quinta-feira, 19 de julho de 2007

ÚLTIMA JUSTIFICAÇÃO

Destaco um trecho de "O INTERREGNO - DEFESA E JUSTIFICAÇÃO DA DITADURA MILITAR EM PORTUGAL" de Fernando Pessoa e datado de 1928.
«Já acima esboçámos, em simples exemplo ocasional, qual seja a situação presente de Portugal quanto à sua opinião pública. Concentrados, dos Filipes ao liberalismo, numa estreita tradição familiar, provincial e religiosa; animalizados, nas classes médias, pela educação fradesca, e, nas classes baixas, bestializados pelo analfabetismo que distingue as nações católicas, onde não é mister conhecer a Bíblia para se ser cristão; desenvolvemos, nas classes superiores, onde principal mente se forma a opinião de intuição, a violenta reacção correspondente a esta acção violenta. Desnacionalizámos a nossa política, desnacionalizámos a nossa administração, desnacionalizámos a nossa cultura. A desnacionalização explodiu no constitucionalismo, dádiva que, em reacção, recebemos da Igreja Católica. Com o constitucionalismo deu-se a desnacionalização quase total das esferas superiores da Nação. Produziu-se a reacção contrária, e, do mesmo modo que na Rússia de hoje, se bem que em menor grau, a opinião de hábito recuou par além da província, para além da religião, em muitos casos para além da família.
Surgiu a contra-reacção: veio a República e, com ela, o estrangeiramento com­pleto. Tornou a haver o movimento contrário; estamos hoje sem vida provincial definida, com a religião convertida em superstição e em moda, com a família em plena dissolução. Se dermos mais um passo neste jogo de acções e reacções, es­taremos no comunismo e em comer raízes - aliás o términus natural desse sis­tema humanitário. É este o estado presente dos dois elementos componentes da opinião pública portuguesa.
Ora num país em que isto se dá, e em que todos sentem que se dá, num país onde, sobre não poder haver regímen legítimo, nem constituição de qual­quer espécie, não pode, ainda, haver opinião pública em que eles se fundem ou com que se regulem, nesse país todos os indivíduos, e todas as correntes de con­senso, apelam instintivamente ou para a fraude ou para a força, pois, onde não pode haver lei, tem a fraude, que é a substituição da lei, ou a força, que é a abolição dela, necessariamente que imperar. Nenhum partido assume o poder com o que se lhe reconheça como direito. Toda situação governante em Portugal, de­pois da queda da monarquia absoluta, é substancialmente uma fraude. A fraude, pune-a a lei; porém quando a fraude se apodera da lei, tem que puni-la a simples força, que é o fundamento da lei, porque é o fundamento do seu cumprimento. Nisto se funda o instinto que promove as nossas constantes revoluções. Têm­-nos elas tornado desprezíveis perante a civilização, porque a civilização é uma besta. Nossas revoluções são, contudo, e em certo modo, um bom sintoma. São o sintoma de que temos consciência da fraude como fraude; e o princípio da verdade está no conhecimento do erro. Se, porém, rejeitando a fraude como fundamento de qualquer coisa, temos que apelar para a força para governar o país, a solução está em apelar clara e definidamente para a força, em apelar para aquela força que possa ser consentânea com a tradição e a consecução da vida so­cial. Temos que apelar para uma força que possua um carácter social, tradicional, e que por isso não seja ocasional e desintegrante. Há só uma força com esse carácter: é a Força Armada.
É esta a terceira Doutrina do lnterregno, a terceira e última justificação da Ditadura Militar
.»

quarta-feira, 18 de julho de 2007

EL CRIMEN ORGANIZADO SE HA INFILTRADO EN LOS PARTIDOS POLÍTICOS

Foi o que disse Helen Mark, activista de direitos humanos na Guatemala, em entrevista ao "El Mundo" de 11 de Abril de 2007, de que destaco este trecho:
«Los ciudadanos, que somos los que vivimos el embate de la inseguridad, tendríamos que armamos de paciencia. Las medidas que se tomen hoy van a tener un resultado a mediano pla­zo. No es algo que vaya a verse mañana. El problema es que los partidos en Guatemala son pura­mente electoralistas y tienen que satisfacer el clientelismo que les permite ganar. Ahí es donde se interrompe la continuidad de és­tos y otros planes. Otra preocu­pación que tenemos es que la delicuencia organizadase ha infiltrado en todos los partidos y eso va a ejercer una gran presión.
P- Que pasos habria que dar para limpiar las instituiciones?

R. – La depuración de la poli­cía no va a bastar. El ministerio público está tan podrido e infiltrado como la policía. Tiene que ser un esfuerzo conjunto
.»

terça-feira, 17 de julho de 2007

PROFECIA OU CONSTATAÇÃO?


"Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha"

Como resultado da degradação do ensino, do poder de compra, da qualidade da gestão da coisa pública e da competência dos actores políticos, esta frase de José Saramago, proferida em entrevista ao DN de Domingo passado, não causa nenhuma estranheza. Nem o resultado de um inquérito simples em que se apurou que cerca de um terço dos portugueses aceitariam essa integração.
A desilusão com a condução política do país, o terem eleito Salazar como o grande português, o empobrecimento crescente dos portugueses, a infantilização do ensino do português, o insucesso da matemática, a destruição da exigência e o demérito à excelência, o nivelamento por baixo do saber e do fazer, bem como a auto desilusão pelo comportamento, e insucesso, do regime pós 25 de Abril, levam a que estas frases de anuência à integração em Espanha, que já há muito são proferidas, comecem a ganhar consistência. O artigo de Pacheco Pereira sobre as sete maravilhas em Portugal também não contraria esta tendência. Seria bom que em Portugal, algumas pessoas se interrogassem porque é que na Europa, onde a tendência das nações é ascenderem à independência, os portugueses tendem, por cansaço e desilusão, a declinarem a sua.
Continuarei depois com Pessoa. Na linha do que venho fazendo.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

E AFINAL, ... ATÉ É FÁCIL :):):):):):):)

De um texto de Fernando Pessoa, escrito em 1919, intitulado «Como Organizar Portugal», destaco as seguintes passagens:
(...)
Repararam que a força da Alemanha provinha, não da valentia notável dos componentes individuais dos seus exérci­tos, não da perícia especial dos seus chefes militares, mas de ser na guerra o que era na paz, e na disciplina particular da vida guerreira o que era na geral de toda sua vida – uma nação plenamente organizada, coerindo dinamicamente em virtude de uma aplicação inteligente e estudada dos princípios de organização.


(...)


Se é fácil, porém, falar em organizar, menos fácil é, ao que parece, organi­zar deveras, ou, pelo menos, indicar como se organize. Nem se pode conceber época mais inapta para tomar sobre si o encargo intelectual que a palavra «or­ganização» comporta. Os homens do nosso tempo, destituídos por completo do senso das realidades, extraviados, por hipotéticos «direitos», «justiças» e «li­berdades», da noção científica das coisas, não logram, nem mesmo em teoria, visionar a construção da prática. Um século, ou mais, de «princípios de 891, um século, ou mais, de «liberdade, igualdade, fraternidade» tornou o geral dos europeus, salvo os alemães, obtuso para aquelas noções concretas, com as quais seguramente se constrói o futuro.


(...)


É evidente que o problema da organização se divide em três partes, uma das quais compete ao teórico, e as outras duas ao prático. Temos, primeiro, a determinação do plano ou norma segundo o qual se vai organizar; temos, de­pois, a colocação, nos lugares que lhes competem, dos homens competentes que hão-de efectivar, na prática, essa organização; temos, por último, a coordenação dinâmica dos esforços desses homens, a maneira especial de pôr a organização em marcha. A primeira parte é de pura teoria; a segunda e a terceira pertencem já à prática. Para a primeira não há senão regras; para a segunda e a terceira não há outra regra senão a realidade, nem outra norma, na segunda parte, senão a intuição na escolha dos homens, e na terceira, o espírito prático de coordenação de esforços.

domingo, 15 de julho de 2007

A ESMOLA


É uma acção da caridade. Mas não resolve o problema da pobreza. E muito menos da pobreza de liderança.
Um dos grande males de Portugal é o de haver muitas pessoas a ocupar lugares de gestão da coisa pública, e não só, a diversos níveis, simplesmente por esmola política ou de afinidade de interesses. Daqui deriva muita da pobreza portuguesa. Fazem-lhes a esmola de lhes arranjar um lugar para o qual nunca estão preparados, e eles em compensação tratam de agir servilmente como sabem, ou seja nada, e mantêm, e até incrementam, a pobreza. Incluindo a de espírito.

sábado, 14 de julho de 2007

A FERVER


Está a situação.

terça-feira, 10 de julho de 2007

HARMONIA SEQUENCIAL


O engraçado é que é o Universo que gosta de nós.

POIS, ... E ATÉ QUE É VERDADE.

«HAJA QUEM MANDE

A oposição ao Governo julga que gritando ao país que o primeiro-ministro quer controlar as instituições, apodando o chefe do Governo de autoritário e acusando-o que querer o poder total o enfraquece perante os votantes. Erro crasso! É só andar nas ruas. Cada vez mais os portugueses querem é que «haja quem mande!». Ao brincar com o fumo das palavras os partidos nem percebem que preparam o fogo que pode imolar desta democracia da qual vivem. Cada vez mais há mais gente com medo, não da perda da liberdade, sim da perda de rendimentos.»

Transcrevo, com a devida vénia, daqui, do blog "A Revolta das Palavras"

sábado, 7 de julho de 2007

DEPOIS, ... DEPOIS JÁ É TARDE

Transcrevo na íntegro um mail que recebi. Julgo que com origem no Brasil. E do qual gostei muito.

Maiakovski
Poeta russo "suicidado"após a revolução de Lenin… escreveu, ainda no início do século XX :


Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
j não podemos dizer nada.



Depois de Maiakovski…

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram
eu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...

Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas.

Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...

Cláudio Humberto, em 09 FEV 2007

O que os outros disseram, foi depois de ler Maiakovski.
Incrível é que, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes, e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam as instituições, e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio : porque a palavra, há muito se tornou inútil…
- até quando?...

O PROVINCIANISMO PORTUGUÊS

É um texto de Fernando Pessoa, datado de 1928. Exponho aqui a a primeira parte desse texto.

«Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a rea­lidade com o fito de a compreender, quisermos resumir numa síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros paí­ses, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.
A síndroma provinciana compreende, pelo menos, três sintomas flagran­tes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera men­tal superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admi­ração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez nos tempos do Orpheu, disse a Mário de Sá-Carneiro: «Você é europeu e civi­lizado, salvo em uma coisa, e nessa você é vítima da sua educação portuguesa. Você admira Paris, admira as grandes cidades. Se você tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não da­ria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si».O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo caracterís­tico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção. Diga-se incidentalmente: é esta uma das explicações do socialismo. Se alguma tendência têm os criadores de civilização, é a de não repararem bem na importância do que criam. O Infante D. Henrique, com ser o mais sistemático de to­dos os criadores de civilização, não viu contudo que prodígio estava criando ­toda a civilização transoceânica moderna, embora com consequências abominá­veis, como a existência dos Estados Unidos. Dante adorava Virgílio como um exemplar e uma estrela, nunca sonharia em comparar-se com ele; nada há, toda­via, mais certo que o ser a Divina Comédia superior à Eneida. O provinciano, porém, pasma do que não fez, precisamente porque o não fez; e orgulha-se de sentir esse pasmo. Se assim não sentisse, não seria provinciano
.»

sexta-feira, 6 de julho de 2007

CLAREZA

«Por razões de justiça social, mas também por causa da independência nacional e do progresso económico, o nosso sistema de ensino tem de ser radical e corajosamente modificado, enfrentando-se sem receio um dos mais fortes lobbies portugueses, o dos professores. A falta de qualidade do ensino, a falta de exigência de trabalho aos alunos, a recusa da classificação que separe o trigo do joio, o funcionar para as estatísticas internacionais, sendo irrelevante a iliteracia e a falta de uma cultura de trabalho e rigor, estão a minar Portugal, acentuando clivagens sociais baseadas na origem familiar e nos recursos económicos, impedindo o desenvolvimento económico e afectando a viabilidade de Portugal.»
Destaque do que escreveu, hoje, no Público, Miguel Júdice.

terça-feira, 3 de julho de 2007

CAMINHOS E DESAFIOS PARA A AUTONOMIA

Ontem assisti, no debate subordinado ao tema que é título deste post, e organizado pelo BE, a quatro boas intervenções do Prof. Vasco Garcia, da Prof. Gilberta Rocha, do Prof. Medeiros Ferreira e do Deputado Luís Fazenda. Pouca assistência, o que denuncia a cidadania local. E perguntas, a quererem redundar em intervenções, dispensáveis. Mas o esclarecimento de resposta às perguntas, feito pelo Prof. Medeiros Ferreira foi crucial. Sobretudo gostei da simbologia da saída da rotunda para a auto-estrada certa, mas com possibilidade de, mais à frente, haver desvio de retorno. A necessidade de haver uma escapatória de saída, possibilita que não haja decisões sem retorno, pois em qualquer altura tudo pode ser corrigido ou reformado, com sensatez.
Todavia uma questão não foi abordada que, quanto a mim, é fundamental. Essa questão é a da unidade regional. Que é frágil e ténue. E propiciadora de um jogo entrelaçado de chantagens.
Sobre a reduzida assistência, eu que não sou adepto de clubes de futebol e de partidos políticos, divirto-me sempre com as pessoas que só vão assistir a eventos proporcionados pelos partidos a que devotam os seus corações, ficando assim pouco esclarecidos na razão. Aqui os mais fundamentalistas até só assistem a eventos culturais, no Coliseu ou no Teatro, conforme os partidos que professam.
Continuamos assim com um défice de cidadania. O que para mim até já é muito natural.

sábado, 30 de junho de 2007

OS AÇORES RESERVA DA NACIONALIDADE?

No post anterior, e não sei porquê (mas sei que foi azelhice minha), faltaram as últimas linhas do texto. Já reposto, pode ser lido na íntegra, e agora com nexo. Peço desculpa, mas se o voltarem a ler, verão que vale a pena.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

ELES NÃO SABEM, E NEM SEQUER SE INFORMAM, E DEPOIS FAZEM ASNEIRA.

«O grande projecto nacional é Portugal.

A aproximação de Portugal à Europa terá sido decidida com a esperança, entre outras, de desenvolvimento por aplicação de um tratamento de choque às desactualizadas estruturas produtivas portuguesas. Terá assim sido iniciada sem uma perspectiva de muito longo prazo, amadurecida, discutida e coerente com a essência histórica e geoestratégica do País, como seria próprio das grandes opções nacionais, e até talvez sem ter em conta que a Europa, tal Líbano dividido, indefeso e perplexo entre as fortes solicitações do Leste e do Ocidente, é passível do destino de uma mera península geográfica, tecnológica e anímica, a que apenas a Aliança Atlântica poderá garantir a suficiente inde­pendência. Também não terá sido julgado importante que os principais trunfos de Portugal - o geofactor, e o relacionamento especial com os países de lín­gua portuguesa - que lhe valem a individualidade na Península e um papel im­portante no Atlântico e no Ocidente, tendem a diluir-se numa Europa para a qual o Mediterrâneo importa mais que o Atlântico, e onde o País valerá ape­nas o muito pouco que pesa económica e demograficamente. Por outro lado, acontece ainda que o apoio financeiro e tecnológico necessário ao desenvolvi­mento do País se pode encontrar em boa parte também do outro lado do Atlân­tico, onde afinal o têm ido buscar outros países peninsulares e insulares - os asiáticos - que hoje são fortes competidores da CEE. No entanto, poderão não advir graves problemas de segurança para o País, se a meta for a «Europa das Pátrias», e não a integração, onde se possa ir colhendo frutos de cooperação económica com outros afinal no mesmo interessados, sem pressas e sem sa­crifícios do valioso património geoestratégico, marítimo e cultural que custou séculos de inteligência, coerência e sacrifício, e sem se correr o «risco» de os Portuguesas das Ilhas - naturalmente ciosos do esperançoso mar que não gostarão de entregar em troca de um salto no escuro à grega - se recusarem a acompanhar o Continente, assumindo uma vez mais o papel de reserva de na­cionalidade.»
Virgílio de Carvalho, in "O Mundo, A Europa e Portugal"

NÃO SE INDEMNIZA UMA CRIANÇA QUE NÃO TEVE EDUCAÇÃO ADEQUADA, POIS PERDEU-A PARA SEMPRE. ESSA É A GRANDE TRAGÉDIA DOS NOSSOS MAUS RESULTADOS.

Foi dito por Fernando Adão da Fonseca, no programa “Diga Lá Excelência” e impresso no Público de 25.06.2007.

E ontem, Medina Carreira, no programa que citei no anterior post, disse que o nosso ensino não passa de um reprodutor de ignorantes, que se reproduz sucessivamente.
E o Eça de Queiroz já tinha dito: «Para ensinar há uma formalidade a cumprir – Saber.»

MAIS UM QUE PERCEBEU QUE PORTUGAL É INVIÁVEL

Percebi depressa que isso não era possível. Portugal deixou de ser viável como país independente ...
José Miguel Júdice, hoje, no Público.
Mais um que se junta ao rol dos que já não acreditam na viabilidade de Portugal. Já passaram muitos meses desde que João Salgueiro afirmou que Portugal era ingovernável. Ontem, na SIC Notícias, Medina Carreira traçou um retrato lúcido da miséria nacional.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

MORREREMOS AMANHÃ

Este é o título do romance de Carlos Tomé e editado pela Artes e Letras.
Também distribuído aí no Continente.
Sobre a escrita do romance, já nada acrescento, pois o Carlos Tomé fez a autodefesa na entrevista que deu no “Açoriano Oriental”, no passado Domingo, 24 de Junho.
Sobre o romance havia, da minha parte, a expectativa, porque previamente anunciada, que abordava as vivências da Guerra do Ultramar. O Carlos Tomé esteve lá, foi um participante, um peão, e como tal portador de uma reserva de memória. Todos os ex-combatentes têm uma reserva de memória. Na apresentação do romance, feita de forma brilhante e digna, por uma filha, foi dito, de forma ternurenta, que “o autor, mê pai”, não escreveu um romance autobiográfico. Mas é um romance reflexivo de uma experiência vivida. Carlos Tomé trilha por densa neblina, no romance, picadas similares às que trilhou. Mas essa névoa impede, ainda, a intensidade dramática contida em todas as reservas da memória. Este romance, no fim da sua leitura, fica-nos como o preâmbulo desse outro romance, que não sei se irá ser escrito, em que afastada a densa neblina, possa fazer com que os trilhos similares se cruzem, se encadeiem e exponham o absurdo que foi a citada guerra. E digo isto porque, para minha grande surpresa, o fio condutor do romance não é a Guerra do Ultramar em si, mas sim o grito de alerta para a injustiça do tratamento que o país deu, e dá, aos ex-combatentes. «Voltou a casa numa caixa de pinho. Já não servia. Os que regressaram também deixaram de servir.» Esta é a chave do romance.
Os que me costumam ler, neste blog, sabem que este tema dos ex-combatentes me é muito caro. A forma como as instituições deste país descartaram as suas responsabilidades para com os ex-combatentes, magoa. Voltarei ao tema num outro post.
As fragilidades humanas são o comum das personagens deste romance. Onde não há heróis. Só pessoas com debilidades próprias da sua humanidade. Que tentam sobreviver nos meandros da memória.

terça-feira, 26 de junho de 2007

A MEDIOCRIDADE DOS ACTORES POLITICOS

«Lidas e relidas daqui a um mês, a um ano ou a uma década, elas revelarão como nenhum destes ramos da árvore marcou a floresta.»

Esta sentença li-a no excelente blog, aqui, SOBRE O TEMPO QUE PASSA, do professor José Adelino Maltez. Recomendo a leitura deste blog a quem se interessa sobre o fluir de Portugal.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

UMA VERDADE

"...numa velha verdade socialista: o empobrecimento é o preço do controlo da sociedade pelo poder político."
Rui Ramos dixit, ontem, no Público.

terça-feira, 19 de junho de 2007

SUBSTITUINDO, NESTA FÓRMULA, AS INCÓGNITAS POR VALORES ABSOLUTOS, QUANTO DARÁ EM EUROS?

Fórmula:

Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem.*

*(também é provérbio)

domingo, 17 de junho de 2007

RECORDES GUINESS SÃO, AGORA, A VOCAÇÃO NACIONAL

Hoje foram as grávidas.
É por estas e por outras que saiu o post da mediocridade.

E DE ESPANHA ...

É de onde vem as grandes decisões. Parece que eles lá sabem decidir. Por isso é que estão bem. Bem melhor do que nós, portugueses. Por isso é que ainda só vão no terceiro primeiro ministro da democracia constitucional. E ainda no primeiro mandato do actual. Porque sabem decidir e escolher.
Mas nós, os portugueses, não sabemos fazer nada, nem escolher nem decidir. Na última página do Expresso de ontem leiam a noticia sobre a EMI. Lá de Espanha decidem. Pois claro. O que é que se espera daqui para a frente? Eles sabem e nós nunca aprendemos. Empresas há, espanholas, que já obrigam ao uso de castelhano nas instalações da empresa em Portugal. Nada de estranhar. Têm o poder efectivo para o fazerem. O outro poder é fátuo, e sujeita-se.

MEDIOCRIDADE É O QUE MELHOR DEFINE PORTUGAL E OS PORTUGUESES

Na actualidade. Leia-se os jornais, veja-se as televisões, atente-se no comportamento dos portugueses, na qualidade do ensino, no emaranhado da justiça, na debilidade da prestação dos serviços de saúde, na limpeza, na segurança, e etc.

Não peças a quem pediu
Nem sirvas a quem serviu
(Provérbio)

sábado, 16 de junho de 2007

SÓ HÁ QUE PARTIR

«Ah, Seja como for, seja por onde for, partir!
Largar por aí fora, pela ondas, pelo perigo, pelo mar,
Ir para Longe, ir para Fora, para a Distância Abstracta,
Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
Levado como a poeira, pelos ventos, pelos vendavais!
Ir, ir, ir de vez!»


Fernando Pessoa, in "Antologia Poética".

ORGULHA-TE DOS PONTAPÉS QUE LEVAS NO TRASEIRO; É SINAL DE QUE VAIS À FRENTE.

Visto na parede de um consultório.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

DE MENOS .... DEMAIS

O paradoxo do nosso período na história
é que temos prédios maiores,
mas temperamentos mais curtos;

Estradas mais largas,
mas pensamentos mais estreitos;

Gastamos mais e temos menos;
Compramos mais e aproveitamos menos.

Nossas casas são maiores e nossas famílias menores,
Temos mais conveniências, porém menos tempo;
Temos mais estudos e menos bom senso;
Mais conhecimentos e menos capacidade de julgamento;
Mais especialistas e mais problemas,
Mais remédios e menos saúde!

Bebemos demais, fumamos demais, gastamos demais,
Rimos de menos, dirigimos com demasiada velocidade,
Perdemos com facilidade a paciência!

Dormimos muito tarde, levantamos com o corpo quebrado...
Lemos pouco, assistimos mais TV e rezamos menos!
Multiplicamos as nossas posses,
mas reduzimos o seu valor!

Falamos demais, amamos de menos e odiamos muito.
Aprendemos como ganhar a vida, mas não como viver.

Adicionamos mais quantidade de anos às nossas vidas
e menos qualidade de vida aos nossos anos.
Fomos à Lua e voltamos,
mas temos dificuldade em atravessar a rua,
Para falar com o nosso novo vizinho.

Conquistamos o espaço exterior, mas não o interior.
Fizemos coisas maiores, mas nem sempre melhores.

Às vezes limpamos o ar, mas poluímos as almas.
Conquistamos o átomo,
mas não os nossos preconceitos.
Escrevemos mais e aprendemos menos;
Planejamos mais e conseguimos menos;
Aprendemos a correr, mas não a esperar;

Construímos cada vez mais computadores,
para armazenar mais informações
e produzir mais cópias,
mas nos comunicamos cada vez menos.
Estes são os tempos do "fast food" e da digestão lenta;
De homens grandes, com personalidades mesquinhas;
De lucros enormes e relacionamentos pequenos.

Estes são os dias de dois empregos e mais divórcios;
Casas mais bonitas e lares desfeitos.

Estes são os dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis,
moralidade abandonada, encontros por uma noite,
obesidade disseminada e pílulas para tudo,
da alegria à calma e até à morte.

É um tempo
onde há muito nas vitrines
e pouco no depósito.

Um tempo onde a tecnologia permite
que você leia isto e escolha o que fazer:

Dividir este sentimento
ou apenas clicar em DELETE.
De um tal George Carlin (que desconheço), e recebido por e-mail

PORTUGAL É UM PAÍS GEOMÉTRICO

Portugal é um país geométrico: é rectangular e tem problemas bicudos discutidos em mesas redondas...por bestas quadradas!


Lido, algures numa parede de uma sala de espera.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

DOS IRREVERENTES UNIVERSITÁRIOS DA DÉCADA DE 60, LEMBRAM-SE?


Daquela juventude que lutava por ideais e se opunha a ditaduras. Desses mesmos, lembram-se?
E onde é que estão hoje? Sabem deles? Quais os ideais que defendem hoje e as causas porque lutam? Sabem?
Digam aí nos comentários, se por acaso sabem do seu paradeiro.

VAMPIROS

Cada vez mais pertinente o poema do Zeca Afonso. Começo a ter dúvidas se as novas gerações são capazes de o interpretar. Nem sei se o entendem como "palavras soltas" das avaliações de português. Nem sei se isso. Mas os tempos actuais são dos vampiros. Já coloquei aqui o poema. Hoje só aqui deixo o intróito.


No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

terça-feira, 12 de junho de 2007

TÍTERES

Um curioso post de Jorge Rojas, aqui. Destaco uma frase: «Como se ve no siempre salir de un regimen autoritario garantiza mejor suerte. Recuerda además que el ego humano cuando tiene poder no tiene limites.»

segunda-feira, 11 de junho de 2007

A REALIDADE PERSEGUE-NOS ATRAVÉS DOS SÉCULOS

A realidade persegue-nos através dos séculos. A mediocridade nacional é uma constante. Meditem bem neste texto, que é parte de uma intervenção do parlamentar visconde de Moreira de Rey, a propósito do encerramento das Conferências do Casino:
«Acerca das Conferências escrevi o seguinte: A que ponto todo o País distingue o excelente Rei dos maus ministros, acaba de ver-se a toda a luz da evidência em um facto recente. Abriram-se umas Conferências políticas, facto naturalíssimo em todos os países em que a manifestação do pensamento não está, como não pode estar entre nós, sujeita a restrição preven­tiva de nenhuma espécie. Os últimos acontecimentos da Europa podiam ser motivo ou pretexto para perturbar em ânimos tímidos a luz da inteligência, necessária a todos, aos governos indispensável. Os ministros de Vossa Majestade filiaram as Conferências em doutrinas subversivas, considerando-as ramificação de sociedades perigosas. Foi espontânea, grande e sincera a indignação do País; e tamanha foi que a maioria dos cidadãos, iludida pela aparência, aplaudiu o acto arbitrário, tão inútil como despótico, com que o poder executivo fechou as portas da sala dessas Conferências.
(...)
Os que neste século ousam afirmá­-lo e segui-lo, queiram ou não queiram, declarem-se ou disfarcem-se, são sempre os partidários da censura prévia, os sectários da I inquisição, os defensores do silêncio contra a palavra, das trevas contra a luz da opressão contra a liberdade, da fogueira e do potro contra os progressos da razão humana. Este país não retrograda. Se parar é morrer, retrogradar é reunir à morte a afronta e o opróbrio.
Esta Câmara deplora todos os desvarios e protesta concorrer, quanto possa, para que se reprimam e sejam punidos todos os abusos cometidos no exercício do direito da manifestação do pensamento, mas quer e protesta sobretudo manter ileso e libérrimo o exercício desse direito.
Segundo as leis actuais, um delegado do poder executivo, a autoridade administrativa, podia e devia assistir. às Conferências. O conferente que, abusando do direito de livre manifestação do pensamento, cometesse crime contra as leis do Reino, podia ser preso em flagrante. delito, e devia ser imediatamente remetido ao poderjudicial com a informação do delito cometido e das tes­temunhas que o presenciaram. A autoridade administrativa não pode ir mais longe sem se trocar a liberdade pela tirania.
Se os meios de repressão nas leis actuais são, e talvez sejam, insuficientes, a Câmara dos deputados da Nação cooperará na reforma da legislação vigente, para que a punição dos abusos seja sempre segura, pronta, proporcional e suficiente. Aos representantes da Nação pertence velar e legislar para que instituições não periguem, e também para que o poder executivo não abuse. Desta dupla missão procurará a Câmara desempenhar-se, reali­zando para com Vossa Magestade os desejos do País, e se­parando para isso o respeito devido ao poder moderador da severidade indispensável para com o poder executivo».
Entendo que esta é a única resposta que pode e deve dar uma Câmara a um presidente do Conselho de Mi­nistros, que tem a audácia quase insensata de vir declarar em pleno Parlamento: «Pensem como quiserem, mas contentem-se com isso! Não manifestem, não tentem fazer propaganda, não queiram adquirir sectários para as suas doutrinas. Pensem como quiserem, mas contentem-se com isso: nesta época o primeiro dever dos governos é perseguir o desregramento das palavras e das ideias.» Foram estas palavras que eu ouvi (apoiados).
«Contentem-se com isso! Contentem-se com pensar como quiserem!» Note bem a Câmara; a liberdade de pensar era ainda um favor que o Governo concedia! Era uma generosa liberdade, era uma excepção aos seus princípios, era uma infração ao seu dever, desde que ameaçava ainda perseguir o desregramento das ideias!! (Apoiados).
A que época nós chegamos! Em que Parlamento do mundo seria possível proferir-se uma asserção assim? . (Apoiados). Em nenhum (apoiados). Esta heresia nunca se ouviu, e não pode ficar impune (apoiados).
»
In " As Conferências do Casino no Parlamento"; Apresentação e notas por José-Augusto França

sábado, 9 de junho de 2007

ESTÁ EM PERIGO A INTEGRIDADE NACIONAL

Não sei porquê, fiquei com alguma empatia com este trecho de uma carta de Henrique Paiva Couceiro para Salazar:
«Cumpra os deveres d'Estado, Snr. Presidente. Porque o Estado tambem tem deveres, que não se resumem na fiscalidade, em que V. Excia. é cathedratico. Esses deveres, a respeito d'Angola, segundo os principios da acção constructiva, tenho-os repetido muitas vezes, e já mesmo os exerci, dentro do meu possivel, em tempos idos. Mas V. Excia. lê por outra cartilha, que não se funda, - permita-me que Ih'o diga, - em nenhum principio nacional, e ameaça tornar-se na cartilha da catastrophe. As pro­vas tem-n' as V. Excia nas suas mãos.

Está em perigo a integridade nacional.
E, no entretanto, com essa temerosa ameaça sobre a cabeça, o Povo dorme; ou assiste aos festivaes, que, embora o tempo não esteja para danças, ­V. Excia. lhe proporciôna.
Faziam o mesmo os Imperadores romanos da decadencia.
Levantam-se lôas ás glorias governativas, e ninguem póde dizer o contrario. O Porugal legitimo do "Senão, Não" foi substituido por um Portugal artificial, – especie de títere de que o Governo puxa os cordelinhos. Véla a Policia e o Lapis da Censura. Incapacitados, uns, por esse regimen de cohibições - entretidos, outros, com a digestão, que não lhes deixa atender ao que se passa, - jaz a Patria Portuguesa em estado de catalepsia colectiva.
Está em perigo a integridade nacional»
In "Salazar e a Rainha" de Fernando Amaro Monteiro.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

A DELAÇÃO É UM FENOMENO

«Porque três décadas parecem ter chegado para varrer da escala de valores de tantos, que hoje detêm o poder, as referências primeiras da liberdade e da cidadania. Porque os cegou a obsessão de reduzir o défice ou, quem sabe, a ditadura apenas os incomodou por não serem eles que se sentavam na cadeira do poder.»
É uma frase de um artigo, publicado ontem no Público, que recomendo vivamente. Meditem e reflictam.
O título do artigo, da autoria de Santana Castilho é: "A delação é um fenómeno de todos os tempos e sempre habitou o lado mais negro da espécie humana"

PREVENIR "GUERRAS DE ÁGUA"

«A nossa habilidade para prevenir "guerras de água" depende da nossa capacidade colectiva para antecipar tensões e para encontrar as soluções técnicas e institucionais que nos permitam gerir os conflitos emergentes. »
Esta é uma frase que destaco de um artigo publicado ontem, no Público, de Mikhail Gorbachev e Jean-Michel Severino.
A ler e repensar.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

RECORDANDO PERSPECTIVAS

«Dizê-lo não significa que idealize a classe operá­ria. Na luta prolongada que se seguiu à Revolução Russa, foram os trabalhadores manuais que se viram derrotados, sendo impossível não sentirmos que foi por sua própria culpa. Repetidas vezes, em diversos países, os movimentos organizados da classe operária viram-se aniquilados pela violência declarada e ilegal, tendo-se os seus camaradas estrangeiros, a eles associados por uma solidarie­dade teórica, limitado a observar o que se passava, sem fazerem nada; e na base de tudo isto, causa secreta de muitas traições, tem-se encontrado o fac­to de entre os trabalhadores brancos e os das outras raças não haver sequer um simulacro de solidarie­dade. Quem poderá acreditar na consciência de classe do proletariado internacional depois dos acontecimentos dos últimos dez anos? Para a classe operária britânica, o massacre dos seus camaradas de Viena, Berlim, Madrid ou seja de onde for, foi coisa que pareceu menos interessante e menos importante que o desafio de futebol do domingo anterior. E no entanto isto não modifica em nada o facto de a classe operária continuar a lutar contra o fascismo depois de as outras se terem submetido. Uma característica importante da conquista da França pelos nazis viu-se nas espantosas deserções ocorridas no seio da intelectualidade, incluindo parte da intelectualidade política de esquerda. A intelectualidade é constituída pelas pessoas que gritam com maior estridência contra o fascismo, e no entanto uma proporção respeitável cai no derro­tismo mal o aperto surge. São bastante perspicazes para verem aquilo que joga contra eles, e além disso podem ser subornados - porque obviamente os nazis julgam ser vantajoso subornar os intelectuais. Com a classe operária não se passa a mesma coisa. Ignorantes demais para perceberem a tramóia que lhes estão a armar, facilmente engolem as promes­sas do fascismo, embora mais cedo ou mais tarde acabem por se decidir de novo pela luta. Vêem-se obrigados a isso, quando descobrem, à custa do próprio corpo, que as promessas do fascismo não podem ser cumpridas. Para vencerem a classe ope­rária em permanência, os fascistas deveriam ver-se forçados a elevar o padrão de vida, coisa que são incapazes de fazer e que provavelmente não que­rem fazer. »
George Orwell, in " Recordando a Guerra Espanhola"

terça-feira, 5 de junho de 2007

NENHUM POVO SE DESPERSONALIZA DE FORMA TÃO MAGNÍFICA

«Os sensacionistas portugueses são originais e interessantes porque sendo estritamente portugueses, são cosmopolitas e universais. O temperamento português é universal: é essa a sua magnífica superioridade. O único grande acto da história portuguesa - esse longo, cauteloso, científico período dos Descobrimentos - é o grande acto cosmopolita da história. Nele se retrata o povo inteiro. Uma literatura original, tipicamente portuguesa, não pode ser portuguesa, porque os portugueses típicos nunca são portugueses. Há algo de americano, fora o ruído e o quotidiano, no temperamento intelectual deste povo. Nenhum povo se apropria tão prontamente das novidades. Nenhum povo se despersonaliza de forma tão magnífica. Essa fraqueza é a sua grande força. Esse não-regionalismo temperamental o seu desusado poder. É essa indefinição da alma que o define.
Porque o que os portugueses têm de excelente é serem o povo mais civilizado da Europa. Nascem civilizados, porque nascem capazes de aceitar tudo. Nada têm daquilo a que os antigos psiquiatras costumavam chamar misoneísmo, termo que apenas significa aversão às coisas novas; adoram a novidade e a mudança. Não possuem elementos estáveis, como os franceses, que só fazem revoluções para exportação. Os portugueses estão sempre a fazer revoluções. Quando um português se vai deitar faz uma revolução, porque o português que acorda no dia seguinte é muito diferente.
Tem precisamente mais um dia, muito distintamente mais um dia. Outros povos acordam todas as manhãs como se fosse ontem. O amanhã está sempre a vários anos de distância. Não é assim com esta estranha gente. Vai tão depressa que deixa tudo por fazer, incluindo andar depressa. Nada é menos preguiçoso do que um português. A única parte indolente do país é a trabalhadora. Daí a sua manifesta falta de progresso
.»
Fernando Pessoa, in " PROSA INTIMA e de autoconhecimento"

O IMPORTANTE, HOJE, E CADA VEZ MAIS, É O TER E NÃO O SER.

Que por acaso é o sintoma que corresponde à decadência dos impérios.

OS POLÍTICOS TRANSFORMARAM-SE NUMA ESPÉCIE DE PROGRAMADORES DE CANAL QUE REGULARMENTE CRIAM FACTOS DE MODO A ENTRETER AS POPULAÇÕES

É a frase que destaco hoje. No Público, da autoria de Helena Matos.

domingo, 3 de junho de 2007

PODE A SOCIEDADE CIVIL DISTINGUIR-SE PELAS LIBERDADES E PELA IGUALDADE. MAS FALHOU RADICALMENTE NA FRATERNIDADE

Grande verdade. E disse-o hoje, no Público, o António Barreto. E ainda destaco este trecho:
« O Estado não é eficiente, nem acode rapidamente. Sobretudo, o Estado não é capaz de trazer o que muitas vezes é essencial: o apoio humano, o conforto afectivo e a esperança.Que o Estado não seja capaz de humanidade, não é para admirar. Mas que grande parte dos seus técnicos e funcionários também o não seja, já deixa a desejar. As instituições parecem feitas para enquadrar e regulamentar, não para agir individualmente, com a humana generosidade que, muitas vezes, faz tanta ou mais falta do que o alimento ou o abrigo.»
Eu acho que a Revolução Francesa ainda está por cumprir. A liberdade, ainda é muito condicional; a igualdade, ainda está muito vocacionada para que uns sejam mais iguais que outros; e a fraternidade, nem em esboço vingou.
E agora acrescento, pela pertinência em relação a este post, de Frei Bento Domingues, também hoje no Público, o seguinte trecho:
«Aliás, a única pergunta que percorre toda a Bíblia, até ao julgamento final, é esta: "Que fizeste do teu irmão?" (Gn 4; Mt 25). É evidente que nessa imensa literatura se encontram textos e gestos para provar tudo e o seu contrário, o melhor e o pior, embora, ao longo da história da humanidade, em muitas filosofias e religiões sejam constantes grandes aspirações éticas e incontáveis traições. Não sei se as neurociências já estão em condições de nos poderem ajudar a entender este fenómeno. Seja como for, esse paradoxo agudizou-se, nos nossos dias, de forma escandalosa.Repete-se que é possível acabar com a pobreza e ela aumenta; que não há razões para o racismo, para a xenofobia, para a exclusão e o mundo dos excluídos parece cada vez maior. As guerras multiplicaram-se desde a queda do Muro de Berlim e outros muros se levantaram depois. »

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O QUE O PAÍS NECESSITA É DE PREMIAR QUEM SE ESFORÇA


Esta sentença, que não é nenhuma novidade, encontrei-a hoje no editorial do Público:
“O que é oferecido tende a ser desvalorizado, pois é obtido com pouco esforço, e o que o país necessita é de premiar quem se esforça. Só se chegará a algum lado criando condições para que os melhores progridam num ambiente de empreendedorismo e concorrência.”

Mas o sindicalismo também deveria reflectir nisto.

As pensões sofreram hoje novas alterações. Pelo que se põem a pergunta inevitável, no espírito do título do post: As novas regras também se aplicam aos políticos que não se esforçam nada, e que obtêm reformas com meia dúzia de anos em que fingem dedicar-se à causa pública?

A avaliação feita na disciplina de Português, no exame do 9º ano, demonstra que o ensino em Portugal não contribui em nada para o título deste post. “Palavras soltas” não qualificam ninguém para o esforço. O Pulido Valente explica isso muito bem, hoje, no Público. Também eu, neste blog, aqui e noutros post’s, tenho chamado a atenção de quem estuda bem e com mérito.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

O FIM DEPENDE DO PRINCÍPIO

Pode até parecer de La Palisse. Mas era o lema de uma escola no filme “O Clube do Imperador”. Mas o depende é a chave do sucesso final. Tenho dedicado quase todos os posts à estratégia, ou à ausência dela. A ausência de estratégia da nação, e também do país, por mais determinação que se aparente, não tem bons resultados. Não há estratégia, nem geoestratégia. Há um atabalhoado ir-se fazendo ao Deus-dará, que tem tido os resultados que se constatam.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

METADE DAS FAMÍLIAS ESTIVERAM UM ANO EM ESTADO DE POBREZA

«"Não existe uma verdadeira noção de pobreza em Portugal" sublinha Alfredo Bruto da Costa, acrescentando que 47 % das famílias portuguesas passaram por uma situação de pobreza.»
Da Agência Ecclesia, aqui.
E não faço comentários.

terça-feira, 29 de maio de 2007

DA FALTA DE CARINHO DOS PORTUGUESES PELA LIBERDADE

Foi assim que António Barreto rematou o seu artigo de Domingo, no Público.
Tenho muitas dúvidas. A maioria desconhece, simplesmente, o que é a liberdade. Pelo que não podem ter carinho pelo que desconhecem. Liberdade é algo que nunca fez parte da vivência dos portugueses. Eles estão habituados a sobreviver, recorrendo à manha, por entre os ditames que os senhores, de cada momento, dos regimes de sempre, lhes impõem. Todos são responsáveis pelo país. Mas quase todos não aspiram pela liberdade. Ignoram. Aspiram a coisas corriqueiras, que conhecem e lhes permite sobreviver. São subservientes ao poder, do qual desconfiam, mas do qual não podem deixar de depender. Pela sobrevivência.
No fundo é o lema deste blog: "mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara".

domingo, 27 de maio de 2007

ERROS NOSSOS, ESPERANÇAS DESFEITAS

Venho insistindo no mote da responsabilidade geral dos portugueses.
O Vasco Pulido Valente publicou um bom artigo, ontem, no Público, que deve ser lido. destaco:
"Porque, para lá da retórica patriótica que durante um tempo exaltou a inconsciência colectiva, começaram a ver a inquietante fragilidade do país. Num mundo confuso e competitivo querem segurança antes de mais nada. Mesmo com mais "modéstia", com um progresso mais lento, com o sonho da "Europa" definitivamente desfeito."

sexta-feira, 25 de maio de 2007

CASAMENTO

Casamento é uma relação entre duas pessoas, em que uma tem sempre razão e a outra é o marido.

Recebido via email.
Eu podia comentar algo da política nacional, mas já ando enjoado.
Bom FSM

terça-feira, 22 de maio de 2007

PORTUGAL É SEMPRE LISBOA E ARREDORES?

É. Foi a impressão com que fiquei ontem ao ver um pouco do programa "Prós e Contras". Um programa sobre o país, em que só se falou de Lisboa e arredores. Isto é grave porque é a mentalidade política instalada. Por isso é que o interior foi descurado até ao estado em que se encontra.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O POLITICAMENTE CORRECTO JÁ NÃO RENDE


Tenho por aqui imposto uma corrente anti "o politicamente correcto". Estranhamente não tenho tido reacções. Os meus leitores já não se "picam". Não reagiram ao que disse sobre o Alberto João Jardim, aceitaram. Não houve reacção ao post anterior, aceitaram. Pelo que começo a concluir que as pessoas querem mudanças. Que já estão cansadas e desiludidas com o status vigente. Que já não se embalam com o discurso do politicamente correcto. Mas por enquanto, só isso. Há-de chegar o dia em que as massas, já então muito massacradas e desiludidas, hão-de reagir. Será sempre tarde, espero é que não demais.

domingo, 20 de maio de 2007

CADA CIDADÃO SÓ DEVERIA PRESTAR SERVIÇO PÚBLICO, POLÍTICO, NUM ÚNICO MANDATO

É a solução ideal para que se evite a dependência recíproca, entre os detentores dos cargos e os interesses devoradores. Fosse presidente da república, ministro, deputado, autarca, ou qualquer outro cargo político, só deveria ser exercido uma única vez por cidadão. E uma única vez qualquer cargo, e não uma vez cada cargo. Cidadão que fosse à política, só iria uma vez na sua vida. Evitasse a dependência subserviente para se manter no cargo, e minimizava-se o estabelecimento de laços de interesses corruptivos.
Isto implicaria que muitos mais cidadãos se envolvessem na vida pública do país, com mais seriedade e competência, livrando-nos, assim, dessa corja de incompetentes que deram cabo do país.
Posso estar a sonhar alto mas, como teoria, devem reconhecer que é eficaz.

terça-feira, 15 de maio de 2007

MAS ONDE É QUE O ALBERTO JOÃO JARDIM GANHOU?


Passei umas folgas na Madeira. Onde não ia há 27 anos. Gostei imenso de ver a Madeira. Está muito furada com túneis, mas que é algo que melhorou muito as acessibilidades e a qualidade de vida em toda a ilha. Nota-se bem que há infraestruturas para servir toda a população e as actividades que permitem a sustentabilidade da população. Há obra feita. Para a população. Para os portugueses que estão na Madeira. No Continente fizeram-se 10 estádios de futebol, que em nada servem a população, e que contribuíram muito para o sufoco financeiro do país. Não se fecham, na Madeira, serviços essenciais à população, sem haver uma resposta eficiente noutra vertente para esse encerramento. No Continente, a metade leste do país parece estar votada ao abandono. Só a Grande Lisboa conta para o governo central. Lisboa e os concelhos limítrofes onde dormem os que trabalham em Lisboa. Vai haver mais um aeroporto e uma ponte. E talvez mais qualquer coisa. Mas só para Lisboa e arredores. Os outros portugueses só são reconhecidos como tal na hora de pagar impostos. Servem para pagar mas nunca para receber os dividendos dos impostos.
Por isso acho que Vinhais, Fronteira, Mértola, Barrancos e etc, deviam lutar para que o Alberto João Jardim fosse para lá lutar por eles. Porque senão a única viabilidade que têm é integrarem-se em Espanha.
Mas onde o Alberto João ganhou? Melhor, ganhou a Madeira, ganharam os madeirenses. Foi no civismo, na eficiência e eficácia da população. Aí é que está a vitória da Madeira. Nenhum outro lugar do país se lhes compara. Eu não vi um único papel no chão, em toda a ilha. Não vi uma única garrafa ou lata de cerveja pelo chão. É um consolo e um orgulho. E são os madeirenses que contribuem para isso. A eficiência do trabalho na Madeira também faz a diferença.
Pode-se acusar o Jardim de muita coisa. Mas as coisas estão na Madeira. ESTÃO lá. Não se gasta dinheiro para coisas que nunca existem. Ou que são absolutamente inúteis. Como os estádios de futebol. É bom não esquecer que o Sócrates é o homem dos estádios inúteis. E vai ser do tal aeroporto muitíssimo caro, como acha o presidente da CIP, Francisco van Zeller, e, portanto, desajustado à realidade do país, à correlação custo/benefício. Bem como o TGV e etc. Bem como o esquecimento das populações do interior.
Mas o Jardim, com muitos defeitos, cuidou do bem estar dos seus. A obra está lá. Se 15% se esvaiu pelas fendas, tudo bem. Pior é quando se esvai 100% e nada fica, como acontece em muito lado pelo país fora. Ou se fica, é inútil para a população. Embora muito útil para quem interveio na produção da inutilidade, como foi o caso dos estádios.
Mas a Madeira ganhou a batalha do civismo. Parece-me que o resto do país a perdeu. Vejo muita boçalidade permitida e incentivada, quando não mesmo patrocinada em nome de uma pseudo tradição, na mira de manter um eleitorado satisfeito e saciado. A nojeira das garrafas e latas de cerveja e muito papel pelo chão, prova que é errado e que é um falhanço brutal.
Mas nisso a Madeira ganhou ao resto do país. Pena que não possamos importar o Alberto João pelo resto do país.

domingo, 29 de abril de 2007

VITÓRIA OU DERROTA.

Um artigo, publicado ontem no Público, de Margaret Beckett deve ser lido e ponderado. As estrastégias e a geoestratégia são a chave do sucesso dos povos. Como os nossos políticos e as nossas (pseudo) elites não percebem nada disso, não temos sucesso.
Deixo aqui um destaque do artigo:
«Perante a gravidade crescente da ameaça e a acumulação de provas científicas que têm reforçado os nossos piores receios, é cada vez mais óbvio que as alterações climáticas têm consequências para as nossas preocupações sobre segurança.Cheias, doenças e fome e as consequentes migrações em larga escala. Seca e colheitas destruídas e a rivalidade que daí resultará na procura de alimentos, água e energia em regiões onde os recursos já são escassos. Instabilidade económica a uma escala nunca vista desde a Segunda Guerra Mundial. Este cenário não se compadece com uma visão limitada à segurança nacional - trata-se da nossa segurança colectiva num mundo cada vez mais frágil e interdependente. Os mais vulneráveis e menos capazes de reagir serão os primeiros a sofrer. A questão não está numa escolha entre um clima estável e a luta contra a pobreza. Sem a primeira, a segunda falhará.
(...)
Ficou demonstrado que a comunidade internacional encara a instabilidade climática como uma ameaça sem precedentes que há que enfrentar com a maior urgência e ambição. Se formos bem sucedidos, poderemos todos aspirar a uma maior segurança. Mais: as alterações climáticas são uma ameaça que nos pode unir se formos sensatos e não agravarmos as nossas divergências. »

TERRA SANTA, INSURREIÇÃO.

«A "Terra Santa" da Igreja devem ser os bairros mais abandonados das grandes cidades e, sobretudo, o vasto mundo dos pobres, dos quase mil milhões que vegetam com menos de 73 cêntimos por dia. A Igreja só testemunha a ressurreição quando participa na insurreição contra tudo aquilo que estraga a vida das pessoas. »
Frei Bento Domingues, hoje, no Público.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

FRONTEIRA; MÉRTOLA; 25 DE ABRIL.


Estive de férias durante 2 semanas, na Páscoa. Durante a primeira, no dia em que me dirigia a Mértola, a encantadora, ouvi a notícia de que iam encerrar os tribunais de Mértola, Fronteira e de mais quatro ou cinco concelhos. No outro dia tinha programado passar em Fronteira. Alguém da família queria lá ir visitar o Centro de Ciência local, que irá ter, segundo percebi, o melhor telescópio em funcionamento em Portugal. Pensei ir almoçar, em Mértola, à Casa Amarela, do outro lado do rio. Estava fechada. Em definitivo. Almocei no local do costume, no Migas, junto à praça. E meditei sobre Mértola. Qual o futuro de Mértola? Ficar-se por ser Museu? Quem vai ficar em Mértola? Um Lugar sem hospital, sem grandes escolas, agora sem tribunal. As minas já se foram. A terra está lá, mas não me apercebi de grande vigor agrícola. Não vi industrialização nenhuma e o turismo pareceu-me, como desde há anos, tímido. Não sei se também vão ter de ir nascer a Espanha, mas sempre era mais seguro e confortável. O estado fecha quase tudo no interior. Curiosamente só não fecha as repartições de finanças. Onde cobra os mesmos imposto pelas taxas dos impostos que cobra aos de Lisboa, onde tem tudo para os cidadãos, embora nos seja licito duvidarmos da qualidade desse “tudo”. Mas lá em Mértola, como em todo o interior, pagam pela tabela, mas não têm tudo. Já quase não têm nada. Li no Expresso uma frase de um serigrafista a viver em Serpa, que agora não recordo o nome e nem tenho o Expresso à mão, que associei a isto. Ele dizia, mais ou menos, que tinha lutado tanto pelo poder local e que actualmente o poder local se tinha tornado um cancro. Isso é verdade para os grandes centros. Mas para Mértola, Fronteira, Arraiolos, Monforte, Barrancos e outras tantas já não é verdade. A edilidade é a última réstia de esperança de sobrevivência para aquelas povoações. Só eles as podem defender da extinção. O governo central, o que governa o país, não o fará, pois não tem estratégia nenhuma para Portugal, nem julgo que saibam o que é isso, e muito menos o que é geoestratégia. Só por isso se pode perceber que um ministro tenha optado pela medida de enviar as grávidas da raia a parir em Espanha. Para além de menosprezarem o orgulho nacional, não percebem as implicações geoestrtégicas que medidas destas vão ter a médio e a longo prazo, ou mesmo a curto prazo se o ritmo de desertificação humana se mantiver num nível insustentável, até para autarquias bem dinâmicas. Sem contar com a humilhação das nossas cidadãs que em Espanha, apesar de muito bem tratadas, se sentirão sempre estrangeiras, estranhas ao meio. O que é que pode levar os jovens a ficar? A casar-se, constituir família, contribuir para o desenvolvimento? Já lá não há nada. Só lhes resta um emprego na autarquia, e para ambos. Senão emigram. Não há alternativa. O país empurra-os para fora. Hoje achei piada ao Presidente da República quando no seu discurso, entre outras coisas interessantes, nomeadamente quando falou dos festejos do 25 de Abril, se referiu à questão da saída para o estrangeiro dos jovens qualificados. Já aqui me tenho referido a esta problemática. Só não percebi a parte que o Presidente não percebeu. Se em Portugal quem tem diplomas trouxas, ou exibe, tendo só a quarta classe, diplomas de frequência de pós-graduações que exibem nos gabinetes, onde a palavra frequência é minúscula face a todo o resto do texto, são os individuas que gerem a coisa pública ou as empresas propriedade da coisa pública, não entendo as dúvidas do Presidente face à fuga dos jovens devidamente credenciados e, pior ainda, competentes, que é palavra arredada da coisa pública. Mas hoje celebramos o quê? O encerramento das maternidade? O encerramento dos tribunais de Fronteira e de Mértola? O estado de desânimo que implantaram no país? Mais de uma vez disse que quem tiver mais de 30 anos que fuja de Portugal enquanto é tempo. E parece que já não há muito tempo.
Ah! Na segunda semana rumei até Espanha. Fui-me deprimir, comparando o percurso da Espanha com o de Portugal. Erros nossos, má fortuna.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

ERROS NOSSOS, MÁ FORTUNA.


Continuamos a sofrer políticos a quem lhes falta tudo, para exercerem os magistérios, com dignidade. Continuamos a sofrer. Mas a verdade, crua e dura, é que fomos nós todos, portugueses, que os fomos escolhendo e caucionámos as suas acções. Os erros são nossos. Ou por ignorância, ou por comodismo, ou por estratégia de querer um ambiente permissivo à manutenção de mordomias injustas e caras, ou por demissão cívica, ou ainda porque somos uma cambada de golpistas medíocres, sempre à espera de migalhas da mesa do poder que, de forma ignóbil e humilhante, vão deixando cair aqui e ali. Mas os erros são nossos. Nem nos merecemos. A esperança, já não no sucesso, mas pelo menos numa saída da crise, é agora quase nula. E as novas gerações não prometem grande coisa. Da maneira como foram instruídas, educadas e orientadas, não espero grandes homens e mulheres. Das gerações de ideais, protagonizadas pelos estudantes das décadas de 60 e 70 do século XX, que ainda nos governam, recebemos a desilusão. De grandes defensores de ideais de igualdade e fraternidade, transformaram-se em manipuladores de dinheiro, corruptos e vigaristas. Mandaram os ideais para trás das costas e passaram a esfolar vivos os que queriam defender. São hoje, quase todos, peritos de negociatas torpes, fuga aos impostos, e etc., etc.. Pior, é que são o exemplo de sucesso para os jovens de hoje, que ambicionam a ter dinheiro a qualquer preço e sem escrúpulos. Ámen.
Há um artigo do Rui Ramos, que já aqui coloquei e que merece ser relido, conforme sugestão de amigo meu. E na sequência do post anterior, onde citei VPV.

sábado, 21 de abril de 2007

NEM COMENTO

«A democracia portuguesa trouxe uma exagerada esperança de reforma e decência. Ao começo, mesmo a seguir ao PREC, nada parecia impedir que se fizesse um país, sem a miséria, a corrupção e a complacência do costume. Por isto e por aquilo, não se fez. Portugal conservou os seus velhos vícios, sem adquirir novas virtudes. Na minha última encarnação sou, prosaicamente, um filho da democracia falhada. Como escreveu o homem, a velhice é um naufrágio. Comigo, um naufrágio que às vezes não acho exclusivamente pessoal. Mas são com certeza momentos de megalomania. A verdade é que já não pertenço a esta história. O meu interesse é forçado, a minha presença é, pelo menos para mim, gratuita. Mas, por enquanto, não há remédio senão persistir. »

VPV, hoje no Público.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

MAIS UMA PONTE. A MESMA INCOMPETÊNCIA.

A falta manutenção numa ponte em Vimieiro, Santa Comba Dão, levou hoje ao encerramento temporário do IP3. Mais uma vez não se efectuou a manutenção devida em tempo devido. E são milhares os casos por todo o país. O dinheiro é sempre esbanjado e desbaratado em parvoíces protagonizadas pelos incompetentes que nos vão governando. Já aqui abordei, em exercício teórico, esta questão. Para fazer estádios inúteis esbanjaram rios de dinheiro, que deviam antes ter usado para conservarem as obras de arte de engenharia por esse país fora. O último Expresso, no caderno de economia, enuncia as 15 grandes asneiras que geraram esta grave crise orçamental. Os estádios são uma das asneiras. Feitas pelos políticos que agora nos pedem sacrifícios, que eles nunca fazem. E é mais uma ponte, amanhã outra, para semana outra. Sem vitimas a população portuguesa fica inerte. Infelizmente. Todos serão vitimas, em lume brando.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

A INUTILIDADE DO SACRIFÍCIO DOS CIDADÃOS PORTUGUESES


Sempre que vejo um monumento aos combatentes, onde estão inscritos os nomes dos que morreram na, vulgarmente chamada, guerra do ultramar, sinto que é um monumento à inutilidade do sacrifício dos cidadãos.
Os políticos continuam a fazer asneiras na condução da coisa pública, com custos pesadíssimos para os cidadãos, e continuam a pedir sacrifícios aos portugueses para colmatarem as asneiras, para não falar de outras coisas, que eles praticam. Mas que são sempre inúteis, pois eles desbaratam sempre o produto desses sacrifícios. É muito triste ser cidadão português e viver em Portugal. E depois de uma estadia curta em Espanha, percebe-se bem a inutilidade dos sacrifícios que não pedem, mas exigem.
E depois da sentença do Supremo Tribunal, que o António Barreto aborda no seu artigo, de Domingo passado, no Público, a esperança esfuma-se com mais facilidade. A verdade está em causa. A liberdade também. E a liberdade de expressão ainda mais. Enfim, a inutilidade de se viver em Portugal.

terça-feira, 17 de abril de 2007

ESTUDAR OU NÃO ESTUDAR

Já me tenho referido várias vezes à questão da valorização do estudo. Um post intitulei “NÃO VALE A PENA ESTUDAR EM PORTUGAL“, aqui. E mais aqui. Eu nem sequer me quero referir às aldrabices. Nem sequer ao injusto que é dar-se equivalências por tudo e por nada ao 12º ano, prejudicando bastante o mérito de quem o concluiu, pois viu o seu esforço gorado ao constatar que com umas mezinhas, simples e pré-fritas, o tinha feito.
Mas chamo a atenção para o programa “DIGA LÁ EXCELÊNCIA”, publicado ontem no Público, e para o que disse o médico Luís Portela, da Bial. Do que destaco: «Foi importante criar condições para os jovens se irem doutorar lá fora. Agora é preciso criar condições para que regressem.» E para quê, pergunto eu. O país não os quer. Prefere a quinquilharia, os partidários, os do canudo da Praça de Espanha, Martim Moniz ou qualquer outra venda ambulante. Mérito? Para quê? Têm privilegiado a sua falta, pelo que o país foi sendo afundado até hoje. Ainda ninguém reparou que foram as sucessivas asneiras dos políticos portugueses, incompetentes e ignorantes, que puseram o país no estado em que está? Em Espanha não fizeram as asneiras que os nossos fizeram, e, por isso, o resultado está à vista.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

OS EX-COMBATENTES SABEM E SENTEM O QUE É PORTUGAL

“Os Portugueses
Que fizeram a guerra da integridade
Lutaram por todos,
Os contemporâneos
E os antepassados
Que expandiram Portugal
E a Língua Portuguesa.”
Nogueira Baptista, in "Contagem Decrescente"

domingo, 15 de abril de 2007

O QUE HÁ DE ERRADO EM PORTUGAL PARA QUE ESTA GENTE ACEITE VIVER ASSIM?

Destaque de uma reportagem da VISÃO, de 29 de Março de 2007, sobre os portugueses a trabalharem em condições sub humanas em Espanha. Uma vizinha espanhola é que disse a frase do título. Até um simples cidadão espanhol, que pouco deve saber de Portugal, se apercebe que há aqui algo muito errado.

domingo, 25 de março de 2007

MISSAS EM LATIM

Volta-se para as missas em latim? Canto gregoriano? Proibição de comunhão a divorciados? Volta-se?
Bem, quando se volta, volta-se para trás. Os tempos que se avizinham não vão ser fáceis. É a vida, feita de ciclos. Estamos a voltar a tempos obscuros, para depois, já demasiado longe para nós, podermos fruir da claridade do conhecimento e das suas boas práticas.

O VASCO PULIDO VALENTE, HOJE, NO PÚBLICO

Corram já até um ponto de venda de jornais e comprem o Público. Leiam o artigo do VPV. E já agora leiam também o Barreto sobre a Ota, e não só.

sábado, 24 de março de 2007

SEMPRE QUE NÃO SE PUNE, PENALIZA-SE O JUSTO


Em Portugal há o drama, gravíssimo, da impunidade das pessoas que agem com desonestidade e com dolo para terceiros. Essa impunidade é um castigo para os cidadãos de bem que agem dentro dos parâmetros da cidadania consciente, com honestidade e integridade.
Como há muito venho dizendo, se as áreas da justiça e da instrução estão mal, o país está muito mal. Se não houver justiça quem acredita na viabilidade do país?

sexta-feira, 23 de março de 2007

O MÉRITO DA REFLEXÃO

No Público
Qualificações
18.03.2007, Vasco Pulido Valente

A um ano da eleição para a presidência do partido (Março, Abril de 2008), o PSD já anda num enorme frenesim. Fora Marques Mendes não há nenhum candidato declarado. Mas parece que Luís Filipe Menezes, Rui Rio, Aguiar Branco, António Borges (que, segundo consta, ainda continua vivo) e o próprio Marcelo pensam em se candidatar. Não se pode imaginar uma colecção mais triste. Mesmo um país pequeno e habituado à mediocridade merecia melhor. Para se aspirar a primeiro-ministro é talvez preciso um passado, uma obra, uma reputação nacional e, se não for pedir muito, uma ideia ou outra com alguma pertinência e algum sentido. Em vez disso, no PSD basta um pouco de popularidade local ou uma forma qualquer de fama, merecida ou imerecida, para um indivíduo se julgar apto a pastorear a Pátria.Esta desgraça não é privativa do PSD. Toda a gente se queixa da qualidade do pessoal político e toda gente percebe que, de ano em ano, as coisas pioram. Tivemos Cavaco, que não é, coitado, um grande espírito. Tivemos Guterres, que fugiu do "pântano". Tivemos Barroso, que tratou de si. Tivemos Santana, que nem dele sabia tomar conta. E hoje temos Sócrates, um aparatchik, autoritário e pardo. Donde vieram eles? Cavaco de onze meses no Ministério das Finanças. Guterres directamente da máquina do PS (nunca esteve antes no Governo). Barroso de secretário de Estado da Administração Interna e ministro dos Estrangeiros. Santana de secretário de Estado da Cultura. Sócrates de ministro do Ambiente. Por outras palavras, nenhum deles fez, como seria de esperar, uma carreira normal: do Parlamento para secretário de Estado, de secretário de Estado para ministro; e da periferia do poder (a Cultura, o Ambiente) para o centro do poder (Segurança Social, Saúde, Educação, para começar, e a seguir Administração Interna, Estrangeiros, Finanças). Chegaram os cinco a primeiro-ministro sem uma experiência séria e pessoal do "monstro" que iam dirigir e com um absoluto desconhecimento do país. Cada um via Portugal e os portugueses pela sua pequena fresta (das Finanças, dos Estrangeiros, da Cultura ou do Ambiente). Não passavam os cinco de amadores, sem maneira de avaliar ou de medir o que lhes diziam e, como é óbvio, só nos deixaram sarilhos.Surpreendentemente, esta sociedade obcecada com a segurança e a "excelência" não exige qualquer espécie de qualificação política ao primeiro-ministro. Não ocorreria a ninguém ser operado por um estagiário. Mas ninguém se importa de ser governado por um conspirador de sótão, um secretário de Estado da Cultura ou um ministro do Ambiente.

quinta-feira, 22 de março de 2007

quarta-feira, 21 de março de 2007

segunda-feira, 19 de março de 2007

domingo, 18 de março de 2007

quarta-feira, 14 de março de 2007

ESTAGNAÇÃO! OS PRÓXIMOS 25 ANOS.

O ex-ministro das Finanças Ernâni Lopes afirmou hoje que a economia portuguesa "está a definhar" e este será o cenário dos primeiros 25 anos do século XXI "se não se fizer nada" para corrigir esta evolução espontânea.
Noticia, aqui, o JN.

terça-feira, 13 de março de 2007

E NÃO HÁ RESPONSABILIDADE?

Como sempre, comparemo-nos com a Espanha. Portugal e Espanha são membros da União Europeia a partir do mesmo dia. A Espanha, capaz de escolher políticos competentes, prosseguiu na senda do desenvolvimento e progresso. Portugal, habitado por idiotas, que são os portugueses no seu conjunto e totalidade, que sempre foram incapazes de, desde essa data, escolher um único dirigente político competente, afundou-se. Só escolheu tipos que se limitaram a gerir os seus gangs pessoais e clubistas, desbaratando o país e engrossando as fortunas das claques.
Mas porque é que ninguém em Portugal pergunta quem foi ou foram os responsáveis pelos desastres sucessivos de governação que levaram o país a este estado? E conhecidos os responsáveis porque é que não são devidamente responsabilizados e punidos? A instauração da pena de morte só para políticos era algo exagerado?

segunda-feira, 12 de março de 2007

UM FIM PARA PORTUGAL?

«E se o Cavaco falhar, as reformas serão feitas fora do regime democrático. Às vezes não temos noção da fragilidade da situação. se falharmos, daqui a dois anos estão a dizer-nos: saiam do euro se faz favor, e a seguir , talvez, saiam da UE. Podemos vir a ter um destino argentino.»
Disse o Miguel Júdice em entrevista À Única do Expresso de Sábado. Eu ando a dizer isto, mais ou menos há já bastante tempo, mas dito por ele tem outra "luminosidade". Mas este fim de semana teve mais ditos interessantes. Foi um fim de semana produtivo. Vejamos mais.
«Fazer reformas, sem qualificar propósitos ou objectivos, é hoje sinónimo de boa política. (...) Por um lado, cresceu sempre a mitologia das reformas: é preciso fazê-las, muitas e depressa, cada vez mais, doa a quem doer. Por outro, foi-se perdendo o sentido final das mesmas. Em simultâneo, consolidou-se uma espécie de liturgia, com as suas regras. (...) A energia reformista, sem qualificação, tem tanto de louvável quanto de perigoso. »
Disse o António Barreto, ontem, no Público.
«O país vive uma terrível crise de auto-estima. De cada vez que um de nós vai a Espanha traz mais histórias demonstrativas da diferença de ritmo. »
Disse o Miguel Júdice, na Sexta-feira, no Público. E esta de fazermos a comparação com a Espanha já é algo muito batido neste blog. Mas é sempre bom insistir. A Espanha vai no seu 3º primeiro ministro constitucional pós 1975. Em Portugal já houve vários individuos sentados nessa cadeira, sem que algum deles alguma vez fosse um verdadeiro primeiro ministro cuidando dos interesses do país. Azar o nosso? Não. Se os portugueses não prestam, os ministros reflectem isso mesmo. É tudo da mesma massa. Se por acaso ouvirem os fóruns onde os cidadãos debitam opinião acerca de tudo, percebem logo que, para além da queixa legítima, tudo o resto é uma pobreza mental. Há um atraso conjuntural e estrutural da população que é a razão de ser do estado actual do país. «O atraso português. O meu objectivo nos anos que me restam é lutar contra o arcaísmo português que é uma hidra de sete cabeças», disse o Júdice na cita da entrevista ao Expresso.Quanto a mim não há solução. Um destino como o da Argentina? Pior, porque a Argentina já conseguiu dar a volta, o que Portugal nunca conseguirá fazer. Se a auto-estima já é muito má, com a qualidade de vida a agravar-se tenderá a ser pior e irreversível. Vencidos da vida? Não. Não há repetição. Irá haver, sim, extinção. Repito o lema deste blog:«mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara.»

domingo, 11 de março de 2007

BLOG DA LIVRARIA SOLMAR

A livraria Solmar já tem um blog. O link fica aqui ao lado para os distraídos.

A VOZ DA RAZÃO

Neste post do preciso e atento Jorge Rojas, podemos antever com acuidade os problemas que aí se aproximam.

sábado, 10 de março de 2007

HONRA AOS EX-COMBATENTES

Soube agora que a Liga dos Antigos Combatentes vai empenhar-se em trazer os corpos dos caídos no antigo ultramar, e lá enterrados, para as terras que os criaram. Honra a esses caídos. Desonra a um país que não trata com dignidade os seus ex-combatentes. E nunca esqueceremos uma forças armadas, a instituição militar, que se esqueceu dos homens que passaram pelas fileiras. A instituição militar esquece-se com muita facilidade que se existiu foi foi para serviço do país e não para ser servida pelos cidadãos do país. Não esqueço e não perdoo. Lembro-me sempre de ex-combatentes que sofreram o que Deus sabe e que hoje vivem abandonados e sem condições, embora as mordomias para os actuais militares sejam escandalosas.
Honra aos que caíram e aos que lutaram numas Forças Armadas que acabaram quando a instituição militar deixou de ser digna da herança do valor de homens que ao longo de séculos lutaram pelo país com orgulho e dignidade. Desprezaram os ex-combatentes. Só cuidam das suas mordomias e sobrevivência.

SEMPRE A BOA ORDEM REPARA MUITO DANO

Deste salutar princípio se deriva ser necessário conhecer os domésticos que o servem, principalmente os que estão encarregados das despesas da sua real casa, escolhendo um fiel controleur ou revedor de suas contas, para escrupulosamente as examinar e a cada três meses as possa pôr diante do príncipe, e então as aprove. Bem sei que esta precaução em uma casa real não poderá evitar todos os descaminhos, pois são tantos a furtar e um só a prevenir os furtos disfarçados com outros nomes; porém sempre a boa ordem repara muito dano.
Do Testamento Político de D. Luís da Cunha.

É NECESSÁRIO RESPONSABILIZAR OS POLÍTICOS PELOS ERROS QUE COMETEM, E QUE TODOS PAGAM.

Hoje o Público, no Editorial, avança na linha do post que aqui coloquei na passada Segunda -Feira. Bem hajam. Ainda é pouco, mas começa-se a fazer caminho.

sexta-feira, 9 de março de 2007

HÁ SEMPRE UM FIO CONDUTOR

Há sempre um fio condutor. Foi o que encontrei na legenda desta foto, que encontrei no Domingo, à venda, a caminho do Nordeste. Reparem bem na data.
O Nuno Barata colocou um post sobre este "fio" lá no seu FOGUETABRAZE, de um artigo que escreveu na FACTOS.
Era bom que as pessoas conseguissem perceber o porquê do fio. Se não o conseguirem só barafustam à toa, como está a acontecer com um tal pseudo concurso. O problema está nos portugueses e não numa ou noutra pessoa. E, historicamente, os portugueses nunca foram lá muito bons para a democracia.
PS: Um bom encontro nas Furnas para os bloguistas lá presentes. Infelizmente não posso estar presente.

segunda-feira, 5 de março de 2007

E NÃO HÁ NINGUÉM RESPONSÁVEL POR ESTA BURRICE E ESBANJAMENTO?

Os novos sistemas de pagamento por Multibanco junto das patrulhas da Brigada de trânsito da GNR são ineficazes. Disse o Secretário de Estado que iriam ser substituídos por terminais de computador mais modernos, eficientes e práticos.

Mas impõe-se a pergunta que ainda não vi nem ouvi ninguém fazer: Então não há responsável pelo descalabro?

Sim, se ninguém experimentou bem o sistema antes de o comprar? A quem interessa estes negócios? Quem vai pagar este esbanjamento? E a perda de tempo? Ninguém é punido, despedido, responsabilizado?

Mais uma vez a culpa morre solteira. Este país já não tem solução. Nem emenda.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

sábado, 24 de fevereiro de 2007

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

CIRCUNSTÂNCIA

"eu, sou eu e a minha circunstância"

Ortega

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

LEITOR DE BOM SENSO

Leitor de bom senso. É assim que Eça, em Maio de 1871, se dirige aos seus leitores para lhes dizer o seguinte:
«O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solida­riedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce... O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguel. A agiotagem explora o juro.
De resto a ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro.

(…)

Não é verdade, leitor de bom senso, que neste momento histórico só há lugar para o humorismo? Esta decadência tornou-se um hábito, quase um bem-estar, para muitos uma indústria. Parlamentos, ministérios, eclesiásticos, políticos, ex­ploradores, estão de pedra e cal na corrupção.
»
Eça de Queiróz, in "Uma Campanha Alegre"
Sempre assim se constatou. Este texto é muito actual. Não é Portugal que está na mesma. Os portugueses é que são os mesmos e não têm emenda. Ou melhor, nunca se querem emendar. Acham que sobrevivem no limiar no desenrascanço. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Lembram-se dos alunos do 12º ano de Guimarães? Lembram-se dos que elegem autarcas cuja prática ...? Pois é. O Eça já tinha visto isto tudo. Por isso também podem saber, e bem, como é que que vai acabar, ciclicamente, o país.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

COOPERATIVAS E FUNCIONAIS

«Usando a sua criatividade, o secretário- -geral criou uma expressão, que merece fazer carreira, para designar os eventos que se transformam em causas, chamando-lhes problemas sem passaporte. A mensagem mais importante que a fórmula transmite é precisamente a da ultrapassagem do modelo dos soberanismos arquipelágicos, de facto a ignorância das fronteiras, e a pressão sobre poderes políticos para que remodelem a própria definição, assumindo as soberanias como cooperativas e funcionais.»
Adriano Moreira, no DN de hoje.

E FOI DITO

«Como toda e gente sabe, o PSD voa, voa e voa e é de quem o apanhar. O que é não conta e nunca contou. »
VPV, no Público de 18.02.2007

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

E DAQUI DO LADO ...

«Sin embargo, en el discurso político-económico portugués, España es quizá un modelo de referencia más que un socio estratégico de primer orden. Los portugueses miran con una cierta envidia sana los índices de crecimiento de España. Realmente los fondos europeos han contribuido al nuevo milagro económico español, mientras que en Portugal se tiene la sensación de no haber aprovechado lo suficiente el tiempo y el dinero otorgados por Bruselas, algo que España sí supo hacer desde el primer momento de su adhesión. Con todo, las inversiones españolas en Portugal siguen suscitando suspicacias en medios políticos y financieros, lo que no sucede en el caso de los capitales franceses, británicos o americanos, por citar algunos ejemplos.»
Antonio R. Rubio Pio, ARI nº10/2006, R.I.E.

AINDA PARA A SOFIA

A Sofia, há uns dias atrás, picou-me. E bem. Dei depois resposta. Ela nada me disse sobre a resposta. Mas digo-lhe mais, hoje. Os post’s que venho aqui colocando, há quase um ano, com abordagens sérias a problemas complicados não têm, geralmente qualquer comentário. O que me satisfaz. E me dá razão. As pessoas, em geral, não se interessam por assuntos complicados. Temas complicados não despertam interesse. Só o falso mundanismo capta a atenção dos portugueses. Por isso, Sofia, o lema deste blog está muito certeiro.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

SEM JUSTIÇA

« O problema é que a justiça não consegue dar conta do recado. Os atrasos, a incúria na investigação e as chicanas processuais são tais que o recurso à justiça é um acto de desespero, não um gesto de defesa de direitos ou de mera arbitragem de conflitos.Recorrer à justiça, hoje, é sinal de impotência. Recorre--se à justiça porque a legislação, os mecanismos de poder, os processos de decisão e os circuitos de informação são deficientes e medíocres. Pede-se justiça porque há cada vez mais a consciência da fraude e da corrupção de que os poderosos se gabam impunemente. Mas recorrer à justiça é também, cada vez mais, inútil. É essa percepção que torna o crime fácil. É essa sensação que faz com que gestores, autarcas, políticos e empresários sintam que têm o caminho livre à sua frente, que tudo lhes é permitido. Antigamente, só as classes altas pensavam assim. Hoje, o sentimento de impunidade democratizou-se. Ao sangue e ao dinheiro, juntaram-se os votos e os cargos públicos. E, sem justiça, não há volta a dar. »
António Barreto, no Público de hoje.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

ATRÁS DO PODER

«Para conquistar o poder, é simultaneamente necessário desejá-lo e necessário que os outros o saibam. O povo vai atrás daqueles que tentam seduzi-lo e não atrás dos que fingem resignar-se a ser desejados. O poder raramente é conquistado por acaso ou por abandono dos concorrentes.
Porquê correr atrás do poder? Para se afirmar face aos outros? Pelo prazer de ser poderoso? Pelo desejo de domínio? Pela necessidade de se sentir temido e admirado, de se ver no centro dos acontecimentos, de ter peso na vida dos outros, de ter uma vida que dê a sensação de plenitude, de poder imprimir a sua marca na História? Será por isso ou será para concretizar em actos as suas ideias, ao serviço do seu país?
- Não é a mesma coisa. Ou bem que o poder é um fim em si mesmo, ou bem que é apenas um meio para alcançar um fim que lhe é superior. Os povos querem sentir as duas coisas em quem lhes pede os votos.»
Edouard Balladur, in "MAQUIAVEL em Democracia"

A EMBOCADURA


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

O TEMPO URGE

«São necessários resultados a breve prazo, sob pena de não haver tempo para cumprir os objectivos do défice para 2007.
(...)
Está também em causa a imagem internacional do país, seja junto dos mercados, dos investidores ou das agências internacionais de rating, seja ainda junto da União Europeia que, apesar de tudo, nos deu o benefício da dúvida por três anos. E com a França, a Alemanha, a Itália e a Grécia oficialmente "bem- comportadas" ninguém pode esperar mais benevolência.»
Luís Campos e Cunha, hoje no Público.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

OA AMERICANO NÃO ENTENDEM A HISTÓRIA

Os americanos dos E.U.A. sabem muito de história, mas não a entendem. Por isso desatam a agir sem cautelas pelo que, muitas vezes, redundam em disparates as suas intervenções pelo planeta. Agora deparam-se com um problema. Como resolver a questão internacional à volta do médio oriente, de forma a que ninguém perca a face, incluindo eles próprios, porque eles têm de compreender que o não perder a face é a chave do problema. Depois também não sabem perguntar. Porque têm a arrogância de que sabem tudo. E, ainda pior, quando perguntam nunca sabem bem a quem o fazem. E às vezes também falta paciência para ensinar a quem é renitente em querer aprender. Depois, como é lógico, vão-se estampando com custos pesados para eles, e para muitos mais.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

A CRISE MORAL DOS PORTUGUESES

«Para além de tudo, paira o problema mais grave. Assume maior serie­dade, como se procurou sublinhar nas páginas que ficam para trás, a crise moral que os Portugueses atravessam. Como se manifesta? Por mil modos: pela recusa de ver os múltiplos perigos que os ameaçam; pela aceitação e procura constante da opção mais fácil; pela indiferença perante valores nacio­nais, sejam a língua ou as fronteiras, sejam a cultura ou a história, sejam a própria soberania e a independência; pela convicção generalizada de que é irreversível e inevitável (como se em história houvesse o que quer que fosse de irreversível ou de inevitável, salvo o que depender de uma vontade firme) fazer o que os outros pretendem, ou legislam, ou recomendam; pela apli­cação de conceitos que os grandes países imaginam ou propõem (mas que não aceitam para si mesmos); pela submissão passiva e inconsciente, e até alegre e eufórica, aos interesses de terceiros (como se já fossem também os dos Portugueses); pela insensibilidade perante quanto destrói ou pode destruir a raiz portuguesa e põe em causa o próprio cerne da nacionalidade; e enfim pela euforia, tão pueril quanto oportunista, tão crédula quanto mate­rialista, com que se deixa arrastar na onda do internacionalismo, do inte­gracionismo, na suposição de que os outros também o fazem, e sobretudo na crença de uma vida fácil e rica, que o será sempre e sem esforço, e seja qual for a origem da riqueza, seja qual for a subordinação criada. E neste transe os Portugueses parecem esquecer três aspectos fundamentais: Portugal não tem tipicidade suficiente para enfrentar sem defesa forças que atingem o seu cerne, e resistir-lhes, e sobreviver, continuando a ser Portugal; tem uma vulnerabilidade de interesses vitais (5) que lhe consente apenas muito reduzido espaço de manobra, pelo que o seu comportamento perante terceiros tem de ser cauteloso e não pode sofrer desvios de monta; e não pode por isso cometer erros históricos, sob pena de ser esmagado e absor­vido pelo turbilhão de forças exteriores. Tudo quanto Portugal perder, ou alienar, ou lhe for tomado, é irrecuperável: em termos territoriais, políticos ou económicos. Por outro lado, tanto que se prolonga esta viragem, de que se ocupam os Portugueses – na sua vida colectiva e na sua intervenção polí­tica? Afigura-se exacta esta síntese: empenhando-se em tudo que é secun­dário e discutindo tudo o que é processual; preocupando-se com o que é imediato ou pessoal, ou de grupo, ou de partido; e transformando em problemas nacionais o que não passa de subtileza adjectiva. E deste modo parece de dizer que ou retomamos às raízes e retomamos a linha segura do nosso destino – ou seguimos pelo caminho de Bizâncio – substituindo os factos nossos pelos mitos dos outros.


(
5) Os Estados Unidos da América podem perder uma guerra do Vietname: sofrem um trauma nacional; mas os seus interesses vitais não foram atingidos. A França pode perder uma guerra, e ser ocupada, e sofrer graves prejuízos; mas continua a ser a França, porque não fo­ram afectados os seus interesses vitais. O mesmo sucede com uma Alemanha, ou um Japão, ou com aqueles países cuja independência está ligada a necessidades de equilíbrio entre os grandes. Nenhum daqueles é o caso de Portugal.»
Franco Nogueira, in "Juízo Final".

UM TIPO DE COMPORTAMENTO

«Estou pronto para generalizar a partir da minha experiência pes­soal e para admitir que os valores postulados pela teoria económica são, de facto, relevantes para as actividades económicas em geral e para o comportamento dos participantes do mercado em particular. A generalização justifica-se porque os participantes do mercado que não se regem por estes valores sujeitam-se a ser eliminados e reduzi­dos à sua insignificância pelas pressões da concorrência.
Pela mesma razão, a actividade económica representa apenas uma faceta da existência humana. Muito importante, sem dúvida, mas há outros aspectos que não podem ser ignorados. Para fins imediatos, distingo as esferas económica, política, social e individual, mas não pretendo atribuir grande importância a estas categorias. Facilmente se introduziriam outras. Podia, por exemplo, mencionar a pressão dos rivais, a influência da família ou a opinião pública; mas também podia distinguir entre o sagrado e o profano. O ponto aonde pretendo chegar é que o comportamento económico é apenas um tipo de comportamento e que os valores que a teoria económica toma como dados adquiridos não são os únicos que predominam na sociedade. É difícil ver como poderiam os valores pertencentes a essas diferentes esferas ser sujeitos a cálculo diferencial como curvas de indiferença
.»
George Soros, in " A CRISE DO CAPITALISMO GLOBAL - A Sociedade Aberta Ameaçada"

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

A FRASE

«A paixão foi inabitual e a linguagem, frequentemente, extrema. Tanto entre os partidários do "sim" como entre os partidários do "não". O que serviu para nos lembrar, e avisar, que pela nossa como por qualquer democracia se passeiam sempre milhares de pequenos ditadores.»
VPV, ontem no Público

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

A LER

«Os que queimam os livros, que proscrevem e matam os poetas, sa­bem rigorosamente o que fazem. O poder indeterminado dos livros é incalculável. É indeterminado precisamente porque o mesmo livro, a mesma página pode ter efeitos inteiramente díspares sobre os seus lei­tores. Pode exaltar ou aviltar; seduzir ou repelir; intimar à virtude ou à barbárie; expandir a sensibilidade ou banalizá-la. Em termos extre­mamente desconcertantes, pode fazer uma e outra coisa, quase no mesmo momento, num impulso de resposta tão complexo, tão rápido na sua alternância e tão híbrido que nenhuma hermenêutica, nenhuma psicologia poderá predizer ou calcular a sua força. Em diferentes mo­mentos da vida do leitor, um livro despertará reflexos inteiramente di­ferentes. Não há na experiência humana fenomenologia mais com­plexa do que a dos encontros entre texto e percepção, ou, como Dante notou, entre as formas da linguagem que excedem o nosso entendi­mento e as ordens de compreensão frente às quais a nossa linguagem se revela insuficiente: la debilitate de lo'nielleto e la cortezzadel nos­tro parlare.»
George Steiner, in "Os Logocratas".

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

MISÉRIA, EXISTE. MUITA E DE VARIADA ESPÉCIE.

Ouvi hoje uma notícia, que não me surpreendeu, porque simplesmente acrescentou mais um elemento ao suporte das minhas divagações.
Uma mulher, esposa e mãe, julgo que de três filhos, terá inventado uma doença do foro oncológico com o fim de, pela comiseração geral, poder angariar, sobretudo, alimentos para dar aos filhos, que informou passarem fome. A generosidade acabou por dar muito mais coisas. Entretanto foi descoberto o logro.
Este caso, entre muitos outros similares, demonstra a miséria em que o povo português vive, quer seja em Portugal ou explorado em quase escravatura na Holanda. E depois socorre-se de qualquer esquema para tentar sobreviver, já nem sequer dignamente, mas só sobreviver, poder acordar no dia seguinte porque comeu qualquer coisinha no dia anterior. A súmula da miséria económica com as outras misérias, a miséria moral e a miséria de espírito acabam por fazer o enquadramento do português hodierno.
Eu não consigo criticar aquela mulher. Eu sei que na sobrevivência vale tudo, mesmo tudo. Critico os hipócritas que nunca tomaram medidas para evitar a miséria onde atolaram os portugueses, porque muitos dos que por aí andam a querer penalizar a miséria de muitas mães foram, eles mesmo, detentores de cargos políticos e grandes responsáveis pelas políticas desastrosas que fragilizaram a vidas dos portugueses. A hipocrisia em Portugal anda muito descarada.