei de propósito uma semana o post anterior no topo do blog. Tive esperança que houvesse alguma reacção ao post. O tema era muito ácido. Mas não. Das dezenas de pessoas que por aqui passaram nesta semana não comentaram. E o único comentário colocado nem é sobre o conteúdo do post. As pessoas andam indiferentes à vida pública. Por isso o país está no lugar em que está e da maneira desolada como deambula. Vou continuar por aqui dizendo o que acho que devo dizer. Mais blogues há por aí que também vão alertando para coisas, outros vão ensinando, outros elucidando. Vão fazendo o que devem. Também há muitos artigos nos jornais e revistas a chamar a atenção para o descalabro do país. Eu não tenho ilusão nenhuma de que Portugal está no seu estertor. Já é um país velho que nunca cuidou bem de manter uma população esclarecida, vigorosa, produtiva, orgulhosa e sã. Os países criam-se e finam-se no seio das circunstâncias do fluir deste planeta. E Portugal está-se a finar. Os portugueses deixaram que alguns, dentre o que havia de pior na sociedade, tomassem conta das rédeas do país. Paciência. Continuaremos por aqui focando uma e outra vez os problemas. Juntamente com outros bons blogues deste país, e não só.
Mas já não tenho esperança alguma em Portugal. Estamos em último lugar em tudo na União Europeia. E cada vez mais atrás. Cada dia que passa, estamos pior. Os medíocres venceram.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

OS IMPOSTOS DEVERIAM TER DISCRIMINAÇÃO POSITIVA. OS CIDADÃOS DEVERIAM PAGAR IMPOSTOS NA RELAÇÃO DIRECTA DOS BENEFÍCIOS QUE COLHEM. ABERTO O DEBATE.

O cidadão que não tem, no concelho onde vive, hospital, ou escola para os filhos, acessos condignos, maternidade, e etc. não deve pagar a mesma taxa de imposto que o cidadão que vive em Lisboa, onde o governo proporciona todas as mordomias a esses cidadãos. Em Lisboa há de tudo, pago com os impostos de todos os cidadãos, mas só os que lá vivem beneficiam desse tudo proporcionado pelos impostos de todos. Por isso, a quem o estado não proporciona determinados serviços, que são da sua obrigação prestar, deveria descontar, nos impostos, essa não prestação de serviços. E os que o Estado manda nascer a Espanha deviam ficar isentos de pagar imposto, para compensar o desprezo com que o estado os trata.
Fica aqui aberto o debate. Estou a aguardar para ver se os portugueses, e não só, que por aqui passam, têm opinião para expressar sobre o assunto.

sábado, 18 de agosto de 2007

Vocês não ligam muito ao que ando por aqui a dizer, mas ...

A professora Teodora Cardoso, hoje no Expresso, vem ao encontro do que eu venho por aqui dizendo. Ela hoje adverte para "O QUE", antes que seja uma crise económica. Aqui fiz um comentário, ontem, que reproduzo: Esta ainda não é a grande crise bolsista. Se as conjecturas político/económicas não souberem fazer ajustamentos correctos, e em devido tempo, essa grande crise virá mais adiante. De qualquer forma os custos humanos desta crise vão-se fazer sentir nos próximos meses. E vão ser custos bem grandes.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

UMA EDIÇÃO DE FELICIDADE

Hoje, no Courrier International. Dá para ler no fim de semana, bem antes de se deprimirem. Aproveitem. E a propósito, vi hoje uma frase interessante na série "Os Sopranos": É preciso entrarmos com alegria nas penas deste mundo.
Divirtam-se e tenham um bom fim de semana.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

SE O MUNDO TIVER DE SE FAZER EXPLODIR, A ÚLTIMA VOZ A SER OUVIDA SERÁ A DE UM ESPECIALISTA A GARANTIR QUE TAL NÃO PODERÁ ACONTECER.

Disse-o Peter Ustinov. E faz-me sempre lembrar os acordos de Munique, Chamberlain. Entre outros. Estamos em pleno período de instabilidades, várias, pelo globo. Há algo que se sente no ar. Há algo.

O MUNDO ANDA CARENCIADO DE NOVIDADES


As pessoas podem sempre ser levadas a seguir os líderes. É fácil. Só é preciso dizer-lhes que estão prestes a ser atacadas e acusar os pacifistas de falta de patriotismo e de estarem a pôr o país em perigo. Funciona sempre da mesma forma, qualquer que seja o país.

HERMANN GOERING

terça-feira, 14 de agosto de 2007

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

sábado, 11 de agosto de 2007

TUDO ISTO, HOJE.





Isto não é propaganda. São momentos de prazer de viver. Para os que são do Continente, antevejam o que podem ver e usufruir.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

UM PROBLEMA

Na linha do mote deste blog. Um trecho da entrevista dada ao Diário Económico de hoje por Mário Soares. Dito por ele tem mais força do que dito por mim e por outros como eu. Mas já muitos há, que andam por aqui, na blogosfera, a fazer alertas sérios como este:

O fundamentalismo islâmico tem vindo a fortalecer-se. Mas há também fundamentalismo judaico e cristão. Não o esqueçamos. É urgente, indispensável um grande diálogo mediterrânico. O Mediterrâneo oriental foi a sede das grandes religiões monoteístas. É preciso que as grandes religiões voltem a dialogar. O novo encontro ecuménico de Santo Egídio será este ano em Nápoles, onde espero estar, em Outubro próximo. Não podemos permitir que o Ocidente entre em decadência. Seria uma tragédia para o Mundo. Mas, para tanto, é preciso que a União Europeia saia do seu torpor e tome decisões, com autonomia estratégia em relação aos EUA. Porque aqueles que dizem que pode haver uma guerra de civilizações têm alguma razão. O descrédito do Ocidente é efectivo. E a força dos países emergentes - o Brasil, a China, a Índia e a Rússia - é efectiva. A relação de forças no Mundo está a mudar. Qual a estratégia europeia? A situação não está clarificada na União. Esse é o nosso maior problema.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

OS SERVOS DA GLEBA

Regressamos a uma certa concepção de mundo medieval. O governo regula o acesso a profissões. Depois da queda do Império Romano, outros impérios caíram e outros ainda vão cair. Só que as quedas dos impérios arrastam as sociedades para becos de obscurantismo. Mestres, oficiais e aprendizes. De fora ficam os servos da gleba. De fora fica ....

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A IGNORÂNCIA, AO CONTRÁRIO DA CIÊNCIA, É SEMPRE UNIVERSAL E, PORTANTO, ENCICLOPÉDICA.

Disse José Hermano Saraiva, in "Álbum de Memórias", 7ª década (anos 80)

terça-feira, 31 de julho de 2007

QUAL O SIGNIFICADO DO PAÍS A FALAR MAL E A ESCREVER PIOR?

«Com efeito, toda a degradação individual ou nacional é prontamente anunciada por uma degradação rigorosamente proporcional na linguagem.»
Joseph de Maistre citado por George Steiner in "Os Logocratas"

sexta-feira, 27 de julho de 2007

E NÃO É QUE SE ESQUECERAM!

Cumprir Portugal

Sendo objectivos seguros da adesão às CE a modernização e o desenvolvi­mento, e não contrariando a sua prossecução qualquer dos objectivos mais cer­tos das CE, parecerá então que um caminho aceitável para Portugal seráprocurar aproveitar a oportunidade para reforçar o seu poder efectivo, ou na­cional, isto é, a sua capacidade de preservar liberdade de acção, identidade de Nação, e individualidade de País. O que, como se acentuou, não parece re­provável, uma vez que mesmo uma Europa política terá toda a vantagem em poder contar com todas as capacidades de todos os países a entrar na sua com­posição. Isto porque o respeito pelas suas diversidades trará à Europa solida­riedade, riqueza e competitividade.
Para que Portugal possa então modernizar-se e desenvolver-se em segurança no âmbito das CE, será necessário, antes de mais, não se esquecer que adquiriu e manteve a sua identidade de Nação e a sua individualidade de País assu­mindo condição geopolítica, geoeconómica e geocultural euro-atlântica, com potencial estratégico marítimo suficientemente centrífugo para sobreviver. Principalmente, será preciso não esquecer que o especial Portugal exige cuida­dos extremos com a sua coesão, pois apresenta as segunda e a terceira mais perigosas condições de fragmentaridade potencial: a descontinuidade territo­rial marítima, decorrente de ser Madeira, Continente e Açores; e ser o Conti­nente uma faixa estreita e alongada Norte-Sul, com diversidades acentuadas . de produções e culturas decorrentes da existência de diferenças climáticas.
Do saudoso Comandante Virgílio de Carvalho, in " O MUNDO, A EUROPA E PORTUGAL"
Como se esqueceram, ou nem sequer estudaram as lições, ou não escutaram quem sabe, provocaram o descalabro em Portugal. E tanta gente que foi avisando ao longo dos tempos. Mas como os partidos politicos blindaram o acesso à decisão da governação, tudo ficou nas mãos de ignorantes arrogantes. O resultado viu-se. E compare-se com Espanha. E agora como resolver? É inevitável cumprir-se a "profecia" de Saramago?
Será que já estamos todos derrotados? Será?

quinta-feira, 26 de julho de 2007

É CALANDO QUE SE APRENDE A OUVIR; É OUVINDO QUE SE APRENDE A FALAR; DEPOIS, É FALANDO QUE SE APRENDE A CALAR

De autor desconhecido

APRENDENDO

Ensinar não é uma função vital, porque não tem o fim em si mesma; a função vital é aprender.

Isto disse o Aristóteles há uns anos atrás. Muitos anos mesmo. Os pedagogos de serviço é que nunca aprendem.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

AQUELE QUE NÃO DUVIDA DE NADA NÃO SABE NADA.

É um provérbio grego. Mas ao lê-lo veio-me logo uma pessoa ao pensamento. Sabem quem?

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O QUE HÁ DE ERRADO EM PORTUGAL PARA QUE ESTA GENTE ACEITE VIVER ASSIM?

Este já foi titulo de um post, aqui.
Hoje é título no DN, na primeira página, que a PJ alerta para o tráfico de pessoas para Espanha. E da notícia destaco:
«"Em Espanha, encontrámos casos de exploração de trabalhadores que poderíamos classificar como escravatura e que são passíveis de ser punidos criminalmente. São, nomeadamente, retenção dos documentos de identificação, privação de liberdade, uso da força, maus tratos, falta de pagamento das remunerações", explicou ao DN Vítor Guimarães, director da PJ do Porto, responsável pela investigação.»
Que se passa afinal em Portugal. Porque é que o Saramago disse o que disse sobre a integração em Espanha? Porquê este mal estar permanente da nação? Porque é que a sociedade portuguesa vive como se sofresse de uma depressão colectiva?
Para mim a razão principal é que o país se deixou enredar na mediocridade. São os medíocres que destinam o país. E assim impõem as suas incapacidades em todas as áreas, desde a educação até à justiça. O país está amarrado e amordaçado à teia dos medíocres. Os portugueses deixaram-se enredar e não vão ser capazes de se livrarem deles. A mediocridade, infelizmente, está a reproduzir-se.

sábado, 21 de julho de 2007

O QUE É NOCIVO À EDUCAÇÃO?

«Estou firmemente convicto de que, no que se refere à educação dos portugueses e à sua preparação para a vida, a política não só não tem ajudado como tem sido o cancro que impede os progressos, rejeita as ino­vações, favorece o compadrio, substitui as ginásticas que estimulam pelas catequeses que submetem.»
José Hermano Saraiva, in "Album de Memórias", (anos 50-I).
E se eu concordo com ele. Concordo e em pleno.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

QUANDO

Quando a gente julga que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas !!!

Lido, algures na blogosfera.

OS MEDÍOCRES VINGAM EM PORTUGAL

E assim não há solução possível para Portugal.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

ÚLTIMA JUSTIFICAÇÃO

Destaco um trecho de "O INTERREGNO - DEFESA E JUSTIFICAÇÃO DA DITADURA MILITAR EM PORTUGAL" de Fernando Pessoa e datado de 1928.
«Já acima esboçámos, em simples exemplo ocasional, qual seja a situação presente de Portugal quanto à sua opinião pública. Concentrados, dos Filipes ao liberalismo, numa estreita tradição familiar, provincial e religiosa; animalizados, nas classes médias, pela educação fradesca, e, nas classes baixas, bestializados pelo analfabetismo que distingue as nações católicas, onde não é mister conhecer a Bíblia para se ser cristão; desenvolvemos, nas classes superiores, onde principal mente se forma a opinião de intuição, a violenta reacção correspondente a esta acção violenta. Desnacionalizámos a nossa política, desnacionalizámos a nossa administração, desnacionalizámos a nossa cultura. A desnacionalização explodiu no constitucionalismo, dádiva que, em reacção, recebemos da Igreja Católica. Com o constitucionalismo deu-se a desnacionalização quase total das esferas superiores da Nação. Produziu-se a reacção contrária, e, do mesmo modo que na Rússia de hoje, se bem que em menor grau, a opinião de hábito recuou par além da província, para além da religião, em muitos casos para além da família.
Surgiu a contra-reacção: veio a República e, com ela, o estrangeiramento com­pleto. Tornou a haver o movimento contrário; estamos hoje sem vida provincial definida, com a religião convertida em superstição e em moda, com a família em plena dissolução. Se dermos mais um passo neste jogo de acções e reacções, es­taremos no comunismo e em comer raízes - aliás o términus natural desse sis­tema humanitário. É este o estado presente dos dois elementos componentes da opinião pública portuguesa.
Ora num país em que isto se dá, e em que todos sentem que se dá, num país onde, sobre não poder haver regímen legítimo, nem constituição de qual­quer espécie, não pode, ainda, haver opinião pública em que eles se fundem ou com que se regulem, nesse país todos os indivíduos, e todas as correntes de con­senso, apelam instintivamente ou para a fraude ou para a força, pois, onde não pode haver lei, tem a fraude, que é a substituição da lei, ou a força, que é a abolição dela, necessariamente que imperar. Nenhum partido assume o poder com o que se lhe reconheça como direito. Toda situação governante em Portugal, de­pois da queda da monarquia absoluta, é substancialmente uma fraude. A fraude, pune-a a lei; porém quando a fraude se apodera da lei, tem que puni-la a simples força, que é o fundamento da lei, porque é o fundamento do seu cumprimento. Nisto se funda o instinto que promove as nossas constantes revoluções. Têm­-nos elas tornado desprezíveis perante a civilização, porque a civilização é uma besta. Nossas revoluções são, contudo, e em certo modo, um bom sintoma. São o sintoma de que temos consciência da fraude como fraude; e o princípio da verdade está no conhecimento do erro. Se, porém, rejeitando a fraude como fundamento de qualquer coisa, temos que apelar para a força para governar o país, a solução está em apelar clara e definidamente para a força, em apelar para aquela força que possa ser consentânea com a tradição e a consecução da vida so­cial. Temos que apelar para uma força que possua um carácter social, tradicional, e que por isso não seja ocasional e desintegrante. Há só uma força com esse carácter: é a Força Armada.
É esta a terceira Doutrina do lnterregno, a terceira e última justificação da Ditadura Militar
.»

quarta-feira, 18 de julho de 2007

EL CRIMEN ORGANIZADO SE HA INFILTRADO EN LOS PARTIDOS POLÍTICOS

Foi o que disse Helen Mark, activista de direitos humanos na Guatemala, em entrevista ao "El Mundo" de 11 de Abril de 2007, de que destaco este trecho:
«Los ciudadanos, que somos los que vivimos el embate de la inseguridad, tendríamos que armamos de paciencia. Las medidas que se tomen hoy van a tener un resultado a mediano pla­zo. No es algo que vaya a verse mañana. El problema es que los partidos en Guatemala son pura­mente electoralistas y tienen que satisfacer el clientelismo que les permite ganar. Ahí es donde se interrompe la continuidad de és­tos y otros planes. Otra preocu­pación que tenemos es que la delicuencia organizadase ha infiltrado en todos los partidos y eso va a ejercer una gran presión.
P- Que pasos habria que dar para limpiar las instituiciones?

R. – La depuración de la poli­cía no va a bastar. El ministerio público está tan podrido e infiltrado como la policía. Tiene que ser un esfuerzo conjunto
.»

terça-feira, 17 de julho de 2007

PROFECIA OU CONSTATAÇÃO?


"Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha"

Como resultado da degradação do ensino, do poder de compra, da qualidade da gestão da coisa pública e da competência dos actores políticos, esta frase de José Saramago, proferida em entrevista ao DN de Domingo passado, não causa nenhuma estranheza. Nem o resultado de um inquérito simples em que se apurou que cerca de um terço dos portugueses aceitariam essa integração.
A desilusão com a condução política do país, o terem eleito Salazar como o grande português, o empobrecimento crescente dos portugueses, a infantilização do ensino do português, o insucesso da matemática, a destruição da exigência e o demérito à excelência, o nivelamento por baixo do saber e do fazer, bem como a auto desilusão pelo comportamento, e insucesso, do regime pós 25 de Abril, levam a que estas frases de anuência à integração em Espanha, que já há muito são proferidas, comecem a ganhar consistência. O artigo de Pacheco Pereira sobre as sete maravilhas em Portugal também não contraria esta tendência. Seria bom que em Portugal, algumas pessoas se interrogassem porque é que na Europa, onde a tendência das nações é ascenderem à independência, os portugueses tendem, por cansaço e desilusão, a declinarem a sua.
Continuarei depois com Pessoa. Na linha do que venho fazendo.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

E AFINAL, ... ATÉ É FÁCIL :):):):):):):)

De um texto de Fernando Pessoa, escrito em 1919, intitulado «Como Organizar Portugal», destaco as seguintes passagens:
(...)
Repararam que a força da Alemanha provinha, não da valentia notável dos componentes individuais dos seus exérci­tos, não da perícia especial dos seus chefes militares, mas de ser na guerra o que era na paz, e na disciplina particular da vida guerreira o que era na geral de toda sua vida – uma nação plenamente organizada, coerindo dinamicamente em virtude de uma aplicação inteligente e estudada dos princípios de organização.


(...)


Se é fácil, porém, falar em organizar, menos fácil é, ao que parece, organi­zar deveras, ou, pelo menos, indicar como se organize. Nem se pode conceber época mais inapta para tomar sobre si o encargo intelectual que a palavra «or­ganização» comporta. Os homens do nosso tempo, destituídos por completo do senso das realidades, extraviados, por hipotéticos «direitos», «justiças» e «li­berdades», da noção científica das coisas, não logram, nem mesmo em teoria, visionar a construção da prática. Um século, ou mais, de «princípios de 891, um século, ou mais, de «liberdade, igualdade, fraternidade» tornou o geral dos europeus, salvo os alemães, obtuso para aquelas noções concretas, com as quais seguramente se constrói o futuro.


(...)


É evidente que o problema da organização se divide em três partes, uma das quais compete ao teórico, e as outras duas ao prático. Temos, primeiro, a determinação do plano ou norma segundo o qual se vai organizar; temos, de­pois, a colocação, nos lugares que lhes competem, dos homens competentes que hão-de efectivar, na prática, essa organização; temos, por último, a coordenação dinâmica dos esforços desses homens, a maneira especial de pôr a organização em marcha. A primeira parte é de pura teoria; a segunda e a terceira pertencem já à prática. Para a primeira não há senão regras; para a segunda e a terceira não há outra regra senão a realidade, nem outra norma, na segunda parte, senão a intuição na escolha dos homens, e na terceira, o espírito prático de coordenação de esforços.

domingo, 15 de julho de 2007

A ESMOLA


É uma acção da caridade. Mas não resolve o problema da pobreza. E muito menos da pobreza de liderança.
Um dos grande males de Portugal é o de haver muitas pessoas a ocupar lugares de gestão da coisa pública, e não só, a diversos níveis, simplesmente por esmola política ou de afinidade de interesses. Daqui deriva muita da pobreza portuguesa. Fazem-lhes a esmola de lhes arranjar um lugar para o qual nunca estão preparados, e eles em compensação tratam de agir servilmente como sabem, ou seja nada, e mantêm, e até incrementam, a pobreza. Incluindo a de espírito.

sábado, 14 de julho de 2007

A FERVER


Está a situação.

terça-feira, 10 de julho de 2007

HARMONIA SEQUENCIAL


O engraçado é que é o Universo que gosta de nós.

POIS, ... E ATÉ QUE É VERDADE.

«HAJA QUEM MANDE

A oposição ao Governo julga que gritando ao país que o primeiro-ministro quer controlar as instituições, apodando o chefe do Governo de autoritário e acusando-o que querer o poder total o enfraquece perante os votantes. Erro crasso! É só andar nas ruas. Cada vez mais os portugueses querem é que «haja quem mande!». Ao brincar com o fumo das palavras os partidos nem percebem que preparam o fogo que pode imolar desta democracia da qual vivem. Cada vez mais há mais gente com medo, não da perda da liberdade, sim da perda de rendimentos.»

Transcrevo, com a devida vénia, daqui, do blog "A Revolta das Palavras"

sábado, 7 de julho de 2007

DEPOIS, ... DEPOIS JÁ É TARDE

Transcrevo na íntegro um mail que recebi. Julgo que com origem no Brasil. E do qual gostei muito.

Maiakovski
Poeta russo "suicidado"após a revolução de Lenin… escreveu, ainda no início do século XX :


Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
j não podemos dizer nada.



Depois de Maiakovski…

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram
eu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...

Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas.

Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...

Cláudio Humberto, em 09 FEV 2007

O que os outros disseram, foi depois de ler Maiakovski.
Incrível é que, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes, e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam as instituições, e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio : porque a palavra, há muito se tornou inútil…
- até quando?...

O PROVINCIANISMO PORTUGUÊS

É um texto de Fernando Pessoa, datado de 1928. Exponho aqui a a primeira parte desse texto.

«Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a rea­lidade com o fito de a compreender, quisermos resumir numa síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros paí­ses, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.
A síndroma provinciana compreende, pelo menos, três sintomas flagran­tes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera men­tal superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admi­ração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez nos tempos do Orpheu, disse a Mário de Sá-Carneiro: «Você é europeu e civi­lizado, salvo em uma coisa, e nessa você é vítima da sua educação portuguesa. Você admira Paris, admira as grandes cidades. Se você tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não da­ria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si».O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo caracterís­tico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção. Diga-se incidentalmente: é esta uma das explicações do socialismo. Se alguma tendência têm os criadores de civilização, é a de não repararem bem na importância do que criam. O Infante D. Henrique, com ser o mais sistemático de to­dos os criadores de civilização, não viu contudo que prodígio estava criando ­toda a civilização transoceânica moderna, embora com consequências abominá­veis, como a existência dos Estados Unidos. Dante adorava Virgílio como um exemplar e uma estrela, nunca sonharia em comparar-se com ele; nada há, toda­via, mais certo que o ser a Divina Comédia superior à Eneida. O provinciano, porém, pasma do que não fez, precisamente porque o não fez; e orgulha-se de sentir esse pasmo. Se assim não sentisse, não seria provinciano
.»

sexta-feira, 6 de julho de 2007

CLAREZA

«Por razões de justiça social, mas também por causa da independência nacional e do progresso económico, o nosso sistema de ensino tem de ser radical e corajosamente modificado, enfrentando-se sem receio um dos mais fortes lobbies portugueses, o dos professores. A falta de qualidade do ensino, a falta de exigência de trabalho aos alunos, a recusa da classificação que separe o trigo do joio, o funcionar para as estatísticas internacionais, sendo irrelevante a iliteracia e a falta de uma cultura de trabalho e rigor, estão a minar Portugal, acentuando clivagens sociais baseadas na origem familiar e nos recursos económicos, impedindo o desenvolvimento económico e afectando a viabilidade de Portugal.»
Destaque do que escreveu, hoje, no Público, Miguel Júdice.

terça-feira, 3 de julho de 2007

CAMINHOS E DESAFIOS PARA A AUTONOMIA

Ontem assisti, no debate subordinado ao tema que é título deste post, e organizado pelo BE, a quatro boas intervenções do Prof. Vasco Garcia, da Prof. Gilberta Rocha, do Prof. Medeiros Ferreira e do Deputado Luís Fazenda. Pouca assistência, o que denuncia a cidadania local. E perguntas, a quererem redundar em intervenções, dispensáveis. Mas o esclarecimento de resposta às perguntas, feito pelo Prof. Medeiros Ferreira foi crucial. Sobretudo gostei da simbologia da saída da rotunda para a auto-estrada certa, mas com possibilidade de, mais à frente, haver desvio de retorno. A necessidade de haver uma escapatória de saída, possibilita que não haja decisões sem retorno, pois em qualquer altura tudo pode ser corrigido ou reformado, com sensatez.
Todavia uma questão não foi abordada que, quanto a mim, é fundamental. Essa questão é a da unidade regional. Que é frágil e ténue. E propiciadora de um jogo entrelaçado de chantagens.
Sobre a reduzida assistência, eu que não sou adepto de clubes de futebol e de partidos políticos, divirto-me sempre com as pessoas que só vão assistir a eventos proporcionados pelos partidos a que devotam os seus corações, ficando assim pouco esclarecidos na razão. Aqui os mais fundamentalistas até só assistem a eventos culturais, no Coliseu ou no Teatro, conforme os partidos que professam.
Continuamos assim com um défice de cidadania. O que para mim até já é muito natural.

sábado, 30 de junho de 2007

OS AÇORES RESERVA DA NACIONALIDADE?

No post anterior, e não sei porquê (mas sei que foi azelhice minha), faltaram as últimas linhas do texto. Já reposto, pode ser lido na íntegra, e agora com nexo. Peço desculpa, mas se o voltarem a ler, verão que vale a pena.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

ELES NÃO SABEM, E NEM SEQUER SE INFORMAM, E DEPOIS FAZEM ASNEIRA.

«O grande projecto nacional é Portugal.

A aproximação de Portugal à Europa terá sido decidida com a esperança, entre outras, de desenvolvimento por aplicação de um tratamento de choque às desactualizadas estruturas produtivas portuguesas. Terá assim sido iniciada sem uma perspectiva de muito longo prazo, amadurecida, discutida e coerente com a essência histórica e geoestratégica do País, como seria próprio das grandes opções nacionais, e até talvez sem ter em conta que a Europa, tal Líbano dividido, indefeso e perplexo entre as fortes solicitações do Leste e do Ocidente, é passível do destino de uma mera península geográfica, tecnológica e anímica, a que apenas a Aliança Atlântica poderá garantir a suficiente inde­pendência. Também não terá sido julgado importante que os principais trunfos de Portugal - o geofactor, e o relacionamento especial com os países de lín­gua portuguesa - que lhe valem a individualidade na Península e um papel im­portante no Atlântico e no Ocidente, tendem a diluir-se numa Europa para a qual o Mediterrâneo importa mais que o Atlântico, e onde o País valerá ape­nas o muito pouco que pesa económica e demograficamente. Por outro lado, acontece ainda que o apoio financeiro e tecnológico necessário ao desenvolvi­mento do País se pode encontrar em boa parte também do outro lado do Atlân­tico, onde afinal o têm ido buscar outros países peninsulares e insulares - os asiáticos - que hoje são fortes competidores da CEE. No entanto, poderão não advir graves problemas de segurança para o País, se a meta for a «Europa das Pátrias», e não a integração, onde se possa ir colhendo frutos de cooperação económica com outros afinal no mesmo interessados, sem pressas e sem sa­crifícios do valioso património geoestratégico, marítimo e cultural que custou séculos de inteligência, coerência e sacrifício, e sem se correr o «risco» de os Portuguesas das Ilhas - naturalmente ciosos do esperançoso mar que não gostarão de entregar em troca de um salto no escuro à grega - se recusarem a acompanhar o Continente, assumindo uma vez mais o papel de reserva de na­cionalidade.»
Virgílio de Carvalho, in "O Mundo, A Europa e Portugal"

NÃO SE INDEMNIZA UMA CRIANÇA QUE NÃO TEVE EDUCAÇÃO ADEQUADA, POIS PERDEU-A PARA SEMPRE. ESSA É A GRANDE TRAGÉDIA DOS NOSSOS MAUS RESULTADOS.

Foi dito por Fernando Adão da Fonseca, no programa “Diga Lá Excelência” e impresso no Público de 25.06.2007.

E ontem, Medina Carreira, no programa que citei no anterior post, disse que o nosso ensino não passa de um reprodutor de ignorantes, que se reproduz sucessivamente.
E o Eça de Queiroz já tinha dito: «Para ensinar há uma formalidade a cumprir – Saber.»

MAIS UM QUE PERCEBEU QUE PORTUGAL É INVIÁVEL

Percebi depressa que isso não era possível. Portugal deixou de ser viável como país independente ...
José Miguel Júdice, hoje, no Público.
Mais um que se junta ao rol dos que já não acreditam na viabilidade de Portugal. Já passaram muitos meses desde que João Salgueiro afirmou que Portugal era ingovernável. Ontem, na SIC Notícias, Medina Carreira traçou um retrato lúcido da miséria nacional.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

MORREREMOS AMANHÃ

Este é o título do romance de Carlos Tomé e editado pela Artes e Letras.
Também distribuído aí no Continente.
Sobre a escrita do romance, já nada acrescento, pois o Carlos Tomé fez a autodefesa na entrevista que deu no “Açoriano Oriental”, no passado Domingo, 24 de Junho.
Sobre o romance havia, da minha parte, a expectativa, porque previamente anunciada, que abordava as vivências da Guerra do Ultramar. O Carlos Tomé esteve lá, foi um participante, um peão, e como tal portador de uma reserva de memória. Todos os ex-combatentes têm uma reserva de memória. Na apresentação do romance, feita de forma brilhante e digna, por uma filha, foi dito, de forma ternurenta, que “o autor, mê pai”, não escreveu um romance autobiográfico. Mas é um romance reflexivo de uma experiência vivida. Carlos Tomé trilha por densa neblina, no romance, picadas similares às que trilhou. Mas essa névoa impede, ainda, a intensidade dramática contida em todas as reservas da memória. Este romance, no fim da sua leitura, fica-nos como o preâmbulo desse outro romance, que não sei se irá ser escrito, em que afastada a densa neblina, possa fazer com que os trilhos similares se cruzem, se encadeiem e exponham o absurdo que foi a citada guerra. E digo isto porque, para minha grande surpresa, o fio condutor do romance não é a Guerra do Ultramar em si, mas sim o grito de alerta para a injustiça do tratamento que o país deu, e dá, aos ex-combatentes. «Voltou a casa numa caixa de pinho. Já não servia. Os que regressaram também deixaram de servir.» Esta é a chave do romance.
Os que me costumam ler, neste blog, sabem que este tema dos ex-combatentes me é muito caro. A forma como as instituições deste país descartaram as suas responsabilidades para com os ex-combatentes, magoa. Voltarei ao tema num outro post.
As fragilidades humanas são o comum das personagens deste romance. Onde não há heróis. Só pessoas com debilidades próprias da sua humanidade. Que tentam sobreviver nos meandros da memória.

terça-feira, 26 de junho de 2007

A MEDIOCRIDADE DOS ACTORES POLITICOS

«Lidas e relidas daqui a um mês, a um ano ou a uma década, elas revelarão como nenhum destes ramos da árvore marcou a floresta.»

Esta sentença li-a no excelente blog, aqui, SOBRE O TEMPO QUE PASSA, do professor José Adelino Maltez. Recomendo a leitura deste blog a quem se interessa sobre o fluir de Portugal.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

UMA VERDADE

"...numa velha verdade socialista: o empobrecimento é o preço do controlo da sociedade pelo poder político."
Rui Ramos dixit, ontem, no Público.

terça-feira, 19 de junho de 2007

SUBSTITUINDO, NESTA FÓRMULA, AS INCÓGNITAS POR VALORES ABSOLUTOS, QUANTO DARÁ EM EUROS?

Fórmula:

Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem.*

*(também é provérbio)

domingo, 17 de junho de 2007

RECORDES GUINESS SÃO, AGORA, A VOCAÇÃO NACIONAL

Hoje foram as grávidas.
É por estas e por outras que saiu o post da mediocridade.

E DE ESPANHA ...

É de onde vem as grandes decisões. Parece que eles lá sabem decidir. Por isso é que estão bem. Bem melhor do que nós, portugueses. Por isso é que ainda só vão no terceiro primeiro ministro da democracia constitucional. E ainda no primeiro mandato do actual. Porque sabem decidir e escolher.
Mas nós, os portugueses, não sabemos fazer nada, nem escolher nem decidir. Na última página do Expresso de ontem leiam a noticia sobre a EMI. Lá de Espanha decidem. Pois claro. O que é que se espera daqui para a frente? Eles sabem e nós nunca aprendemos. Empresas há, espanholas, que já obrigam ao uso de castelhano nas instalações da empresa em Portugal. Nada de estranhar. Têm o poder efectivo para o fazerem. O outro poder é fátuo, e sujeita-se.

MEDIOCRIDADE É O QUE MELHOR DEFINE PORTUGAL E OS PORTUGUESES

Na actualidade. Leia-se os jornais, veja-se as televisões, atente-se no comportamento dos portugueses, na qualidade do ensino, no emaranhado da justiça, na debilidade da prestação dos serviços de saúde, na limpeza, na segurança, e etc.

Não peças a quem pediu
Nem sirvas a quem serviu
(Provérbio)

sábado, 16 de junho de 2007

SÓ HÁ QUE PARTIR

«Ah, Seja como for, seja por onde for, partir!
Largar por aí fora, pela ondas, pelo perigo, pelo mar,
Ir para Longe, ir para Fora, para a Distância Abstracta,
Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
Levado como a poeira, pelos ventos, pelos vendavais!
Ir, ir, ir de vez!»


Fernando Pessoa, in "Antologia Poética".

ORGULHA-TE DOS PONTAPÉS QUE LEVAS NO TRASEIRO; É SINAL DE QUE VAIS À FRENTE.

Visto na parede de um consultório.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

DE MENOS .... DEMAIS

O paradoxo do nosso período na história
é que temos prédios maiores,
mas temperamentos mais curtos;

Estradas mais largas,
mas pensamentos mais estreitos;

Gastamos mais e temos menos;
Compramos mais e aproveitamos menos.

Nossas casas são maiores e nossas famílias menores,
Temos mais conveniências, porém menos tempo;
Temos mais estudos e menos bom senso;
Mais conhecimentos e menos capacidade de julgamento;
Mais especialistas e mais problemas,
Mais remédios e menos saúde!

Bebemos demais, fumamos demais, gastamos demais,
Rimos de menos, dirigimos com demasiada velocidade,
Perdemos com facilidade a paciência!

Dormimos muito tarde, levantamos com o corpo quebrado...
Lemos pouco, assistimos mais TV e rezamos menos!
Multiplicamos as nossas posses,
mas reduzimos o seu valor!

Falamos demais, amamos de menos e odiamos muito.
Aprendemos como ganhar a vida, mas não como viver.

Adicionamos mais quantidade de anos às nossas vidas
e menos qualidade de vida aos nossos anos.
Fomos à Lua e voltamos,
mas temos dificuldade em atravessar a rua,
Para falar com o nosso novo vizinho.

Conquistamos o espaço exterior, mas não o interior.
Fizemos coisas maiores, mas nem sempre melhores.

Às vezes limpamos o ar, mas poluímos as almas.
Conquistamos o átomo,
mas não os nossos preconceitos.
Escrevemos mais e aprendemos menos;
Planejamos mais e conseguimos menos;
Aprendemos a correr, mas não a esperar;

Construímos cada vez mais computadores,
para armazenar mais informações
e produzir mais cópias,
mas nos comunicamos cada vez menos.
Estes são os tempos do "fast food" e da digestão lenta;
De homens grandes, com personalidades mesquinhas;
De lucros enormes e relacionamentos pequenos.

Estes são os dias de dois empregos e mais divórcios;
Casas mais bonitas e lares desfeitos.

Estes são os dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis,
moralidade abandonada, encontros por uma noite,
obesidade disseminada e pílulas para tudo,
da alegria à calma e até à morte.

É um tempo
onde há muito nas vitrines
e pouco no depósito.

Um tempo onde a tecnologia permite
que você leia isto e escolha o que fazer:

Dividir este sentimento
ou apenas clicar em DELETE.
De um tal George Carlin (que desconheço), e recebido por e-mail

PORTUGAL É UM PAÍS GEOMÉTRICO

Portugal é um país geométrico: é rectangular e tem problemas bicudos discutidos em mesas redondas...por bestas quadradas!


Lido, algures numa parede de uma sala de espera.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

DOS IRREVERENTES UNIVERSITÁRIOS DA DÉCADA DE 60, LEMBRAM-SE?


Daquela juventude que lutava por ideais e se opunha a ditaduras. Desses mesmos, lembram-se?
E onde é que estão hoje? Sabem deles? Quais os ideais que defendem hoje e as causas porque lutam? Sabem?
Digam aí nos comentários, se por acaso sabem do seu paradeiro.

VAMPIROS

Cada vez mais pertinente o poema do Zeca Afonso. Começo a ter dúvidas se as novas gerações são capazes de o interpretar. Nem sei se o entendem como "palavras soltas" das avaliações de português. Nem sei se isso. Mas os tempos actuais são dos vampiros. Já coloquei aqui o poema. Hoje só aqui deixo o intróito.


No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

terça-feira, 12 de junho de 2007

TÍTERES

Um curioso post de Jorge Rojas, aqui. Destaco uma frase: «Como se ve no siempre salir de un regimen autoritario garantiza mejor suerte. Recuerda además que el ego humano cuando tiene poder no tiene limites.»

segunda-feira, 11 de junho de 2007

A REALIDADE PERSEGUE-NOS ATRAVÉS DOS SÉCULOS

A realidade persegue-nos através dos séculos. A mediocridade nacional é uma constante. Meditem bem neste texto, que é parte de uma intervenção do parlamentar visconde de Moreira de Rey, a propósito do encerramento das Conferências do Casino:
«Acerca das Conferências escrevi o seguinte: A que ponto todo o País distingue o excelente Rei dos maus ministros, acaba de ver-se a toda a luz da evidência em um facto recente. Abriram-se umas Conferências políticas, facto naturalíssimo em todos os países em que a manifestação do pensamento não está, como não pode estar entre nós, sujeita a restrição preven­tiva de nenhuma espécie. Os últimos acontecimentos da Europa podiam ser motivo ou pretexto para perturbar em ânimos tímidos a luz da inteligência, necessária a todos, aos governos indispensável. Os ministros de Vossa Majestade filiaram as Conferências em doutrinas subversivas, considerando-as ramificação de sociedades perigosas. Foi espontânea, grande e sincera a indignação do País; e tamanha foi que a maioria dos cidadãos, iludida pela aparência, aplaudiu o acto arbitrário, tão inútil como despótico, com que o poder executivo fechou as portas da sala dessas Conferências.
(...)
Os que neste século ousam afirmá­-lo e segui-lo, queiram ou não queiram, declarem-se ou disfarcem-se, são sempre os partidários da censura prévia, os sectários da I inquisição, os defensores do silêncio contra a palavra, das trevas contra a luz da opressão contra a liberdade, da fogueira e do potro contra os progressos da razão humana. Este país não retrograda. Se parar é morrer, retrogradar é reunir à morte a afronta e o opróbrio.
Esta Câmara deplora todos os desvarios e protesta concorrer, quanto possa, para que se reprimam e sejam punidos todos os abusos cometidos no exercício do direito da manifestação do pensamento, mas quer e protesta sobretudo manter ileso e libérrimo o exercício desse direito.
Segundo as leis actuais, um delegado do poder executivo, a autoridade administrativa, podia e devia assistir. às Conferências. O conferente que, abusando do direito de livre manifestação do pensamento, cometesse crime contra as leis do Reino, podia ser preso em flagrante. delito, e devia ser imediatamente remetido ao poderjudicial com a informação do delito cometido e das tes­temunhas que o presenciaram. A autoridade administrativa não pode ir mais longe sem se trocar a liberdade pela tirania.
Se os meios de repressão nas leis actuais são, e talvez sejam, insuficientes, a Câmara dos deputados da Nação cooperará na reforma da legislação vigente, para que a punição dos abusos seja sempre segura, pronta, proporcional e suficiente. Aos representantes da Nação pertence velar e legislar para que instituições não periguem, e também para que o poder executivo não abuse. Desta dupla missão procurará a Câmara desempenhar-se, reali­zando para com Vossa Magestade os desejos do País, e se­parando para isso o respeito devido ao poder moderador da severidade indispensável para com o poder executivo».
Entendo que esta é a única resposta que pode e deve dar uma Câmara a um presidente do Conselho de Mi­nistros, que tem a audácia quase insensata de vir declarar em pleno Parlamento: «Pensem como quiserem, mas contentem-se com isso! Não manifestem, não tentem fazer propaganda, não queiram adquirir sectários para as suas doutrinas. Pensem como quiserem, mas contentem-se com isso: nesta época o primeiro dever dos governos é perseguir o desregramento das palavras e das ideias.» Foram estas palavras que eu ouvi (apoiados).
«Contentem-se com isso! Contentem-se com pensar como quiserem!» Note bem a Câmara; a liberdade de pensar era ainda um favor que o Governo concedia! Era uma generosa liberdade, era uma excepção aos seus princípios, era uma infração ao seu dever, desde que ameaçava ainda perseguir o desregramento das ideias!! (Apoiados).
A que época nós chegamos! Em que Parlamento do mundo seria possível proferir-se uma asserção assim? . (Apoiados). Em nenhum (apoiados). Esta heresia nunca se ouviu, e não pode ficar impune (apoiados).
»
In " As Conferências do Casino no Parlamento"; Apresentação e notas por José-Augusto França

sábado, 9 de junho de 2007

ESTÁ EM PERIGO A INTEGRIDADE NACIONAL

Não sei porquê, fiquei com alguma empatia com este trecho de uma carta de Henrique Paiva Couceiro para Salazar:
«Cumpra os deveres d'Estado, Snr. Presidente. Porque o Estado tambem tem deveres, que não se resumem na fiscalidade, em que V. Excia. é cathedratico. Esses deveres, a respeito d'Angola, segundo os principios da acção constructiva, tenho-os repetido muitas vezes, e já mesmo os exerci, dentro do meu possivel, em tempos idos. Mas V. Excia. lê por outra cartilha, que não se funda, - permita-me que Ih'o diga, - em nenhum principio nacional, e ameaça tornar-se na cartilha da catastrophe. As pro­vas tem-n' as V. Excia nas suas mãos.

Está em perigo a integridade nacional.
E, no entretanto, com essa temerosa ameaça sobre a cabeça, o Povo dorme; ou assiste aos festivaes, que, embora o tempo não esteja para danças, ­V. Excia. lhe proporciôna.
Faziam o mesmo os Imperadores romanos da decadencia.
Levantam-se lôas ás glorias governativas, e ninguem póde dizer o contrario. O Porugal legitimo do "Senão, Não" foi substituido por um Portugal artificial, – especie de títere de que o Governo puxa os cordelinhos. Véla a Policia e o Lapis da Censura. Incapacitados, uns, por esse regimen de cohibições - entretidos, outros, com a digestão, que não lhes deixa atender ao que se passa, - jaz a Patria Portuguesa em estado de catalepsia colectiva.
Está em perigo a integridade nacional»
In "Salazar e a Rainha" de Fernando Amaro Monteiro.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

A DELAÇÃO É UM FENOMENO

«Porque três décadas parecem ter chegado para varrer da escala de valores de tantos, que hoje detêm o poder, as referências primeiras da liberdade e da cidadania. Porque os cegou a obsessão de reduzir o défice ou, quem sabe, a ditadura apenas os incomodou por não serem eles que se sentavam na cadeira do poder.»
É uma frase de um artigo, publicado ontem no Público, que recomendo vivamente. Meditem e reflictam.
O título do artigo, da autoria de Santana Castilho é: "A delação é um fenómeno de todos os tempos e sempre habitou o lado mais negro da espécie humana"

PREVENIR "GUERRAS DE ÁGUA"

«A nossa habilidade para prevenir "guerras de água" depende da nossa capacidade colectiva para antecipar tensões e para encontrar as soluções técnicas e institucionais que nos permitam gerir os conflitos emergentes. »
Esta é uma frase que destaco de um artigo publicado ontem, no Público, de Mikhail Gorbachev e Jean-Michel Severino.
A ler e repensar.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

RECORDANDO PERSPECTIVAS

«Dizê-lo não significa que idealize a classe operá­ria. Na luta prolongada que se seguiu à Revolução Russa, foram os trabalhadores manuais que se viram derrotados, sendo impossível não sentirmos que foi por sua própria culpa. Repetidas vezes, em diversos países, os movimentos organizados da classe operária viram-se aniquilados pela violência declarada e ilegal, tendo-se os seus camaradas estrangeiros, a eles associados por uma solidarie­dade teórica, limitado a observar o que se passava, sem fazerem nada; e na base de tudo isto, causa secreta de muitas traições, tem-se encontrado o fac­to de entre os trabalhadores brancos e os das outras raças não haver sequer um simulacro de solidarie­dade. Quem poderá acreditar na consciência de classe do proletariado internacional depois dos acontecimentos dos últimos dez anos? Para a classe operária britânica, o massacre dos seus camaradas de Viena, Berlim, Madrid ou seja de onde for, foi coisa que pareceu menos interessante e menos importante que o desafio de futebol do domingo anterior. E no entanto isto não modifica em nada o facto de a classe operária continuar a lutar contra o fascismo depois de as outras se terem submetido. Uma característica importante da conquista da França pelos nazis viu-se nas espantosas deserções ocorridas no seio da intelectualidade, incluindo parte da intelectualidade política de esquerda. A intelectualidade é constituída pelas pessoas que gritam com maior estridência contra o fascismo, e no entanto uma proporção respeitável cai no derro­tismo mal o aperto surge. São bastante perspicazes para verem aquilo que joga contra eles, e além disso podem ser subornados - porque obviamente os nazis julgam ser vantajoso subornar os intelectuais. Com a classe operária não se passa a mesma coisa. Ignorantes demais para perceberem a tramóia que lhes estão a armar, facilmente engolem as promes­sas do fascismo, embora mais cedo ou mais tarde acabem por se decidir de novo pela luta. Vêem-se obrigados a isso, quando descobrem, à custa do próprio corpo, que as promessas do fascismo não podem ser cumpridas. Para vencerem a classe ope­rária em permanência, os fascistas deveriam ver-se forçados a elevar o padrão de vida, coisa que são incapazes de fazer e que provavelmente não que­rem fazer. »
George Orwell, in " Recordando a Guerra Espanhola"

terça-feira, 5 de junho de 2007

NENHUM POVO SE DESPERSONALIZA DE FORMA TÃO MAGNÍFICA

«Os sensacionistas portugueses são originais e interessantes porque sendo estritamente portugueses, são cosmopolitas e universais. O temperamento português é universal: é essa a sua magnífica superioridade. O único grande acto da história portuguesa - esse longo, cauteloso, científico período dos Descobrimentos - é o grande acto cosmopolita da história. Nele se retrata o povo inteiro. Uma literatura original, tipicamente portuguesa, não pode ser portuguesa, porque os portugueses típicos nunca são portugueses. Há algo de americano, fora o ruído e o quotidiano, no temperamento intelectual deste povo. Nenhum povo se apropria tão prontamente das novidades. Nenhum povo se despersonaliza de forma tão magnífica. Essa fraqueza é a sua grande força. Esse não-regionalismo temperamental o seu desusado poder. É essa indefinição da alma que o define.
Porque o que os portugueses têm de excelente é serem o povo mais civilizado da Europa. Nascem civilizados, porque nascem capazes de aceitar tudo. Nada têm daquilo a que os antigos psiquiatras costumavam chamar misoneísmo, termo que apenas significa aversão às coisas novas; adoram a novidade e a mudança. Não possuem elementos estáveis, como os franceses, que só fazem revoluções para exportação. Os portugueses estão sempre a fazer revoluções. Quando um português se vai deitar faz uma revolução, porque o português que acorda no dia seguinte é muito diferente.
Tem precisamente mais um dia, muito distintamente mais um dia. Outros povos acordam todas as manhãs como se fosse ontem. O amanhã está sempre a vários anos de distância. Não é assim com esta estranha gente. Vai tão depressa que deixa tudo por fazer, incluindo andar depressa. Nada é menos preguiçoso do que um português. A única parte indolente do país é a trabalhadora. Daí a sua manifesta falta de progresso
.»
Fernando Pessoa, in " PROSA INTIMA e de autoconhecimento"

O IMPORTANTE, HOJE, E CADA VEZ MAIS, É O TER E NÃO O SER.

Que por acaso é o sintoma que corresponde à decadência dos impérios.

OS POLÍTICOS TRANSFORMARAM-SE NUMA ESPÉCIE DE PROGRAMADORES DE CANAL QUE REGULARMENTE CRIAM FACTOS DE MODO A ENTRETER AS POPULAÇÕES

É a frase que destaco hoje. No Público, da autoria de Helena Matos.

domingo, 3 de junho de 2007

PODE A SOCIEDADE CIVIL DISTINGUIR-SE PELAS LIBERDADES E PELA IGUALDADE. MAS FALHOU RADICALMENTE NA FRATERNIDADE

Grande verdade. E disse-o hoje, no Público, o António Barreto. E ainda destaco este trecho:
« O Estado não é eficiente, nem acode rapidamente. Sobretudo, o Estado não é capaz de trazer o que muitas vezes é essencial: o apoio humano, o conforto afectivo e a esperança.Que o Estado não seja capaz de humanidade, não é para admirar. Mas que grande parte dos seus técnicos e funcionários também o não seja, já deixa a desejar. As instituições parecem feitas para enquadrar e regulamentar, não para agir individualmente, com a humana generosidade que, muitas vezes, faz tanta ou mais falta do que o alimento ou o abrigo.»
Eu acho que a Revolução Francesa ainda está por cumprir. A liberdade, ainda é muito condicional; a igualdade, ainda está muito vocacionada para que uns sejam mais iguais que outros; e a fraternidade, nem em esboço vingou.
E agora acrescento, pela pertinência em relação a este post, de Frei Bento Domingues, também hoje no Público, o seguinte trecho:
«Aliás, a única pergunta que percorre toda a Bíblia, até ao julgamento final, é esta: "Que fizeste do teu irmão?" (Gn 4; Mt 25). É evidente que nessa imensa literatura se encontram textos e gestos para provar tudo e o seu contrário, o melhor e o pior, embora, ao longo da história da humanidade, em muitas filosofias e religiões sejam constantes grandes aspirações éticas e incontáveis traições. Não sei se as neurociências já estão em condições de nos poderem ajudar a entender este fenómeno. Seja como for, esse paradoxo agudizou-se, nos nossos dias, de forma escandalosa.Repete-se que é possível acabar com a pobreza e ela aumenta; que não há razões para o racismo, para a xenofobia, para a exclusão e o mundo dos excluídos parece cada vez maior. As guerras multiplicaram-se desde a queda do Muro de Berlim e outros muros se levantaram depois. »

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O QUE O PAÍS NECESSITA É DE PREMIAR QUEM SE ESFORÇA


Esta sentença, que não é nenhuma novidade, encontrei-a hoje no editorial do Público:
“O que é oferecido tende a ser desvalorizado, pois é obtido com pouco esforço, e o que o país necessita é de premiar quem se esforça. Só se chegará a algum lado criando condições para que os melhores progridam num ambiente de empreendedorismo e concorrência.”

Mas o sindicalismo também deveria reflectir nisto.

As pensões sofreram hoje novas alterações. Pelo que se põem a pergunta inevitável, no espírito do título do post: As novas regras também se aplicam aos políticos que não se esforçam nada, e que obtêm reformas com meia dúzia de anos em que fingem dedicar-se à causa pública?

A avaliação feita na disciplina de Português, no exame do 9º ano, demonstra que o ensino em Portugal não contribui em nada para o título deste post. “Palavras soltas” não qualificam ninguém para o esforço. O Pulido Valente explica isso muito bem, hoje, no Público. Também eu, neste blog, aqui e noutros post’s, tenho chamado a atenção de quem estuda bem e com mérito.